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Uma guerra sem vencedores

Invasão do Iraque completa quatro anos com violência crescente

Um país em ruínas, arrasado pela violência e pela intolerância. Milhares de mortos e de feridos. Atentados e assassinados diários. Aos sobreviventes, cabe a vida na mais absoluta miséria. Falta água, energia elétrica, hospitais. Esta é a síntese de como está a situação hoje no Iraque, quatro anos depois da invasão promovida pela coalizão de países, liderada por George Bush, presidente dos Estados Unidos e Tony Blair, primeiro ministro da Inglaterra. Como justificativa do ato, a existência de armas de destruição de massa que nunca apareceram, o que mostra que sequer existiam. O verdadeiro motivo: a ambição estadunidense por petróleo.

Durante este período, o ditador Saddam Hussein foi assassinado na forca. Além disso, governo de transição implantado à força pelos Estados Unidos teria, à princípio, a responsabilidade de restabelecer a ordem e de implantar a democracia no país. Cabe saber qual é a definição de estado democrático para as forças estadunidenses. Uma nação onde famílias perdem suas casas, famílias são assassinadas, onde não há segurança e crianças morrem todos os dias não pode ser considerado democrático.

O Iraque vive em colapso. Uma saída para a guerra civil que assola o país se mostra cada vez mais distante. Atualmente existe um duplo conflito. Um interno, entre xiitas e sunitas; e outro contra as tropas estrangeiras, cerca de 140 mil soldados, que estão no país. As execuções e explosões diárias aumentam a pressão internacional para que as tropas britânicas/estadunidenses deixem o país, mas para o senhor da guerra George Bush, ainda não é hora de sair. Até julho, Bush pretende enviar mais 21 mil soldados para Bagdá.

Recorde

O ano de 2006, bateu um recorde no número de mortes de civis. De acordo com a organização não governamental britânica Iraq Body Count (IBC), entre 20 de março de 2006 e 16 de março deste ano, foram mortos 26.540 civis no país, o equivalente a 73 por dia. Em 2005, este número foi de 14.910 (41 por dia).

“O preço dessas mortes inocentes é o duro e sempre escandaloso sinal de uma política desastrosamente fracassada (...) Falar de 'guerra civil' não deve ignorar as políticas dos Estados Unidos e da Inglaterra que levaram a isso e a presença militar permanente, longe de ser uma solução, está no centro dos problemas do Iraque", diz o texto do IBC.

A contagem, baseada em relatos da imprensa e informações de necrotérios, não contam a fase da invasão (março e abril de 2003), quando, em apenas seis semanas, foram assassinados mais de 7 mil civis.

O professor de economia do Oriente Médio da Universidade de Exeter, na Inglaterra, o iraquiano Kamil Mahdi, aponta as principais causas da violência em seu país: "uma ocupação que usou e continua usando métodos selvagens para tentar mudar a situação; grupos e estados estrangeiros tentando ganhar algo dentro do Iraque quando o país está fraco, fragmentado e sem proteção; a ausência do Estado, que foi enfraquecido e abusado pelo regime anterior e completamente e deliberadamente destruído pela ocupação; oficiais e soldados incompetentes e com medo reagindo com violência; controle dos Estados Unidos sobre o processo político e a ausência de um projeto genuinamente nacional sem a interferência da ocupação; colapso dos meios de vida, dos serviços e da segurança; e partidos políticos que usam o sectarismo e chauvinismo para favorecer seus próprios objetivos às custas da nação. Mantendo junta toda essa mistura, está o imperialismo e a cobiça por petróleo".

Em todo o planeta, inclusive nos Estados Unidos, milhões se manifestaram contra a invasão do Iraque, que piora a vida do povo iraquiano. Pelo quarto ano consecutivo, ruas de diversos países do mundo foram ocupadas por pessoas que exigiram a retirada imediata das tropas estrangeiras do país. Entretanto, não se sabe quando as tropas saírão de lá e quando o país poderá, de fato, se tornar uma democracia.

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