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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

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MST participa de Marcha Internacional Contra o Aquecimento Global

Integrantes de vários países percorreram 1,6 mil quilômetros em 80 dias

Por Cássia Bechara

Representantes do Brasil, El Salvador, Quênia, Congo, Tajiquistão, Índia, Bangladesh, Mali, Burquina Faso, África do Sul, Filipinas e de todo o Reino Unido, iniciaram em Belfast, na Irlanda do Norte, no dia 14 de julho, a mais longa marcha de protesto da história do Reino Unido.

A Cut the Carbon March - Marcha Internacional Contra o Aquecimento Gglobal e pela redução de dióxido de carbono na atmosfera, organizada pela Christian Aid - atravessou a Escócia, o País de Gales e a Inglaterra, percorrendo 1,6 mil quilômetros em 80 dias. A marcha terminou em Londres, em 02 de outubro, com um ato em frente à Bolsa de Valores.

O Brasil foi representado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Comunidade Quilombola de Linharinhos, do Espírito Santo - uma das comunidades que teve terras invadidas pela empresa Aracruz Celulose.

O Reino Unido tem emitido dióxido de carbono na atmosfera desde a Revolução Industrial. Por outro lado, os que mais sofrem os efeitos das mudanças climáticas são os povos dos países pobres. Os países ricos devem assumir a responsabilidade pela destruição ambiental causada pelo modelo de desenvolvimento e pela cultura de consumo promovido por eles.

Durante os três meses da marcha os marchantes participaram de diversos atos públicos e debates, onde foram discutidas as causas das mudanças climáticas e também as chamadas “alternativas verdes”, apresentadas pelo mercado, como os agro-combustíveis, créditos de carbono e o mercado de produtos ambientalmente responsáveis, que tem crescido absurdamente na Europa.

Mas não serão estas as soluções para a redução das emissões de carbono que estão destruindo nosso planeta. São oportunidades de negócio, que geram lucro para as grandes empresas, trazendo mais concentração de terra, exploração do trabalho e do meio ambiente nos países pobres.

Para nos, do MST e Via Campesina, a luta contra o aquecimento global passa pela luta contra o agronegócio e as monoculturas, inclusive as de cana-de-açúcar e soja para a produção de agro-combustíveis. Empresas como a Aracruz Celulose, recebem dinheiro de créditos de carbono que são usados para expandir monoculturas que são socialmente e ambientalmente destrutivas.

Na coréia do Sul capitalista movimentos buscam unidade

Por Fátima Ribeiro

Após a segunda guerra mundial, em 1945, as superpotências do mundo dividiram a Coréia em zonas de influência política e três anos depois dois governos asiáticos foram instalados: um norte comunista e um sul influenciado pelos Estados Unidos.

A República da Coréia, ou a Coréia do Sul, é um país que ocupa metade da península da Coréia limitada ao norte com a Coréia do Norte e ao leste com o Mar Leste do Japão.

Hoje, na Coréia do Sul, a situação no campo é muito difícil. Somente 4% dos agricultores permanecem no campo. Desde 1980, a imposição de políticas da Organização Mundial do Comércio trouxe várias conseqüências à vida dos camponeses coreanos. E a população está temerosa com a insistência dos Estados Unidos em buscar o Tratado de Livre Comércio com a Coréia.

As principais organizações camponesas avaliam que entre as diversas conseqüências desta política estão a baixa dos produtos da agricultura, em especial o arroz, a imposição de sistemas de monocultura, e o êxodo rural. Inclusive, as estatísticas apontam que aumenta o número de suicídios entre os agricultores.

Na cidade, os trabalhadores têm enfrentado outros tipos de problemas, mas causados pelo mesmo inimigo. O número de trabalhadores irregulares aumenta (65%) junto com o desemprego. Apenas 10% dos trabalhadores estão sindicalizados e 0,8% estão regularizados.

O movimento sindical passa por um momento em que busca organizar os diversos sindicatos de trabalhadores regulares e os trabalhadores irregulares para a proteção de direitos. Estes trabalhadores estão lutando contra a flexibilização do trabalho e por novas leis trabalhistas.

As organizações de esquerda são bastante combativas e realizam várias atividades em conjunto. No campo as duas principais são a Associação de Mulheres Camponesas da Coréia (KWP) e a Liga de Associações Camponesas da Coréia (KPL). Hoje, as duas associações enfrentam o desafio de encontrar unidade para enfrentar o projeto neoliberal em curso no país.

Os movimentos dos estudantes universitários também estão bem organizados, embora eles analisem que têm perdido sua capacidade de mobilização devido à concorrência que o neoliberalismo tem provocado entre os estudantes na busca por emprego.

Das diversas outras organizações que buscam a unidade na luta estão o Grupo de Mulheres Coreanas e os grupos que lutam contra as bases militares da Coréia, que em algumas cidades conseguiram cessar os treinamentos militares. As mulheres organizam a comunidade e já conseguiram construir uma creche com um prédio de três andares para incentivar os militantes. São 100 crianças e 30 bebês. Os pais ajudam nas noites em que as mulheres têm atividades políticas e nos finais de semana.

Por fim gostaria de destacar a importância de luta pela unificação das organizações populares na Coréia. Alguns dos diversos movimentos sociais e partidos políticos conseguiram se unir na Aliança Progressiva da Coréia, a KAPM, que levou quase dois anos para se consolidar e se formou a partir das organizações pela reunificação da Coréia e contra as bases militares.

O que é

KWP: Fundado em 1989, inicialmente uma organização de mulheres que participavam da igreja. Realizam trabalham em conjunto com as mulheres vítimas da violência cometida pelos Japoneses.
KPL Esta Liga de Associações busca resgatar a história dos agricultores desde o tempo de sua colonização e se organizarão e fundaram após a ditadura militar. A criação do KPL em fevereiro de 1990, comemora o 17 aniversário do KPL em 2007, estão organizados em todos os pais aonde há presença de agricultores.

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