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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

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O MST e as eleições municipais

Nos últimos anos, a classe trabalhadora tem vivido um longo período adverso com o domínio do capital financeiro e o descenso da luta de massas. A crise ideológica da esquerda, o abandono da perspectiva socialista por alguns setores e as transformações na organização do trabalho - com novas taxas de produtividade, de exploração e de lucro - têm acentuado este cenário de apatia das massas.

No entanto, não é apenas a esquerda que vive uma crise. Há uma falência de credibilidade do sistema político representativo e o principal poder de decisão não se encontra mais na esfera pública, mas em espaços privados. Hoje, grandes corporações multinacionais e organismos multilaterais, como o Banco Mundial, decidem muito mais sobre a vida das pessoas do que os governos de muitos países. O Estado se reduziu à políticas de compensação social, migalhas para acalmar os pobres e ações repressivas para combater aqueles que se organizam. E desta forma, se reduziram também os espaços de disputa de políticas públicas - que havia antes nos aparatos do Estado - entre a classe trabalhadora e a burguesia.

Neste contexto, as eleições, que sempre estiveram inseridas no cenário de luta de classes e que expressavam a correlação de forças, se transformaram apenas numa disputa publicitária. Não há disputa de projetos ou idéias. Há apenas os efeitos especiais, os shows e artistas e os candidatos apresentando-se como um produto. Tudo é mercadoria. Inclusive o voto. Estabeleceu-se um vale tudo, de compra de cabos eleitorais, compra de votos, manipulação de todo tipo, em que os vencedores são os que tiverem maior capacidade financeira.

Na tradição da esquerda, as eleições sempre foram um espaço para agitação e propaganda das bandeiras socialistas. Sem ilusões de que somente esta tática seria capaz de realizar transformações profundas na estrutura do sistema. Com o descenso do movimento de massas, o que era tático passou a ser estratégico. O que era um caminho para o acúmulo de forças se transformou na única alternativa. E assim, a esquerda agora se oferece para administrar o Estado burguês que devia combater.

Neste cenário adverso, hegemonizado pela burguesia, a classe trabalhadora vai participar das eleições sempre em posição recuada, subalterna, como expectadora de um jogo que sabe não ser dela e que não tem nenhuma chance de modificar. É um jogo de resultado anunciado, onde a classe trabalhadora não ganha.

Nosso movimento nasceu, se desenvolveu e cresceu defendendo acertadamente o principio da autonomia dos movimentos sociais em relação a partidos políticos, estado, igrejas e governos. Defendemos que nossa identidade e unidade devem ser construídas como classe trabalhadora e buscando alcançar um projeto político comum, que é de emancipação e libertação da classe trabalhadora e construção de uma sociedade mais justa e igualitária, socialista.

Assim, a posição do Movimento Sem Terra é de que não colocaremos nossas forças e energias a serviço das eleições municipais. Nossa militância não deve se disponibilizar nem para candidatarem-se, nem para atuarem como cabos eleitorais. E devemos combater e denunciar as práticas de compra de votos e de consciências.

Apoiaremos os candidatos que estejam comprometidos com a Reforma Agrária e com as verdadeiras mudanças que nosso país precisa. Mas entendemos que, principalmente, nossas energias devem seguir sendo colocadas no esforço de enfrentar os enormes desafios colocados para o MST e para a classe trabalhadora nessa conjuntura: formação de militantes, estímulo e organização de todo tipo de lutas sociais, construção e fortalecimento dos nossos veículos de comunicação, organizar a juventude urbana, debater um projeto popular para o país e buscar de todas as formas estimular o reascenso do movimento de massas. Estas são as únicas formas de sair da atual correlação de forças e entrarmos num novo período histórico do ciclo da luta de classes.

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