Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
Camponeses e indígenas acampam nas obras da transposição do Velho Chico
Por Igor Felippe Santos / Fotos João Zinclar
A Via Campesina, entidades de indígenas e comunidades tradicionais fizeram uma grande ação e permaneceram por oito dias em acampamento na área em que os batalhões de engenharia do Exército começaram a polêmica obra da transposição do rio São Francisco, em Cabrobó, em Pernambuco. A ocupação realizada por 1.500 indígenas, pequenos agricultores, trabalhadores Sem Terra, atingidos por barragens, sindicalistas, ambientalistas, religiosos e comunidades de pescadores, ribeirinhas e quilombolas aconteceu na manhã de 26 de junho, no km 29 da BR-428.
Os manifestantes exigiram a suspensão imediata das obras dos canais, colocaram como alternativa um projeto baseado na convivência com o semi-árido por meio do desenvolvimento regional para atender as necessidades da população e da revitalização do Velho Chico. O protesto tinha como pauta também a retomada das terras do povo indígena Truká, na área do acampamento, chamada de Fazenda Mãe Rosa, desapropriada para a transposição.
Assim como a terra, a água é um bem da Natureza, pertence à humanidade e deve ser usado dentro de um outro modo de gerenciamento dos recursos hídricos, que garanta água a toda população do sertão brasileiro. O acesso à água deve ser democrático, sendo livre à população a entrada em açudes e adutoras, além de políticas de controle social sobre o seu uso. No despejo, policiais chegaram fortemente armados, levaram ônibus, helicóptero, ambulância e viaturas, em 4 de julho. De lá os manifestantes foram para o Assentamento do MST Jibóia, a 10 quilômetros do local da ocupação. Na carta do 5º Congresso, o MST expressou seu compromisso de “lutar contra as privatizações do patrimônio público, a transposição do Rio São Francisco e pela reestatização das empresas públicas que foram privatizadas”.
