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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Jornal Sem Terra » A luta de trabalhadores e trabalhadoras rurais contra avanço do capitalismo no campo

Latino-americanos se unem para combater agronegócio

Raquel Casiraghi*
De Buenos Aires, Argentina

Articular a resistência do povo do campo e da cidade frente aos efeitos destruidores que o agronegócio gera na América Latina. Foi com esse objetivo, cerca de 200 representantes de entidades ambientalistas e movimentos sociais camponeses da Argentina, Paraguai, Uruguai, Brasil, Bolívia, Equador e Peru estiveram reunidos no Fórum Social de Resistência ao Agronegócio. A atividade aconteceu de 23 a 25 de junho, em Buenos Aires, capital argentina.

Tarefa de articulação nada fácil. Maria Rita Reis, da ONG brasileira Terra de Direitos, uma das organizadoras do Fórum, ressalta a dificuldade de conseguir unir tantas concepções diferentes. "A gente fala que a América Latina é muito diversa, mas somente vemos que há grandes diferenças na prática. A construção de uma estratégia regional alternativa ao agronegócio depende de entender e respeitar as particularidades entre os povos e, ainda assim, conseguir uni-los. O que não é simples", argumenta.

Para ela, as diferenças não devem servir para emperrar o processo, mas sim para diversificá-lo. Afinal, o agronegócio se estrutura e se desenvolve nos países latino-americanos de uma maneira globalizada, gerando efeitos em comum na região. "Não queremos combater o latifúndio no Brasil, por exemplo, para que ele domine outros países. Quero que ele não seja visto como forma de desenvolvimento para nenhum país latino-americano", defende.

Outro desafio está em mostrar para a população urbana que este modelo de desenvolvimento também atinge as grandes cidades. Êxodo rural, aumento da pobreza e da violência nas metrópoles, uma alimentação cada vez mais artificial e cheia de produtos químicos e a degradação ambiental estão relacionados e têm origem neste sistema. “Campo e cidade precisam estar integrados contra o agronegócio. Somente assim conseguiremos combater este modelo”, afirma Javiera Rulli, do Grupo de Reflexão Rural (GRR), da Argentina. Para isso, as organizações presentes no Fórum se responsabilizaram em criar coordenações locais em cada país a fim de fortalecer as discussões. A idéia é levar propostas concretas para um próximo encontro em 2007.

Dominação globalizada

Apesar das economias e das culturas dos países latino-americanos serem distintas, o agronegócio apresenta o mesmo perfil e a mesma atuação em vários deles. A soja, por exemplo, aparece como o produto de entrada do modelo. Segundo estimativas de pesquisas, seu plantio deve aumentar 27% até 2010. A alimentação de animais, principalmente de frangos, e o biodiesel, serão os setores que consumirão boa parte desses grãos produzidos.

Crescimento que não gera desenvolvimento e agride a natureza e a população. A pesquisadora Elizabeth Bravo, da Acción Ecológica, do Equador, aponta que regiões como o Cerrado e a Floresta Amazônica, no Brasil, e as áreas úmidas, na Argentina, devem ser os alvos para a expansão da monocultura da soja no continente. "A projeção é de que, no Brasil, o cultivo chegue a ocupar de 70 a 100 milhões de hectares de terras. Destes, 30 a 40 milhões serão no Cerrado e 7 milhões na Floresta Amazônica".

No aspecto econômico-social, a Argentina mostra a devastação que o modelo provocou aos agricultores e à população urbana. Entre os anos de 1990 a 2001, 100 mil pequenas empresas agropecuárias dos setores de leite, frutas, hortaliças e grãos deixaram de existir no país devido o monopólio formado pelas multinacionais do agronegócio. Bayer, Syngenta e Basf controlam as vendas de agrotóxicos. No caso das sementes, 91% destas é de propriedade da Monsanto e comercializadas pela Cargill. “O lucro com os commodities, principalmente com a soja, foram utilizados para pagarem as dívidas externas da Argentina com o FMI [Fundo Monetário Internacional] e alguma coisa com gastos sociais internos. Ao mesmo tempo, o campo esvaziou e as grandes cidades cresceram rapidamente, gerando empobrecimento dos povos nos dois locais”, afirma o engenheiro agronômo Adolfo Boy.

O Uruguai sofreu processo idêntico, mas com o plantio de pinus e de eucalipto para a fabricação de papel. De acordo com dados da entidade Redes, 35 mil pequenos agricultores deixaram o campo nos últimos 30 anos, gerando desemprego para cerca de 80 mil pessoas.

Cuba recebe prêmio por projeto de alfabetização

A Unesco (Organização das Nações Unidas para Ciência e Cultura) concedeu a Cuba o prêmio Alfabetização 2006 Rey Sejong, pelo programa de alfabetização de jovens e adultos, Yo si puedo (Sim, eu posso). O programa é desenvolvido com sucesso em 15 países e foi desenvolvido pelo sistema de educação cubano para colaborar com o fim do analfabetismo em outros países.

O diplomata cubano, Hernandez Pardo afirmou que o júri da Unesco destacou o caráter inovador e flexível do programa, que mostrou sua eficácia em contextos sociais do campo e da cidade. “O prêmio é dado a Cuba por compartilhar sua experiência, por criar um método pedagogicamente eficaz, moderno e inovador, posto à serviço da verdadeira solidariedade com outros povos", afirmou o embaixador. Desde 1961 o analfabetismo não existe mais em Cuba.

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