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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Jornal Sem Terra » A luta de trabalhadores e trabalhadoras rurais contra avanço do capitalismo no campo

A crise que atinge à todos

Hoje a agricultura brasileira é disputada claramente por dois projetos. Um patrocinado pelo agronegócio e as transnacionais. O outro, reivindicado pelos movimentos sociais, defende a agricultura familiar, a biodiversidade e a natureza.

A organização agrícola está dividida entre três segmentos: os agricultores familiares que produzem e abastecem o mercado interno; os médios produtores; e os grandes latifundiários, representantes do agronegócio que produzem apenas para exportação. Para entender a atual situação do campo no Brasil é necessário compreender como a crise se manifesta nestas áreas.

No que diz respeito à agricultura familiar, o problema está na falta de mercado conumidor, na contenção dos preços e na ausência de investimentos. Os médios e grandes produtores estão agora reféns das transnacionais, que controlam o comércio agrícola e o fornecimento de insumos. O lucro que antes ia para os latifundiários, vai agora também para o bolso das empresas estrangeiras como a Bunge, a Cargill e a Monsanto.

O governo federal, na tentativa de solucionar o problema, lançou um bilionário pacote agrícola que, na verdade, não resolve nada. Forneceu um prazo de cinco anos para a cobrança das dívidas e prometeu mais créditos para a próxima safra, que começa em agosto.Também baixou a taxa de juros para o mesmo número dos agricultores familiares, cerca de 8%. O dinheiro para pagar esta diferença, das dívidas passadas e do crédito deste ano, virá dos cofres públicos. Ou melhor, quem vai arcar com os 6 bilhões de reais seremos nós.

A lógica que reina hoje é a seguinte: quando os grandes produtores têm lucro, pouco importa o governo e o povo brasileiro. Entretanto, quando dá prejuízo, quem paga a conta é toda a sociedade.

Mudança

Já sabemos as enormes e graves conseqüências que o agronegócio traz para a classe trabalhadora do campo e para toda a sociedade brasileira. Sob o controle das transnacionais, produzem apenas para a exportação e dispensam mão-de-obra. Isso sem falar no trabalho escravo e na destruição permanente da biodiversidade. O fruto desta situação é que mais de 300 mil trabalhadores e trabalhadorasforam expulsos das áreas rurais. Parte destas pessoas migraram para as periferias das grandes cidades, abrindo caminho para o aumento da criminalidade, da população carcerária, do desemprego e da prostituição.

Diante deste quadro é urgente pensar um novo modelo para o campo. É por isso que o MST e a Via Campesina se mobilizam: para exigir que suas reivindicações históricas sejam cumpridas. Os fazendeiros precisam parar de olhar apenas para seu umbigo e se dar conta de que seus inimigos são as transnacionais e não os pobres do campo. É necessário também que eles saibam que não são donos da terra e da natureza. A riqueza que vem do meio-ambiente deve ser aproveitada para combater a pobreza e a miséria que reina no país.

A organização da produção deve ser direcionada também para o consumo interno. O maior mercado consumidor de alimentos é o Brasil, que tem 60% da sua população se alimentando mal porque não tem dinheiro para comprar comida. Por isso, um modelo agrícola alternativo deve estar casado com um novo sistema de desenvolvimento nacional, que distribua renda e riqueza, que incentive a indústria nacional, que gere mais trabalho, combine agroindústria com cooperação em nossos assentamentos e em comunidades rurais.

Somente quando acontecer estas mudanças estruturais, que vão beneficiar todo o conjunto da sociedade, é que poderemos dizer que o Brasil realmente se desenvolveu. Eis o motivo porque devemos lutar sempre e manter nossa mobilização.

Direção Nacional do MST

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