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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

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Mobilizações marcam o mês de agosto nos estados

11ª Romaria denuncia morte dos rios e concentração fundiária

"Terra e Água, no campo e na cidade. A vida em primeiro lugar"

Por Joana Tavares

Pela primeira vez realizada em um grande centro urbano, a 11ª Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais reuniu mais de 15 mil pessoas no dia 19 de agosto em Belo Horizonte. Uma semana antes da grande celebração, cerca de 200 missionários e missionárias de todas as regiões do estado percorreram bairros, periferias e comunidades da Região Metropolitana para debater os temas da Romaria, como a transposição do Rio São Francisco, a necessidade de revitalização dos rios e nascentes, o preço da energia, a Reforma Agrária e outros.

Ademar Ludwig, da coordenação estadual do Movimento, afirma que Belo Horizonte é um espaço em que o capital financeiro está constituído, os meios de comunicação estão concentrados e que abriga metade da população do estado. “Para nós é importante estar aqui fazendo a denúncia de que milhões de camponeses moram na cidade porque não foi feita a Reforma Agrária e somar forças com as pessoas que também querem construir uma outra sociedade”, afirma.

Organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cáritas Regional MG, Arquidiocese de Belo Horizonte, Comunidades Eclesiais de Base, pastorais e movimentos sociais, a Romaria é construída ao longo de um ano de debates.

Neste ano, foram percorridos cerca de cinco quilômetros na Via Expressa, no centro da capital. Os manifestantes caminharam ao longo do ribeirão Arrudas - que recebe grande parte do esgoto da cidade e teve seu leito coberto por cimento como parte da obra Linha Verde, promovida pelo governador Aécio Neves (PSDB). Cruzes deixadas ao longo do viaduto denunciavam a poluição e o sepultamento de mais de 200 rios e córregos no estado de Minas Gerais.

A celebração final foi realizada na Praça da Estação, com a presença do arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo e do conselheiro permanente da CPT, Dom Tomás Balduíno - que defendeu a importância e urgência da realização de uma verdadeira Reforma Agrária, "sem latifúndios e sem exclusões".

Arte e cultura na transformação do indivíduo

É necessário compreender e interpretar não somente a arte, mas também a cultura e o trabalho

Por Alessandra Silva

A arte e a cultura, no conjunto do Movimento, e também para o estado do Mato Grosso do Sul, era e é a porta de entrada para ajudar os indivíduos a se situarem na realidade e a partir daí elevar o nível de consciência. Se cultura é tudo aquilo que se manifesta por meio do trabalho e se vivemos em uma sociedade dividida em classes, com exploradores e explorados, precisamos compreender e interpretar não somente a arte, mas a cultura como um todo.

O setor de cultura no estado teve como estratégia a aproximação com outros grupos, para organizar a classe trabalhadora e demonstrar a importância da reforma agrária para o todo da sociedade. Outro ponto importante estava voltado para dentro do MST para buscar compreender a cultura de massa e o entretenimento como forma de transformar a arte em simples mercadoria.

Neste sentido, em 17 de abril de 1999, o Movimento realizou uma ocupação com 1,2 mil famílias no município de Novo Horizonte do Sul (MS). Nesse período, surge a necessidade de realizar atividades culturais no acampamento, que deram origem ao grupo de Teatro Utopia.

O grupo se apresentou em uma marcha do interior até a capital do estado, Campo Grande. Durante 33 dias, realizaram apresentações e declamaram poesias nas escolas, durante o trajeto. Duas peças foram criadas especialmente para a marcha: Shoou Caipira e Reforma Agrária pelo Correio.

Na época da campanha contra a Alca, em 2002, os dez integrantes do grupo decidem escrever a peça Alcapeta – que fazia uma critica à criação do bloco econômico. A partir daí, começaram a se apresentar em diversas atividades no estado e consolidam uma parceria com o Projeto Terra e Cidadania para criar outros grupos de teatro do estado.

Entre as várias oficinas realizadas com os militantes, voltadas para brigadas de teatro, é consolidada a brigada estadual Filhos da Terra. Desde então, outros seis grupos surgiram: Filhos da Cultura, Águia da Fronteira, Mensageiros da Cultura, Carlos Lamarca, Fruto da terra e Raízes Camponesas. Hoje podemos dizer que existem 300 pessoas participando diretamente nas atividades de teatro no estado. E a arte e a cultura continuam sendo pontos estratégicos fundamentais para a transformação social, tanto para o MST quanto para outras organizações e grupos teatrais espalhados no Brasil e em toda a América Latina.

MST participa de fórum sobre expansão da cana-de-açúcar no Pontal

Por Ana Maria Straube

Entre os dias 21 e 23 de agosto, foi realizado o I Fórum Regional sobre a Expansão da Monocultura da Cana: “Cenários e Tendências para o Pontal do Paranapanema”. A atividade aconteceu em Presidente Prudente, região do Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo.

O objetivo do I Fórum da Cana foi discutir as implicações trazidas pelo aumento do cultivo da cana-de-açúcar destinado à produção de combustível, além de proporcionar à sociedade do Pontal do Paranapanema uma reflexão sobre as conseqüências sociais e ambientais geradas pelas Usinas Agro-açucareiras. Entre elas, estão a superexploração do trabalhador no corte da cana, a contaminação de mananciais, a destruição das matas ciliares e as queimadas.

No caso específico do Pontal - área de intensos conflitos sociais - os impactos da opção pelo modelo agroexportador são ainda mais visíveis. O MST acredita que a expansão das lavouras na região vai inviabilizar a realização da Reforma Agrária, reivindicação histórica dos trabalhadores e trabalhadoras rurais do Pontal.

Os principais temas de debate foram: a expansão do agronegócio, a questão dos trabalhadores, migração, meio ambiente, desenvolvimento sustentável e Reforma Agrária.

A atividade aconteceu por meio da parceria entre o MST, o Centro de Direitos Humanos Evandro Lins e Silva, a Comissão de Instalação das Ações Territoriais, a Associação Brasileira de Reforma Agrária e o projeto Balcão de Direitos “Cidadania e Direitos Humanos para o Pontal do Paranapanema”, da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

Ainda em SP: MST inaugura cursos de agroecologia

Começaram em 20 de agosto, as aulas do curso médio integrado ao técnico em agroecologia nas regiões Sudoeste e Pontal do Paranapanema. As atividades começaram com aulas magnas nos dias 16 e 17 de agosto. A idéia do curso nasceu a partir de experiências agroecológicas feitas nos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária. O curso tem duração de três anos, divididos em seis etapas de 50 dias. As turmas são formadas por 60 educandos.

Assentados da Reforma Agrária iniciam curso de direito em Goiás

Por Maria Mello (DF)

Trabalhadores rurais de 19 estados brasileiros iniciaram dia 20 a primeira turma especial de graduação em Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG) voltada exclusivamente para beneficiários da Reforma Agrária e agricultores familiares. A turma é formada por 60 homens e mulheres camponeses – sendo 39 integrantes de entidades da Via Campesina. O curso é fruto de um projeto dos movimentos sociais do campo, Incra, MDA e UFG através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

Os beneficiados pela parceria foram selecionados por meio de um vestibular especial realizado em março de 2007.

O curso é inspirado na pedagogia da alternância (dividido em etapas), e terá duração de 5 anos. A previsão é de 10 módulos intensivos de 70 a 90 dias, dependendo da carga horária semestral. Novos professores concursados foram contratados pelo Campus Avançado da Faculdade de Direito da Cidade de Goiás, que pretende aproveitar a experiência da turma especial para fundar um Instituto de Direitos Humanos.

A criação da turma especial é uma ação inédita no país. As aulas serão ministradas no campus da UFG na Cidade de Goiás, com mesmo conteúdo e carga horária das demais turmas da graduação em Direito da instituição. O presidente Lula enviou uma carta à turma, em que destacou o esforço e o heroísmo dos jovens educandos do campo, e a importância de sua missão enquanto defensores dos direitos dos cidadãos, dos quais eles mesmos foram historicamente privados.

ACONTECE PELOS PÁIS

No Mato Grosso, Campo Grande, aconteceu o debate “A Cana não me Engana”, nos dias 24 e 25 de agosto. As mesas discutiram os impactos sociais ambientais, sociais e culturais da monocultura de cana na vida dos pequenos agricultores e nas comunidades indígenas. O encontro foi organizado pela Comissão de Direitos Kaiowá Guarani, Universidade Católica Dom Bosco e Coordenação dos Movimentos Sociais do estado.

No Paraná, trabalhadores rurais do MST cobram agilidade do governo federal e estadual na implantação de uma Escola Técnica Federal, no Assentamento Ireno Alves do Santos, em Rio Bonito do Iguaçu, na região central do Paraná. O projeto vem sendo discutido com o Ministério da Educação, Secretaria de Educação do Paraná e professores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Segundo, os assentados há uma grande possibilidade da escola ser implantada em breve. O curso será voltado para a formação em agroecologia, com enfoque em sistemas de Pastoreio Voisin, questão agroflorestal e Permacultura. Enquanto a escola técnica não é implantada, a unidade improvisada no assentamento vai funcionar como extensão do Ceagro, em parceria com a Escola Técnica da UFPR e a prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu.

Na Universidade Federal de Sergipe, na cidade de Aracajú, MST participou de debate sobre a atuação da Polícia Militar no dia 10. O encontro teve como principal objetivo discutir a relação entre movimentos sociais e policiais militares na mediação de conflitos. O evento promoveu a abordagem de temas relativos à história dos movimentos sociais no Brasil, dimensões da conjuntura nacional, questões relativas à mediação de conflitos agrários e o papel da mídia na sociedade brasileira.

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