Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra 2008

Número: 
17
Fev/Mar
2008

A mulher Sem Terra é duplamente oprimida, pela exploração do capital e por ser mulher. Não enfrentam somente as privações sobre seu próprio corpo impostas pela sociedade capitalista machista, mas também a dura caminhada pela sobrevivência na luta pela terra que lhes pertence e pela terra que é hoje devastada pela ambição produtivista imposta pelo capitalismo.

É por sabermos dessa condição que temos o 8 de março como dia de luta contra a opressão da mulher e do sistema que agudiza tal opressão. É nessa data também que apresentamos, principalmente, a pauta nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no que diz respeito ao modelo agrícola. Isso porque são sobretudo as mulheres quem sofrem o impacto do atual modelo agroexportador baseado na pilhagem da natureza e no sufocamento da produção camponesa por conta das grandes transnacionais.

É nesse momento que mulheres Sem Terra de todo o país mobilizam-se para o enfrentamento com o agronegócio, buscando mostrar à sociedade a existência de um projeto alternativo de agricultura, baseado na produção camponesa em pequenas propriedades que respeitem a biodiversidade, além de um projeto alternativo de sociedade, livre de critérios produtivistas e da cega lógica capitalista que torna impossível condições igualitárias para homens e mulheres.

8 de março é dia de lutar!

Entre o fim de fevereiro e o começo de março as mulheres socialistas do início do século XX na Rússia, na Europa e nos Estados Unidos celebravam seu dia de luta a partir de acontecimentos importantes: greves, manifestações, enfrentamentos.

Em plena Guerra Mundial, em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo. No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de março. Neste dia, em Petrogrado, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a posição do Partido, que achava que aquele não era o momento oportuno para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação; foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro.

Ao longo dos anos, o 8 de março foi se tornando um dia de valorização do fútil, da beleza, do comércio, da confraternização, porém cultivamos o princípio de sua criação como um momento em que as mulheres vão às ruas para se manifestar, fazer suas reivindicações.

Acampamento no campus da UFPA discute igualdade de gênero

Até sábado 8/3, cerca de 600 mulheres da Via Campesina e entidades urbanas estarão acampadas no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Marabá, com o objetivo de discutir temas relacionados à luta das mulheres, sob o lema “Mulheres contra o imperialismo e pela igualdade de gênero”.

Hoje, acontece a abertura do evento com análise de conjuntura e atividades culturais. Amanhã (7), as mulheres irão marchar pela cidade de Marabá e participarão de uma audiência pública. No dia 8, serão oferecidas oficinas temáticas. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) vai participar da oficina sobre o modelo energético.

No ano passado, durante um acampamento na capital Belém, foram apresentadas várias demandas dos movimentos ao governo estadual. Após um ano, quase nada foi realizado e as mulheres buscam nesse encontro, retomar a pauta de reivindicações com o governo. Um dos principais temas é o debate sobre os grandes projetos de infra-estrutura na Amazônia.

Marabá foi escolhida para ser sede do encontro por ter em seu território e arredores grandes projetos de mineração, barragens e de produção de eucalipto, associados às grandes multinacionais, interessadas nas riquezas naturais da região.

Agricultoras feridas no RS denunciam violência a ministro

Na manhã desta quinta-feira (06/03), trabalhadoras da Via Campesina entregam denúncia ao Ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre as atrocidades cometidas na última terça-feira (04/03) pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul durante o despejo de 900 trabalhadoras rurais da Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, de área ilegal da empresa Stora Enso. A audiência acontece a partir das 9h30, no Ministério da Justiça, em Brasília.

Durante a ação policial, cerca de 50 camponesas foram feridas por balas de borrachas e estilhaços de bombas, além de sofrerem agressões físicas pela Brigada Militar, sob ordens da Governadora Yeda Crusius e dos Comandantes Binsel e Paulo Mendes. Junto com o documento-denúncia, as trabalhadoras rurais entregarão um CD com fotos das mulheres agredidas.

Às 15h, a denúncia também será entregue ao Secretário Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi.

Mobilizações continuam

As trabalhadoras rurais organizadas pela Via Campesina mantêm as mobilizações na manhã de hoje. Em Encruzilhada do Sul, a Fazenda Bota, da Aracruz Celulose, é o destino das 600 camponesas que estão acampadas desde o dia 04/03 no município. As agricultoras denunciam os prejuízos ambientais do plantio de pinus e eucaliptos e a violação de direitos trabalhistas dos trabalhadores que atuam no corte da madeira.

Cerca de 250 mulheres da Via Campesina realizam caminhada em direção à Superintendência Regional da Polícia Federal (Av. Ipiranga, 1365), em Porto Alegre (RS). As mulheres cobram informações sobre a investigação da compra ilegal de terra na Faixa de Fronteira pela empresa de celulose Stora Enso.

Em Santana do Livramento, as 900 trabalhadoras rurais deixaram o Ginásio municipal e seguem em caminhada à Praça Binacional, na fronteira com Rivera, onde realizarão um ato político.

Amigos dos Sem Terra na Finlândia fazem protesto contra Stora Enso

A Associação de Amigos dos Sem Terra organizou um protesto hoje em frente de sede de Stora Enso em Helsinki, condenando a ação policial contra camponesas do Rio Grande do Sul e acusando a transnacional de envolvimento indireto com a violência brutal contra as mulheres e crianças de MST.

Amigos dos Sem Terra na Finlândia condenam as operações ilegais de Stora Enso para conquistar terras no Rio Grande de Sul, e acusam empresa de agravar o conflito pela terra no Brasil.

A associação também insistiu com o governo Finlandês que tome as medidas necessárias para pressionar empresa Stora Enso a retirar-se das atividades que prejudicam os direitos dos camponeses no Brasil, ou em qualquer outro pais. O governo Finlandês tem controle de 40 % da Stora Enso.

Bahia realiza oitavo acampamento de Mulheres Sem Terra

Por Paulo A. Magalhães Fº

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a Ceta (Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados) e o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) promovem o 8º Acampamento de Mulheres com o lema: Mulheres Sem Terra e Indígenas em defesa da soberania alimentar, contra o agronegócio e as transacionais no campo. O Acampamento acontecerá entre os dias 06 e 09 de Março de 2008, na Escola Parque, bairro Caixa D´Água, em Salvador. Com a participação de cerca de 1500 mulheres, o evento terá palestras, debates, GTs e Oficinas sobre diversos temas, além da tradicional marcha do dia 08 de Março em parceria com outros movimentos sociais. Leia sobre as ações em outros estados no Especial 8 de Março.

O Acampamento visa integrar diversos movimentos de mulheres rurais e contribuir para formação política e inserção consciente dessas mulheres na luta de classes e na transformação das relações de gênero no mundo rural, a partir da ampliação do debate e do entendimento sobre as questões que afetam diretamente a sua vida (enquanto mulheres, trabalhadoras e sujeitos políticos) e que se mostram restritivas à sua emancipação, empoderamento e participação como protagonistas na (re) construção de uma sociedade justa, inclusiva e eqüitativa para homens e mulheres.

A mulher Sem Terra é duplamente oprimida, pela exploração do capital e por ser mulher. Não enfrentam somente as privações sobre seu próprio corpo impostas pela sociedade capitalista machista, mas também a dura caminhada pela sobrevivência na luta pela terra que lhes pertence e pela terra que é hoje devastada pela ambição produtivista imposta pelo capitalismo. São sobretudo as mulheres quem sofrem o impacto do atual modelo agroexportador baseado na pilhagem da natureza e no sufocamento da produção camponesa por conta das grandes transnacionais.

A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à terra, à água e aos alimentos.

É nesse momento que mulheres Sem Terra de todo o país mobilizam-se para o enfrentamento com o agronegócio, buscando mostrar à sociedade a existência de um projeto alternativo de agricultura, baseado na produção camponesa em pequenas propriedades que respeitem a biodiversidade, além de um projeto alternativo de sociedade, livre de critérios produtivistas e da cega lógica capitalista que torna impossível condições igualitárias para homens e mulheres.

Brigada Militar invade acampamento e fere camponesas

Um contingente da Brigada Militar invadiu de forma violenta o acampamento das mulheres da Via Campesina na Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, por volta das 17h desta terça-feira. As primeiras informações da área registram que há centenas de agriculturas feridas.

As cerca de 250 crianças que estavam no acampamento foram separadas das mães e colocadas deitadas com as mãos na cabeça. Ferramentas de trabalho foram apreendidas e barracos destruídos.

Durante o dia, a Brigada Militar já havia agredido um grupo menor de camponesas na entrada da fazenda e coagido os jornalistas que estavam na área cobrindo o episódio. Um cinegrafista foi detido por mais de uma hora e a sua fita com o registro da agressão apreendido.

Não é a primeira ação violenta do Governo Yeda Crusius. A Via Campesina condena a ação e denuncia que a governadora tucana coloca o aparato policial do Estado a serviço de uma de suas maiores financiadoras de campanha, a multinacional Stora Enso.

Via Campesina denuncia com a ocupação que a área foi adquirida ilegalmente pela empresa estrangeira e burlando a Constituição Federal, por se localizar em faixa de fronteira, o que é proibido por lei.

CPT publica nota de apoio à Via Campesina

Nota de apoio às mulheres da Via Campesina

“A única luta que se perde é a que se abandona” - Hebe Bonafini, Madres de la Plaza de Mayo

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) repudia a violenta repressão da Brigada Militar do Rio Grande do Sul contra as mulheres e crianças participantes do protesto contra a multinacional Stora Enso, na última terça-feira, 4 de março, na fazenda Tarumã, município de Rosário do Sul (RS). As mulheres da Via Campesina protestam contra a permanência criminosa da empresa em uma área de faixa de fronteira, burlando, dessa forma, a Constituição Federal Brasileira. Além disso, o grupo denuncia as ações violentas do governo de Yeda Crusius, que põe o aparato policial do Estado a serviço do agronegócio e das corporações estrangeiras.

A CPT reforça a denúncia da Via Campesina desse ato violento contra os direitos humanos e cobra das autoridades punição exemplar contra os militares envolvidos nas agressões e maior fiscalização das ações destes no Estado. A CPT reconhece e defende o direito legítimo das organizações e movimentos sociais de se manifestarem e tentarem mostrar à sociedade brasileira, as ações criminosas contra o nosso povo, e contra a nossa soberania territorial e alimentar.

A CPT apóia as mulheres de norte a sul do país envolvidas na Jornada Nacional de Luta das Mulheres da Via Campesina contra o Agronegócio e por Soberania Alimentar. Que as mulheres da Via Campesina, bem como todas as outras, se unam contra as várias violências praticadas contra elas e continuem na luta contra todos os males empreendidos pela expansão mortífera das monoculturas e do capitalismo em nosso país.

Coordenação Nacional da CPT

Goiânia, 7 de março de 2008.

Assessoria de Comunicação
Comissão Pastoral da Terra
Secretaria Nacional - Goiânia, Goiás.

Camponesa agredida pela polícia do RS mostra os ferimentos ao Senado

A camponesa do Rio Grande do Sul, Maraísa Talaska Porto, mostra os ferimentos provocados por homens da Brigada Militar durante manifestação. Ela participou da primeira audiência pública da Subcomissão Permanente de Defesa da Mulher no Senado, uma das iniciativas em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

As agressões são fruto da ação repressora da polícia contra 900 mulheres que ocuparam uma fazenda da transnacional sueco-finlandesa Stora Enso, em Rosário do Sul, a 400 km de Porto Alegre. As terras da fazenda foram adquiridas de forma ilegal através da criação de uma empresa brasileira"laranja". Isso porque está localizada em área de fronteira, onde instalações extrangeiras são proibidas.

Durante o ato, as mulheres cortaram eucaliptos e no lugar plantaram árvores nativas. A monocultura do eucalipto, praticada por grandes transnacionais como Stora Enso, Aracruz e Votorantin, destrói os biomas das regiões onde é implementada e afeta o solo de tal maneira que impossibilita qualquer outro cultivo, tornando-se uma grande ameaça aos camponeses. Leia sobre outras ações no Especial 8 de Março

Dia da Mulher: Qual o sentido dessa data?

A mulher Sem Terra é duplamente oprimida, pela exploração do capital e por ser mulher. Não enfrentam somente as privações sobre seu próprio corpo impostas pela sociedade capitalista machista, mas também a dura caminhada pela sobrevivência na luta pela terra que lhes pertence e pela terra que é hoje devastada pela ambição produtivista imposta pelo capitalismo.

É por sabermos dessa condição que temos o 8 de março como dia de luta contra a opressão da mulher e do sistema que agudiza tal opressão. É nessa data também que apresentamos, principalmente, a pauta nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no que diz respeito ao modelo agrícola. Isso porque são sobretudo as mulheres quem sofrem o impacto do atual modelo agroexportador baseado na pilhagem da natureza e no sufocamento da produção camponesa por conta das grandes transnacionais.

É nesse momento que mulheres Sem Terra de todo o país mobilizam-se para o enfrentamento com o agronegócio, buscando mostrar à sociedade a existência de um projeto alternativo de agricultura, baseado na produção camponesa em pequenas propriedades que respeitem a biodiversidade, além de um projeto alternativo de sociedade, livre de critérios produtivistas e da cega lógica capitalista que torna impossível condições igualitárias para homens e mulheres.

8 de março é dia de lutar!

Entre o fim de fevereiro e o começo de março as mulheres socialistas do início do século XX na Rússia, na Europa e nos Estados Unidos celebravam seu dia de luta a partir de acontecimentos importantes: greves, manifestações, enfrentamentos.

Em plena Guerra Mundial, em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo. No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de março. Neste dia, em Petrogrado, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a posição do Partido, que achava que aquele não era o momento oportuno para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação; foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro.

Ao longo dos anos, o 8 de março foi se tornando um dia de valorização do fútil, da beleza, do comércio, da confraternização, porém cultivamos o princípio de sua criação como um momento em que as mulheres vão às ruas para se manifestar, fazer suas reivindicações.

Direitos Humanos repudia ação policial no RS

Inesc, Ibase, Fian e outras entidades de defesa dos Direitos Humanos nacionais e internacionais publicam nota pública condenando a ação policial contra camponesas do Rio Grande do Sul. Confira nota a seguir.

Nota pública sobre violência da Policia Militar contra a Via Campesina em Rosário do Sul (RS)

Brasil, 05 de março de 2008.

A Relatoria Nacional para os Direitos Humanos à Alimentação Adequada e Terra Rural, integrante da Plataforma DHESCA Brasil, juntamente com as organizações abaixo-assinadas, manifesta a sua solidariedade às militantes da Via Campesina que foram vítimas da truculência da Brigada Militar do Rio Grande do Sul nesta terça-feira, 04 de novembro.

A ocupação da Fazenda Tarumã por parte da Via Campesina em Rosário do Sul, município localizado a 80 quilômetros da fronteira com o Uruguai, foi completamente legítima para chamar a atenção das autoridades para as ilegalidades cometidas pela empresa finlandesa Stora Enso.

Esta multinacional, conforme apontam o Ministério Público Federal e o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) daquele estado, desrespeita e burla a legislação brasileira ao adquirir terras na faixa de fronteira do País sem a devida autorização do Conselho Nacional de Defesa. Ademais, também utiliza artifícios espúrios, como a criação de uma empresa que serve de "laranja", para garantir os seus objetivos.

Esta semana, mais uma vez o Brasil e o mundo tomam conhecimento dos métodos arbitrários – que muito lembram as práticas dos Estados fascistas que não respeitam direitos e garantias fundamentais – empregados pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul para reagir à ação dos movimentos sociais que lutam por justiça social, que deveria ser garantida pelo mesmo Estado que os reprime com extrema violência. Tal violência, ressaltamos, tantas vezes repetida em Coqueiros do Sul, município no noroeste do mesmo estado, onde um imenso latifúndio (Fazenda Guerra) não cumpre o preceito constitucional da função social da propriedade, impede que centenas de famílias tenham o acesso à terra para dela tirarem seu sustento e garantirem sua dignidade e, ainda por cima, possui na sua área bases avançadas da Polícia Militar, caracterizando o uso do aparato público para fins privados.

Na ação em Rosário do Sul de denúncia contra a Stora Enso, as militantes da Via Campesina foram duramente agredidas com socos, pontapés e golpes de cassetetes, tiveram armas apontadas para suas cabeças, ficaram privadas de água e alimentação e impedidas de alimentar suas crianças. Como se não bastasse, a Brigada Militar também agrediu jornalistas, destruindo e confiscando seus equipamentos, e proibiu advogados da Via Campesina de exercerem sua função e acompanharem as ações policiais no interior da fazenda ocupada.

Infelizmente, a maior parte dos grandes meios de comunicação locais e nacionais legitima e justifica a violência praticada pelo Estado, em nome de uma ordem que privilegia um modelo de sociedade excludente, discriminatório e desigual em oportunidades.

Não há dúvidas de que a responsabilidade maior pelos referidos atos da Polícia Militar, que viola sistematicamente inúmeros direitos fundamentais, é da governadora Yeda Crusius e do Secretário de Segurança Pública, José Francisco Mallmann.

No ano em que se celebra o sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, cabe a eles, juntamente com as autoridades federais competentes, dar resposta à sociedade brasileira e internacional pelos abusos cometidos, bem como determinar investigação rigorosa para apontar os agentes passíveis de punição por tais atos.

Esperamos não menos do que isso e estaremos vigilantes e ativos no monitoramento do caso e na cobrança quanto às providências que cabem às autoridades do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Atenciosamente,

- Relatoria Nacional para os Direitos Humanos à Alimentação Adequada e Terra Rural

- Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos (ABRANDH)

- Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP)

- Fala Preta - Organização de Mulheres Negras

- Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE)

- FIAN Brasil

- Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos (FENDH)

- Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (GAJOP)

- Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE)

- Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)

- Instituto Povo do Cerrado

- Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

- Justiça Global

- Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)

- Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)

- Plataforma DHESCA Brasil

- Relatoria Nacional para o Direito Humano à Moradia Adequada e Terra Urbana

Documento Comprova Estratégia da Stora Enso para "driblar" lei brasileira

A estratégia da empresa sueco-finlandesa Stora Enso para adquirir terras na faixa de fronteira brasileira, utilizando uma empresa “laranja”, está comprovada numa troca de correios eletrônicos entre o advogado da empresa Valdo Cestari de Rizzo e João Borges, diretor florestal da empresa, e Otávio Pontes, vice-presidente da Stora Enso para América Latina.

No item 3 (página 1) do correio, o advogado alerta que a aquisição de terras na faixa de fronteira só é possível mediante o consentimento do Conselho de Defesa Nacional. No item 3.3. (página 2), o autor considera a situação é “fonte de enorme insegurança jurídica”.

Assim, no item 4 (página 2), especialmente no item 4.2, sugere a mudança de estratégia: as terras não seriam mais compradas em nome da Derflin (subsidiária da Stora Enso), mas da Azenglever Agropecuária Ltda, cujo capital seria supostamente detido por pessoas físicas brasileiras, mas na prática adquirirá terras para empresa sueco-finlandesa, sem precisar autorização da lei brasileira e do Conselho de Defesa Nacional.

Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares já estão registradas em nome da Agropecuária Azenglever.

Confira os documentos:

página 1

página 2

página 3

página 4

Em Rondônia, mulheres marcham até distribuidora de energia

Cerca de 300 mulheres da Via Campesina estão em marcha até as Centrais Elétricas de Rondônia S.A (CERON), em Porto Velho, para fazer uma entrega coletiva das autodeclarações que garantem a Tarifa Social de energia para as famílias que consomem até 140 kwh por mês (limite regional de Rondônia). O ato faz parte da jornada de lutas do Dia das Mulheres. Confira outras ações no Especial 8 de Março.

A manifestação também denuncia o subsídio energético dado às empresas e multinacionais pela Eletronorte, que é a principal acionista da CERON. A Alcoa e a Vale possuem indústrias de alumínio e ferro no norte do país (a Alumar e a Albrás) e, desde 1984, recebem energia subsidiada (a preço real de custo) da Eletronorte. Com a renovação dos contratos, a Alcoa e a Vale pagarão, respectivamente, R$45 e R$33 pelo MW, até 2024. Enquanto isso, a tarifa média anual paga pelas famílias da região norte é de R$ 262,78 pelo MW (sem os encargos), segundo pesquisa do Dieese.

“Enquanto as empresas lucram, muitas famílias não têm acesso à energia elétrica, por falta de infra-estrutura ou por não poderem pagar. É por isso que vamos fazer a entrega das autodeclarações, para que essas famílias tenham, pelo menos, um desconto na conta de luz”, declarou Josivaldo Alves da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Desde maio do ano passado, uma liminar expedida pelo Tribunal Regional Federal garantiu que todas as famílias que consomem até 220 kwh/mês de energia elétrica, podem receber os descontos referentes à Tarifa Social Baixa Renda na conta de luz, sem precisar estar cadastrado em qualquer programa social do governo. Para isso, basta entregar uma autodeclaração na distribuidora de energia elétrica da região. Por falta de informação e divulgação da liminar, muitas pessoas não estão usufruindo desse benefício, que pode chegar a ajudar 18 milhões de famílias.

Embaixador da Suíça pede desculpas à viúva de Keno

"Em nome do governo do meu país, eu quero pedir desculpas". Foi com essas palavras que o embaixador da Suíça, Rudolf Bärfuss, terminou a reunião com uma comissão de mulheres da Via Campesina ocorrida na manhã desta sexta-feira (07/04), em Brasília.

O pedido foi direcionado a Íris Oliveira, esposa de Valmir Mota de Oliveira - conhecido como Keno, morto em outubro de 2007, durante um ataque armado à area de experimento transgênico da transnacional suíça Syngenta no Paraná, ocupada pacificamente pela Via Campesina como forma de denúncia.

Emocionada, Íris entregou uma carta (anexa) ao embaixador, exigindo que o governo Suíço ajude a punir a Syngenta pelo ato de violência e pelos crimes ambientais dos quais é acusada. "Peço que a embaixada se mobilize para ajudar a retirar a Syngenta do país e impedir que outros crimes como o que vitimou Keno voltem a acontecer. Ele foi morto de uma maneira covarde por jagunços que chegaram atirando violentamente", disse. Em resposta, Bärfuss afirmou querer que a Justiça brasileira investigue o caso "o mais rapidamente possível. "Irei acompanhar o caso para exigir uma resposta para tal crime, pois nada justifica uma execução como essa, da forma violenta como ocorreu".

Para Maria da Costa, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o pedido de desculpas do embaixador não foi suficiente. "Queremos a responsabilização da Syngenta pelos crimes que ela comete no Brasil descritos na pauta de reivindicações. Em muitos lugares do país, as mulheres estão mobilizadas contra as transnacionais que massacram, violentam e assassinam homens e mulheres em todo o mundo. Queremos garantir que isto não acontecerá novamente".

Após o ato na embaixada suíça, as trabalhadoras seguiram para a frente da embaixada da Colômbia, onde fizeram uma vigília e entregaram ao embaixador daquele país uma carta de apoio ao povo colombiano, exigindo soberania e liberdade - principalmente "das inúmeras mulheres lutadoras mantidas como prisioneiras políticas pelo Estado ou por organismos por ele aparatados".

Por todo o país, as mulheres da Via Campesina seguem realizando ações durante a Jornada de Lutas para mostrar à sociedade a existência de um projeto alternativo de agricultura, baseado na produção familiar para o mercado interno, que respeite a biodiversidade.

Entidade alemã anunciou “preocupação” com detenção de camponesas

A FIAN Internacional, entidade alemã de defesa de direitos humanos, enviou uma carta ao secretário de segurança do estado do Rio Grande do Sul, José Francisco Mallmann, manifestando "profunda preocupação com a situação das 900 mulheres da Via Campesina que ocuparam pacificamente a Fazenda Tarumã".

"A situação do direito à água, a alimentação e medicamentos é precária. Há informações sérias sobre polícias ameaçando as mulheres com suas armas", diz a carta. A entidade demonstrou também preocupação com obstáculos ao trabalho dos advogados das mulheres detidas, aos meios de comunicação e ao representante da Secretária Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

A Fian Internacional solicitou a liberação do fornecimento de medicamentos, água e alimentação para as mulheres, em particular as feridas, e que se crie condições para uma investigação do caso, em particular da denúncia que a terra tinha sido adquirido ilegalmente pela empresa.

A seguir, leia a versão integral da carta, assinada por Martin Wolpold-Bosien, da FIAN Internacional, enviada ontem ao Secretário de Segurança Pública.

A José Francisco Mallmann

Secretário de Segurança Pública

Estado de Rio Grande do Sul

Brasil

Urgente: Preocupação por violência contra mulheres em Fazenda Tarumã

Heidelberg/ Alemanha, el 5 de marzo 2008

Prezado Secretário:

Cumprimento atenciosamente em nome de FIAN Internacional, organismo independente de direitos humanos com status consultivo diante as Nações Unidas, com sede em Heidelberg, a Alemanha.

Por meio deste escrito, manifestamos nossa profunda preocupação pela situação das cerca de 900 mulheres camponesas de Via Camponesa, que ocuparam pacificamente a Fazenda Tarumã, no município Rosário dó Sul, a proximadamente 400 km de Porto Alegre, ontem.

As mulheres reclamam que a Fazenda Tarumã de 2.100 hectares, foi adquirida ilegalmente pela empresa transnacional Stora Enso, e solicitam a entrega das terras para a Reforma Agrária.

Segundo nossas informações recentes, a Brigada Militar começou com atos de fustigação e violência contra as mulheres. Além disso, tratou de impedir o acesso dos meios de comunicação ao lugar dos fatos.

As notícias que chegaram em FIAN Internacional, desde a mesma localidade, indicam que pelos atos da Brigada, resultaram 15 mulheres feridas, e um caso de aborto pelos efeitos da violência empreendida com as camponesas.

A situação do direito à água, a alimentação e medicamentos é precária. Há informações sérias sobre polícias ameaçando as mulheres com suas armas. Impede-se também o trabalho da defesa legal, como dos meios de comunicação na localidade.

As informações contrastam com a versão do Comandante Mendez, da Polícia Militar, que manifestou que só há um policial ferido. Nos preocupa igualmente que, segundo informações recebidas, se negou o acesso à localidade também a um representante da Secretária Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

A situação na Fazenda é preocupante e alarmante. Por isso, a FIAN Internacional lhe solicita urgentemente respeitar, proteger e garantir os direitos humanos das mulheres camponesas, e tomar as decisões pertinentes para:

- retirar de maneira imediata a polícia da Fazenda Tarumã;

- fornecer acesso a medicamentos, água e alimentação para as mulheres, em particular as feridas;

- deter qualquer ato de fustigação ou agressão contra as mulheres;

- abrir o caminho para uma investigação do caso, em particular da denúncia que a terra tinha sido adquirido ilegalmente pela empresa.

Atenciosamente,

Martin Wolpold-Bosien
FIAN Internacional

Entidades manifestam apoio à ação da Via

Entidades de vários cantos do país e do exterior manifestaram apoio à ação das trabalhadoras da Via Camponesa. As declarações também repudiam a ação policial que reprimiu violentamente o ato das mulheres trabalhadoras, ferindo muitas delas. Confira a seguir o que dizem as entidades.

Companheiras lutadoras da Via Campesina do Rio Grande do Sul
Do Grito dos Excluídos

A coordenação Continental do Grito dos Excluidos/as integrada por companheiros e companheiras de 23 países das Américas Latina, Central e Caribe, manifesta total apoio a legitima e justa ocupação que fazem da área que, ilegalmente, pertence à empresa sueco finlandesa Stora Enso.
Somos solidários/as na luta contra o deserto verde. Somos parceiros/as de caminhada na defesa da vida, das pessoas e do meio ambiente.

Estamos atentos à ação e denunciaremos toda e qualquer arbitrariedade que possa vir a ser cometida contra as combativas companheiras.

Saudações de força e de luta!

Coordenação Continental do Grito dos Excluídos/as - Por trabalho, justiça e vida

Luiz Bassegio e Luciane Udovic, secretaria continental
Gerardo Cerdas Vegas, Costa Rica - coordenador regional do Grito Mesoamérica
Pedro Franco, Santo Domingo - coordenador regional do Grito Caribenho
Carlos Juliá, Argentina – coordenador regional do Grito Cone Sul
Juan Carlos Balderas, Bolívia – coordenador regional do Grito Andino

Carta de apoio às mulheres da Via Campesina
Da Terra de Direitos

A Terra de Direitos, organização de Direitos Humanos, com sede em Curitiba/PR, vem, diante das irregularidades cometidas pela Stora Enso em território brasileiro, prestar solidariedade às mulheres da Via Campesina que nessa manhã (04/03/08) ocuparam área da empresa multinacional Stora Enso, no município de Rosário do Sul- RS.

A ocupação objetivou denunciar as ilegalidades cometidas pela empresa sueco finlandesa, que vem adquirindo terras no Rio Grande do Sul, próximas da fronteira com o Uruguai, onde a empresa também tem plantios de eucaliptos. A transnacional objetiva formar uma base florestal abrangendo mais de 100 (cem) mil hectares e implementar fábricas no estado gaúcho.

Importante frisar que a multinacional está infringindo a legislação brasileira, pois adquire terras em faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros países, o que é proibido pela Constituição Federal.

Diante desta situação, e considerando que as mulheres da Via Campesina têm por objetivo lutar em defesa da vida e do meio ambiente, bem como em defesa da soberania alimentar, reiteramos nosso apoio à luta das mulheres da Via Campesina.

Curitiba, 04 de março de 2008.

Apoio à ação da Via Campesina
Da Conlutas

A Conlutas gostaria de expressar a sua solidariedade e apoio incondicional a luta das companheiras da Via Campesina contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população brasileira.

Nota de solidariedade
Carlos Neder - vereador (PT/SP)

O mandato do vereador Carlos Neder expressa sua solidariedade às mulheres da Via Campesina no Rio Grande do Sul. A ocupação das terras da multinacional Stora Enso, adquiridas em desacordo com a legislação brasileira, foi um ato de coragem que cumpriu a necessária da tarefa de denunciar essa ilegalidade, bem como as agressões do latifúndio e do agronegócio aos homens e mulheres do campo e ao meio-ambiente. O Dia Internacional da Mulher merece ser marcado por lutas como essa.

Destacamos, também, nosso repúdio à violenta repressão por parte da polícia e do governo do estado. Somos contrários à criminalização dos movimentos sociais e, principalmente, contrários à violência contra as mulheres.

Moção de apoio à Via Campesina
Da PJR - Pastoral da Juventude Rural

A Pastoral da Juventude Rural- PJR, declara total e imprescindível apoio as mulheres da Via Campesina, que com coragem e determinação mostram mais uma vez aquilo que o Governo tenta esconder do Povo brasileiro, a sua subordinação as multinacionais que irregularmente compram terra em nosso pais, que passam a destruir o restante de nossas riquezas deixando ao povo brasileiro a poluição, os problemas ambientais.
Nossa solidariedade a essas mulheres que determinadamente assumem cada dia mais a tarefa de combater esse tipo de política excludente, que ignora a vida do povo em detreminação aos lucros de empresas multinacionais.
Repudiamos a atitude hipócrita da polícia e do estado que a serviço dessas empresas humilha as trabalhadoras/es obstruindo os direitos humanos.

Nosso fraterno, solidário abraço a todas essas camaradas que seguem a luta, sem medo de ser mulher.

Nota de solidariedade às mulheres da Via Campesina
Da Marcha Mundial de Mulheres

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, um dia de luta para mulheres de todo o mundo, as companheiras da Via Campesina cumprem o importante papel de denunciar a toda a sociedade gaúcha e brasileira os desmandos que o latifúndio e as transnacionais promovem no campo, numa ação que destaca o protagonismo das mulheres na luta por igualdade, autonomia e soberania popular.

Ao ocupar área ilegal de uma poderosa transnacional (Stora Enso), a ação das mulheres da Via Campesina questiona o sistema capitalista, que concentra terra e riquezas e aprofunda a miséria no campo e na cidade. A ação denuncia a ordem capitalista e machista que não reconhece e não
valoriza o trabalho das mulheres no campo, relegando-as a um lugar de subordinação.

Repudiamos a ação da brigada militar gaúcha sob ordens do governo do estado do Rio Grande do Sul, comandado por Yeda Crusius, que agiu violentamente a serviço da ilegalidade operada pela transnacional. E exigimos a libertação da companheira Irma Ostroski, detida covardemente ao
realizar exames de corpo de delito, após ser agredida na ação violenta da polícia.

Apoiamos as companheiras da Via Campesina: pela anulação da compra ilegal de terras pela Stora Enso na faixa de fronteira e sua expropriação para fins de reforma agrária; e pela retirada do projeto, da Câmara e do Senado, que propõe a redução da faixa de fronteira.

Dizer não à ação das transnacionais e ao agronegócio, é uma tarefa inadiável de todas e todos que lutam por um mundo de igualdade.

TOTAL SOLIDARIEDADE A LUTA DAS MULHERES DA VIA CAMPESINA!

Desde Colombia nuestra solidaridad con las mujeres de Via Campesina gaucha
Da FENSUAGRO

La Federación Nacional Sindical Unitaria Agropecuaria “FENSUAGRO – CUT”, hace llegar su voz de solidaridad a las Mujeres de Vía Campesina Gaucha, en su lucha contra empresas transnacionales de la celulosa que quieren apoderarse del territorio Río Grande do sul, con consecuencias funestas a toda la población campesina de la región. De igual manera RECHAZAMOS y CONDENAMOS las acciones de violencia por parte de las fuerzas de seguridad que han atropellado infamemente a mujeres y niños (as), a la vez que solicitamos a las autoridades poner en libertad a las detenidas.

FUERA LAS TRANSNACIONALES DE NUESTROS TERRITORIOS…FUERA DE AMERICA LATINA!

Solidariedade às Mulheres da Via Campesina
Isabel Aparecida Pinto Alvarez - Professora do Centro Universitário Fundação Santo André

Venho expressar total solidariedade com a luta da Via Campesina, em especial das mulheres que ocuparam a fazenda Tarumã em 04 de março último, contra os interesses do agronegócio e a favor de melhor distribuição de terras, da soberania e justiça alimentar em nosso país e da preservação ambiental. Pela anulação da compra de terras pela Stora Enso! Nenhuma punição ao movimento de ocupação!

Moção de Apoio às Mulheres da Via Campesina RS
Coordenação Nacional da FEAB - Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil

A Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB) apoia a louvável ocupação de terras ilegais pertencentes à transnacional Stora Enzo, realizada pelas mulheres da Via Campesina do RS. Acreditamos na legitimidade da luta contra o modelo do Agronegócio e na luta pela soberania alimentar e territorial da população brasileira, que passa pela defesa das nossas sementes, águas e solos. Repudiamos a postura do governo do RS que demonstrou sua opção no apoio aos interesses das transnacionais que expropriam os recursos naturais do país e os utilizam como mercadorias. A Stora Enso, que ocupa área brasileira de forma ilegal, é um exemplo deste saqueio. Prestamos nossa solidadriedade à estas mulheres que, nesta semana do 8 de março, provaram mais uma vez sua coragem na defesa de um projeto popular para a classe trabalhadora.

Às Companheiras de luta e resistência
IASV - Seviço de Justiça Evangélica

Nós Irmãs da Assunção da Santa Virgem - IASV, localizadas na Região Nordeste do Brasil, através do nosso compromisso com o serviço da "Justiça Evangélica", nos solidarizamos a todas às Mulheres da Via Campesina que estão em Luta por uma vida mais dígna, com direitos respeitados. Parabenizamos a todas pela coragem e audácia com a qual vocês assumem a luta pela libertação e transformação da sociedade. Contem com nosso apoio, nossas orações e nossa rede de solidariedade que já está fazendo circular esta notícia por todos os nossos contatos em nível mundial. Abraço forte a cada uma e que o Deus da Vida lhes encham de força e muita coragem neste dia de hoje e sempre.

Compañeras y compañeros del MST
Gimena Echeverriborda - militante de Comisión de Apoyo por Tierra y de la Universidad

Desde Uruguay, quiero hacerles llegar mi fraterno apoyo y total solidaridad ante la movilización en contra de empresas multinacionales, quienes a través de testaferros, y violando leyes, se instalan impunemente en Río Grande do Sul.
Nos comprometemos a seguir trabajando esta problemática en nuestro país para articular a futuro posibles movilizaciones y denuncias. Les mando un fuerte abrazo compañero y combativo. ¡¡Arriba los que luchan!!!

Às Companheiras da Via Campesina
Da Coordenação Estadual MNCR

Nós Catadores organizados no MNCR estamos com nossos braços estendidos e todo apoio a ação que a Via fez na fazenda Tarumã. Luta e Solidariedade!

Declaração de apoio
Iolanda Toshie Ide - Vice-presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Lins (SP)

Apoiamos Manifesto da Mulheres da Via Campesina a respeito da área ilegal da Stora Enso no Rio Grande do Sul.

Moção de apoio à ação da Via Campesina

Em nome do diretor executivo da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), Jorge Eduardo Durão, bem como dos demais integrantes desta entidade, escrevemos para declarar apoio total à ação política coletiva e legítima da Via Campesina no Rio Grande do Sul, ocupando área ilegalmente adquirida pela multinacional Stora Enso. Nos dispomos desde já a repercutir a posição da Via Campesina, que sem dúvida encontra eco nos demais movimentos sociais brasileiros, em nossos veículos de comunicação.

Atenciosamente
Fausto Oliveira
Jornalista da Fase

Às Amigas da Via Campesina
De Marcos Arruda - Pacs - Rio de Janerio

Plena solidariedade com a ocupação da área tomada ilegalmente pela Empresa Stora Enso. Abraços e coragem, bravo às mulheres lutadoras, estamos com elas.

Nota de apoio
Da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

A Rede Social de Justiça e Direitos Humanos se solidariza com as mulheres da Via Campesina que lutam contra a expansão dos monocultivos e pela preservação da agricultura camponesa. A ocupação da fazenda Tarumã representa uma denúncia contra a destruição de árvores nativas e sua substituição pelo chamado Deserto Verde. Grandes empresas se apropriam de nossas melhores terras, água e biodiversidade, deixando como resultado a destruição ambiental. A sociedade brasileira precisa acordar para este problema e a luta das mulheres camponesas tem contribuído para este debate. A Rede Social condena a repressão aos atos de protestos e envia sua
solidariedade e apoio às mulheres da Via Campesina.

MAB repudia ato de violência contra as mulheres da Via Campesina
Da Coordenação Nacional do MAB

O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), repudia a atitude e a subordinação da governadora ao interesse de uma multinacional que adquiriu terras ilegais em território brasileiro, utilizando uma “empresa laranja”. Os mais de 45 mil hectares comprados em nome dessa empresa deveriam ser destinados à reforma agrária e à produção de alimentos que sustentam a vida dos brasileiros, à preservação do meio-ambiente, e não à plantação de eucaliptos para o lucro de empresas multinacionais.

Prestamos nossa total solidariedade às mulheres que lutam contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar; que resistem à toda e qualquer violência praticada contra elas e seus filhos; que tentam impedir que multinacionais se apropriam de nosso território e saqueiem nossas riquezas, seja na plantação de eucaliptos, da cana e da construção de barragens. Viva a coragem das mulheres que fazem a luta de resistência para produzir alimentos, preservando o meio ambiente e colocando a continuidade da vida dos seres humanos em primeiro plano.

Água e energia não são mercadorias!

Carta de apoio à luta das Mulheres - RS
Da Coordenação Nacional do MNDH

O MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos) se solidariza com a luta justa das mulheres; repudia e condena a violência da polícia, a forma como são tratados os trabalhadores e trabalhadoras e a criminalização e desmoralização dos movimentos e das lutas sociais feita pela grande mídia e pelas autoridades.

O MNDH também se solidariza com as mulheres na luta pela anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária. Também apóia a retirada dos projetos que tramitam no Congresso Nacional propondo a redução da faixa de fronteira, medida provocada pela pressão das empresas de celulose e
outros grandes interesses econômicos.

Brasília, 05 de março de 2007.

Solidariedade às Mulheres da Via Campesina
De Heloísa Fernandes - socióloga, professora (aposentada) da USP e professora da Escola Nacional Florestan Fernandes

A Polícia Militar do Rio Grande do Sul enfrentou com bombas de efeito moral, balas de borracha, cães e cavalos, mulheres e crianças da Via Campesina! Mulheres e crianças desarmadas ousaram denunciar que o capital multinacional está adquirindo enormes extensões de terras brasileiras ao arrepio da lei para arrasá-las com suas plantações de eucaliptos! Mulheres e crianças perigosos, porque têm a coragem de enfrentar este capitalismo selvagem, que degrada o meio ambiente e ameaça a nossa sobrevivência! Mulheres e crianças perigosos, porque querem as terras para plantar alimentos! Proponho que neste mês da mulher, façamos uma homenagem especial às mulheres da Via Campesina pois graças à sua coragem e ao seu espírito cívico, podemos acreditar que algum dia nosso país ainda vai ter jeito!

Declarção de apoio às Mulheres da Via Campesina
Da Rede Deserto Verde Espírito Santo

A Rede Deserto Verde do Espírito Santo vem prestar sua solidariedade às mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul, agredidas pela polícia do Estado e pela multinacional Stora Enso, quando defendiam seus direitos à terra, à agua, à soberania alimentar, seriamente ameaçadas pela expansão do plantio de eucalipto em larga escala para produção de celulose. Eles fecham suas fábricas no Norte e transferem pra cá a poluição e os graves impactos sociais.
Estamos atentos aos graves desdobramentos dessa violência empresarial e estatal contra as mulheres camponesas, e colocamos nosso apoio e solidariedade às companheiras.

Diga Não Ao Deserto Verde!

Em solidariedade à ação da Via Camponesa
Do Fazendo Média

As corporações de mídia entraram na cobertura, mas pela linha da criminalização das camponesas. É sempre bom ressaltar que nossa crítica vaiem direção ao sistema de comunicação tal como ele se apresenta hoje: concentrado em poucas mãos e a serviço da exploração do povo brasileiro. Os
repórteres, de modo geral, são bem intencionados e têm apenas sua força de trabalho para vender. Entretanto, algumas vezes eles fazem de tudo para satisfazer seus patrões e esquecem qualquer compromisso com a ética profissional. No Jornal do STB de hoje, o apresentador disse o seguinte: "Se essas mulheres acham que estão fazendo algo defensável, por que usam lenços sobre o rosto? Deviam fazer isso de cara aberta". O apresentador em questão não é mulher, não é camponês e não sabe o que é viver sem ter onde morar e trabalhar. Não conhece o significado da palavra "sem-terra". Além de nunca ter passado por essas necessidades (ou sentido os preconceitos por viver numa sociedade machista, no caso das mulheres), o apresentador, de uma sala com ar-condicionado, aceita alegremente fazer o jogo do patrão, cujos interesses são muito parecidos com os interesses dos donos da Stora Enso e dos governantes do Rio Grande do Sul. Ele pede para ver a cara daquelas mulheres, que ousaram lutar para fazer valer seus direitos básicos -
previstos na Constituição - e, para isso, colocando em risco a vida dos próprios filhos. Mas o apresentador não tem idéia do que isso significa. Nem nunca terá. Será sempre um medíocre, vassalo das corporações multinacionais, escravo de seu tão alto quanto indigno salário e um covarde, que jamais diria o que disse na frente de uma daquelas camponesas. Não precisava ser
mais de uma pra dar conta de um cretino adestrado como esse; um pulha, um rato, que além de tudo ofende todos os jornalistas que procuram fazer seu trabalho com correção e em observância ao juramento profissional: "A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público,
combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade"

Às Caras companheiras da Via Campesina
Do Intervozes

Somamo-nos às tantas outras manifestações de apoio e solidariedade à ação realizada na última terça-feira na Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul. A transnacional filandesa Stora Enso, que tem adquirido dezenas de áreas no Rio Grande do Sul, age em descumprimento da Constituição Federal, que proíbe empresas estrangeiras de adquirirem terras em uma faixa a menos de 150 quilômetros de distância da fronteira do Brasil com outros países. As ações da trasnacional contam ainda com o silêncio da grande imprensa, que não se sensibilizou nem mesmo depois da violência sofrida por seus próprios jornalistas ao tentar cobrir o episódio.

Da mesma forma, repudiamos a repressão e os abusos cometidos pela Brigada Militar e pelo governo do Rio Grande do Sul durante o despejo das cerca de 900 trabalhadoras rurais que ocuparam a Fazenda Tarumã. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, cerca de 50 camponesas foram feridas por balas de borrachas e estilhaços de bombas, além de terem sido agredidas pelo efetivo militar. Tudo isso sob ordens dos Comandantes Binsel e Paulo Mendes e da governadora Yeda Crusius, cuja campanha ao governo do estado contou com o apoio financeiro da Stora Enso.

Reafirmamos a legitimidade da luta das mulheres da Via Campesina e a importância do combate permanente às ações ilegais e ilegítimas das transnacionais em nosso país. Nesse momento, é preciso agir pela garantia do direito de manifestação e liberdade de expressão, e condenar qualquer tipo de agressão e repressão que venham em sentido contrário.

Às Mulhres da Via Campesina
Dos Amigos do MST Suécia

Estamos juntos com as amigas de Via Campesina e sentimos muita vergonha de estar do mesmo pais como esta empresa. Firmes!

Contra os desertos verdes todas as ações são legítimas
De Paulo Henrique Martinez - professor de História da Universidade Estadual Paulista/Assis

A instalação de empreendimentos para a produção de papel e celulose no Rio Grande do Sul oferece risco de desequilíbrios sociais indesejáveis, desnecessários e danos irrecuperáveis ao meio ambiente da região sul do Brasil. Ali estão localizados o aqüifero Guarani e os pampas, dois importantes patrimônios ambientais, além de um singular patrimônio cultural do Brasil. A indiferença ou a omissão das nossas autoridades governamentais devem ser condenadas e ações da sociedade civil são formas legítimas para denunciar e impedir a degradação da vida e da natureza. As mulheres da Via Campesina e seus apoiadores tomaram uma iniciativa corajosa e exemplar. Elas merecem o apoio incondicional e irrestrito de todos aqueles que querem um futuro e um país melhor.

Apoio às Mulheres da Via Campesina
Do Grupo Motim de Teatro

Nós, do Grupo Motim de Teatro, entendemos o sofrimento que é viver cercado por monoculturas de eucaliptos. Além de empobrecimento do solo, agride nossas culturas. Queremos levar nosso apoio a ação da mulheres da Via Campesina que bravamente ocuparam a área sobre domínio ilegal da transnacional Stora Enso. Essa empresa que, junto com a Aracruz, são as grandes destruidoras do Meio Ambiente no ES, e breve vão fazer o mesmo no RS. Parabéns pela a Ação e não nos calemos diante dessas ameaças do império do lucro e dinheiro.

Cariacica, ES, 05 de março de 2008.

MST bloqueia rodovias em protesto contra violência da polícia

Oito rodovias do Rio Grande do Sul estão sendo bloqueadas durante o dia de hoje (05/03) por trabalhadores rurais Sem Terra. As ações pretendem denunciar a violência e os abusos cometidos pela Brigada Militar (foto ao lado) e o Governo Yeda Crusius durante o despejo de 900 trabalhadoras rurais, ontem, na Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul. Leia sobre a ação no Especial 8 de Março.

Cerca de 50 camponesas foram feridas por balas de borrachas, estilhaços de bombas e agredidas pelos homens da Brigada Militar, sob as ordens da Governadora e dos Comandantes Binsel e Paulo Mendes. Durante as últimas 24h as agricultoras ficaram detidas, sem alimentação, em um ginásio esportivo da cidade de Santana do Livramento e duas trabalhadoras foram presas presas.Todas elas apenas foram liberadas hoje no fim da tarde.

As 250 crianças que estavam com suas mães só puderam ser alimentadas à meia-noite de ontem. A Fazenda Tarumã foi adquirida por uma empresa “laranja” de propriedade da finlandesa Stora Enso. Pela lei brasileira, empresas estrangeiras não podem comprar áreas na faixa de fronteira. A empresa finlandesa também é uma das financiadoras da campanha da então candidata Yeda Crusius ao Governo do Estado.

As mobilizações das mulheres da Via Campesina prosseguem também em Porto Alegre, onde se inicia hoje um acampamento com cerca de 250 trabalhadoras rurais, e em Encruzilhada do Sul, onde estão reunidas 600 mulheres em outro acampamento.

Mulheres Sem Terras se mobilizam em Alagoas

Cerca de 3000 trabalhadoras Sem Terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST estão chegando à Praça Deodoro, em Maceió, para uma semana de mobilização por Reforma Agrária e contra a criminzalização do movimento, em referência ao Dia Internacional da Mulher.

As famílias são provenientes de todas as áreas do Estado de Alagoas e vêem a capital para mais um dia de luta, reivindicando agilidade nos processos de Reforma Agrária, soberania alimentar, popular, justiça e dignidade para os/as trabalhadores/as rurais. Além de denunciar a ofensiva que o agronegócio tem causado no campo, gerando miséria e violência.

As trabalhadoras denunciam também as ações violentas cometidas contra os/as Sem Terra, a impunidade que tem sustentando tal atitude, as freqüentes tentativas de criminalização aos movimentos sociais e a corrupção que tem assolado o Estado, com o desvio de recursos público que deveriam ser destinado a Reforma Agrária, a saúde, a educação e a segurança pública.

Mulheres da Via Campesina ocupam ferrovia da Vale em MG

Mais de 1000 mulheres da Via Campesina dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo ocuparam, na manhã desta segunda-feira, os trilhos de uma das principais ferrovias da mineradora Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce), que corta o município de Resplendor, na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.

A atividade denuncia que a construção da Barragem de Aimorés, pela Vale e Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), inviabiliza o sistema de esgoto da cidade, inundando 2 mil hectares de terra (2 mil campos de futebol). A atividade integra a jornada nacional das mulheres da Via Campesina, que denuncia o modelo que privilegia o agronegócio, em detrimento da agricultura familiar e impede a realização da reforma agrária.

A Vale é uma das principais responsáveis pela destruição do meio ambiente em Minas e pela concentração de terras, por meio do plantio de eucalipto em larga escala que alimenta as usina associadas.

A ação faz parte da Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra. Leia sobre as ações em outros estados no Especial 8 de Março.

Mulheres da Via Campesina ocupam área ilegal da Stora Enso

Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a fazenda Tarumã, de 2.100 hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 km de Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (04/03), quando iniciaram o corte de eucaliptos e o plantio de árvores nativas em área que pertence à empresa sueco finlandesa Stora Enso.

A transnacional estrangeira, pela legislação brasileira (lei nº 6.634 de 1979; e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal), não pode adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros países. No entanto, a transnacional vem comprando dezenas de áreas no Rio Grande do Sul, próximo da fronteira com Uruguai onde a empresa também tem plantios. A meta é formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e implantar fábricas na região.

Em nota distribuída à imprensa as mulheres declaram o seguinte: “Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.

Multinacional age ilegalmente

A Stora Enso adquiriu as terras em nome da empresa Derflin, que é o braço da multinacional para produzir matérias-primas. Como a Derflin também é estrangeira não conseguiu legalizar as áreas. Por isso, a Stora Enso criou uma empresa laranja: a agropecuária Azenglever, de propriedade de dois brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Pontes (diretor florestal e vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, respectivamente). Eles são atualmente os maiores latifundiários do RS. Leia sobre o caso no especial 8 de Março

Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já estão registradas em nome da Agropecuária Azenglever. Entre essas áreas, está a Tarumã, ocupada pelas mulheres camponesas. Há um inquérito na Polícia Federal responsável para investigar o crime, mas a empresa continua agindo livremente.

Leia, a seguir, a pauta de reivindicações das mulheres no manifesto das mulheres da Via Campesina.

Manifesto das Mulheres da Via Campesina

Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma vez mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa luta contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população brasileira.

A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à terra, à água e aos alimentos.

Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades agrícolas nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é importante em uma agricultura camponesa porque sabemos produzir alimentos. Mas as empresas do agronegócio não estão preocupadas em produzir comida, só em produzir lucro transformando o campo em desertos verdes (de eucalipto, de soja, de cana). Um dos desertos que mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto para celulose.

As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e na Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra, água, clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses. Mais de 90% da produção de celulose do Brasil é para exportação. Assim, reduzimos a produção de comida, destruímos a biodiversidade, aumentamos a pobreza e a desigualdade para atender a demanda de lucro das empresas e um estilo de vida consumista nos países ricos. Esse é o papel horroroso que o Brasil cumpre hoje no mundo.

Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio Grande do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei brasileira estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já tem milhares de hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo da fronteira gaúcha com este país que essa gigante do ramo de papel e celulose quer formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares.

Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que por ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.

Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa laranja que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária Azenglever Ltda, cujos donos são dois importantes funcionários da Stora Enso. Eles se tornaram os maiores latifundiários do estado, sendo “proprietários” de mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal é de conhecimento dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Incra, da Polícia Federal, mas nada de concreto foi feito para impedir o avanço do deserto verde. Decidimos então romper o silêncio que paira sobre esse crime.

Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada vez mais sem terras para produzir alimentos. Estamos arrancando o que é ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho.

Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para legalizar o crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o desenvolvimento econômico dos municípios. Mas isso é uma grande mentira. Todos sabem que a Metade Sul não se desenvolve por causa do latifúndio e das monoculturas. Tanto que a faixa de fronteira também vigora na metade norte do estado e nessa região a economia é dinâmica.

As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas onde elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os trabalhos que geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em condições precárias. Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul, de 2,1 mil hectares onde a Stora Enso gera somente dois empregos permanentes e alguns empregos temporários.

Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas 100 famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes. Portanto, a Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a melhor alternativa para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e renda para a população do campo e alimentos saudáveis e mais baratos para quem mora nas cidades.

O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma ameaça para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de Fronteira irá aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os biomas brasileiros são importantes e entendemos que o Cerrado e o Pampa também precisam ser preservados.

Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:

- Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária. Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias, gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão acampadas no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para fazer assentamento.

- Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas como a Stora Enso que querem se apropriar das terras para transformá-las em deserto verde, destruir nossas riquezas naturais como o aqüífero guarani e o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa redução da faixa de fronteira só vai provocar aumento do êxodo rural, do desemprego, da destruição ambiental e o fim soberania alimentar pois vai faltar terra para produzir alimentos.

Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a repressão do governo gaúcho. É prática desse governo tratar os movimentos sociais como criminosos e proteger empresas que cometem crimes contra a sociedade. Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da vida das pessoas e do meio ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas carregamos conosco a energia e a coragem das milhares de camponesas que em todo o mundo lutam contra a mercantilização das riquezas naturais e da vida. Como dizia a companheira sem terra Roseli Nunes, assassinada covardemente em março de 1987 aqui no Rio Grande do Sul, “preferimos morrer lutando do que morrer de fome!”.

Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul

Brasil, 04 de março de 2008.

Mulheres de PE lutam contra a indústria sucroalcooleira

Mulheres do Paraná denunciam crimes da Syngenta

Com o lema "Mulheres da Via Campesina em Defesa da Saúde, da Biodiversidade e da Vida!”, cerca de 1.500 mulheres da Via Campesina realizam hoje, protestos e mobilizações para denunciar os crimes da transnacional Suíça Syngenta Seeds, responsável pelo assassinato do trabalhador Valmir Mota de Oliveira e o ataque ao acampamento da Via Campesina, em outubro passado, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná.

Cerca de 300 camponesas protestam durante todo o dia em frente ao escritório regional da Syngenta, no centro de Londrina, na avenida Tiradentes, esquina com avenida Maringá. À tarde seguem em marcha até o calçadão da cidade onde farão um ato público, denunciando os crimes da Syngenta e das transnacionais no país. Em Campo Mourão, 300 camponesas também realizam protestos e ato público em frente ao escritório da empresa, na rua Harrison José Borges, 1201, próximo ao centro.

Na região Oeste, 600 mulheres realizam uma caminhada entre o trevo de Santa Tereza do Oeste e o campo de experimentos da Syngenta, local do ataque contra os trabalhadores da Via Campesina, que permanecem acampados na área. Durante todo o dia estão previstos depoimentos de viúvas que perderam seus maridos, vítimas da violência do latifúndio no Estado.

Em Ponta Grossa, 200 camponesas protestam em frente ao escritório regional da Syngenta, na Praça Marechal Floriano Peixoto. As trabalhadoras estão distribuindo muilho verde crioulo à população, em protesto à liberação de duas variedades de milho transgênicos pelo CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança). No almoço haverá uma partilha de alimentos produzidos de forma agroecológica nos assentamentos de Reforma Agrária.

Na região Centro-Sul, em União da Vitória, a partir das 14h, 250 camponesas realizam a “Marcha das Mulheres em Defesa da Biodiversidade e contra o Deserto Verde” até a madeireira Miforte, que produz pasta de celulose para exportação. A mobilização denuncia a destruição
da mata nativa, que vem sendo práticada há 90 anos pela madeireira, principal responsável pela destruição da Araucária (árvores símbolo do Estado) e Imbuía na região. Também será entregue carta ao Núcleo Regional de Educação, reivindicando educaçãonos assentamentos, manifesto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) cobrando medidas para inibir a destruição do meio ambiente, e documento no Fórum da cidade, exigindo justiça pelo assassinato do trabalhador da Via Campesina na região Oeste e do faxinalense Antonio, assassinado por grileiros e fazendeiros de São Mateus do Sul, há cinco meses.

A atividade faz parte da Jornada de lutas pela soberania alimentar, contra o agronegócio e as monoculturas do eucalipto, soja e cana-de-açúçar, que acontece na semana do Dia Internacional da Mulher. (Leia sobre ações em outros estados no Especial 8 de Março)As manifestações também ocorrem em apoio às mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul e repudio a truculência da Brigada Militar do governo gaucho, que durante o despejo da Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, área ilegal da empresa Stora Enso, deixou cerca de 50 camponesas feridas, por balas de borrachas e estilhaços de bombas, além de sofrerem agressões físicas.

As camponesas lutam contra todas as formas de violência, pela reforma agrária e construção de um projeto soberano de agricultura, baseado na agroecologia, com a produção de alimentos saudáveis e a preservação da biodiversidade.

As mulheres da Via Campesina exigem que os responsáveis e mandantes pelo ataque aos trabalhadores na área da Syngenta sejam punidos, que a empresa pague a divida de R$ 1 milhão aos cofres públicos, por danos ambientais e vá embora do Brasil. Cerca de 70 família da Via Campesina seguem acampados na área. Os camponeses querem o local seja transformada em um Centro de Agroecologia.

Transnacional é responsável por assassinato e crimes ambientais

Em 21 de outubro de 2007, o trabalhador rural Valmir Mota, (conhecido como Keno), foi assassinado à queima roupa por seguranças de uma empresa privada contratada pela Syngenta, a NF Seguranças. Por volta da 13h30, um grupo de seguranças fortemente armados atacou a ocupação da Via Campesina no campo experimental da empresa, em Santa Tereza do Oeste, no Oeste do Paraná.

No ataque, executaram Valmir Mota, balearam Isabel do Nascimento de Souza no rosto e a espancaram, além de ferir outros três agricultores. Um segurança também morreu. Keno deixou 3 filhos e a esposa. Isabel do Nascimento perdeu um olho e os movimentos de um braço.

A Syngenta nega, publicamente, qualquer responsabilidade pelos fatos, afirmando que o contrato com a empresa de segurança proíbia a utilização de armas. No entanto, de acordo com o Ministério Público, parte dos “seguranças” envolvidos no ataque à ocupação fugiu em uma Van de propriedade da empresa. Apesar de toda a violência, a Syngenta ainda não rompeu o contrato com a empresa de Segurança, conforme depoimento do dono desta empresa à justiça.

Até o momento o envolvimento da transnacional com a violência não fosse investigado. Em contrapartida, oito militantes da Via Campesina estão sendo injustamente processados, pela violência que os mesmos sofreram. Também são acusados dos crimes sete seguranças da empresa NF, seu proprietário e um fazendeiro da região de Cascavel.

Crimes Ambientais

Em março de 2006, a Syngenta foi multada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em R$ 1 milhão, pelo cultivo ilegal de transgênicos, no entorno do Parque Iguaçu, o que é proibido pela legislação.

A empresa questionou a multa, mas em 30 de novembro de 2007, a Justiça Federal do Paraná reafirmou a ilegalidade da empresa, confirmando a multa e proibindo a Syngenta de seguir desenvolvendo experimentos na área em Santa Tereza do Oeste. Mesmo após a decisão judicial, a
transnacional continua negando-se a pagar a multa.

Contaminação Genética

A Syngenta Seeds também é responsável pelo maior caso de contaminação genética comprovado no mundo. Durante quatro anos, a multinacional comercializou de forma criminosa o milho Bt10, vendido como Bt11, sem autorização, nos Estados Unidos.

O milho transgênico da empresa não foi avaliado pelos órgãos reguladores e nem seus efeitos sobre a saúde humana e o meio ambiente. As sementes comercializadas contaminaram o milho exportado para vários países. Em dezembro de 2006 a Syngenta foi condenada a pagar multa de 1,5 milhão de
dólares por ter vendido ilegalmente a variedade deste milho no mercado americano.

Mulheres fazem passeata contra a Aracruz em Minas

Cerca de 600 mulheres da Via Campesina de Minas Gerais seguem mobilizadas contra as transnacionais. As trabalhadoras fizeram hoje pela manhã uma passeata pelo centro da cidade de Governador Valadares, distribuindo panfletos e conversando com a população sobre a chegada da Aracruz Celulose à região.

O ato repudia o modelo atual modelo agrícola e de desenvolvimento regido pelas empresas transnacionais, em aliança com governos estaduais e federal, que recebe o nome de Agronegócio.

As mulheres se colocam contra a entarada da Aracruz na região de Governador Valadares, tanto no meio rual quanto no urbano, onde a empresa pretende até 2013 concluir a instalação de uma fábrica.

A Aracruz é uma empresa transnacional, sendo grande parte do seu capital de origem norueguesa. A empresa foi expulsa da Noruega por ter causado sérios danos ambientais. Dessa forma,veio se instalar em terras tupiniquins.

Devastação e desemprego no Espírito Santo

No Espírito Santo, a transnacional atua desde a década de 1960 e a devastação que ela provocou foi enorme. Expulsou o povo do campo, invadiu terras indígenas e quilombolas deixando somente a poluição ambiental, devastação do solo, êxodo rural e desemprego.

A Aracruz é uma empresa focada na produção de eucalipto para insdústria papeleira e, futuramente, para a indústria do agrocombustível.As mulheres atentam que a monocultura do eucalipto exige muito pouca mão de obra e a produção da celulose na fábrica está altamente tecnificada, ou seja, sua instalações não trazem desenvolvimento para a região, pelo contrário, geram desenprego e acirram a concentração de terra.

Existe também questões de cunho ambiental, já que o cultivo do eucalipto causa também a destruição dos biomas onde é implementado, impossibilitando qualquer cultivo, tanto de árvores nativas quanto de alimentos.

Mulheres marcham contra a corrupção e a criminalização em Alagoas

Cerca de 3 mil famílias Sem Terra que estão acampadas desde ontem na Praça Deodoro, em Maceió, saíram hoje pela manhã, em uma grande marcha das mulheres e percorreram as principais ruas da capital, onde entregaram uma pauta de reivindicações ao Incra e outra ao Governo do Estado.

Durante o percurso, a marcha foi ao Ministério Público Estadual para prestar solidariedade e apoio ao Procurador Geral, Coaracy Fonseca, pela seriedade com a qual tem conduzido as investigações sobre deputados que desviaram recursos públicos. Foram roubados R$280 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas. O crime comprometeu a distribuição de verbas para investimentos sociais em diversas áreas, inclusive, na área da Reforma Agrária.

As Sem Terra denunciam também as ações violentas que tem sido cometidas contra os/as trabalhadores/as rurais, a impunidade que tem sustentado tal ações e a ofensiva do agronegócio que tem gerado fome e exploração no campo.

Mulheres ocupam a Governadoria do RN

Do dia 5/3, 300 mulheres Sem Terra ocuparam a Governadoria (Palácio do Governo) do Rio Grande do Norte, em Natal, para cobrar ações do governo do estado em relação à educação de crianças de acampamentos e assentamentos, convênios de capacitação profissional de jovens e mulheres, instalação de poços em assentamentos e liberação de engenheiros para construção de casas.

Somente na sexta-feira (7/3), a governadora Wilma Maria recebeu as trabalhadoras para uma audiência a fim de encaminhar os assuntos em pauta. Após a audência, as Sem Terra se dirigiram ao Incra para lá entregarem outra pauta de reivindicações ligadas à questão agrária.

Mulheres ocupam sede da Codevasf em Petrolina

Cerca de 500 mulheres do MST, da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) ocuparam na manhã de hoje a sede da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), em Petrolina, Sertão de Pernambuco.

Os projetos da companhia beneficiam empreendimentos de irrigação para empresas do agronegócio, como o projeto de transposição do Rio São Francisco, o Pontal Sul, em Petrolina, e o Projeto Salitre, na cidade vizinha de Juazeiro, na Bahia.

Atualmente, o MST tem cerca de 2.000 famílias acampadas nos projetos Pontal Sul e Salitre, produzindo e vivendo nas terras que a Codevasf pretende passar para empresas transnacionais. Por exemplo, o acordo assinado com uma empresa japonesa para a produção de cana-de-açúcar para agrocombustível em áreas irrigadas de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Piauí.

Uma região, como o Sertão do São Francisco, que é hoje marcada pela agricultura familiar e pela produção de alimentos para o mercado interno, está sendo transformada em uma grande fazenda privada, com produção voltada para os Estados Unidos e para a Europa. Na Zona da Mata, onde mandam os usineiros e os trabalhadores são escravos.

"Tais projetos revelam um modelo de desenvolvimento que mantém a lógica colonialista de colocar nossas terras a serviço dos interesses do mercado internacional. Depois de altíssimo investimento público em infra-estrutura de irrigação (no caso do Pontal Sul já foram investidos cerca de 250 milhões de reais), essa estrutura é privatizada através de acordos de Parceria
Publica Privada (PPP)", afirma em nota a Via Campesina de Pernambuco.

Prejuízos para agricultores

Para a coalizão de movimentos camponeses, as terras, a água e toda a infra-estrutura são passadas para as mãos de grandes empresas do agronegócio, que produzem para o mercado externo. Existe até acordos para a produção de cana de açúcar em larga escala na região desses projetos de irrigação.

Os pequenos agricultores e agricultoras que vivem no entorno desses projetos servirão de reservatório de trabalhadores assalariados a serviço das empresas de agronegócio. A tendência é que pequenos agricultores se tornem futuros sem-terra, bóia-frias, desempregados ou até mesmo, cortadores de cana, vivendo sob as condições desumanas como conhece o povo da Zona da Mata de Pernambuco.

Além disso, ao contrário do que prega a propaganda oficial, esses projetos não só não levarão água para a população do Sertão, como afetarão negativamente o abastecimento de água ao público da região. A agricultura irrigada intensiva afeta diretamente o abastecimento de água à população porque diminui a quantidade de água disponível.

As mulheres da Via Campesina estão em luta por soberania alimentar, por um projeto que priorize a produção de alimentos para o mercado interno e que não destrua o meio ambiente. A entidade defende também que as terras e a água do São Francisco devem ser do povo.

A ação das mulheres em Petrolina faz parte da Jornada de Luta das Mulheres da Via Campesina, em comemoração ao dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Leia sobre outras ações no Especial 8 de Março.. Com o tema ”Mulheres Camponesas pela vida e contra o Agronegócio e as Transnacionais”, agricultoras de todo o Brasil estão se mobilizando e reafirmando seu papel como protagonistas na luta contra todo o tipo de exploração e opressão.

Mulheres protestam contra Syngenta em Brasília

Na manhã desta sexta-feira (07/04), cerca de 400 mulheres da Via Campesina realizam um ato em frente à embaixada da Suíça no Brasil, para manifestar preocupação e indignação com a atuação da transnacional de origem Suíça Syngenta Seeds no Brasil.

Desde que se instalou no país, a Syngenta vem praticando crimes ambientais e de violência à vida, denunciam as manifestantes. Em 21 de outubro de 2007, a empresa foi protagonista de um crime que chocou o mundo e levou a que centenas de organizações de Direitos Humanos repudiassem a atitude da Syngenta. Nesta data, cerca de 40 "seguranças privados", fortemente armados, atacaram militantes da Via Campesina que haviam ocupado pacificamente um campo experimental de propriedade da referida empresa.

Como resultado da ação violenta, uma liderança da Via Campesina – Valmir Mota de Oliveira (conhecido como Keno) – foi executado à queima-roupa., e mais quatro pessoas ficaram gravemente feridas. Entre elas, Isabel do Nascimento, que perdeu a visão. Um dos seguranças também foi atingido por disparos e morreu - segundo a polícia, ele teria recebido tiros dos próprios seguranças. A Syngenta nunca assumiu a responsabilidade pelo que ocorreu e, apesar da existência de provas, as autoridades brasileiras não investigaram o envolvimento da empresa nos crimes.

Os crimes ambientais cometidos pela Syngenta no Brasil estão na origem das violações de direitos humanos ocorridas em 2007. Em março de 2006, a Syngenta foi multada pelo Ministério do Meio Ambiente por desenvolver experimentos transgênicos ilegais na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu, prática proibida pela legislação brasileira.

Após este fato, o governo do estado do Paraná desapropriou o campo experimental com objetivo de transformá-lo em uma Escola de Agroecologia. A Syngenta recorreu ao Judiciário e, atualmente, um processo está tramitando. Enquanto isso, a Justiça Federal também reconheceu (em novembro de 2007), que a Syngenta está proibida de realizar experimentos com transgênicos na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. Ainda assim, a Syngenta recusa-se a pagar a multa de R$ 1 milhão, determinada pelo Ministério do Meio Ambiente.

Atualmente, a Via Campesina continua ocupando pacificamente o campo experimental, para protestar contra a impunidade da Syngenta e também para continuar lutando contra a realização de experimentos ilegais no local. Além de alimentos, os camponeses também plantaram um bosque de árvores nativas, recuperando o meio ambiente.

Está marcada para as 9h uma reunião com o embaixador suíço Rudolf Bärfuss. No encontro, as trabalhadoras rurais vão entregar uma carta exigindo do Governo Suíço que responsabilize a Syngenta pelo ato de violência, crimes ambientais e apóie a medida de desapropriação da terra onde houve o conflito.

Jornada

Por todo o país, as mulheres da Via Campesina seguem realizando ações durante a Jornada de Lutas para mostrar à sociedade a existência de um projeto alternativo de agricultura, baseado na produção familiar para o mercado interno, que respeite a biodiversidade. Leia sobre outras ações no Especial 8 de Março

Mulheres protestam contra milho transgênico em SC

Em Xanxerê, na região oeste de Santa Catarina, cerca de 700 mulheres da Via Campesina e de Movimentos de Mulheres urbanas celebraram, no dia 7/2 , a passagem do Dia Internacional da Mulher protestando em defesa da vida, da biodiversidade, da soberania alimentar e contra o
domínio das transnacionais na agricultura.

Na oportunidade foram realizados atos em frente a Agroeste, empresa de sementes de milho que foi comprada pela Monsando, o fechamento de uma rodovia e uma caminhada pelo centro da cidade. A atividade fez parte da Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra. No início da manhã, mulheres vindas de diversos municípios da região se manifestaram em frente às instalações da empresa Agroeste por duas horas. Durante este período a empresa permaneceu com os portões fechados.

A Agroeste era uma empresa barsileira e no final do ano passado foi comprada pela Monsanto. A maior produtora de sementes de milho do estado, agora está na mão da transnacional, que realiza de forma ilegal experimentos com o milho transgênico.

Como explica Irma Brunetto, da coordenação do MST e Via Campesina, “infelizmente a população ficou à margem de todo o processo de desnacionalização de uma empresa que beneficiava os agricultores, além de não ser informada sobre os males que o milho transgênico poderá causar às pessoas e ao meio Ambiente”.

As lutadoras também trancaram por meia hora o trevo da BR 282 que dá acesso a Xanxerê e diversos municípios. Foram distribuídos para a população panfletos denunciando o atual modelo agrícola, que destrói a natureza e entrega o patrimônio do país às grandes corporações internacionais.

No Mato Grosso, mulheres se reúnem para debater o agronegócio

Dois encontros acontecem simultaneamente no estado de Mato Grosso. Um deles reúne 200 mulheres no Município de Cáceres, região sudoeste do Estado. O outro acontece em Sinop, na região norte e reúne 150 mulheres. Os encontros pretendem debater as conseqüências do avanço do agronegócio sob a perspectiva feminina.

"O ânimo e a determinação de luta é a marca dos encontros. Todas estamos indignadas com a ação da brigada militar e do governo do RS e solidária às mulheres que mais uma vez dão mostra de coragem e determinação na nossa luta permanente contra o agronegócio e o deserto verde", diz Itelvina, da direção do MST.

Em Cáceres haverá uma grande marcha pelo centro da cidade e ato público amanhã às 16h em conjunto com outras entidades e movimentos sociais para denunciaras ações criminosas do agronegócio e a conivência dos governos federal e estadual com os projetos dos latifundiários e das grandes transnacionais.

PM cerca e atira contra Mulheres da Via Campesina

A Polícia Militar cercou sob mira de armas de fogo as cerca de 200 mulheres da Via Campesina que fizeram um protesto na manhã de hoje no Engenho Cachoeira Dantas, município de Água Preta, Zona da Mata Sul do estado de Pernambuco.

Segundo relatos do local, inúmeros policiais entraram atirando no acampamento das manifestantes, onde estão também cerca de 30 crianças. As mulheres também dizem que estão sendo ameaçadas, e a situação é extremamente tensa. O MST está mobilizando todas as famílias na região pra se deslocarem ao Engenho Cachoeira Dantas e prestarem solidariedade as mulheres da Via Campesina.
Histórico do Engenho Cachoeira Grande. Leia sobre as ações em outros estados no Especial 8 de Março.

No dia 19 de fevereiro último, cerca de 66 famílias de trabalhadores rurais que moravam e plantavam no Engenho Cachoeira Dantas, foram despejados por decisão liminar do Juiz da Comarca de Água Preta, sem que sequer houvesse chance dos/as camponeses/as apresentarem suas defesas.

A maioria das famílias trabalhava e morava no engenho, que produz cana -de - açúcar e álcool, há mais de 20 anos. Os trabalhadores foram demitidos pelo antigo proprietário do Engenho Cachoeira Dantas e jamais tiveram seus direitos trabalhistas pagos. O imóvel foi penhorado, levado a leilão e arrematado por Marcelo Cavalcanti de Amorim, que, por sua vez, ajuizou uma Ação Reivindicatória com pedido de tutela antecipada, que foi concedida sem levar em conta os direitos das 66 famílias que tiveram destruídas suas casas e todas as plantações.

Polícia agride mulheres e retira jornalistas de fazenda

A situação na fazenda Tarumã, em Rosário do Sul – ocupada por 900 mulheres da Via Campesina na manhã de hoje (04/03) – é de tensionamento no início desta tarde. Um efetivo de 50 homens da Brigada Militar agrediu fisicamente algumas das mulheres que se encontravam na entrada da área. O próprio Comandante Binsel desferiu socos e pontapés contra as manifestantes.

Os jornalistas gaúchos também estão sendo impedidos de exercer sua atividade. Todos os jornalistas que se encontravam na área foram revistados e retirados com violência. Equipamentos e telefones celulares foram retirados dos jornalistas. Um cinegrafista, que registrou a agressão às camponesas, teve a fita apreendida e foi mantido algemado em um veículo da Brigada Militar por mais de uma hora.

A Via Campesina condena a postura de omissão sobre as denúncias de compra ilegal de terras na faixa da fronteira e o comportamento do Governo Yeda Crusius de intransigência e repressão aos movimentos sociais. Além das 900 mulheres, estão presentes 250 crianças na ocupação.Leia sobre a ação no especial 8 de Março

Sem Terra da Bahia ocupam Secretaria da Agricultura

Hoje pela manhã cerca de três mil companheiros e companheiras ocuparam a Seagri (Secretaria da Agricultura Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia), para reivindicar o cumprimento de pautas negociadas e aprovadas pelo Governo Estadual no ano passado, fruto da grande marcha que os movimentos fizeram de Feria de Santana a Salvador, com mais de cinco mil trabalhadores e trabalhadoras.

Cerca de 70% da pauta aprovada durante a marcha não foi comprida pelo governo, como a construção e recuperação de todas as casas dos assentamentos do MST e do CETA (Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados). "Só sairemos daqui com a vitória" diz a militante do MST Auziria, do assentamento Nova Panema, em São Sebastião do Passé. "Chega de enrolação desse povo, marchei descalça de Fira de Santana a Salvador, estamos dispostas a ir até as últimas conseqüências", reforça. A direção dos Movimentos está tentado fechar uma audiência com o Governador Jacques Wagner para hoje à tarde.

No sábado (8/3) cerca de 350 mulheres que participavam do 8ª Acampamento das Trabalhadoras Rurais e Indígenas tomaram as ruas de Salvador. No domingo foram realizadas diversas oficinas no acampamento: capoeira, samba de roda, artesanato, renda no fundo de quintal e contadoras de história.

À noite, houve o encerramento do acampamento, em seguida duas mil mulheres do MST e da CETA ocuparam o Incra (Instituto de Colonizaçõa e Reforma Agrária), massificando a ocupação que foi realizada dia 6/3. De lá, as trabalhadoras seguiram para a Seagri.

As ações fazem parte da Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra. Leia mais no Especial 8 de Março.

Sem Terra fazem protesto contra carvoaria da Vale

Cerca 900 trabalhadoras Sem Terra realizaram sábado (8/3) um protesto em frente às instalações da carvoaria industrial da Vale (ex-companhia Vale do Rio Doce). As Sem Terra protestam contra a queima de eucalipto plantado pela empresa na área, pois a fumaça expedida afeta moradores do assentamento Califórnia.

Há três anos em atividade, a carvoaria foi instalada a cerca de 800 metros da agrovila do assentamento onde vivem mais de 1800 pessoas. Tem instalado 74 fornos industriais com capacidade cada um de produzir 160m³ de carvão, cada forno industrial tem capacidade de produzir 30 vezes mais que um forno de uma carvoaria comum.

O assentamento existe há 12 anos. A comunidade no decorrer desses três anos, por diversas vezes, encaminhou denuncias contra a carvoaria ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Ministério Público Estadual e Federal, Vigilância Ambiental, Secretarias Municipais de Saúde e de Meio Ambiente. Representantes do assentamento estiveram varias vezes em audiências com representantes destes órgãos cobrando providencias, chegando inclusive a convidar estes para duas assembléias no assentamento e não apareceram.

As denuncias dão conta de vários problemas de saúde desenvolvidos pelos assentados por conta da fumaça que invade o assentamento. Alguns estão com pneumonia, há casos de irritação nos olhos e outros problemas de vista e de pele, casos que atingem principalmente as crianças e os idosos.

Com este ato as trabalhadoras denunciam a empresa à sociedade, pedem aos poderes públicos constituídos que se pronunciem com urgência acerca das denúncias que lhes foram feitas sobre a agressão ambiental e a saúde pública causada pela Carvoaria da Vale.

Stora Enso financiou campanha da governadora do RS

A empresa sueco-finlandesa Stora Enso, denunciada nesta terça-feira (4/3) pelas mulheres da Via Campesina por ter adquirido de forma ilegal terras na faixa de fronteira no Rio Grande do Sul (leia sobre a ação), foi também uma das financiadoras da campanha da atual governadora do estado, Yeda Crusius.

Stora Enso e as outras papeleiras Aracruz Celulose e Votorantin Papel e Celulose, foram responsáveis pela doação de meio milhão de reais para a campanha de Yeda.

Hoje a transnacional admitiu a criação da empresa brasileira Azenglever para viabilizar a compra de terras. Em outras palavras, uma empresa laranja que a permite explorar a área de fronteira. Mesmo assim Stora Enso tem projetos de instalar uma nova indústria de papel em território gaúcho, próximo á fronteira com o Uruguai. O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) declarou ontem que tal instalação afronta a legislação brasileira. A transnacional agora busca junto a congressistas mudanças na legislação sobre faixa de fronteira.

Trabalhadoras Sem Terra ocupam usina em Pernambuco

Hoje pela manhã 600 mulheres do MST e CPT (Comissão Pastoral da Terra) ocuparam mais uma vez o Engenho Pereiro Grande da Usina Estreliana, município de Gameleira. Acompanhe as ações das mulheres de outros estados no Especial 8 de Março.

As mulheres protestam contra a violência utilizada pelos usineiros na região, e pelo assentamento definitivo de 180 famílias, que há dez anos lutam pela desapropriação definitiva do fazenda. O engenho Pereiro Grande já foi desapropriado e destinado para Reforma Agrária em 2005, porém uma liminar da justiça federal suspendeu temporariamente a imissão de pose. As famílias foram violentamente despejadas e até hoje aguardam uma decisão definitiva da justiaça federal.

Histórico

A usina Estreliana foi fundada em 1861 e em 1821 já era uma das maiores do estado de Pernambuco, chegando a esmagar 400 toneladas de cana e fabricar 1.500 litros de álcool em 22 horas. Na época já possuía também uma via férrea de 26 quelômetros e 4 locomotivas. Em 1963 cinco trabalhadores foram assassinados por um dos proprietários quando reivindicavam o recebimento do décimo terceiro salário.

Há dez anos foi decretada a fâlência da usina por dívidas com órgãos públicos. A inadimplência da usina foi inclusive apontada como uma das causas da falência do BANDEP (Banco do Estado de Pernambuco).

Trabalhadoras páram fábrica da Cargil no MS

No sábado (8/3), mais 300 Sem Terra, em sua maioria mulheres, realizaram um protesto em frente à transnacional Cargil, na cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul e pararam a fábrica por algumas horas para protestar contra o avanço do agronegócio, que penaliza o trabalho de camponeses da região e em todo o país.

As mulheres realizaram também uma passeata pela avenida principal em direção à Câmara dos Vereadores. Antes porém, fizeram uma parada em frente a um shopping da cidade, para portestar contra a discriminação de populações pobres e indígenas, que são proibidos de freqüentarem as instalações. Na Câmara, as trabalhadoras marcaram posição contra os transgênicos e pela reforma agrária como forma de acabar com o grande latifúndio improdutivo no Brasil.

Após a passeata, foi realizado um ato publico na praça principal da cidade de Dourados onde estavam presentes varias entidades como o sindicato dos bancários, o DCE da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e a Prefeitura da cidade, que manifestaram apoio às ações do movimento.

Via Campesina bloqueia rodovia no Ceará

No sábado (8/3), um encontro estadual em Limoeiro do Norte, no Ceará, reuniu 300 mulheres que realizaram três atos para marcar o 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

O primeiro aconteceu no Vale do Jaguaribe, região onde está concentrado o agronegócio cearense. Cerca de 200 mulheres Sem Terra, junto com movimentos sociais urbanos, realizaram um protesto em frente à Banesa (Bananas do Nordeste SA), empresa que prejudica a população e áreas da região. Recentemente um dos trabalhadores da empresa teve a perna amputada devido à contaminação causada pelo manuseio de veneno usado na plantação. Isso porque a empresa não disponibilizava os equipamentos segurança necessários para tal manuseio.

O segundo reuniu mais de 600 mulheres da Via Campesina no município de Madalena. As mulheres bloquearam por duas horas a BR 020 para protestar contra as empresas transnacionais e a política implementada pelos governos do Nordeste para a região do Semi-árido, o que inclui o projeto de transposição do Rio São Francisco.

As mulheres também realizaram um protesto em frente ao aeroporto de Fortaleza condenando a exploração sexual de mulheres. Segundo a Pestraf (Pesquisa Nacional sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes), Ceará e Goiás são os estados onde o tráfico de mulheres atua com mais força.

Via Campesina faz ato no consulado da Suíça no Rio

Nesta sexta-feira, as Mulheres da Via Campesina realizam ato contra a transnacional Syngenta Seeds, no Consulado da Suíça no Rio de Janeiro. O Ato está marcado para as 10h30min da manhã.

A mobilização faz parte da Jornada de Luta das Mulheres da Via Campesina, em comemoração ao dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Com o tema "Mulheres Camponesas pela vida e contra o Agronegócio e as Transnacionais”, agricultoras de todo o Brasil estão se mobilizando e
reafirmando seu papel como protagonistas na luta contra todo o tipo de exploração e opressão.

A transnacional Syngenta Seeds vem praticando crimes ambientais e de violência à vida. Em outubro de 2006 foi assassinado o militante do MST, Valmir Mota, pela empresa NS Segurança, contratada pela transnacional, durante a ocupação de uma área da empresa. Ainda, a Syngenta Seeds tem desenvolvido experimentos transgênicos em Zonas de Amortecimento no
Paraná.

As mulheres farão um dos seus protestos no consulado da Suíça, país sede desta empresa transnacional. A proposta é entregar uma carta ao Cônsul, exigindo do Governo Suíço que tome atitudes em relação a esta empresa, sendo responsabilizada pelo ato de violência, crimes ambientais e o apoio na desapropriação da terra onde houve o conflito.

Por todo o país, as mulheres da Via Campesina seguem realizando ações durante a Jornada de Lutas para mostrar à sociedade a existência de um projeto alternativo de agricultura, baseado na produção familiar para o mercado interno, que respeite a biodiversidade.

Via Campesina ocupa Monsanto e destrói experimentos em SP

As mulheres da Via Campesina ocuparam uma unidade de pesquisa biotecnológica da empresa americana Monsanto e destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico, em Santa Cruz das Palmeiras (na altura do km 229 da Anhanguera), no interior de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (07/03). Veja outras fotos da ação

Assista ao vídeo da ação

A Via Campesina protesta contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). O governo Lula cedeu às pressões das empresas do agronegócio e liberou, em fevereiro, o plantio e comercialização das variedades Guardian (da linhagem MON810 da Monsanto) e a Libertlink (da alemã Bayer).

A liberação dessas variedades demonstra, mais uma vez, que o governo Lula fez uma opção política pelo agronegócio e pelas grandes empresas estrangeiras da agricultura, deixando de lado a Reforma Agrária e a agricultura familiar.

A manifestação faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Via Campesina (veja outras ações no Especial 8 de Março), que já mobilizou cinco estados contra o agronegócio. Em 2001, o Greenpeace já havia realizado um protesto nessa mesma área e encontrou plantio ilegal de milho geneticamente modificado.

A expansão dos transgênicos por todo o país tira o controle das sementes dos trabalhadores rurais, passa para as empresas transnacionais e pode inviabilizar a produção de alimentos orgânicos. Um relatório do Greenpeace apontou 39 casos de contaminação e cultivo ilegal de variedades geneticamente modificadas em 23 países. A maior parte deles envolve o cultivo de milho. Desde 2005, já foram identificados 216 eventos de contaminação em 57 países.

Também não existem estudos científicos que garantam que os alimentos transgênicos não têm efeitos negativos para a saúde humana e para a natureza. As dúvidas em relação aos alimentos modificados em laboratórios levam 81,9% do povo brasileiro a rejeitar o plantio de OGMs, de acordo com pesquisa realizada a pedido do Greenpeace.

Atualmente, quatro empresas transnacionais dominam quase todo o mercado de transgênicos no mundo e 49% de todo o mercado de sementes. A Monsanto, por exemplo, detém o controle de 70% da produção de sementes das variedades comerciais de milho no Brasil e agora pode substituí-las por transgênicos.

A Via Campesina denuncia que os transgênicos não são simplesmente organismos geneticamente modificados, mas produtos criados em laboratórios que colocam a agricultura nas mãos do mundo financeiro e industrial.

A sociedade não está mais diante da agricultura tradicional, mas de grupos que usam transgênicos para controlar as sementes e impor o uso de insumos e venenos que produzem, privatizando o papel de melhoramento das sementes e cultivo dos camponeses e indígenas.

A proposta das mulheres camponesas para o campo tem base na defesa da soberania alimentar, que prevê que cada país tenha condições de produzir seus alimentos, garantindo sua autonomia e criando condições para o combate à fome e ao desenvolvimento da agricultura.

Via Campesina protesta contra o agronegócio em 17 estados

As mulheres da Via Campesina realizaram manifestações, protestos e ocupações em 17 estados contra o agronegócio e em defesa da Reforma Agrária. As ações acontecem desde a semana passada e fazem parte da Jornada Nacional de Lutas que celebra o Dia Internacional das Mulheres, em 8 de Março.

Até sexta-feira, as mulheres da Via Campesina já tinha realizado protestos em São Paulo (contra Monsanto), Distrito Federal, Paraná e Rio de Janeiro (contra Syngenta), Rio Grande do Sul (contra Stora Enso), Pernambuco (contra monocultura da cana), Rondônia, Mato Grosso, Alagoas, Rio Grande do Norte e Pará (com pautas estaduais).

Nesta segunda-feira, mais de 1.000 mulheres da Via Campesina ocuparam os trilhos de uma das principais ferrovias da mineradora Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce), que corta o município de Resplendor, na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.

O protesto, que conta com mulheres de Minas Gerais e Espírito Santo, denuncia que a construção da Barragem de Aimorés, pela Vale e Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), inviabiliza o sistema de esgoto da cidade, inundando 2 mil hectares de terra (2 mil campos de futebol). A Vale é uma das principais responsáveis pela destruição do meio ambiente em Minas e pela concentração de terras, por meio do plantio de eucalipto em larga escala que alimenta as usinas associadas.

Na Bahia, cerca de três mil trabalhadores rurais ocuparam a Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), para cobrar o cumprimento da pauta de reivindicações do movimento, que foi entregue ao governo no ano passado.

No sábado, cerca 900 trabalhadoras Sem Terra realizaram um protesto em frente às instalações da carvoaria industrial da Vale (ex-companhia Vale do Rio Doce) para denunciar que a queima de eucalipto plantado na área está causando problemas respiratórios nos trabalhadores do assentamento Califórnia, no município de Açailândia, no Maranhão.

Há três anos em atividade, a carvoaria foi instalada a cerca de 800 metros da agrovila do assentamento onde vivem mais de 1800 pessoas. Tem instalado 74 fornos industriais com capacidade cada um de produzir 160m³ de carvão, cada forno industrial tem capacidade de produzir 30 vezes mais que um forno de uma carvoaria comum.

No Mato Grosso do Sul, 300 Sem Terra, em sua maioria mulheres, realizaram um protesto em frente à transnacional Cargill, na cidade de Dourados, e pararam a fábrica por algumas horas para protestar contra o avanço do agronegócio, que penaliza o trabalho de camponeses da região e em todo o país.

No Ceará, mais de 600 mulheres da Via campesina realizaram ato no município de Madalena, pela manhã, e depois fecharam por duas horas a BR-020. Durante o ato, as mulheres entregaram manifesto contra as empresas transnacionais e contra a transposição do Rio São Francisco.

Na região oeste de Santa Catarina, em Xanxerê, cerca de 700 mulheres fecharam o acesso à empresa Agroeste, empresa de sementes de milho comprada pela transnacional americana Monsanto. Depois, fecharam por meia hora o trevo da BR 282, que dá acesso a Xanxerê e diversos municípios, fizeram uma caminhada pelo centro da cidade.

A Agroeste era uma empresa catarinense e, no final do ano passado, foi comprada pela Monsanto. Com isso, a maior produtora de sementes de milho do estado está na mão de uma empresa estrangeira.

“A população ficou à margem de todo o processo de desnacionalização de uma empresa que beneficiava os agricultores, além de não ser informada sobre os males que o milho transgênico poderá causar às pessoas e ao meio ambiente", explicou Irma Brunetto, da coordenação da Via Campesina.

A Via Campesina protesta contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança, que demonstra, mais uma vez, que o governo Lula fez uma opção política pelo agronegócio e pelas grandes empresas estrangeiras da agricultura, deixando de lado a Reforma Agrária e a agricultura familiar.

Leia sobre todas as ações realizadas até agora no Especial 8 de Março.

Via Campesina realiza terceira ação em Pernambuco

As mulheres da Via Campesina acabam de fazer mais um ato contra o monocultivo da cana no estado de Pernambuco. Desta vez, na cidade de Água Preta,as trabalhadoras derrubaram a casa grande do engenho Cachoeira Dantas. Veja as ações das mulheres de outros estados no Especial 8 de Março.

No dia 19 de fevereiro, cerca de 66 famílias de trabalhadores rurais que moravam e plantavam no Engenho Cachoeira Dantas, foram despejados por decisão liminar do Juiz da Comarca de Água Preta, sem que sequer houvesse chance dos/as camponeses/as apresentarem suas defesas.

A maioria das famílias trabalhava e morava no engenho, que produz cana -de - açúcar e álcool, há mais de 20 anos. Os trabalhadores foram demitidos pelo antigo proprietário do Engenho Cachoeira Dantas e jamais tiveram seus direitos trabalhistas pagos. O imóvel foi penhorado, levado a leilão e arrematado por Marcelo Cavalcanti de Amorim, que, por sua vez, ajuizou uma Ação Reivindicatória com pedido de tutela antecipada, que foi concedida sem levar em conta os direitos das 66 famílias que tiveram destruídas suas casas e todas as plantações.

Pela manhã as mulheres ocuparam o Engenho Pereira Grande, em Gmeleira e, no sertão do estado, a sede da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) para protestar contra o modelo de desenvolvimento que vem sendo implantado pela companhia na região, que apóia grandes projetos de irrigação para o agronegócio como o projeto de transposição do Rio São Francisco, o Pontal Sul, em Petrolina, e o Projeto Salitre, na cidade vizinha de Juazeiro, na Bahia.

Violência policial no RS é registrada em vídeo

Duas filmagens mostram parte do abuso cometido pela Brigada Militar no dia 4/3, quando 900 mulheres da Via Campesina ocuparam fazenda ilegal da empresa estrangeira Stora Enso, no Rio Grande do Sul. As trabalhadoras plantavam árvores nativas no lugar de eucaliptos cultivados pela transnacional, quando tropas da Brigada Militar foram acionadas para reprimir a ação. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, 60 camponesas tiveram seus corpos marcados por ferimentos causados pelos homens das tropas e duas foram presas. O vídeo a seguir mostra cenas da ação das trabalhadoras e um pouco dos abusos cometidos pela polícia naquele dia.

Mulheres da Via Campesina Ocupam Stora Enso no RS-Parte 1/2

Mulheres da Via Campesina Ocupam Stora Enso no RS-Parte 2/2

Yeda Crusius é barrada em evento

Uma manifestação de mulheres da Via Campesina e de outros grupos impediu a governadora Yeda Crusius de entrar pela porta da frente do Theatro São Pedro para a solenidade de entrega do Prêmio Ana Terra, que homenageia 24 mulheres, uma de cada região do Rio Grande do Sul, pelo destaque na condução de trabalhos sociais.

Uma mulher conseguiu driblar a segurança e ficou escondida dentro do teatro. Quando a solenidade ia começar, levantou-se exibindo um boneco que seria a representação do esqueleto de um bebê e iniciou um discurso contra o apoio de Yeda ao plantio de eucaliptos no Estado, pois o cultivo agride os biomas nos quais é inserido e também impede o platiu de alimentos.

A governadora sorriu e abanou para a mulher, que foi retirada da platéia.

Órgão do Ministério da Agricultura é ocupado no Rio

As Mulheres da Via Campesina ocuparam na tarde desta sexta-feira a Superintendência Regional de Agricultura no Rio de Janeiro. A ocupação tem o objetivo de denunciar a liberação de duas variedades de milho Transgênico pelo Governo Federal.

A mobilização faz parte da Jornada de Luta das Mulheres da Via Campesina, em comemoração ao dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Com o tema "Mulheres Camponesas pela vida e contra o Agronegócio e as Transnacionais", agricultoras de todo o Brasil estão se mobilizando e reafirmando seu papel como protagonistas na luta contra todo o tipo de exploração e opressão. Leia sobre ações em outros estados no Especial 8 de Março.

Os Transgênicos no Brasil

A expansão dos transgênicos por todo o país tira o controle das sementes dos trabalhadores rurais, passa para as empresas transnacionais e pode inviabilizar a produção de alimentos orgânicos. Um relatório do Greenpeace apontou 39 casos de contaminação e cultivo ilegal de variedades
geneticamente modificadas em 23 países. A maior parte deles envolve o cultivo de milho. Desde 2005, já foram identificados 216 eventos de contaminação em 57 países.

Também não existem estudos científicos que garantam que os alimentos transgênicos não têm efeitos negativos para a saúde humana e para a natureza. As dúvidas em relação aos alimentos modificados em laboratórios levam 81,9% do povo brasileiro a rejeitar o plantio de OGMs, de acordo com pesquisa realizada a pedido do Greenpeace.

Atualmente, quatro empresas transnacionais dominam quase todo o mercado de transgênicos no mundo e 49% de todo o mercado de sementes. A Monsanto, por exemplo, detém o controle de 70% da produção de sementes das variedades comerciais de milho no Brasil e agora pode substituí-las por transgênicos.

A Via Campesina denuncia que os transgênicos não são simplesmente organismos geneticamente modificados, mas produtos criados em laboratórios que colocam a agricultura nas mãos do mundo financeiro e industrial. A sociedade não está mais diante da agricultura tradicional, mas de grupos
que usam transgênicos para controlar as sementes e impor o uso de insumos e venenos que produzem, privatizando o papel de melhoramento das sementes e cultivo dos camponeses e indígenas.

A proposta das mulheres camponesas para o campo tem base na defesa da soberania alimentar, que prevê que cada país tenha condições de produzir seus alimentos, garantindo sua autonomia e criando condições para o combate à fome e ao desenvolvimento da agricultura.

Veja a seguir a carta entregue ao Superintendente.

Sr. Superintendente Pedro Cabral da Silva

A Via Campesina expressa toda a sua indignação com apoio que vem sendo dado à liberação do plantio comercial de sementes transgênicas pelo atual governo brasileiro, representando uma enorme ameaça aos recursos da biodiversidade, à soberania e segurança alimentar da população e aos direitos dos agricultores, portanto se trata de uma política irresponsável, na qual o Ministério da Agricultura tem grande peso, pois tem implementado no campo um modelo agrícola devastador do ponto de vista social e ambiental, através do chamado agronegócio.

A investida do agronegócio na região amazônica provocando desmatamento e, colocando a floresta no chão revela apenas uma parcela de sua cobiça. Os seus tentáculos se estendem a disputa para transformar o território brasileiro em área livre para o plantio dos transgênicos. O agronegócio
aliado ás empresas de biotecnologia já conseguiram a liberação para o plantio da soja, algodão e recentemente a liberação do milho transgênico.

A liberação ocorreu sem a aprovação de órgãos governamentais, como a ANVISA e o IBAMA. Ambos vêm divulgando há algum tempo como inadequados e insuficientes os estudos da Monsanto e da Bayer para atestar os riscos dos transgênicos á saúde pública, no que se refere á sua alergenicidade e toxidade, a ausência de estudos quanto aos impactos nos ecossistemas brasileiros e sobre a possibilidade de a liberação do milho transgênico contaminar variedades de milho crioulas, cultivadas pelos pequenos agricultores.

Visão corroborada pela própria Organização Mundial de Saúde - OMS, ao considerar os efeitos cancerígenos do herbicida patenteado pela transnacional Monsanto, dada a sua influência em possíveis alterações nos genes e ainda a persistência do veneno no meio ambiente. Ponderação feita pelo próprio IBAMA.

O relatório Registros de Contaminação Transgênica 2007 detalha 39 novos casos de contaminação de plantações ocorridos em 23 países no ano passado. A maior parte deles envolve cultivos de arroz e milho, mas também inclui soja, algodão, canola, mamão papaia e peixes. O Registro de Contaminação Transgênica (www.gmcontaminationregister.org) existe desde 2005 e já identificou 216 eventos de contaminação em 57 países ocorridos desde 1996, quando as plantações transgênicas foram iniciadas comercialmente.

O Brasil já tem alguns casos de contaminação em plantações de soja, principalmente na região Sul. Com a aprovação do milho transgênico, o número de casos só tende a crescer, porque o milho contamina muito mais facilmente. E como nem a CTNBio nem o governo brasileiro fizeram regras que protejam os agricultores e consumidores, temos uma situação preocupante no país.
Se trata de uma associação nefasta entre o setor público, o capital privado nacional e o internacional, onde este último tem crescentemente participado na condição de "sócio majoritário".
O agronegócio tem se apropriado e ao mesmo tempo devastado os territórios, marchando no sentido de privatizar as sementes. A privatização de um bem tido pelas organizações do campo como bem cultural, recurso material e econômico, violando desta forma as condições da própria existência desses agricultores.

O acesso ás sementes é um direito básico dos agricultores, além do reconhecimento e do exercício de outros direitos correlacionados ao pleno acesso aos recursos da biodiversidade. As organizações camponesas, como a Via Campesina, na defesa de um novo projeto para o campo e em defesa de suas sementes, exige que o Governo federal revogue a liberação dos plantios de transgênicos em solo brasileiro; Que o Ministério de Agricultura volte atrás na sua decisão sobre a liberação do plantio do milho transgênico; Que o Ministério da Agricultura mude seu projeto para o campo e priorize a agricultura familiar e os assentados da Reforma Agrária.