Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
O Brasil tem 180 milhões de brasileiros e mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) do está nas mãos de somente 130 mil habitantes. Ou seja, apenas 0,07% da população detém uma fortuna de 573 bilhões de dólares.
Em 2005, a fortuna desses bilionários ficou em 540,5 bilhões de dólares. Em menos de dois anos, o seleto grupo se apoderou de 32,5 bilhões de dólares. Esses números fazem parte de um estudo realizado pela Receita Federal e divulgado pela mídia. A partir disso, podemos concluir que governo tem consciência de que sua política econômica enriquece ainda mais a minoria bilionária.
Se não bastasse isso, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que 10% da população detêm 80% da renda nacional. Com isso, 80% de toda a riqueza produzida é abocanhada por 18 milhões de brasileiros.
Os outros 162 milhões precisam dividir 20% da riqueza restante e, entre esses, há 52 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza. Dois terços da população que está na ativa vive de uma renda mensal inferior a dois salários mínimos, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2006.
Em 1995, no primeiro ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, era destinado 18,75% do Orçamento Federal para o pagar os encargos da dívida pública. Em 2005, no governo Lula, os pagamentos consumiram 42,45% dos recursos públicos.
Em seis anos, 1999 a 2005, de acordo com estudos do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Unafisco), o país pagou R$ 1,2 trilhão em encargos da dívida pública. Mesmo assim, a dívida atualmente é superior a R$ 1 trilhão.
A sangria da riqueza nacional e o aprofundamento da vergonhosa desigualdade social por essa política econômica não podem ser implementados por qualquer governo de forma pacífica, ileso e isento de qualquer responsabilidade. A violência social existente em nosso país, com número de morte superior aos das guerras, é uma faceta do violento modelo econômico, que enriquece ainda mais os ricos.
Além disso, aqueles que se opõem às reformas estruturais para promover a distribuição da riqueza produzida exigem do Estado mais repressão e violência. Essas são as mesmas pessoas aplaudiram a ação das forças policiais no Rio de Janeiro, que invadiram o complexo do Alemão, favela da zona norte, e mataram 19 moradores.
O governo é pequeno e insensato quando se propõe a enfrentar essa realidade apenas com uma política assistencialista e distribuição de cestas básicas. As políticas assistencialistas são necessárias e urgentes para socorrer as famílias em situação de pobreza, mas precisam vir acompanhadas de ações políticas que promovam o ascenso econômico e social. Caso contrário, perpetua a condição de dependência ao assistencialismo do Estado.
É ingênuo ou conivente com a pobreza um governo que se propõe a mudar essa realidade sem enfrentar os interesses e os privilégios dessa elite bilionária. Mudar essa realidade exige uma inversão radical na política econômica, promovendo fortes investimentos sociais e uma real distribuição da riqueza e da renda produzida em nosso país. Isso sempre foi refutada pela elite brasileira e, para implementa-la, é necessário um governo determinado, corajoso e com a clareza política que vá além de quatro ou oito anos dos mandatos presidenciais.
Precisamos ter no horizonte um projeto de desenvolvimento político, econômico e social que atenda os interesses e as necessidades do povo brasileiro para inserimos a luta pela Reforma Agrária. Queremos sim construir um Brasil com soberania e justiça social, no lugar desse Brasil que procura perpetuar a riqueza nas mãos de 0,07% da população e relega dois terços dos brasileiros à condição de pobreza.
O governo é pequeno e insensato quando se propõe a enfrentar uma realidade de desigualdade e violência apenas com uma política assistencialista e distribuição de cestas básicas.
Precisamos ter no horizonte um projeto de desenvolvimento político, econômico e social que atenda os interesses e as necessidades do povo brasileiro para inserimos a luta pela Reforma Agrária. Queremos sim construir um Brasil com soberania e justiça social, no lugar desse Brasil que procura perpetuar a riqueza
