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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Jornal Sem Terra » A luta de trabalhadores e trabalhadoras rurais contra avanço do capitalismo no campo

A luta de trabalhadores e trabalhadoras rurais contra avanço do capitalismo no campo

Todos os anos, os movimentos sociais de luta pela terra e por Reforma Agrária de todo o Brasil comemoram em 25 de julho, o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural com muita mobilização. E a cada período esta luta se mostra ainda mais necessária. Povos indígenas, quilombolas e famílias camponesas enfrentam uma nova conjuntura de enfrentamento no campo, caracterizada pelo avanço do capital financeiro internacional em suas terras. É por esta razão que se mobilizam contra o agronegócio, que aliado à empresas transnacionais, empobrece e expulsa das áreas rurais aquelas pessoas que sempre tiveram respeito e cuidado com a natureza. Semear, saber o tempo certo da colheita, trabalhar em sintonia e respeito com a terra é algo que somente a classe trabalhadora do campo sabe fazer.

Entretanto, o atual modelo agrícola defendido hoje pelo capitalismo, com o apoio dos grandes meios de comunicação, beneficia o modelo do agronegócio. As multinacionais do campo, como Monsanto, Syngenta e Cargill se profileram nos latifúndios improdutivos e contam, muitas vezes, com o apoio do Estado através da insenção de impostos e outros benefícios. Isso sem falar das empresas de celulose, como a Aracruz e a Veracel, que usam a terra para plantar eucalipto. Isso provoca a degradação da terra, fazendo alastrar o chamado deserto verde. Em um país que é considerado a maior fronteira agrícola do mundo, 4,5 milhões de famílias Sem Terra lutam por um pedaço de chão para trabalhar, viver e tirar seu sustento.

O Brasil tem aproximadamente 350 milhões de hectares agricultáveis, que poderiam ser dedicados à lavoura, ou seja, para a plantação de alimentos para o povo brasileiro. Mas, graças à concentração da propriedade da terra, são cultivados 50 milhões de hectares, apenas 14 por cento do que seria possível cultivar. As fazendas do agronegócio que se dizem modernas ocupam 75 por cento dessa área cultivada. As melhores áreas, são destinadas para plantação de soja, algodão, cacau, laranja, café, cana-de-açúcar e eucalipto. Todos eles são produzidos para a exportação e beneficam meia dúzia de empresas capitalistas.

Outra parcela dos estabelecimentos agrícolas que fazem parte desse modelo se dedicam apenas à pecuária extensiva ou à especulação da renda da terra. Segundo dados do Incra, baseados em declarações dos proprietários, existem no Brasil 54.761 imóveis rurais classificados como grandes propriedades improdutivas, portanto desapropriáveis, que somam nada menos que 120 milhões de hectares. Este número equivale a uma Europa inteira parada, que nada produz.

Outro fator importante nesta conjuntura é a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC) que se articula para controlar o comércio agrícola em todo o mundo. Contra isso, a Via Campesina se mobiliza em nível mundial para defender o direito à soberania alimentar.

O modelo de agricultura representado pelo agronegócio, pela OMC e as transnacionais é insustentável e, a cada dia, fornece sinais mais concretos de que faz parte de um desastre para as futuras gerações e toda a humanidade. É por isso que trabalhadores e trabalhadoras do campo se mobilizam não só no 25 de julho, mas em todos os dias do ano.

Você sabia?

1) Que a empresa Syngenta Seeds que controla as sementes tem um lucro anual de 18 bilhões de reais? Ela é responsável pelo maior caso de contaminação genética ilegal comprovada no mundo. Durante quatro anos, a empresa comercializou o milho da variedade Bt10, que tinha sua venda proibida, como sendo Bt11, autorizado para circulação.

2) Que a dívida da Monsanto acumulada por crimes ambientais no Brasil chega à 2 milhões de reais.

3) Que a adoção de métodos de agricultura ecológica possibilitam um aumento médio de 73% na produção de alimentos?

4) Que um pé de eucalipto de 15 metros de altura é capaz de absorver cerca de 3,6 mil litros de água no ano. Este número é três vezes maior do que a média de chuva anual no Pampa gaúcho.

5) Em 1996, o comércio de sementes transgênicas movimentava 280 milhões de dólares e, em 2004, passou para 4,7 bilhões de dólares.

6) Que de acordo com a ONU, a liberação comercial defendida pela OMC provocou mais pobreza e miséria em todo o mundo.

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