Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
O Jornal Sem Terra deste mês é dedicado à memória de todos trabalhadores e trabalhadoras rurais assassinados na luta pela Reforma Agrária no Brasil, em especial, às vitimas de Eldorado dos Carajás, no Pará. Depois de 10 anos do massacre, a impunidade ainda impera, os envolvidos continuam livres e os sobreviventes seguem sem assistência médica e social.
A realidade nos mostra que existem raízes profundas causadoras de tamanha violência que todos os dias saltam aos nossos olhos. Uma das principais está, justamente, no modelo de estrutura fundiária brasileira. A violência da concentração da terra e da renda provoca o enfrentamento permanente entre o agronegócio e agricultura camponesa.
Nos últimos meses, tivemos uma intensificação da luta contra as transnacionais da agricultura. Como fruto desse processo, podemos destacar as mobilizações em março na Aracruz (RS) e na Syngenta (PR). Tivemos também o Tribunal Internacional dos Povos, em Viena, na Áustria, condenando de forma veemente a atuação destas empresas.
A onda de cenas de barbárie que assombra a população em algumas cidades, como em São Paulo, é um sintoma da prioridade dos governos em manter a política econômica e a cartilha neoliberal, em detrimento dos investimentos sociais. O governo não investe em saúde, educação e cultura, mas constrói cada vez mais prisões. A forma como a sociedade está construída favorece o avanço da violência, seja no meio rural ou urbano.
Neste momento é preciso:
Diante desta conjuntura, a luta pela Reforma Agrária e por um outro modelo de sociedade, se eleva à outro nível de enfrentamento. Isso vai exigir de nós, militantes Sem Terra, mais organização, mobilização e muito estudo.
Temos que ter claro que nosso papel é deixar uma contribuição histórica à sociedade brasileira que vive à beira da barbárie. Um dos caminhos é organizar a juventude urbana e rural, realizando encontros e debates para a formação do maior número possível de jovens, buscando experiências concretas de trabalhos já desenvolvidos.
Além disso, devemos denunciar a criminalização dos Movimentos Sociais, a truculência do agronegócio, a impunidade e o fato dos mandantes dos crimes contra a classe trabalhadora continuarem soltos, mantendo a mesma prática.
Precisamos fortalecer as alianças com os setores urbanos organizados, como professores, estudantes, igrejas progressistas, sindicatos e ambientalistas também faz parte da nossa luta. Isso envolve também a construção da Via Campesina em cada estado. Sozinhos não teremos forças para alterar a correlação de forças no campo brasileiro.
A luta por Reforma Agrária deve caminhar junto com a luta em defesa da natureza, da água, da biodiversidade e da produção de alimentos baratos e livres de agrotóxicos e transgênicos para a população.
A comunicação é uma ferramenta importante no atual estágio da luta por Reforma Agrária. Os meios da grande imprensa, buscam o tempo todo, manipular a opinião pública de forma a colocá-la contra as lutas sociais, importantes para toda a sociedade. Por isso, este também é o momento de intensificarmos a circulação de informações com os nossos aliados, com o objetivo de ter claro a atual conjuntura. Esta tarefa inclui: a solidariedade na construção do Jornal Brasil de Fato e na organização dos comitês; o fortalecimento das rádios comunitárias locais; distribuir e buscar assinaturas para o Jornal Sem Terra; difundir, entre a classe trabalhadora da cidade, a Revista Sem Terra.
O enfrentamento contra o modelo neoliberal sobre o qual a sociedade está construída se faz em diversos pontos. É preciso que estejamos preparados para atuar em todos os espaços desta disputa.
Direção Nacional do MST
