Jornada pela Soberania Alimentar 2008

Número: 
21
Out
2008

Versión en Español

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou que o número de pessoas que passam fome no mundo subiu de 850 milhões para 925 milhões neste ano. O motivo? O aumento do preço dos alimentos. O preço dos principais grãos, como o milho, o arroz e a soja, duplicaram da safra de 2006 até hoje. O preço do feijão, neste ano, chegou a subir 168%.

Os mais pobres são os mais atingidos pela crise. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que comprar a cesta básica exige 52,8% do salário mínimo. E aponta que os mais pobres tiveram que cortar alimentos básicos em casa, registrando uma queda de 6% nas compras de alimentos.

Enquanto isso, as grandes transnacionais do agronegócio comemoram a cada mês seus lucros recordes. Existem no mundo cerca de 30 grandes empresas, com sede nos Estados Unidos e na Europa, que controlam quase toda a produção e comércio agrícola do mundo. Neste ano, o lucro da Monsanto mais que dobrou em relação ao ano passado. A Sygenta, Cargill, Bunge, Nestlé e outras também não têm do que reclamar: suas margens de lucro só crescem desde que a crise veio apertar o bolso dos cidadãos mundo afora.

E por que isso acontece? O modelo de exploração agrícola baseado no agronegócio faz com que grandes investidores especulem sobre o preço dos alimentos, transformando o nosso arroz com feijão em mercadoria, em forma de ganhar dinheiro.

Esse modelo começou na década de 1960, com a mentira da chamada “revolução verde”, que tinha a desculpa de aumentar a produção de alimentos, mas foi na verdade uma forma de potencializar uma indústria dos venenos, dos adubos, de máquinas para os grandes agricultores. De lá pra cá, a fome aumentou, poucas empresas passaram a dominar o mercado, e a pobreza no campo e na cidade se multiplicou.

Agora, para agravar a situação, o governo brasileiro vem priorizando a produção de agrocombustívies, destinando terras agrícolas para a produção de etanol. E a alta do preço do petróleo reflete diretamente nos custos da produção, aumentando o preço dos fertilizantes e dos transportes. Não existe uma crise de produção, o que existe é uma especulação financeira sobre o preço dos alimentos. O mundo produz o suficiente para alimentar 12 bilhões de pessoas, o dobro da população do planeta.

O governo segue acreditando que o agronegócio é a política correta. Ledo engano: o agronegócio gera saldo comercial, mas às custas da degradação ambiental, e não resolve os problemas da população brasileira. O governo anuncia diariamente novos incentivos ao agronegócio, libera créditos, perdoa dívidas. Enquanto a agricultura familiar, responsável pela produção da maioria dos alimentos que abastece a mesa das famílias brasileiras – 70%, segundo dados do próprio governo – não recebe os devidos investimentos do Estado.

Essa crise expõe a fragilidade do modelo do agronegócio. Ele produz, mas não alimenta. Ele polui o meio ambiente, destrói a biodiversidade, contamina a água, altera o clima.

A saída para a crise é a Soberania Alimentar, a capacidade de cada povo, país, região e município produzir seus alimentos. Por isso neste dia 16 de outubro, Dia Internacional em Defesa da Soberania Alimentar, nós do MST, em conjunto com outras organizações do campo e da cidade, vamos às ruas defender um outro modelo para a agricultura brasileira. Lutamos para que cada povo possa definir suas próprias políticas agrícolas e alimentares, que possa defender a biodiversidade, produzir alimentos saudáveis, que respeitem a natureza e a cultura local.

E isso só se faz com uma Reforma Agrária que distribua a terra, garanta a produção, a educação, e a implementação da agroecologia como política para o campo. Assim teremos condições de produzir alimentos mais baratos, mais saudáveis, com condições dignas para toda a população brasileira.

Alta dos preços dos alimentos faz crescer número de famintos

O número de famintos volta a subir na América Latina e no mundo. O alerta é da agência da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) que concluiu em seu relatório anual que a alta dos preços de alimentos fez disparar os números da fome pelo planeta.

Segundo o diretor-geral da FAO , Jacques Diouf, 75 milhões de pessoas entraram para os índices da fome, 8% de 2005 para 2007, quando o número chegou a 923 milhões. Desse total, 907 milhões vivem nos países pobres. Em 2008, o número deve ser ainda maior, por causa da inflação.

Com a alta nos preços dos alimentos, 33 países na África, Ásia e América Latina passaram a integrar a lista de locais onde a fome se transformou na principal crise. As regiões mais atingidas foram Ásia e África, onde estão 89% dos famintos. Nos países asiáticos, são mais 41 milhões de famintos. Outros 24 milhões surgiram na África.

Já na América Latina são 6 milhões famintos a mais desde a elevação dos preços dos alimentos, computando agora 51 milhões.

Os que mais sofrem com a crise dos alimentos são os agricultores Sem Terra. E quem fez essa observação foi o responsável pelo levantamento, o economista da FAO Kostas Stamoulis.

O crescimento da fome no mundo, potencializado pelo aumento dos preços dos alimentos, coloca como prioridade para a existência humana a reflexão sobre o atual modelo de desenvolvimento para o campo.

Em agosto deste ano, o relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter, afirmou que estudos recentes apontam a produção de agrocombustível dos EUA e da União Européia - feito a partir de grãos - como sendo a principal causa da crise mundial dos alimentos. O professor belga afirmou ainda que será necessário designar um monitor internacional para supervisionar a produção de fontes alternativas de energia como o etanol.

Segundo o especialista, a produção de agrocombustível aumentou a especulação no setor agropecuário e na área de commodities, e desviou o foco da produção. Até mesmo o FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou que 70% do aumento do preço dos grãos foi causado pelos agrocombustíveis, sendo os maiores afetados o milho e a soja. A instituição ainda apresenta um dado assustador: um aumento de 1 ponto percentual no preço de alimentos provoca um aumento de 16 milhões de pessoas que sofrem de subnutrição.

Tudo isso mostra que no Brasil o incentivo ao aumento da produção de etanol também deve causar graves problemas, já que aqui a ordem também é apostar cegamente nos agrocombustíveis. No estado de São Paulo, por exemplo, a cana-de-açúcar destinada à produção de etanol já ocupa 70% de todas as terras agriculturáveis, substituindo alimentos como o feijão.

Reforma Agrária: mais atual que nunca

Uma reflexão sobre o atual modelo de desenvolvimento para o campo passa necessariamente pela discussão sobre a atualidade da luta pela Reforma Agrária, que hoje, mais do que nunca, mostra sua importância e urgência.

Remando contra a maré, recentemente também a FAO admitiu a necessidade de investir na agricultura familiar. Segundo a organização, US$ 30 bilhões terão de ser investidos por ano para dobrar a produção de alimentos, ajudar os pequenos produtores, tornar alimentos acessíveis e reduzir a fome.

No Brasil, a agricultura familiar é a principal responsável pela produção de alimentos. Daquilo que chega à mesa dos brasileiros, mais de 60% vem da agricultura familiar. Ela produz 78% do feijão, 84% da mandioca, 58% dos suínos, 54% da bovinocultura do leite, 54% do milho, 60% do trigo e 40% de aves e ovos. Na produção de carne bovina, a pequena propriedade rural contribui com 62,3%; a média, com 26,4%; a grande propriedade, com 11,2%. A produção leiteira depende da pecuária familiar em 71,5%. O latifúndio produz apenas 1,9%. As médias respondem por 26,6%.

Assembléia Popular e Via Campesina realizam mobilização em João Pessoa

Na tarde desta quinta-feira, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade se unirão em uma marcha pelo centro da cidade de João Pessoa. A concentração ocorrerá às 14h, no Cassino da Lagoa, seguindo em direção à praça dos três poderes. Essa ação faz parte da Jornada Nacional de Luta por Soberania Energética e Alimentar organizada pela Via Campesina e Pela Assembléia Popular.

Durante toda a quarta-feira (15/10) assembléias populares ocorreram nos bairros de Mandacaru, Padre Zé, Alto do Mateus, Jardim Veneza em João Pessoa e no Alto das Populares em Santa Rita. Os temas principais de discussão foram o aumento de 15,77% da tarifa de luz, a tarifa social de energia e os altos preços dos alimentos, todas as pessoas que participaram das assembléias estarão presentes no ato junto com os militantes da Via Campesina. Ao menos 700 pessoas sairão pelas ruas do centro da cidade.

O Preço da Luz é um Roubo

A energia elétrica na Paraíba aumentou 15,77%, tornado-se a sétima energia mais cara do país e a segunda mais cara do nordeste, sendo a Energisa uma das empresas que mais lucra com a distribuição de energia visto que o aumento ocorrido é o maior concedido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A Energisa além de realizar esse aumento absurdo, também não cumpre a Lei – 10.438/2002 que determina a cobrança de tarifa diferenciada para os consumidores que consomem até 220KW/mês, ou seja, a chamada tarifa social. Quem consome até 220kw/mês tem direito a desconto de 10% a 65% na conta de luz. Mas para isso as famílias devem entregar de forma coletiva na Energisa uma auto declaração assinada pelo titular da conta declarando que está dentro do limite da tarifa social. Em vários estados do Brasil, como São Paulo, Rondônia, Rio Grande do Sul, Pará as famílias já conseguiram o desconto da tarifa social em sua conta, porém aqui na Paraíba a Energisa se recusa a cumprir a lei, se negando a aceitar as autodeclarações. A empresa alega que só tem direito a essa tarifa social as famílias que estão dentro de programas sociais do Governo Federal, em especial o Fome Zero, porém a Justiça Federal deu uma parecer em março de 2007 determinando que não mais seria necessária esta vinculado a programas do governo federal , para ter acesso a tarifa social seria necessário apenas a autodeclaração do titular e xerox do RG e CPF.

Altos Preços dos alimentos

Além da energia com alto preço, o preço dos alimentos também está pesando no bolso do trabalhador brasileiro, tudo isso devido à opção do governo federal pelo agronegócio exportador de cana- de- açúcar, soja e eucalipto. Ao Contrario de investir na agricultura familiar para a produção de produtos que abasteceriam a mesa do trabalhador brasileiro, o governo se interessa apenas em conceder privilégios a grandes grupos do agronegócio exportador, que ocupam grandes extensões de terras, destroem o meio ambiente, não geram emprego e não produzem alimentos para o mercado interno, além de serem controlados por grandes multinacionais. Desta forma o Brasil precisa importar os alimentos da cesta básica para abastecer o mercado interno, encarecendo assim o preço do feijão, do arroz, do trigo (pão), hortaliças.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura o número de pessoas com fome no mundo subiu de 850 milhões para 925 milhões em 2007, isso por causa dos altos preços dos alimentos.

Essas empresas querem transformar a energia e os alimentos em mercadorias, os tornado em objetos de lucro para enriquecimento de grupos privilegiados e detentores do capital.

Dessa forma, as famílias trabalhadoras sairão às ruas em luta por Soberania Alimentar e Energética.

O Preço da Luz é um Roubo!!!!!!

Água e Energia, não são mercadorias!

Defender as culturas camponesas é garantir alimentos saudáveis!

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou que o número de pessoas que passam fome no mundo subiu de 850 milhões para 925 milhões neste ano. O motivo? O aumento do preço dos alimentos. O preço dos principais grãos, como o milho, o arroz e a soja, duplicaram da safra de 2006 até hoje. O preço do feijão, neste ano, chegou a subir 168%.

Os mais pobres são os mais atingidos pela crise. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que comprar a cesta básica exige 52,8% do salário mínimo. E aponta que os mais pobres tiveram que cortar alimentos básicos em casa, registrando uma queda de 6% nas compras de alimentos.

Enquanto isso, as grandes transnacionais do agronegócio comemoram a cada mês seus lucros recordes. Existem no mundo cerca de 30 grandes empresas, com sede nos Estados Unidos e na Europa, que controlam quase toda a produção e comércio agrícola do mundo. Neste ano, o lucro da Monsanto mais que dobrou em relação ao ano passado. A Sygenta, Cargill, Bunge, Nestlé e outras também não têm do que reclamar: suas margens de lucro só crescem desde que a crise veio apertar o bolso dos cidadãos mundo afora.

E por que isso acontece? O modelo de exploração agrícola baseado no agronegócio faz com que grandes investidores especulem sobre o preço dos alimentos, transformando o nosso arroz com feijão em mercadoria, em forma de ganhar dinheiro.

Esse modelo começou na década de 1960, com a mentira da chamada “revolução verde”, que tinha a desculpa de aumentar a produção de alimentos, mas foi na verdade uma forma de potencializar uma indústria dos venenos, dos adubos, de máquinas para os grandes agricultores. De lá pra cá, a fome aumentou, poucas empresas passaram a dominar o mercado, e a pobreza no campo e na cidade se multiplicou.

Agora, para agravar a situação, o governo brasileiro vem priorizando a produção de agrocombustívies, destinando terras agrícolas para a produção de etanol. E a alta do preço do petróleo reflete diretamente nos custos da produção, aumentando o preço dos fertilizantes e dos transportes. Não existe uma crise de produção, o que existe é uma especulação financeira sobre o preço dos alimentos. O mundo produz o suficiente para alimentar 12 bilhões de pessoas, o dobro da população do planeta.

O governo segue acreditando que o agronegócio é a política correta. Ledo engano: o agronegócio gera saldo comercial, mas às custas da degradação ambiental, e não resolve os problemas da população brasileira. O governo anuncia diariamente novos incentivos ao agronegócio, libera créditos, perdoa dívidas. Enquanto a agricultura familiar, responsável pela produção da maioria dos alimentos que abastece a mesa das famílias brasileiras – 70%, segundo dados do próprio governo – não recebe os devidos investimentos do Estado.

Essa crise expõe a fragilidade do modelo do agronegócio. Ele produz, mas não alimenta. Ele polui o meio ambiente, destrói a biodiversidade, contamina a água, altera o clima.

A saída para a crise é a Soberania Alimentar, a capacidade de cada povo, país, região e município produzir seus alimentos. Por isso neste dia 16 de outubro, Dia Internacional em Defesa da Soberania Alimentar, nós do MST, em conjunto com outras organizações do campo e da cidade, vamos às ruas defender um outro modelo para a agricultura brasileira. Lutamos para que cada povo possa definir suas próprias políticas agrícolas e alimentares, que possa defender a biodiversidade, produzir alimentos saudáveis, que respeitem a natureza e a cultura local.

E isso só se faz com uma Reforma Agrária que distribua a terra, garanta a produção, a educação, e a implementação da agroecologia como política para o campo. Assim teremos condições de produzir alimentos mais baratos, mais saudáveis, com condições dignas para toda a população brasileira.

Feira, debates e muita mobilização em Pernambuco

Dia 16 de outubro, definido pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) como Dia Internacional do Direito à Alimentação. A Via Campesina transformou essa data no Dia Internacional em Defesa da Soberania Alimentar, como única forma de garantir o direito à alimentação a todos os povos.

Assim, camponeses e camponesas da Via Campesina realizarão diversas atividades em defesa da Soberania Alimentar dos povos, em varias regiões do Estado, entre elas uma feira agroecológica, em Carpina, debate sobre Soberania Alimentar em Universidades e escolas do Recife e da região do Sertão do São Francisco e distribuição simbólica de alimentos. No Recife, a Via Campesina e a Marcha Mundial de Mulheres começam as atividades às 7h da manhã, com panfletagem e distribuição simbólica de alimentos no Bairro de Água Fria. À tarde acontecerá um ato em frente ao McDonald’s da Rua 7 de Setembro.

Um direito sistematicamente violado

A própria FAO admite que o mundo tem pouco a comemorar em relação a garantia do direito à alimentação. Segundo a organização, o número de pessoas com fome no mundo subiu de 850 milhões para 925 milhões em 2008, por causa da disparada dos preços dos alimentos. Durante os sete primeiros meses deste ano os preços dos alimentos aumentaram em 50%.

No Brasil, o preço da cesta básica aumentou 25% nos últimos meses, aumentando também a miséria e a fome.

Para a Via Campesina, a única forma de reverter esse quadro e garantir verdadeiramente o direito de todos os povos à alimentação saudável é através da soberania alimentar, ou seja, é do direito e da capacidade dos povos de definir suas próprias políticas agrícolas e produzir alimentos em seus territórios destinados a alimentar suas populações.

E isso só pode acontecer com Reforma Agrária, distribuição das terras e incentivo à agricultura familiar, que é a principal responsável pela produção de alimentos, produzindo mais de 60% de todo o alimento que chega à mesa dos brasileiros, mesmo possuindo apenas 30% das terras
ela produz 78% do feijão, 84% da mandioca, 62% da carne, 71% do leite, 54% do milho, 60% do trigo e 40% de aves e ovos consumidos pelo povo brasileiro. Enquanto que o latifúndio e o agronegócio controlam cerca de 70% das terras do Brasil, usadas principalmente para a produção de cana-de-açúcar, soja e eucalipto exportados para a Europa e Estados Unidos.

Na Zona da Mata pernambucana, por exemplo, uma das regiões mais pobres do Estado, apenas 2% das terras agriculturáveis são utilizadas para a produção de alimentos. Os outros 98% são tomados por cana-de-açúcar, a grande maioria para exportação.

Direito à Alimentação X Agronegócio

Enquanto o agronegócio avança sobre territórios, produz para o mercado internacional, concentra os investimentos públicos, contamina o meio ambiente, inviabilizando a agricultura familiar, os assentados, pequenos e médios agricultores e camponeses não recebem apoio do governo, quem paga caro são os consumidores que moram nas cidades, em especial os mais pobres.

O Estado, em nome da sociedade, deve desenvolver políticas públicas para proteger a agricultura, priorizando a produção de alimentos e garantindo nossa soberania alimentar: cada município, região e povo precisa produzir seus próprios alimentos, que devem ser sadios e para todos. O nosso país não será autônomo política e economicamente enquanto grandes empresas estrangeiras controlarem a cadeia de produção e comercialização dos alimentos. O alimento é um direito de
todo ser humano e não uma mercadoria, como, aliás, já defende a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Isso se chama soberania alimentar. Precisamos promover a consolidação de um novo modelo agrícola, baseado em pequenas e médias propriedades, com a realização da Reforma Agrária, para a produção de alimentos saudáveis e baratos para o mercado interno.

Atividades da Jornada de Luta em Defesa da Soberania Alimentar no Recife

07:00 h – panfletagem e distribuição simbólica de alimentos no bairro de Água Fria – Via Campesina e Marcha Mundial de Mulheres

14:00 h – debate sobre Soberania Alimentar na Universidade Federal Rural de Pernambuco - Via Campesina

15:00 h – ato em frente ao McDonald’s - Via Campesina, Marcha Mundial de Mulheres e Assembléia Popular

MST e Assembléia Popular realizam trabalho de base em Belo Horizonte

Em Minas Gerais, neste 16 de outubro, o MST e a Assembléia Popular realizam trabalhos de base na periferia da cidade de Belo Horizonte. São 400 pessoas nas ruas abrindo o diálogo com a sociedade sobre a questão dos preços elevados dos alimentos, o preço da energia e a criminalização da pobreza.

No dia 17, militantes do estado estarão realizando uma marcha no centro de Belo Horizonte, denunciando uma das grandes redes de supermercado do país.

MST se reúne com Incra para discutir assentamento Otaviano no ES

Debates e seminários sobre a crise dos alimentos e a questão dos transportes realizados nesta quarta-feira,15, deram início à Jornada no Espírito Santo. Estudantes e militantes da Via Campesina e Intersindical estiveram envolvidos na atividade.

Hoje, 16 de outubro, uma equipe do MST está em audiência com o Incra para discutir o andamento do processo do assentamento Otaviano de Carvalho. Diversos setores da sociedade estão presentes para prestar apoio.

Segundo a coordenação do MST no estado, caso não haja nenhuma resposta do Incra, será montando um acampamento permanente em frente à superintendência do órgão.

Manifestantes são reprimidos com violência no RS

Bombas de gás lacrimogênio, cassetetes e balas de borracha. O cenário que já se tornou comum no Rio Grande do Sul repetiu-se nesta quinta-feira (16/10). Desta vez, a Governadora do Rio Grande do Sul tentou impedir que os dez mil manifestantes da 13ª marcha dos Sem e da Jornada de lutas por Soberania Alimentar realizassem um ato na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini.

Após marcharem desde o Parque da Redenção, no centro da cidade, os manifestantes foram impedidos de entrarem na praça que reúne os três poderes gaúchos. Dezessetes pessoas ficaram feridas na ação da Brigada Militar, novamente coordenada pessoalmente pelo Comandante Paulo Mendes.

Apesar da ação policial, movimentos sociais e sindicais conseguiram entrar na praça, após uma negociação entre parlamentares e o Governo do Estado. "Aqui são todos trabalhadores, não tem nenhum bandido, não tem nenhum corrupto, pena que não podemos dizer o mesmo de quem está aí dentro deste palácio", discursou Celso Woyciechowsk, presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

"Com a violência, eles querem que o povo não lute, que não volte aqui, mas é o contrário, temos que lutar cada vez mais e mais" declarou Flavio Vivian, do Movimento dos Pequenos Agricultores. Vivian foi um dos feridos em 11 de junho passado em um ato contra a corrupção no Governo Yeda, quando dezenas de pessoas foram feridas e dez manifestantes presos. O agricultor permaneceu uma semana internado com lesões no pulmão e hemorragia interna.

Além do ato, a Jornada de Lutas na capital gaúcha também foi marcada por protestos em frente ao supermercado Nacional/Wall-Mart, pelo seminário sobre a Crise do Preços dos Alimentos, pelo encerramento do jejum de educadores da Reforma Agrária e pelo ato dos servidores públicos contra as fundações privadas.

O ato foi encerrado em frente ao Palácio Piratini com a palavra de ordem de "Fora Yeda". A Governadora tucana e os integrantes de seu governo são investigados pelo Ministério Público ou pela Polícia federal por desvios no DETRAN, na PROCERGS, na Lei de Incentivo à Cultura, por receberem "mensalões" de empresas e por irregularidades na campanha eleitoral de 2006.

Mulheres da Via Campesina liberam pedágios no Paraná

Cerca de 1.000 camponesas da Via Campesina, Assembléia Popular e Movimento Popular de Mulheres de Sarandi, liberam desde a manhã desta quinta-feira, várias cancelas de pedágios no Paraná, em Defesa da Soberania Alimentar. Dezenas de mulheres também participam de seminário sobre o assunto, em São Mateus do Sul.

A mobilização faz do Dia Internacional Em Defesa da Soberania Alimentar, que marca o dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação.As cancelas foram liberadas nas praças de São Luiz do Purunã, Cascavel, Imbaú, Ortigueira, Marialva e São Miguel do Iguaçu.

Os pedágios são hoje, um dos principais entraves para a pequena agricultura, que encarecem muito a distribuição dos produtos agrícolas, prejudicando os produtores no campo e os consumidores nas cidades. O que afeta diretamente o crescimento econômico do Paraná, pois todas as mercadorias já vêm com o valor do pedágio embutido. Ao todo, 72% de toda a riqueza brasileira é transportada pela malha rodoviária.

As camponesas denunciam a alta nos preços dos alimentos causada pela especulação financeira, pois hoje os produtos agrícolas se tornaram commodities, negociados nas bolsas de valores. Outro agravante é que o governo federal dá prioridade ao modelo agro-exportador do agronegócio que destrói o meio ambiente, e é controlado por transnacionais e o capital financeiro, que especula com o preço dos alimentos. Enquanto isso, os assentados, camponeses, pequenos e médios agricultores, responsável por 70% dos alimentos produzidos no Brasil, não recebem apoio do governo e acabam sendo muito prejudicados com a crise.

A Via Campesina cobra do governo federal a criação de políticas públicas para proteger a agricultura, priorizando a produção de alimentos e garantindo a soberania alimentar. É preciso promover a consolidação de um novo modelo agrícola, baseado em pequenas e médias propriedades, com a realização da Reforma Agrária, para a produção de alimentos saudáveis e baratos para o mercado interno.

->Confira também outras ações no Especial sobre o Dia Internacional de Luta pela Soberania Alimentar

Mulheres do campo denunciam política agroindustrial da Bayer no Rio

Da Agência Petroleira de Notícias

Mais de 300 integrantes da Via Campesina realizaram manifestação, na tarde dessa quinta, em frente à sede da transnacional Bayer, em Belford Roxo. A atividade foi organizada pelas trabalhadoras do campo que denunciam o modelo de agricultura industrial controlado por grandes empresas multinacionais. Os manifestantes responsabilizaram essa política pela elevação do preço dos alimentos e pelo crescimento de famintos no mundo.

A Bayer produz agrotóxicos e sementes transgênicos de milho que degradam o meio ambiente e prejudicam a saúde. A Via Campesina, em contraposição, defende a reforma agrária e uma política de apoio à agricultura familiar. Essa manifestação faz parte da Jornada de luta contra a elevação do preço dos alimentos e pela soberania alimentar que acontece em diversos locais do globo e em muitas cidades brasileiras.

- A Bayer é uma transnacional que domina grande parte das sementes e agrotóxicos comercializados no país. É combatendo a produção de veneno que nós fazemos essa manifestação como um contraponto. Queremos propor uma outra lógica de relação do homem com o campo. Defendemos a agroecologia. A Bayer é uma transnacional que monopoliza a produção de sementes, usa os venenosos agrotóxicos, rouba nossas riquezas e explora os trabalhadores brasileiros. Fizemos esse ato aqui pois a Bayer representa tudo que combatemos – conta Eliana Souza, direção estadual do MST.

Aos gritos de “se é Bayer, não é bom” os manifestantes de diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro se concentraram a partir das 16h na praça Eliaquim Batista, no centro de Belford Roxo, e seguiram em passeata até a sede da Bayer. Desde a entrada da cidade, os ônibus da Via Campesina foram escoltados pela polícia. O tensionamento aumentou quando os manifestantes forçaram para realizar o ato em frente a transnacional.

"É na rua lutando que combateremos as injustiças desse mundo. Nada termina agora. Essa é só mais uma das tantas mobilizações que nós vamos seguir fazendo pelo mundo", concluiu Eliana do MST.

Mulheres fazem ato pela soberania alimentar em MG

Como forma de exigir melhores condições de vida, o direito a uma alimentação saudável, o direito a uma energia barata, soberania e a erradicação da pobreza, diversos movimentos sociais, organizados na Assembléia Popular, na Marcha Mundial de Mulheres e na Via Campesina, estarão reunidos na Praça Sete, em Belo Horizonte, nessa sexta-feira (17/10), às 12h, para uma grande mobilização popular.

Seria fácil dizer que os números estonteantes sobre a fome e a pobreza no Brasil bastariam para levar-nos à ação: 32 milhões de pessoas em nosso país convivem com a fome; o brasileiro precisa trabalhar em média 160 horas para adquirir uma cesta básica de alimentos; apenas 52,8% dos domicílios brasileiros possuem rede coletora de esgoto; o índice de desenvolvimento humano brasileiro é 0,757, o que nos coloca em 73º lugar no ranking mundial; 32,3% dos brasileiros vivem com um rendimento mensal de até 2 salários mínimos. Mas não se engane, há muito mais sofrimento além dos meros dados estatísticos. Não obstante, pouco temos avançado no combate a essa situação de desrespeito aos direitos humanos.

Como aponta Flavio Luiz Schieck Valente, em seu livro "Direito humano à alimentação - desafios e conquistas", "o povo brasileiro não tem só fome de uma dieta básica de custo mínimo, porque queremos satisfazer nossos hábitos alimentares, nossas vontades, nossos prazeres. O povo brasileiro não tem só fome de comida, porque queremos construir uma sociedade justa, humana e fraterna, onde todos tenham direitos iguais quaanto à satisfação de suas necessidades, sejam estas bioquímicas, fisiológicas, sociais, culturais ou históricas. O povo não tem só fome de comida, mas de casa, de trabalho, de terra, de educação, de cultura, de lazer, de liberdade, de felicidade e de soberania".

Para garantir a soberania alimentar é preciso fortalecer a agricultura familiar; lutar contra o poder do agronegócio e das transnacionais; realizar reforma agrária para o fim do latifúndio que tem terra e não produz; reconhecer e valorizar o trabalho das mulheres para a produção de alimentos saudáveis.

Soberania alimentar é o direito de cada povo definir o quê e como produzir seus alimentos e, também, de ser respeitado em sua cultura e hábitos alimentares.

Soberania energética

Se a energia hídrica é uma das energias mais baratas do mundo, nada explica as altas taxas cobradas aos consumidores brasileiros em suas casas. Enquanto empresas como a Vale e Alcoa recebem subsídio na energia, pagando cerca de R$ 0,04 pelo kilowatt de energia; pela mesma energia, em seu uso doméstico, é cobrado cinquenta e seis centavos aos consumidores.

A maior parte das hidrelétricas não produz energia para ser utilizada nas residências: 44% da energia produzida no Brasil vai para as indústrias e apenas 25,1% vai para as residências, como mostra o Anuário Estatístico do Brasil 2001, do IBGE.

Nas nossas casas somos nós mulheres que acabamos gastando a energia do nosso corpo no trabalho dobrado para economizar e não prejudicar a família...

"Uma vez definido que se vai realizar o aproveitamento desta bacia ou daquele rio e tendo já sido firmados os contratos milionários com as empresas e até mesmo adquirido equipamentos pesados e caros é que se procede então ao que se convencionou chamar de 'avaliação de impactos sociais'. Trata-se, no entanto, de avaliar para 'minimizar', 'mitigar' ou neutralizar' 'impactos' de uma decisão já tomada e em curso, e nunca uma avaliação de 'impactos' para ser levada em conta na decisão de construir uma hidrelérica", afirma Lygia Sigaud em seu livro "Implicações políticas e sociais de grandes projetos hidrelétricos sobre as populações indígenas e camponesas".

A construção de barragens já expulsou mais de 1,5 milhão de pessoas de suas terras e 70% dos atingidos não recebe nada pelo "impacto".

Exigimos a isenção de cobrança no uso de 100Kws de energia mensal e o rompimento da dependência com o uso dos combustíveis fosseis!

Abaixo a pobreza e a opressão sobre as mulheres!

Mulheres protestam contra a alta dos preços de alimentos no Rio

Nesta quinta-feira (16/10), Dia Internacional de Luta Pela Soberania Alimentar, mulheres de todo o Estado se juntam em marcha contra a alta dos preços dos alimentos. A concentração será às 10h na Praça da Cruz Vermelha. O ato, organizado por diversas entidades, pretende reunir trabalhadoras, donas de casa, estudantes e agricultoras, e chamar atenção para o atual modelo agrícola, baseado na monocultura para exportação, com conseqüências diretas para a elevação dos preços dos alimentos no Brasil e no mundo.

A atividade é organizada pelas seguintes entidades: MST / Via Campesina, Central de Movimentos Populares, PACS, Comitê Popular de Mulheres, CAMTRA, Movimento Direito Para Quem?, Setorial de Mulheres do PSOL, GT de Mulheres da Conlutas, Intersindical, SEPE, DCE UERJ, DCE UFF, DCE UFRJ, MTST, Liberdade Lilás, PCB, Mandato Marcelo Freixo (PSOL), DDH, Agroecologia e Luta Contra o Deserto Verde, Marcha Mundial das Mulheres, Comissão Pastoral da Terra, Rede Jubileu Sul

Às 16h, Mulheres Sem Terra da Via Campesina farão uma manifestação em Belford Roxo, marchando em direção à Bayer, considerada um dos maiores símbolos do agronegócio no Brasil, produtora de insumos agrícolas (agrotóxico, fertilizantes e sementes transgênicas de milho) que degradam a natureza, podendo prejudicar a saúde humana. Esta manifestação faz parte da Jornada Internacional de Lutas da Via Campesina pela Soberania Alimentar, que acontece, simultaneamente, em vários estados.

Ocupação do Idema e do Incra marcam Jornada no RN

As mobilizações em torno do Dia Internacional da Luta pela Soberania Alimentar no estado do Rio Grande do Norte, tiveram início na terça-feira, dia 14, quando cerca de 200 pessoas ocuparam a superintendência do Incra, no centro da capital, Natal.

Além dos temas como desapropriações, vistorias, Pronera e assistência técnica, as famílias exigiram uma audiência para tratar também sobre o caso do assentamento de São Sebastião, no município de Ceará-Mirim onde opera uma pedreira da empresa RC Química. Uma equipe de negociação foi atendida no mesmo dia e outra reunião foi agendada para hoje para concluir a pauta.

Na manhã da quarta-feira, os manifestantes foram até o Banco do Brasil prestar solidariedade à greve dos bancários e contra as altas taxas de juros. O pátio interno da sede da Cosern (Companhia Energética do Rio Grande do Norte) também foi ocupado por cerca de 300 pessoas - militantes da Assembléia Popular, Conlutas, Sindsaúde, Sindicato dos Bancários, PSOL e PSTU, e pela população de bairros próximos - para exigir a redução das tarifas energéticas.

Hoje pela manhã, cerca de 300 pessoas marcharam até o Idema (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente) para reivindicar a desocupação da empresa RC Química da área de preservação ambiental no assentamento São Sebastião.

Para Cícero Araújo, da coordenação do MST no estado, “a região deste assentamento é rica em minerais e a exploração da área por estas empresas, que receberam autorização do governo para realizar pesquisas só vem se expandindo. E o Idema tem o poder de embargar as atividades das empresas”.

Logo depois, cerca de 300 pessoas marcharam até dois supermercados Hiper onde foram realizados atos simbólicos pela Soberania Alimentar.

“Os atos nos supermercados foram bem positivos. O envolvimento de diversos movimentos demonstra que o problema da soberania alimentar não é só do campo. Estamos construindo boas lutas com os companheiros da cidade e dos sindicatos”, conclui Cícero.

Podemos acabar com a crise alimentar

Muitos jovens querem entrar à agricultura com modelos agroecológicos: produção sustentável, autônoma e venda dirigida à região da produção. Porém, as atuais políticas não o permitem nem favorecem a agroindústria.

Hoje, 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação da FAO, a Via Campesina divulga uma mensagem de esperança frente a crise alimentar mundial, derivada do modelo industrial e agro-exportador que afeta milhões de camponeses e camponesas e do conjunto da população do mundo todo.

É possível acabar com essa crise se desterrarmos o modelo que elimina camponeses e camponesas, destrói a biodiversidade e o meio ambiente e gera fome e miséria no mundo. A crise alimentar é o elo mais dramático da corrente de crises que está gerando o sistema econômico neoliberal – crise climática, energética, financeira, da biodiversidade... É o momento de mudar o rumo começando justamente na agricultura.

A alternativa é a Soberania Alimentar, que permite aos povos desenharem suas próprias políticas agro-alimentares que favoreçam a produção e distribuição camponesa local e sustentável para abastecer sua população.

A Via Campesina divulga esta mensagem em pleno processo de debate, por canta da sua V Conferência em Maputo (Moçambique), que reúne mais de 600 representantes camponeses e camponesas do mundo todo. Precisamente, 60% da comida que se consome em Moçambique é importada e o problema da fome e da desnutrição não diminui no país. Moçambique, como todos os países do mundo, necessita ser soberano na alimentação e impulsionar seu setor primário sustentável – com métodos que respeitem a natureza para alimentar a sua população e acabar com a fome.

Hoje, em Maputo, na Assembléia de Jovens enfatiza-se a necessidade de facilitar o acesso das novas gerações à agricultura e os meios de produção. Nesta Assembléia constata-se que há muitos jovens que querem entrar na agricultura com essa nova visão, condizente com a agroecologia e ainda não podem. A Via Campesina insta aos governos a facilitar o acesso destas pessoas jovens à terra, ao crédito e à ajudas para instalação, já que o futuro da agricultura e da alimentação depende de elas. De outra maneira, não haverá solução para a crise alimentar enquanto não se estenda a instalação de jovens na agricultura com modelos agroecológicos e soberanos.

Via Campesina Internacional

Protestos por soberania alimentar acontecem em 12 estados

A Via Campesina e a Assembléia Popular fizeram protestos em doze estados para denunciar a responsabilidade do agronegócio e das empresas transnacionais da agricultura pela elevação dos preços dos alimentos e em defesa da soberania alimentar e da pequena agricultura, nesta quinta-feira (16/10). Foram realizadas atividades e protestos no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão, Mato Grosso, Espírito Santo, Paraíba e Minas Gerais.

No Brasil, a cesta básica exige 52,8% do salário mínimo, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com o encarecimento do preço, os alimentos vão consumir uma fatia ainda maior da renda da população. “Os produtos agrícolas passaram a ser commodities, que agora são vendidas nas bolsas de valores em ações. Grandes especuladores controlam 60% do trigo, por exemplo. A alta do preço dos produtos agrícolas tem origem na especulação financeira. Esses produtos são vendidos a seis ou sete vezes mais caros nas bolsas, sem em muitos casos existirem”, afirma Egidio Brunetto, da coordenação da Via Campesina.

Os movimentos sociais propõem como alternativa ao aumento do preço dos alimentos a aplicação, pelo Estado, de políticas públicas para infra-estrutura e assistência técnica em assentamentos e pequenas propriedades, que produzem 70% da cesta básica brasileira. Dessa forma, o país vai garantir sua soberania alimentar, que é a capacidade de cada país, região e municípios de produzir a quantidade necessária de alimentos para a população. Atualmente, o Brasil precisa importar produtos agrícolas e suas diversas regiões precisam fazer trocas entre si.

PROTESTOS

No Rio Grande do Sul, 10 mil trabalhadores urbanos e rurais fizeram protesto em frente ao Supermercado Nacional, da rede Wall-Mart, a maior rede varejista do mundo, em Porto Alegre. Os movimentos sociais e sindicais denunciam que grandes transnacionais como a Wall-Mart, Bunge e Cargill são responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos, através da especulação financeira.

À tarde, Porto Alegre se tornou cenário de violência, com bombas de gás lacrimogênio, cassetetes e balas de borracha contra manifestantes. A governadora Yeda Crusius tentou impedir que os dez mil manifestantes da Jornada de lutas por Soberania Alimentar realizassem um ato na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini.

Após marcharem desde o Parque da Redenção, no centro da cidade, os manifestantes foram impedidos de entrarem na praça que reúne os três poderes gaúchos. Dezessetes pessoas ficaram feridas na ação da Brigada Militar, novamente coordenada pessoalmente pelo Comandante Paulo Mendes. Apesar da ação policial, movimentos sociais e sindicais conseguiram entrar na praça, após uma negociação entre parlamentares e o Governo do Estado.

No Paraná, cerca de 1.000 camponesas da Via Campesina, Assembléia Popular e Movimento Popular de Mulheres de Sarandi liberaram, pela manhã, cancelas de seis praças de pedágios. Os pedágios são um dos principais entraves para a pequena agricultura, que encarecem a distribuição dos produtos agrícolas, prejudicando os produtores no campo e os consumidores nas cidades. As cancelas foram liberadas nas praças de São Luiz do Purunã, Cascavel, Imbaú, Ortigueira, Marialva e São Miguel do Iguaçu.

Em São Paulo, aconteceram atos em quatro municípios, em defesa da Reforma Agrária e da pequena agricultura. Na capital do estado, cerca de 600 pessoas da Assembléia Popular, MST e MTST fizeram uma marcha na região da Avenida Paulista. Os manifestantes fizeram um ato no estacionamento do supermercado Extra, na Brigadeiro Luís Antônio, para denunciar que grandes empresas estão controlando a comercialização e o preço dos alimentos. No ato, o MST distribuiu à população arroz produzido em um assentamento da Reforma Agrária. “Nós produzimos alimentos para a população, enquanto as grandes empresas da agricultura e supermercados produzem lucro, pobreza e fome”, afirma José Batista, da coordenação do MST.

Em Itapeva, cerca de 150 pessoas ocuparam a sede do Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) para exigir que seja acelerado o processo de assentamento das famílias da região, além de estrutura para os acampamentos e uma audiência com o Governo do Estado.

Em Presidente Prudente, na região do Pontal do Paranapanema, 500 pessoas se manifestaram no pátio do Itesp em busca da regularização das famílias que estão vivendo à beira da estrada, além de mais acesso aos créditos para a Reforma Agrária. Na região do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, 200 pessoas ocuparam pela manhã um supermercado para protestar contra a crise dos alimentos. Depois, foi realizada uma marcha em direção ao centro da cidade para realização de um ato.

Na região de Campinas, interior do estado, 200 manifestantes fizeram protesto contra a crise alimentar e pela defesa dos diretos. Também foi realizada uma distribuição de alimentos simbólica, em forma de protesto.

Em Pernambuco, camponeses e camponesas da Via Campesina realizaram em três regiões atividades em defesa da Soberania Alimentar. No Recife, a Via Campesina e a Marcha Mundial das Mulheres fizeram panfletagem e distribuição de alimentos no Bairro de Água Fria. As organizações realizaram ato em frente ao McDonald's, da Rua 7 de Setembro. Em Carpina, a Via Campesina realiza uma feira agroecológica e, na região do Sertão do São Francisco, aconteceram debates sobre soberania alimentar em universidades e escolas.

No Rio de Janeiro, mulheres do campo e da cidade fizeram marcha na capital para denunciar a responsabilidade do agronegócio na elevação do preço dos alimentos. O ponto alto da manifestação aconteceu em frente ao supermercado Sendas da Rua do Riachuelo. Os manifestantes pararam em frente à empresa e estenderam um longo tapete-painel com frases de denúncia em relação à alta dos preços dos alimentos. À tarde, mulheres da Via Campesina fizeram manifestação em Belford Roxo, marchando em direção à Bayer, umas das maiores empresas do agronegócio, com a produção de insumos agrícolas.

"A Bayer é uma transnacional que domina grande parte das sementes e agrotóxicos comercializados no país. É combatendo a produção de veneno que nós fazemos essa manifestação como um contraponto. A Bayer é uma transnacional que monopoliza a produção de sementes, usa os venenosos agrotóxicos, rouba nossas riquezas e explora os trabalhadores brasileiros", conta Eliana Souza, direção estadual do MST.

No Ceará, 350 manifestantes partiram pela manhã do Mercado São Sebastião, um local simbólico de comercialização de produtos da agricultura camponesa em Fortaleza, e seguiram em marcha ao supermercado Bom Preço, da rede Wal-Mart.

No Rio Grande do Norte, cerca de 300 pessoas marcharam até o Idema (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente) para reivindicar a desocupação da empresa RC Química da área de preservação ambiental no assentamento São Sebastião. Logo depois, cerca de 300 pessoas marcharam até dois supermercados Hiper, onde foram realizados atos pela soberania alimentar.

“"Os atos nos supermercados foram bem positivos. O envolvimento de diversos movimentos demonstra que o problema da soberania alimentar não é só do campo. Estamos construindo boas lutas com os companheiros da cidade e dos sindicatos"”, conclui Cícero Araújo, da coordenação do MST no estado. As mobilizações em torno do Dia Internacional da Luta pela Soberania Alimentar no Rio Grande do Norte tiveram início na terça-feira, quando cerca de 200 pessoas ocuparam a superintendência do Incra, em Natal.

No Maranhão, cerca de 500 trabalhadores rurais estão acampados na Praça de Fátima, no centro de Imperatriz, em defesa da soberania alimentar e da Reforma Agrária. “Só a Reforma Agrária pode garantir a soberania alimentar do povo”, afirma Noé Rodrigues, da coordenação da Via Campesina.

Os manifestantes fizeram marcha pelo centro da cidade até o Incra para cobrar o assentamento das 2800 famílias acampadas e investimento público para produção agrícola e obras de infra-estrutura nos assentamentos. No começo da noite, acontece um ato público com a sociedade civil.

No Espírito Santo, uma equipe do MST realizou audiência com o Incra para discutir o andamento do processo do assentamento Otaviano de Carvalho, com o apoio de diversos setores da sociedade. Desde o começo da semana, acontecem seminários sobre a crise dos alimentos e a questão dos transportes, com a Via Campesina e Intersindical.

No Mato Grosso, mulheres da Via Campesina fizeram ato em Campo Verde (131 quilômetros de Cuiabá) para marcar o Dia Internacional de Soberania Alimentar, com a distribuição de alimentos produzidos nas áreas da Reforma Agrária.

Na Paraíba, Assembléia Popular e Via Campesina realizaram uma marcha pelo centro de João Pessoa contra o aumento do preço dos alimentos e da energia elétrica, que consomem parte substantiva da renda dos trabalhadores.

Em Minas Gerais, cerca de 400 pessoas da Assembléia Popular abriram diálogo com a sociedade sobre a questão dos preços elevados dos alimentos, o preço da energia e a criminalização da pobreza. Para esta sexta-feira, está prevista uma marcha no centro de Belo Horizonte, denunciando uma das grandes redes de supermercado do país.

Ainda estão previstos atos para esta sexta-feira. O 16 de outubro é Dia Mundial da Alimentação, definido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e Dia Internacional em Defesa da Soberania Alimentar, da Via Campesina, quando organizações camponesas, movimentos de mulheres, ambientalistas e consumidores fazem manifestações em o todo mundo para denunciar problemas e apresentar propostas.

A Assembléia Popular é um espaço de articulação de movimentos sociais urbanos, comunidades locais, pastorais, igrejas, sociedade civil e redes de organização popular. A Via Campesina é uma coalizão de movimentos do campo, formada por MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), MMC (Movimento das Mulheres Camponesas), MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), CPT (Comissão Pastoral da Terra), Abra (Associação brasileira de reforma agrária), Feab (Federação dos Estudantes de Agronomia), PJR (Pastoral da Juventude Rural), indígenas e quilombolas.

Seminário debate crise dos alimentos em Porto Alegre

As causas do alto preço dos alimentos e os prejuízos gerados à população urbana e rural serão os temas tratados no seminário A Crise dos Alimentos: Por quê? Para quem?, que acontece nesta quinta-feira (16/10), às 9h, no salão da Igreja da Pompéia, em Porto Alegre (RS). O evento é promovido pela Via Campesina,MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados) e Núcleo de Economia Alternativa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e marca o Dia Mundial da Alimentação, lembrado em 16 de Outubro. Cerca de 600 pessoas são esperadas para o seminário.

O objetivo é debater os motivos reais do aumento no preço dos alimentos, mostrando que há beneficiados com os prejuízos da população. Ao contrário do que parece, o aumento do preço não é repassado ao agricultor, responsável pela produção da comida, mas sim às transnacionais do setor, especuladores e o agronegócio. O produtor hoje não tem qualquer ingerência sobre o alimento que produz, o qual no mercado internacional é uma mercadoria e tem seu preço definido nas bolsas de valores. O mercado ainda incentiva a produção de monoculturas de celulose e de agrocombustíveis, que substituem a área plantada de alimentos, degradam o meio ambiente e impedem a reforma agrária.

E o mais prejudicado acaba sendo a população, principalmente a mais pobre. No Rio Grande do Sul, o preço do quilo do feijão, alimento-base da nutrição do brasileiro, chegou a R$ 5,00 o que representa um aumento de 151% em relação ao 2007, de acordo com dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Em média, o preço da comida subiu 23%, bem mais do que o salário mínimo, que acaba perdendo mais valor com o aumento dos juros pelo Banco Central.

Para debater o tema, foram convidados o engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro, o professor da UFRGS e integrante da entidade ambientalista Inga, Paulo Brack, e o Procurador da República no RS, Domingos Silveira. O seminário também integra as atividades da 13ª Marcha dos Sem, que também ocorre nesta quinta-feira na Capital.

SEMINÁRIO A CRISE DOS ALIMENTOS: POR QUÊ? PARA QUEM?

Dia: 16/10
Local: Salão da Igreja da Pompéia - Rua Barros Cassal, 220 - Centro - Porto Alegre

Programação

9h: Mística

9:15h: Apresentação de estudo do DIEESE sobre impacto da alta do preço dos alimentos no salário mínimo e na população.

9:40h: Painel A Crise dos Alimentos: Por quê? Para quem?
painelistas: Sebastião Pinheiro (engenheiro agrônomo)/ Paulo Brack (professor da UFRGS e integrante da entidade ambientalista Inga)/ Domingos Silveira (Procurador da República no RS).

11:00: Espaço para debate
Leitura da carta de compromisso do seminário e encerramento

PROGRAMAÇÃO DA 13ª MARCHA DOS SEM

9h - Seminário A Crise dos Alimentos: Por quê? Para quem?

11h:30 - Manifestação contra a criação de fundações privadas no setor da saúde - em frente ao hospital Conceição

14h - 13ª Marcha dos Sem: "A Defesa da Dignidade Humana" - Parque da Redenção (atrás do Instituto de Educação)

14h30 - Ato em defesa do Piso Salarial Nacional para o magistério - Centro Administrativo

17h - Encerramento da 13ª Marcha dos Sem - em frente ao Palácio Piratini

Trabalhadores protestam contra preço dos alimentos no RS

Trabalhadores urbanos e rurais realizam neste momento (16/10) protesto em frente ao Supermercado Nacional, da rede Wall-Mart, na Rua da República, no bairro da Cidade Baixa, em Porto Alegre.

Os movimentos sociais e sindicais denunciam que grandes transnacionais como a Wall-Mart, Bunge e Cargill são responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos, através da especulação financeira. Nos últimos meses, estas empresas tem especulado nas bolsas de commoditties (alimentos padronizados como mercadoria), inflacionando o preço de produtos básicos como arroz e
feijão. Os preços dos principais grãos: trigo, milho, arroz e soja, em média duplicaram o preço (em dólar) no mercado internacional entre a safra de 2006 até hoje.

Além disso, o avanço do plantio de oleaginosas e cana-de-açúcar para produção de combustíveis, como etanol e biodiesel, tem substituído as plantações para alimentos, reduzindo a oferta e aumentando os preços.

Somente no estado de São Paulo, nos últimos dois anos, a cana-de-açúcar passou a ocupar, em média, 100 mil hectares que anteriormente eram destinados ao plantio de feijão.

Os movimentos exigem políticas de soberania alimentar, ou seja, que a produção agrícola do país seja voltada para alimentar a população e não para especulação ou para combustíveis. Entre as medidas para garantir a segurança e a soberania alimentar, estão o apoio à agricultura familiar e
ao mercado interno e a realização efetiva de reforma agrária.

Ainda pela manhã, os trabalhadores participam de um Seminário sobre a Crise dos Alimentos na Igreja da Pompéia, na região central, e à tarde da 13ª Marcha dos Sem.

->Confira também outras ações no Especial sobre o Dia Internacional de Luta pela Soberania Alimentar

Trabalhadores protestam contra preço dos alimentos no RS

Trabalhadores urbanos e rurais realizam neste momento (16/10) protesto em frente ao Supermercado Nacional, da rede Wall-Mart, na Rua da República, no bairro da Cidade Baixa, em Porto Alegre.

Os movimentos sociais e sindicais denunciam que grandes transnacionais como a Wall-Mart, Bunge e Cargill são responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos, através da especulação financeira. Nos últimos meses, estas empresas tem especulado nas bolsas de commoditties (alimentos padronizados como mercadoria), inflacionando o preço de produtos básicos como arroz e
feijão. Os preços dos principais grãos: trigo, milho, arroz e soja, em média duplicaram o preço (em dólar) no mercado internacional entre a safra de 2006 até hoje.

Além disso, o avanço do plantio de oleaginosas e cana-de-açúcar para produção de combustíveis, como etanol e biodiesel, tem substituído as plantações para alimentos, reduzindo a oferta e aumentando os preços.

Somente no estado de São Paulo, nos últimos dois anos, a cana-de-açúcar passou a ocupar, em média, 100 mil hectares que anteriormente eram destinados ao plantio de feijão.

Os movimentos exigem políticas de soberania alimentar, ou seja, que a produção agrícola do país seja voltada para alimentar a população e não para especulação ou para combustíveis. Entre as medidas para garantir a segurança e a soberania alimentar, estão o apoio à agricultura familiar e
ao mercado interno e a realização efetiva de reforma agrária.

Ainda pela manhã, os trabalhadores participam de um Seminário sobre a Crise dos Alimentos na Igreja da Pompéia, na região central, e à tarde da 13ª Marcha dos Sem.

Trabalhadores realizam manifestações em diversas cidades de SP

Na capital, uma passeata sairá às 15h horas da Praça Oswaldo Cruz, próximo ao metrô Paraíso. Na região de Campinas, interior do estado, 200 manifestantes seguem em direção ao centro da cidade em protesto à crise alimentar e pela defesa aos diretos. Também será realizada uma distribuição de alimentos simbólica.

Em Itapeva, cerca de 150 pessoas ocupara a sede da Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo), também exigindo que seja acelerado o processo de assentamento das famílias da região, além de estrutura para os acampamentos e uma audiência com o Governo do Estado para regularizar a situação da fazenda Can Can, em Riversul, no interior de São Paulo.

Em Presidente Prudente, na região do Pontal do Paranapanema, 500 pessoas manifestam no pátio da Itesp em busca da regularização das famílias que estão vivendo à beira da estrada, além de mais acesso aos créditos para a Reforma Agrária.

Na região do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, 200 pessoas ocuparam pela manhã um supermercado, para protestar contra a crise dos alimentos. No momento, é acontece uma marcha em direção ao centro da cidade para realização de um ato.

Em todos os locais de protesto, o objetivo é se opor à alta dos preços dos alimentos, resultado de fatores diversos, entre eles, o aumento da inflação, a especulação das commodities, a expansão do agronegócio e o modelo capitalista de produção entre outros.

A criminalização dos movimentos sociais, a manutenção das tropas brasileiras no Haiti e a política econômica do governo Lula, que vem provando por meio de sua política que continuará incentivando o agronegócio em detrimento da reforma agrária, também serão repudiados nos atos.

A Jornada Nacional de Luta em Defesa dos Direitos é convocada pelo Fórum das Pastorais Sociais da Arquidioicese de São Paulo, a Intersindical, a Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e Assembléia Popular.

Trabalhadores realizam marcha no Ceará

O momento em que vivemos presencia enormes aumentos no preço dos alimentos: somente entre os meses de janeiro de 2007 e julho de 2008 o feijão subiu 151%, o arroz 39%, o pão 26%, o óleo de soja 26%.

Assim em nossa sociedade os alimentos produzidos pelo agronegócio e pelas transnacionais servem apenas para dar lucro e há ainda uma outra ameaça perigosa e invisível: os agrotóxicos e os alimentos transgênicos.

Por isso estamos nos organizando, pois a fome não deve enriquecer ninguém. Nesta quinta-feira (16/10) estaremos realizando uma grande luta nacional contra a alta dos alimentos e pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras.

Em Fortaleza a Marcha Pela Soberania Alimentar e Contra a Alta dos Alimentos sairá do Mercado São Sebastião às 8h da manhã.

Via Campesina faz ato contra a fome em Mato Grosso

Camponesas integrantes da Via Campesina realizam nesta quinta-feira (16/10)) um ato em Campo Verde (131 quilômetros de Cuiabá) para marcar o Dia Internacional de Soberania Alimentar. A cidade foi escolhida para o ato porque exibe um dos mais altos IDHs do país. Porém, esse índice não reflete a pobreza que se forma na periferia da cidade e a fome que existe por lá.

A Via Campesina aponta que os produtos tirados de grandes lavouras são do tipo exportação. ‘Quem pensa em por comida, saudável, fresca e barata na mesa do brasileiro é o pequeno agricultor, são os assentados‘, afirma Itelvina Masioli, da coordenação da Via, em Mato Grosso. Na periferia de Campo Verde, será feita entrega de cestas básicas, em sinal da solidariedade entre o campo e cidade.

Via Campesina monta acampamento em Imperatriz, no Maranhão

Cerca de 500 trabalhadores rurais da Via Campesina estão acampados na Praça de Fátima, no centro de Imperatriz (MA), em defesa da soberania alimentar e da Reforma Agrária, nesta quinta-feira. “Só a Reforma Agrária pode garantir a soberania alimentar do povo”, afirma Noé Rodrigues, da coordenação da Via Campesina.

Os manifestantes fazem marcha pelo centro da cidade até o Incra para cobrar o assentamento das 2800 famílias acampadas e investimento público para produção agrícola e obras de infra-estrutura nos assentamentos, a partir das 15h. No começo da noite, acontece ato público com a sociedade civil.

Pela manhã, aconteceu uma cerimônia para receber dos trabalhadores rurais na praça, onde há uma exposição de fotos. Está prevista para amanhã uma audiência com a superintendência da Incra para discussão de medidas para o avanço da Reforma Agrária.