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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

Início » Jornal Sem Terra » Jornada cobra educação pública e vagas nas universidade

Jornada cobra educação pública e vagas nas universidades

Por Nina Fidelis e Igor Felippe Santos

O MST realizou em conjunto com mais de 40 entidades estudantis e movimentos sociais da cidade uma Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública, com a organização de ocupações de universidades, manifestações e marchas, entre 20 a 24 de agosto.

Em pelo menos 11 estados, o Movimento participou das atividades. União Nacional dos Estudantes (UNE), Educafro, Conlute, Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), além de diversas executivas de cursos e entidades estudantis, fizeram parte das mobilizações.

“O país precisa universalizar o direito à educação para toda a população, mas precisamos dar atenção especial e prioridade ao campo, que é alvo de um projeto excludente”, afirma o integrante do coletivo de juventude do MST, Célio Romoaldo.

No campo, 28,7% da população é analfabeta. Nas áreas de Reforma Agrária, o analfabetismo alcança 23% dos trabalhadores assentados. “Temos como bandeira a alfabetização e lutamos pela construção de escolas públicas no campo para garantir a universalização do acesso a educação básica”, explica Romoaldo.

Entre os 18 pontos da convocatória da jornada, está a ampliação do investimento público em educação para 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, o investimento está em torno de 3,5%, um dos menores da América Latina.

Além disso, a jornada reivindicou a garantia do acesso da classe trabalhadora à educação pública de qualidade, com base nas necessidades da sociedade, em todos os níveis.

Panorama

Rio de Janeiro - Como ponta pé inicial da jornada, o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi ocupado por 300 manifestantes. No mesmo dia, os trabalhadores Sem Terra saíram do instituto e entraram na superintendência do Incra para reivindicar escolas em assentamentos rurais.

Bahia - Nem a chuva dispersou os mais de três mil manifestantes que saíram em passeata pelas ruas do centro de Salvador. A marcha, colorida com muitos cartazes e faixas, passou pela Praça da Piedade, tradicional palco de mobilizações estudantis, e seguiu até a Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde foi realizado um ato político na reitoria. A sacada do prédio foi ocupado em um ato simbólico.

São Paulo - A tradicional Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro da capital paulista, foi ocupada por 500 manifestantes, que entraram pela porta da frente depois de ato político. Por volta das 2h30, a Tropa de Choque da Polícia Militar, invadiu a faculdade e, com truculência, retirou os estudantes e trabalhadores. Mais da metade dos manifestantes foi levada em quatro ônibus ao 1º Distrito Policial. Cerca de 30 pessoas ficaram feridas.

O ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Eros Grau, assinou nota em repúdio à invasão violenta PM, sob ordem do diretor João Grandino Rodas. Diversos parlamentares, entidades docentes e professores manifestaram solidariedade aos manifestantes, como o professor da Faculdade de Direito da USP, Fábio Konder Comparato, o geógrafo Azyz Ab’Saber e o deputado federal Ivan Valente (PSOL).

Minas Gerais - Cerca de 150 pessoas da Via Campesina, movimento estudantil e popular ocupou o escritório da Vale do Rio Doce no centro de Belo Horizonte, em ato da Campanha pela Anulação do Leilão da Companhia Vale do Rio Doce.

No começo da semana, 200 integrantes de movimentos sociais do campo e da cidade, além de representantes de entidades estudantis, montaram acampamento em frente à reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais.

Espírito Santo - Manifestantes realizaram ato público na Universidade Federal do Espírito Santo e promoveram debates sobre o futuro da universidade e os projetos em andamento no Congresso Nacional. "Precisamos discutir e intervir no modelo de educação superior pública, pois esse é o menos acessível para os camponeses", argumenta. Além disso, diz que essa integração com os estudantes urbanos é fundamental para avançar”, disse Leomar Honorato, integrante da direção do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores).

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