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O Teatro como forma de intervenção direta

Por Leila Maria Almeida Marques

Considerando a demanda em realizar pesquisas contínuas na área teatral, o grupo “Peça pro Povo”, do MST do Rio Grande do Sul, iniciou um processo de investigação em 2004, com a peça: “Morte aos brancos / Ayuca Karaibe”. Escrita por César Vieira, dramaturgo do grupo Teatro União e Olho Vivo - um dos principais e mais antigos grupos de teatro político em cena no Brasil, a peça tem como personagem central o índio Sepé Tiarajú.

Foram três anos de pesquisas e testes para adaptarmos o texto de César Vieira para o momento histórico que o MST e os demais movimentos de esquerda estavam vivenciando. Experimentamos várias maneiras de como melhor apresentar o texto, com o cuidado de evidenciar a nossa luta pela terra e denunciar a violência no campo, utilizando sempre metáforas. Para nós, a peça teria que cumprir determinadas funções como agitação e propaganda, relação com a sociedade e formação política e ideológica.

Nosso objetivo principal era a simplicidade, mas com uma forma estética capaz de sintetizar qualidade teatral e trazer a reflexão política e histórica das relações entre a luta indígena e o massacre desse povo e a luta da esquerda destas últimas décadas.

Definido que o texto seria adaptado o processo deslanchou a partir de alguns principais pontos. A pesquisa de campo com tribo de índios Guaranis, no Paraná, seminários para entender o momento histórico da época, análise de filmes, pesquisas musicais com grupo de negros Odomodê e um estudo aprofundado da peça de César Vieira.

Foi um processo intenso e totalmente coletivo. Aos poucos “erguemos” a história, montamos e desmontamos várias vezes. Todos os ensaios ocorreram no centro de formação Sepé Tiarajú, no assentamento Filhos de Sepé, em Viamão (RS), e a comunidade passou a conhecer as músicas da peça de cor. Muitas vezes fazíamos o ensaio aberto e convidávamos a comunidade para participar e sugerir.

Os companheiros e companheiras do assentamento contribuíram também na confecção dos figurinos da peça. Percebemos a emoção dos que participaram desse processo, em especial no 5° Congresso Nacional do MST.

Continuamos, em 2008, com a peça sendo apresentada como ferramenta de discussão e elemento para debater as questões da violência no campo, bem como as desigualdades do direito ao acesso à terra.

Cinco anos dos Filhos da Mãe...Terra

Por Maria Aparecida

Em maio de 2003, um grupo de jovens se reúne para fazer as primeiras atividades de teatro. É o início da história dos cinco anos dos Filhos da Mãe... Terra, do Assentamento Carlos Lamarca, Sarapuí, interior paulista. O grupo surgiu como uma forma de reunir novamente o grupo de jovens que existia no período de acampamento e início de assentamento. Divididos em lotes individuais, as famílias ficaram separadas umas das outras, o que impossibilitou a continuidade das reuniões semanais.

As atividades teatrais foram aos poucos se desenvolvendo e criando uma forma de trabalho coletivo do grupo. Depois de alguns meses, o estudo e apropriação de diversos materiais publicados em jornal impresso, telejornal, revistas, entre outros, tornou-se base para a primeira produção do grupo: a peça “Posseiros e Fazendeiros”, baseada na peça “Horácios e Curiácios”, de Bertolt Brecht.

Depois de uma primeira apresentação, dentro do assentamento, o grupo foi percebendo o teatro também como um espaço de diálogo muito importante com a sociedade. Por isso, o grupo foi se apresentar em diversos outros espaços como escolas, universidades, na II Mostra Latino-americana de teatro de grupo, sindicatos, entre outros. A ocupação destes outros espaços se consolidou como uma intervenção direta do MST. E não só por um único grupo, mas por todos os 35 grupos do MST organizados na Brigada Nacional de Teatro Patativa do Assaré.

Nesses cinco anos, o grupo Filhos da Mãe... Terra também comemora a possibilidade de repassar o que cada um foi aprendendo no decorrer de sua construção, através da multiplicação do fazer teatral, de oficinas para a socialização de um conhecimento adquirido coletivamente.

‹ Expediente acima O assentamento como um espaço de organização ›
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