A organização dos pequenos agricultores e seus aliados celebram hoje o Dia Internacional da Luta Campesina, relembrando o massacre de 19 trabalhadores Sem Terra, mulheres e homens na luta pela terra no Brasil há 12 anos atrás. Hoje dezenas de grupos, comunidades e organizações, em mais de 25 países em todo o mundo estão organizando mais de 50 ações, como por exemplo, mercado dos agricultores, conferências, ações diretas, atividades culturais, e demonstrações de defesa aos seus direitos a alimentação e o direito a alimentar suas comunidades.
Em Jakarta, a União dos Camponeses Indonésios junto com grupos de direitos humanos, pescadores, organizações de mulheres e outras organizações estão tendo uma assembléia geral contra as corporações transnacionais. Abrindo esse evento, Henry Saragih – coordenador geral Movimento Camponês Internacional La Via Campesina - disse: “Hoje é o dia no qual as comunidades silenciadas levantarão suas vozes. Agricultores e populações rurais representam metade da população da terra, mas nossas vozes não são ouvidas e nossos interesses são ignorados. Somos frequentemente marginalizados, empobrecidos e oprimidos. Mas no dia 17 de Abril nós celebramos nossa luta pela vida”.
Na Argentina, o movimento nacional dos indígenas e agricultores estão se juntando em sete províncias e organizando marchas contra os grandes produtores de soja que estão se apropriando das terras e destruindo os solos. Estão organizando ações contra a Syngenta e Monsanto. São marchas pela vida e contra o saqueando da terra, água e sementes pelas companhias transnacionais. Na Alemanha, uma semana inteira de ações tem sido organizada pela coalizão de vários grupos de base, ONGs e redes que atuam no campo da agricultura global em Berlim e entorno. Está sendo apresentada uma exibição de fotos, uma janela de biodiversidade numa loja orgânica, uma seleção especial de agricultura global num livraria, um rally de bicicleta e ações no campo de pesquisa GMO da gigante química BASF, entre muitas outras ações. Em Camarões, o conselho rural para o desenvolvimento da agricultura e da pesca (CORDAP) está organizando uma conferencia em Yaoundé para discutir “Qual o tipo de política alimentar queremos desenvolver em Camarões no tempo de alta dos preços internacionais dos alimentos?”.
(Uma lista completa de atividades em outros países está disponível no www.viacampesina.org)
Essa mobilização global está acontecendo na medida em que a fome está na pauta pública. O preço dos alimentos tem subido dramaticamente nos últimos anos e os motins contra a fome acontecem em muitas partes do mundo. Para La Via Campesina, a atual crise alimentar se dá, amplamente, por causa da liberalização comercial no setor da agricultura. O grande comercio de alimentos está agora especulando s obre a carência futura e o aumento artificial dos preços, criando mais fome e radicalizando a pobreza. Por outro lado, o constante esfacelamento dos mecanismos do estado (controle das importações por exemplo) nas últimas décadas levaram os países a uma situação de extrema vulnerabilidade à volatibilidade dos preços dos alimentos.
Hoje mobilizados, os membros das organizações de agricultores da Via Campesina e todos seus amigos e aliados acreditam que a agricultura familiar sustentável e produção local de alimentos pode resolver a atual crise. Eles estão prontos para assumirem o desafio.
Jacarta, 17 de abril de 2008