Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
Em 20 de novembro de 2004, 18 pistoleiros encapuzados, coordenados pelo latifundiário Adriano Chafik, atiraram contra homens, mulheres e crianças do acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, Minas Gerais. Os Sem Terra Iraguiar Ferreira da Silva, Miguel José dos Santos, Francisco Nascimento Rocha, Juvenal Jorge Silva e Joaquim José dos Santos foram mortos. Outras 13 pessoas ficaram feridas e cem famílias foram desalojadas.
Depois de dois anos, apenas três envolvidos estão presos. Chafik continua em liberdade, assim como os sete jagunços já identificados pelas vítimas. Eles convivem diariamente com os Sem Terra atacados, mantendo o clima de terror na região.
O governo de Minas Gerais, acusado de omissão no caso, concordou em indenizar as famílias das cinco vítimas assassinadas e conceder aposentadoria às viúvas. Para garantir que a promessa fosse cumprida, o deputado estadual Rogério Correio (PT), vice-presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, protocolou o projeto 2972/2006, que transforma o acordo em lei. Quando o projeto chegou a votação, o governador Aécio Neves (PSDB) voltou atrás e rompeu o acordo estabelecido com os Sem Terra, orientando os deputados que apóiam seu governo a rejeitar a proposta.
O MST iniciou uma campanha para que Aécio Neves cumpra o acordo feito com as famílias Sem Terra vítimas da chacina de Felisburgo. Além disso, o Movimento exige que o julgamento de Chafik e dos jagunços aconteça em Belo Horizonte (MG), já que o Ministério Público Estadual reconheceu que a influência dos fazendeiros da região de Felisburgo pode prejudicar o processo jurídico. Os Sem Terra pedem ainda a desapropriação da Fazenda Nova Esperança por interesse social.
A área, de dois mil hectares de terras devolutas, segundo laudo do Instituto de Terras de Minas Gerais, ainda não foi destinada à Reforma Agrária.
É importante que todos aqueles e aquelas que defendem os direitos humanos e querem contribuam nesta campanha escrevendo para o governador Aécio Neves, para reivindicar o cumprimento das pautas das famílias Sem Terra:
Exmo.sr
Aécio neves
M.D. Governador de Minas Gerais
Belo Horizonte.
cerimonial@turismo.mg.gov.br
fax 31-32506038
