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Início » Jornal Sem Terra » 8 de março: Lugar de mulher é na mobilização

Lugar de mulher é na mobilização

No 8 de março, elas saíram às ruas para protestar contra o atual modelo de agricultura e a visita de Bush ao Brasil

Foi se o tempo em que o Dia Internacional da Mulher era apenas uma data de celebração. Hoje este é um momento de luta onde as mulheres provam que desempenham o papel de protagonistas nas lutas sociais no país.

Brasileiras do campo e da cidade, ocuparam avenidas, usinas e órgãos públicos para protestar contra a monocultura, as empresas transnacionais e o modelo atual da agricultura que voltado apenas para a exportação, deixa um rastro de pobreza e desemprego para o povo brasileiro.
As atividades do 8 de março coincidiram também com a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush ao Brasil. O imperialista realizou uma gira por países da América Latina para negociar um acordo que prevê a produção de etanol, o que irá aumentar a monocultura da cana no país.

Veja à seguir como as companheiras se mobilizaram nos estados:

São Paulo

A cidade de Patrocínio Paulista, região de Ribeirão Preto, tida como capital do agronegócio no país, foi o cenário para a ação de 700 mulheres da Via Campesina, que ocuparam uma usina de álcool da empresa Cargill. A mobilização pacífica quis protestar contra o acordo do etanol entre Brasil e Estados Unidos que prevê o aumento das plantações de cana. Depois da ocupação, as camponesas se juntaram às mulheres urbanas e à outros movimentos sociais para uma grande marcha na capital paulista que reuniu cerca de 20 mil pessoas.

Ceará

Mais de 500 camponesas da Via Campesina ocuparam a rodovia do trevo da Chapada do Apodi, principal eixo de escoamento da produção de fruticultura da região, destinada à exportação. Um dos objetivos da ocupação foi denunciar o uso excessivo de agrotóxicos no estado. O fato está aumentando o número de internações hospitalares, contaminação do lençol freático e a destruição da biodiversidade local.

Minas Gerais

Mulheres articuladas na Via Campesina interditaram a entrada da mina Capão Xavier, da empresa Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), do complexo de usinas da Companhia Vale do Rio Doce, na região metropolitana de Belo Horizonte. Mais de 600 camponesas participaram da ação.

Espírito Santo

Quilombolas, camponesas, estudantes, sindicalistas e indígenas participaram da marcha
organizada pelo Fórum de Mulheres do Espírito Santo. As mulheres no estado expuseram suas reivindicações e cobraram do governador do estado, Paulo Hartung (PMDB), uma postura clara em relação à demarcação dos territórios indígenas no estado e à melhoria de políticas públicas para as mulheres. Além disso, as Sem Terra exigiram a vistoria e arrecadação das terras devolutas do estado para fins de reforma agrária e também assistência aos assentamentos criados pela Secretaria de Agricultura do estado.

Paraná

Para protestar contra o avanço do agronegócio e a produção de transgênicos e agrotóxicos, mais de 700 mulheres do MST, realizaram uma vigília em frente a empresa brasileira de produtos agroquímicos Nortox. Com o protesto, as mulheres quiseram chamar a atenção da sociedade para a necessidade de uma agricultura que produza alimentos saudáveis, além de alertar para os prejuízos que empresas como a Nortox causam à saúde e ao meio ambiente.

Rio Grande do Sul

Mais de 1.300 mulheres ligadas à Via Campesina ocuparam áreas de empresas como Aracruz Celulose, Votorantim, Stora Enso e Boise. Juntas estas representantes do avanço do capital no campo, têm mais de 200 mil hectares de terras no estado, o suficiente para assentar 8 mil famílias. As mobilizações no estado tiveram uma importante conquista: a suspensão de um protocolo de cooperação entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a e a transnacional Aracruz Celulose.

Alagoas

Integrantes da Via Campesina promoveram um ato contra o agronegócio e a transposição do Rio São Francisco. Depois do ato, elas ocuparam a Secretaria de Agricultura de Alagoas (Seagri) para denunciar a criminalização do campo e exigir uma posição política do estado em relação às antigas reivindicações da agricultura familiar. A ocupação também foi um ato solidário à luta das servidoras da educação no estado.

Maranhão

Mais de 500 mulheres protestaram em frente à sede do governo estadual, em São Luiz. No final do ato, as trabalhadoras queimaram um boneco de Bush com o apoio do governador, Jacson Lago (PDT).

Piauí

Um ato unificado de entidades da cidade e do campo, reuniu 500 mulheres. Elas fizeram uma marcha pela região central de Teresina. Depois de passar pela Assembléia Legislativa, as manifestantes ocuparam o palácio do governo do Estado e foram recebidas pelo governador Wellington Dias (PT). Na audiência, elas apresentaram uma pauta de reivindicação que trata de temas como educação, saúde, previdência e Reforma Agrária.

E mais:

Em Sergipe, dezenas de trabalhadoras do MST promoveram protestos em pontos da rodovia BR 101. Depois se uniram à outras camponesas no acampamento onde foram realizados estudos sobre o agronegócio e debates sobre a organização política e projetos produtivos para as mulheres.

Na Bahia, camponesas e indígenas organizaram o 7º Acampamento de Mulheres do estado que contou com a participação de 1.200 companheiras. Elas estiveram acampadas na antiga sede da Petrobrás, em Salvador. Foram organizadas oficinas, atividades culturais e debates sobre gênero e soberania alimentar.

Em Pernambuco, cerca de 250 trabalhadoras rurais da Via Campesina ocuparam o Engenho São Gregório, no município de Gameleira. Em protesto contra a expansão do agronegócio na região, as camponesas arrancaram parte da plantação de cana-de-açúcar e plantaram sementes de milho e feijão.

No Rio de Janeiro, para denunciar o financiamento público para empresas que prejudicam o meio ambiente, as Sem Terra ocuparam a sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). A ação teve o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do estado e da Associação dos Funcionários do BNDES.

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