8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Número: 
7
Mar
2007

Com feixes de cana-de-açúcar nas mãos e lenços amarrados sobre o rosto, as mulheres da Via Campesina entraram na Avenida Paulista para se somar às milhares de mulheres de diversos movimentos sociais que aproveitaram o 8 de março - Dia Internacional da Mulher – para denunciar a violência de gênero e a exploração capitalista.

Este ano as mulheres da Via Campesina levaram as ruas de diversas cidades o lema da “Luta pela Soberania Alimentar e Contra o Agronegócio”. Manifestações e protestos com esse lema foram realizados por todo o país. Além disso, várias ocupações foram feitas nos dias 6 e 7 de março, a maioria em empresas multinacionais que representam a expansão do agronegócio.

A presença do presidente estadunidense George W. Bush no Brasil esquentou ainda mais os protestos, unificando a esquerda brasileira e os movimentos sociais em torno de um mesmo lema: Fora Bush! A pauta anti-imperialista foi marcada principalmente pela luta contra a expansão do agronegócio e, consequentemente dos agrocombustíveis. Uma vez que, essa é a pauta principal das reuniões que estão sendo travadas entre o presidente Lula e o presidente Bush.

Essa semana a Via Campesina lançou um manifesto no qual critica a parceria que está sendo gestada entre Brasil e EUA para a produção dos agrocombustíveis, principalmente o etanol, proveniente da cana-de-açúcar. A crítica, no entanto, não é contra o desenvolvimento do agrocombustível, que como todos sabem, é menos poluidor do que os combustíveis fósseis. Mas sim ao modelo de produção que se pretende implementar no país, com cultivo em grande escala, baseado na monocultura.

A monocultura é hoje um dos principais motivos da degradação do campo. Isso porque além de expulsar os trabalhadores das áreas rurais, é também bastante prejudicial ao meio ambiente. A monocultura afeta o aquecimento do planeta, pois destrói a biodiversidade e impede que a água e a umidade das chuvas se mantenham em equilíbrio com a produção agrícola.

Em várias cidades brasileiras foram realizados protestos. No Maranhão mais de 500 mulheres fizeram uma caminhada pela capital São Luiz, que terminou em frente ao Palácio dos Leões (palácio do governo), onde queimaram um boneco do presidente Bush. O governador do estado, Jacson Lago (PDT), foi ao encontro das manifestantes, vestiu um boné do MST e participou da queima simbólica do presidente estadunidense.

No Espírito Santo, cerca de 500 mulheres camponesas, quilombolas e indígenas fecharam a BR 101, em São Mateus, em protesto à empresa Aracruz Celulose. A principal reivindicação é pela demarcação das terras indígenas e quilombolas no estado. Também houve manifestações em Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Ceará, Brasília e em Mato Grosso. (Confira as matérias das manifestações nos estados).

Ocupações

Além das manifestações nas ruas, a Via Campesina promoveu essa semana, algumas ocupações de empresas multinacionais ligadas ao agronegócio. Na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, mais de 900 mulheres ocuparam a área da usina Cevasa, na quarta-feira, dia 7. A usina Cevasa é a maior do Brasil e teve parte de seu capital vendido recentemente para a transnacional Cargill, líder do agronegócio mundial.

Em Belo Horizonte (MG), cerca de 600 as mulheres fecharam, na mesma quarta-feira, a entrada da mina Capão Xavier, MBR Minerações, do complexo de usinas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Já no Rio Grande do Sul as mulheres ocuparam quatro áreas de terras, na terça-feira, dia 6. As terras são de propriedade das empresas Aracruz Celulose, Votorantim, Stora Enso e Boise, todas empresas transnacionais ligadas ao monocultivo de eucalipto e ao “deserto verde”.

Ato denuncia contaminação por uso de agrotóxicos no Ceará

Conhecida como estrada do agronegócio, a estrada do trevo da Chapada do Apodi, distante 14 quilômetros do município de Limoeiro do Norte, Ceará, foi ocupada na madrugada de hoje, dia 7, por mais de 500 mulheres da Via Campesina. A estrada é a principal via de escoamento da produção de fruticultura, com destino prioritário para exportação.

Um dos objetivos da ocupação é denunciar o uso excessivo de agrotóxicos no Estado. Um dos motivos diretos da intoxicação centenas de pessoas anualmente, do elevado número de internações hospitalares, da contaminação do lençol freático e da destruição da biodiversidade local.

No Ceará, a maior parte dos trabalhadores intoxicados são das empresas Del Monte, Nólen e Fruta Cor, voltadas principalmente para a produção e exportação de melão, abacaxi e melancia.

Os maiores registros de envenenamento por agrotóxicos se concentram na Região do Baixo e Médio Jaguaribe, pólo de desenvolvimento do agronegócio. Dados oficiais de 2005 apontam que das 1.106 intoxicações registradas por pesticidas, 978 casos são dessa Região. Por conta da pouca notificação dos casos e do crescimento dessas atividades.

Em nota, as mulheres camponesas alertam que essas e outras empresas do agronegócio destroem o meio ambiente com a monocultura, concentram terras e expulsam homens e mulheres do campo. “Ao invés de crescimento econômico e geração de emprego, geram mais pobreza, exclusão e danos à saúde das pessoas”, diz o texto.

O protesto é parte da programação da semana da mulher, que esse ano tem como tema “Mulheres Camponesas na Luta pela Soberania Alimentar e Contra o Agronegócio”.

Confira abaixo as reivindicações das mulheres trabalhadoras:

O QUE QUEREMOS

- Prioridade para a agricultura camponesa;
- Fim dos subsídios e das políticas de apoio ao agronegócio e às empresas transnacionais pelo governo federal e estadual;
- Prioridade de energia elétrica para o povo e não para as grandes empresas, com 100 kWh/mês gratuitos para todas as famílias de baixa renda;
- Valorização e reconhecimento das mulheres e de seu trabalho;
- Democratização do acesso à água, contra a privatização dos perímetros irrigados;
- Que o uso da água do aqüífero Jandaíra realizado pela Del Monte em poços com mais de mil metros de profundidade seja proibido, água não se repõe;
- Fim do uso de agrotóxicos;
- Investimento público na ciência, tecnologia e pesquisa para a agricultura camponesa;
- Participação efetiva das mulheres em todos os espaços de decisão sobre a produção, o patrimônio, as relações políticas e comunitárias;
- Políticas públicas voltadas para as comunidades;
- Reforma Agrária, fim do latifúndio e organização da produção que garanta os princípios da agroecologia.

Em Alagoas, mulheres se reúnem para atos do 8 de março

Cerca de 1.500 mulheres do MST chegaram na manhã desta segunda-feira, dia 5, em Maceió, para as atividades em torno do 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Este ano a mobilização será marcada pela forte presença das mulheres da Via Campesina. As atividades devem reunir militantes da Marcha Mundial das Mulheres, trabalhadoras rurais e urbanas que juntas realizarão atividades de protestos, reivindicações e atos.

O clima este ano é de indignação e de muita luta, pois o governador do Estado Teotônio Vilela (PSDB), vem ameaçando o direito de greve das servidoras públicas da educação e se recusa a pagar por completo os 80% da isonomia salarial, direito conquistado pela categoria no governo anterior.

Para abrir a semana será realizado um ato da Marcha Mundial das Mulheres em defesa da educação e pelo direito de greve. O ato percorrerá as principais ruas do centro da capital, finalizando com uma oficina de batucadas.

Em Alagoas, trabalhadoras rurais realizam ato e ocupam Seagri

Mais de 2.000 mulheres da Via Campesina (MST, CPT, MMC, MPA, PJR e FEAB), junto com os movimentos sociais do campo, MLST e MTL, realizaram pela manhã de hoje, dia 7, um ato contra o agronegócio e a transposição do Rio São Francisco. O ato faz parte das mobilizações da semana da mulher, que esse ano tem o lema Mulheres Camponesas na Luta pela Soberania Alimentar e Contra o Agronegócio.

Depois do ato, as mulheres ocuparam a Secretaria de Agricultura de Alagoas (Seagri) para denunciar a criminalização no campo e exigir uma posição política do Estado em relação às antigas reivindicações da agricultura familiar. As famílias Sem Terra lembraram que a ocupação também é um ato solidário à luta das servidoras da educação.

Em Cuiabá, mulheres fazem ato contra Bush

Mais 200 mulheres da Via Campesina realizaram uma marcha de 8 quilômetros do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que está ocupado desde fevereiro, até o centro de Cuiabá, no Mato Grosso, na manhã desta quinta-feira (08/03), no Dia Internacional da Mulher.

Um ato político reuniu os movimentos do campo e da cidade, sindicatos de professores e bancários, pastorais e a senadora Serys Shessarenko (PT-MT), em protesto contra a política de guerra do presidente George W. Bush, que chega hoje ao país. “O nosso ato conseguiu chamar a atenção da sociedade”, disse Itelvina Mafioli, da direção nacional do MST.

Reforma Agrária

O MST ocupa a superintendência do Incra em Cuiabá desde 25 de fevereiro para cobrar a agilização do processo de Reforma Agrária no Mato Grosso.

Em 2006, estava previsto o assentamento de 1.000 famílias do movimento. Receberam o lote apenas 38 famílias. Em todo o estado, há 3.600 famílias vivendo em acampamento à beira de estrada.

“A Reforma Agrária está parada no Mato Grosso”, diz Itelvina. Além de assentamentos, o MST cobra projetos para infra-estrutura, habitação e crédito para a produção agrícola dos assentados.

“O Incra do Mato Grosso não se posicionou nem assumiu qualquer compromisso com os acampados”, denuncia Itelvina. A superintendência estadual alega que depende do órgão nacional para fechar a negociação com o movimento.

Diante disso, o MST aguarda reunião ainda nesta quinta-feira com autoridades do Incra estadual e nacional. “Até que sejam resolvidos nossos problemas, a mobilização vai continuar na capital”, diz.

Etanol: tanques cheios, às custas de barrigas vazias

Com feixes de cana-de-açúcar nas mãos e lenços amarrados sobre o rosto, as mulheres da Via Campesina entraram na Avenida Paulista para se somar às milhares de mulheres de diversos movimentos sociais que aproveitaram o 8 de março - Dia Internacional da Mulher – para denunciar a violência de gênero e a exploração capitalista.

Este ano as mulheres da Via Campesina levaram as ruas de diversas cidades o lema da “Luta pela Soberania Alimentar e Contra o Agronegócio”. Manifestações e protestos com esse lema foram realizados por todo o país. Além disso, várias ocupações foram feitas nos dias 6 e 7 de março, a maioria em empresas multinacionais que representam a expansão do agronegócio.

A presença do presidente estadunidense George W. Bush no Brasil esquentou ainda mais os protestos, unificando a esquerda brasileira e os movimentos sociais em torno de um mesmo lema: Fora Bush! A pauta anti-imperialista foi marcada principalmente pela luta contra a expansão do agronegócio e, consequentemente dos agrocombustíveis. Uma vez que, essa é a pauta principal das reuniões que estão sendo travadas entre o presidente Lula e o presidente Bush.

Essa semana a Via Campesina lançou um manifesto no qual critica a parceria que está sendo gestada entre Brasil e EUA para a produção dos agrocombustíveis, principalmente o etanol, proveniente da cana-de-açúcar. A crítica, no entanto, não é contra o desenvolvimento do agrocombustível, que como todos sabem, é menos poluidor do que os combustíveis fósseis. Mas sim ao modelo de produção que se pretende implementar no país, com cultivo em grande escala, baseado na monocultura.

A monocultura é hoje um dos principais motivos da degradação do campo. Isso porque além de expulsar os trabalhadores das áreas rurais, é também bastante prejudicial ao meio ambiente. A monocultura afeta o aquecimento do planeta, pois destrói a biodiversidade e impede que a água e a umidade das chuvas se mantenham em equilíbrio com a produção agrícola.

Em várias cidades brasileiras foram realizados protestos. No Maranhão mais de 500 mulheres fizeram uma caminhada pela capital São Luiz, que terminou em frente ao Palácio dos Leões (palácio do governo), onde queimaram um boneco do presidente Bush. O governador do estado, Jacson Lago (PDT), foi ao encontro das manifestantes, vestiu um boné do MST e participou da queima simbólica do presidente estadunidense.

No Espírito Santo, cerca de 500 mulheres camponesas, quilombolas e indígenas fecharam a BR 101, em São Mateus, em protesto à empresa Aracruz Celulose. A principal reivindicação é pela demarcação das terras indígenas e quilombolas no estado. Também houve manifestações em Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Ceará, Brasília e em Mato Grosso. (Confira as matérias das manifestações nos estados).

Ocupações

Além das manifestações nas ruas, a Via Campesina promoveu essa semana, algumas ocupações de empresas multinacionais ligadas ao agronegócio. Na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, mais de 900 mulheres ocuparam a área da usina Cevasa, na quarta-feira, dia 7. A usina Cevasa é a maior do Brasil e teve parte de seu capital vendido recentemente para a transnacional Cargill, líder do agronegócio mundial.

Em Belo Horizonte (MG), cerca de 600 as mulheres fecharam, na mesma quarta-feira, a entrada da mina Capão Xavier, MBR Minerações, do complexo de usinas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Já no Rio Grande do Sul as mulheres ocuparam quatro áreas de terras, na terça-feira, dia 6. As terras são de propriedade das empresas Aracruz Celulose, Votorantim, Stora Enso e Boise, todas empresas transnacionais ligadas ao monocultivo de eucalipto e ao “deserto verde”.

MST promete resistir diante do BNDES, no Rio de Janeiro

"Só saímos quando o presidente nos receber". A voz geral no ato da Via Campesina e do MST ecoa pelo saguão da sede do BNDES, no Rio de Janeiro. As camponesas denunciam as agressões ao meio ambiente provocadas por empresas financiadas com recursos do BNDES e pedem investimentos nas áreas de Reforma Agrária e na agricultura familiar.

As cerca de 100 mulheres chegaram ao banco por volta das 11h30 e prometem resistir no local até serem recebidas. O presidente Demian Fiocca, que está no prédio, não quer receber as trabalhadoras rurais e negocia para que o diretor da Área Social do banco, Élvio Gaspar, converse com as Sem Terra.

O BNDES já aplicou R$ 6,86 bilhões no setor de papel e celulose entre 1985 e 2005 e pretende ampliar os repasses para R$11,6 bilhões até 2010. Já a área de biocombustíveis já garantiu R$ 3,3 bilhões e deve ter mais R$ 10 bilhões nos próximos três anos. Já a agricultura familiar não recebe investimentos do banco.

Em 2005, por ocasião da Marcha Nacional pela Reforma Agrária – que reuniu 12 mil pessoas em Brasília – o governo prometeu liberar R$10 milhões em financiamentos do banco e não cumpriu. Os Sem Terra querem que o acordo firmado seja cumprido e que sejam abertas linhas de financiamento desburocratizadas para o público da Reforma Agrária, essencialmente produtores de alimentos saudáveis para o mercado interno.

As mulheres do MST lembram que o agronegócio adota a monocultura em grandes extensões de terra que acabam com a biodiversidade e ainda exploram os trabalhadores. A ação é apoiada pela OAB-RJ, pelo Sindipetro, pela Associação dos Funcionários do BNDES, pela CAMTRA e por estudantes.

MST repudia ação da policia militar de Pernambuco

O MST em Pernambuco soltou uma nota pública repudiando a ação violenta da polícia militar do estado contra as trabalhadoras rurais Sem Terra durante Ato das Mulheres da Via Campesina, realizado ontem, dia 8 de março, durante marcha pelo Dia Internacional da Mulher.

A violência ocorreu depois que policiais militares invadiram sem nenhuma razão a marcha das mulheres da Via Campesina, que retornavam de um protesto contra os transgênicos na Associação Avícola de Pernambuco (AVIPE). O carro da policia militar chegou por trás da marcha e os policiais já desceram empunhando revolveres em clara atitude de ameaça e agressão aos companheiros Sem Terra que faziam a segurança da marcha.

O protesto na AVIPE havia transcorrido sem nenhum incidente, foi pacífica e se encerrou por volta das 13h. Segundo a nota divulgada pelo MST/PE “a polícia militar do Estado – que possui o maior índice de crimes de violência contra a mulher –, ao invés de exercer sua função de conter esses crimes, contribuiu para aumentar ainda mais esses índices, agredindo física e psicologicamente dezenas de mulheres Sem Terra que participavam de um protesto pacifico. [...] A polícia militar de Pernambuco tem historicamente exercido o papel de repressora dos movimentos sociais em suas reivindicações e lutas legitimas.”

Segundo a nota, o argumento de que os policiais militares foram agredidos é completamente inverídico. Dezenas de mulheres Sem Terra foram agredidas violentamente, ameaçadas de morte por policiais que atiravam para todos os lados. Os companheiros Eduardo Vitor da Rocha, Célio Costa Ferreira e Iraílton Pereira de Moraes, foram barbaramente torturados no meio da rua e presos. Uma Sem Terrinha de 5 anos, que acompanhava a mãe no protesto, ficou desaparecida no meio da confusão.

A Secretaria de Defesa Social do estado declarou, em nota, que “Em nenhum momento a Polícia Militar reprimiu ou tentou impedir qualquer tipo de manifestação, muito menos a caminhada realizada pelas mulheres do MST. Entre as orientações transmitidas pelo governador e seguidas à risca pelo comando das instituições policiais do Estado está a de agir com prudência e respeito aos direitos humanos na relação com os movimentos sociais”.

Na nota o MST e a CPT desmentem as declarações dos policiais militares publicadas no Jornal do Comércio na manhã de hoje, dia 9, de que “foram agredidos” e que os Sem Terra tentaram atear fogo em uma viatura policial.

A Via Campesina vai entrar com uma ação judicial contra a policia militar de Pernambuco pela violência e arbitrariedade da ação de ontem.

Marcha reúne mil mulheres no Espírito Santo

Ontem, dia 8 de março, cerca 1000 mulheres participaram da Marcha organizada pelo Fórum de Mulheres do Espírito Santo que teve como lema “Pelo Fim da Violência, pelos Territórios Indígenas, Quilombolas, Camponesas e por Justiça Sócio-Ambiental”.

Mulheres indígenas, quilombolas, camponesas, sindicalistas e estudantes expuseram suas reivindicações e cobraram do governador do estado, Paulo Hartung (PMDB), uma postura clara em relação à demarcação dos territórios indígenas no Espírito Santo e à melhoria de políticas públicas para as mulheres.

“Queremos que o governador receba os indígenas e ajude a bater o martelo sobre a demarcação das nossas terras”, explica Iara Tupã, da comissão de mulheres indígenas.

A maior reivindicação do MST é a vistoria e arrecadação das terras devolutas do estado para fins de reforma agrária e também uma assistência aos assentamentos criados pela Secretaria de Agricultura do estado, que atualmente não recebem nenhum subsídio do governo.

“É visível que aqui no estado o governador dá prioridade ao agronegócio e não à agricultura familiar. Por isso, estamos em marcha para que ele nos receba numa audiência e discuta conosco nossas reivindicações”, disse Joselma Maria Pereira, da direção estadual do MST.

A Marcha percorreu o centro de Vitória e seguiu em direção ao Palácio da Fonte Grande, sede provisória do governo do estado, onde os movimentos sociais reivindicação uma audiência com o governador. Durante a noite, permaneceram em vigília em frente ao Palácio aguardando a resposta da audiência.

Imperialismo também é criticado na marcha

Durante a Marcha das Mulheres, também houve um protesto em relação à vinda do presidente Bush ao Brasil. Um boneco foi queimado na Praça Costa Pereira, simbolizando que Bush “não é bem-vindo ao país” e criticando o imperialismo norte-americano nas nações. O protesto foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufes.

Mobilização suspende colaboração da UFRGS com Aracruz

No 8 de março em Porto Alegre as Mulheres da Via Campesina e estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul conquistaram uma grande vitória: a suspensão de um protocolo de cooperação entre a UFRGS e a e a transnacional Aracruz Celulose.

Em audiência com o reitor, prof. José Carlos Hennemann, e o vice-reitor, prof. Pedro Fonseca as camponesas demonstraram a preocupação com o aumento do deserto verde que já vem provocando nefastas conseqüências no estado, como intensificação da concentração de terras, aumento das secas, elevação das temperaturas e destruição do Bioma Pampa, que só existe nas terras gaúchas. E entendem que estabelecer parceria com a Aracruz é concordar com toda essa destruição ambiental e social provocada pelas multinacionais do eucalipto.

Os estudantes também argumentaram as práticas de violações aos direitos humanos que marcam a trajetória da Aracruz Celulose em todos os estados, em especial contra indígenas e quilombolas no Espírito Santo.

O reitor e o vice se comprometeram então a suspender o protocolo com a Aracruz que seria votado na próxima reunião no Conselho da Universidade. “A UFRGS tem uma história de defesa do meio ambiente, tem cursos e pesquisas voltadas para a ecologia. Inclusive nos jornais da universidade tem sido publicadas matérias sobre os eucaliptos no estado. Creio que precisamos aprofundar o debate deste tema na comunidade universitária. Por isso o processo está suspenso. Não vamos assinar nenhum protocolo ou convênio para pesquisas que sejam prejudiciais a sociedade”, se comprometeu o professor Hennemann.

A decisão da reitoria foi comemorada pelas mulheres e estudantes. A jornada de luta das mulheres da Via Campesina no RS se encerrou com o lançamento da campanha de produção de alimentos saudáveis no pátio da UFRGS. “O agronegócio gera os desertos verdes, a agricultura camponesa produz alimentos, cultiva a vida. Queremos que a universidade forme profissionais para trabalhar para a vida não para o projeto de morte das transnacionais” afirmaram as mulheres camponesas.

No Rio Grande do Sul as universidades tem sido um alvo preferencial das empresas do deserto verde com o objetivo de obter aval científico para seus projetos. Em Santa Maria, no centro do estado, mulheres da Via Campesina também tiveram audiência na Universidade Federal. O reitor defendeu os convênios que a UFSM tem com a Aracruz e a Votorantim sob a alegação de que as universidades públicas estão sem recursos e as “parcerias” as empresas tem dado condições de manter as pesquisas. “É lamentável que também na universidade pública o lucro esteja acima da vida”, afirmou Isabel Fernandes do Movimento Sem Terra.

Mulheres Camponesas na Luta por Soberania Alimentar, contra o Agronegócio

Por Elaine Tavares

Todo o ano é assim. Chega o 8 de Março e se multiplicam as manifestações pelo Dia Internacional da Mulher. No campo dos movimentos sociais sempre são atos de luta ou protesto. É que não há coisas a comemorar. O que se faz, então, é refletir sobre a realidade feminina, sempre tão relegada num mundo dominado pela lógica patriarcal (espaço do macho provedor). Um segmento que não foge a esse compromisso é o das mulheres camponesas. Elas sempre fizeram suas lutas específicas, como agricultoras e como mulheres, mas nunca deixaram que o particularismo do gênero ou da categoria apagasse a luta maior, que é a da classe trabalhadora e da comunidade das vítimas do sistema-mundo consubstanciado no modo de produção capitalista. Por isso, todo 8 de Março elas botam a cara na rua, a dizer ao mundo: existimos, estamos em luta e queremos nosso espaço de liberdade.

Não é sem razão que este ano a discussão do 8 de Março levantada pelo Movimento de Mulheres Camponesas está visceralmente articulada com a Campanha Nacional pela Produção de Alimentos Saudáveis, que ganha contornos mundiais a partir da Via Campesina (movimento de articulação dos movimentos camponeses de todo o planeta). Porque comida sadia significa cuidado com a vida e com a natureza. E, sendo assim, inclui, na mesma luta, toda a vida que vive.

Essa capacidade de articular o singular (sua condição específica) com o universal (toda a gente) é o que torna o Movimento das Mulheres Camponesas uma referência no que diz respeito às lutas no Brasil. Desde há 24 anos que mulheres agricultoras de todos os cantos do país iniciaram uma caminhada rumo a conquistas até então impensáveis como o reconhecimento profissional e direitos trabalhistas, entre eles o salário-maternidade e a aposentadoria. Nesta batalha por questões pontuais, as mulheres foram se reconhecendo como força, capaz de provocar outras mudanças, muito mais profundas.

Hoje já estão organizadas em 19 dos 26 estados brasileiros e realizaram seu primeiro congresso nacional em 2004, articulando a pluralidade das mulheres, respeitando as diferenças e unificando o movimento sob uma única bandeira. Desde então, quilombolas, indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco, agricultoras familiares, pescadoras artesanais, enfim, todo o universo das mulheres cultivadoras, caminham juntas para transformar a sociedade, em busca de um mundo justo e de riquezas repartidas. E fazem isso sem nunca esquecer sua condição feminina, que muito mais enriquece a arena das lutas.

Pois neste oito de março de 2007, as mulheres ligadas ao MMC estão em luta pela alimentação saudável. E isso não quer dizer apenas que elas tenham em sua pauta de reivindicações a afirmação do Projeto de Agricultura Camponesa, construído em comunhão, nestes anos todos de caminhada. Junto com a idéia de reforma agrária, uma agricultura de auto-sustento, que respeita a terra, que busca formas alternativas de energia, que valoriza o trabalho coletivo e o respeito entre os seres que vivem, as mulheres do campo querem discutir a soberania alimentar, as relações sociais, as relações de poder que dão primazia do controle da vida ao homem, o domínio do agro-negócio que expulsa o camponês e só tem olhos para o mercado exportador, a violência contra a natureza, a falta de uma reforma agrária. Ou seja, trazem dentro do seu caldeirão de esperanças, uma diversidade de temas polêmicos totalmente ligados a vida de cada ser neste país e neste mundo.

Ao trazer para a luz a discussão de uma alimentação saudável, as mulheres do campo querem entrar na cidade e sentar à mesa com as mulheres urbanas. Pois é, afinal, na mesa, que se consagra o milagre da fome saciada. É ali que se depositam os produtos cultivados por homens e mulheres nos fundões da terra, gente que nunca é percebida por quem come o que está na mesa transformado em comida, mas que, se não existisse, quanta falta faria. As mulheres camponesas querem olhar nos olhos das mulheres urbanas, tocar-lhes as mãos, abraçar-las, rir com elas. Chorar, quem sabe. Compartilhar a vida. Fazer-se conhecer. Estabelecer uma relação de amor. Para que todas saibam que umas não vivem sem as outras. Que todas fazem parte de um grande e infinito cordão alimentar. A que produz e a que dá de comer.

É por isso que a proposta deste dia da mulher vai mais longe que um protesto ou um ato público. Ela é comunhão! As mulheres do campo chegarão às capitais de todos os estados e se sentarão à mesa com as famílias urbanas. Dormirão nas suas casas, viverão um dia de partilha. E, para que o mundo trema: contarão segredos umas às outras. Segredos de força, de união, de encontros, de mudanças, de possibilidades, tal qual nos antigos tempos em torno da fogueira ancestral. Depois, nascerão os frutos que virão em forma de luta conjunta, não só pela comida saudável, mas por uma outra sociedade, em que a mulher será igual em poder e direitos. Por um mundo em que o mercado não seja a medida de todas as coisas e que a ciência possa ser aproveitada para o bem de todos e não só de alguns. Um mundo em que as pessoas cuidem do planeta. Mas não com o discurso ideológico do chamado desenvolvimento sustentável. Que esse cuidado vingue em forma de uma nova sociedade, com outros valores, outras medidas.

Em Santa Catarina mais de 500 mulheres camponesas entrarão na capital com suas mochilas, sacos de dormir e sementes. Elas virão para um encontro único, com mulheres trabalhadoras de vários bairros da periferia de Florianópolis. Vão fazer debates, conversas e atos públicos. Chegam no dia sete e parte no dia nove. Elas ainda nem sabem, mas também levarão sementes. Sementes das lutas cotidianas das mulheres da cidade que não plantam a comida de todos, mas que, com suas mãos, guerreiras e ágeis, abrem caminhos para esse novo amanhã tão sonhado. As mulheres do campo entrarão na cidade... E as mulheres urbanas estarão esperando, braços abertos. Depois, talvez, nada mais seja como antes!

Elaine Tavares é jornalista no OLA

Mulheres da Via Campesina ocupam latifúndios no Rio Grande do Sul

Cerca de 1.300 mil mulheres da Via Campesina, a maioria organizada pelo MST, realizaram na manhã de hoje, dia 6, quatro ocupações de terras no Rio Grande do Sul. As ações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres da Via Campesina realizada na semana do 8 de março. O lema das mobilizações deste ano é “Mulheres Camponesas na Luta por Soberania Alimentar, contra o Agronegócio”.

No Rio Grande do Sul as mulheres ocuparam áreas de empresas que tem monoculturas de árvores para denunciar que o deserto verde está impedindo a reforma agrária e inviabilizando a agricultura camponesa.

Foram ocupadas áreas da Aracruz Celulose, em Santana do Livramento, da Votorantim, em Candiota, da Stora Enso, em São Francisco de Assis (na divisa com Manoel Viana), e da Boise, em Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre.

Juntas essas quatro empresas têm mais de 200 mil hectares de terras no Rio Grande do Sul, quantidade que daria para assentar 8 mil famílias gerando trabalho, renda e dignidade no campo.

Os movimentos que fazem parte da Via Campesina denunciam que o deserto verde está tomando conta das terras gaúchas e só quem colhe lucro são essas empresas. Para a sociedade o que tem aumentado é a seca, os prejuízos ambientais, o desemprego e a pobreza no campo.

Estudos comprovam que onde avança o deserto verde a agricultura camponesa está sendo destruída, e as primeiras pessoas a serem excluídas da agricultura são as mulheres, porque elas trabalham principalmente na produção de alimentos e criação de pequenos animais destinada ao consumo das famílias ou para os mercados locais.

Por isso com o fortalecimento do agronegócio cresce a exclusão social das mulheres.
Como alternativa ao agronegócio, as mulheres da Via Campesina defendem a Reforma Agrária, agricultura camponesa e a Soberania Alimentar.

Mulheres da Via Campesina ocupam usina da Cargill em São Paulo

Mais de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a área da usina Cevasa, no município de Patrocínio Paulista, região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, na manhã hoje, dia 7. A usina Cevasa, a maior do Brasil, teve parte de seu capital vendido recentemente para a transnacional Cargill, líder do agronegócio mundial.

A ocupação faz parte da jornada de lutas nacional das mulheres da Via Campesina, sob o lema é "Mulheres na Luta por Soberania Alimentar e contra o Agronegócio". A região de Ribeirão Preto foi escolhida, pois simboliza a expansão do latifúndio da cana-de-açúcar, modelo calcado na superexploração de lavradores e lavradoras – mais de 15 trabalhadores morreram de exaustão nas lavouras desde 2004 – e na destruição do meio ambiente.

Em nota manifesto, as trabalhadoras rurais da Via Campesina afirmam que pretendem denunciar por meio de suas ações, as falsas promessas do agronegócio em relação ao plantio da cana e à produção do etanol. “O objetivo da atividade é alertar a população sobre as reais conseqüências do aumento do cultivo da cana-de-açúcar para o meio ambiente, a poluição das queimadas e as doenças respiratórias por elas causadas, o aprofundamento da concentração de terra no Brasil e o conseqüente aumento das desigualdades sociais”, diz o texto.

Além disto, a ação pretende mostrar que a produção de etanol a baixos custos para os Estados Unidos - motivo da visita de George W. Bush ao Brasil - beneficia apenas ao agronegócio, em detrimento dos interesses da sociedade brasileira e das necessidades da maioria da população. “Queremos mostrar ao povo brasileiro as conseqüências nefastas de transformar o país em grande produtor de etanol”, afirmam em nota. Nesse sentido, as mulheres trabalhadoras também rechaçam a presença de Bush no país.

Na nota, as mulheres da Via Campesina defendem a adoção de um outro modelo agrícola, que privilegie o pequeno agricultor – responsável pela produção de boa parte dos alimentos – e que efetive uma reforma agrária que modifique a estrutura fundiária do país e que garanta a soberania alimentar do povo.

A usina Cevasa fica no km 378 da Rodovia Candido Portinari, que liga Franca a Ribeirão Preto.

Histórico

A partir dos anos 70, após "crise" mundial do petróleo, a indústria brasileira da cana-de-açúcar passa a produzir combustível, o que justificaria sua manutenção e expansão. O mesmo ocorre a partir de 2004, com o novo Pró-Álcool, que serve principalmente para beneficiar o agronegócio.

O governo brasileiro passa a estimular também a produção de biodiesel, principalmente para garantir a sobrevivência e a expansão de grandes extensões de monocultivo da soja. Para legitimar essa política e camuflar seus efeitos destruidores, o governo estimula a produção diversificada de biodiesel por pequenos produtores, com o objetivo de criar o "selo social". As monoculturas têm se expandido em áreas indígenas e em outros territórios de povos originários.

Em fevereiro de 2007, o governo estadunidense anuncia seu interesse em estabelecer uma parceria com o Brasil para a produção de agrocombustíveis, caracterizada como principal "eixo simbólico" na relação entre os dois países. Essa é claramente uma face da estratégia geopolítica dos Estados Unidos para enfraquecer a influência de países como Venezuela e Bolívia na região. Também justifica a expansão de monocultivos da cana, soja e palma africana em todo o território latino-americano.

Mulheres fazem marcha no Piauí e no Ceará

Com o lema “Mulheres Camponesas na Luta por Soberania Alimentar e Contra o Agronegócio”, centenas de mulheres da Via Campesina marcharam ontem, 8 de março – Dia Internacional da Mulher, no Piauí e no Ceará. Além das pautas específicas da luta feminista, elas protestaram também contra o neoliberalismo e a presença do presidente George W. Bush no Brasil.

No Piauí, um ato unificado de entidades da cidade e do campo, reuniu 500 mulheres. Elas fizeram uma marcha pela região central de Teresina. Depois de passar pela Assembléia Legislativa, as manifestantes ocuparam o palácio do governo do Estado e foram recebidas pelo governador Wellington Dias (PT). Na audiência, as mulheres dos diversos setores apresentaram uma pauta de reivindicação que trata de temas como educação, saúde, previdência e Reforma Agrária.

Também na manhã de ontem, 400 mulheres de diversos movimentos sociais, marcharam em defesa da comunidade de Goiabeiras. Os moradores estão sendo ameaçados de despejo por um projeto paisagístico do governo do Estado do Ceará que é financiado pelo Banco Mundial, o Costa Oeste. À tarde, as trabalhadoras participaram de um ato da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) em frente a uma loja do Mc Donalds, no centro de Fortaleza. Lá queimaram bandeiras e distribuíram alimentos regionais.

Mulheres ocupam prefeitura de Aliança, em Pernambuco

Dando início as manifestações que vão marcar a semana da mulher, cerca de duzentas trabalhadoras rurais da Zona da Mata Norte de Pernambuco, ocuparam, na manhã de ontem, dia 5, a prefeitura de Aliança, a 48 quilômetros do Recife. A ocupação, que tem como objetivo protestar contra as péssimas condições de saúde e educação nos assentamentos da zona rural da cidade, permanece até o momento.

As trabalhadoras rurais, em sua grande maioria ligada a Via Campesina MST e CPT) e ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aliança, estão aguardando a chegada do prefeito para serem atendidas. A proposta do prefeito Carlos Freitas de ser formada uma comissão das mulheres para
dialogar com a prefeitura não foi acatada pelas trabalhadoras, que mantiveram a posição de realizar uma grande plenária na Câmara de Vereadores da cidade.

Na pauta das trabalhadoras estão reivindicações por maior acompanhamento das/os Agentes de Saúde nas áreas, pela chegada de núcleos móveis de atendimento em saúde nos assentamentos, pela garantia de transporte escolar para as crianças da zona rural e pela construção de escolas nas áreas não assistidas pelas atuais escolas municipais.

Mulheres plantam sementes em Usina em Pernambuco

Cerca de 250 mulheres trabalhadoras rurais da Via Campesina entraram na manhã de hoje, dia 7, no Engenho São Gregório, no município de Gameleira, Zona da Sul Norte de Pernambuco. Em protesto contra a expansão do agronegócio na região, as trabalhadoras arrancaram parte da plantação de cana-de-açúcar e plantaram em seu lugar, sementes de milho e feijão. Em seguida colocaram fogo na cana-de-açúcar. A ação aconteceu por volta da 5 horas da manhã.

O Engenho faz parte da Usina Estreliana, e já foi desapropriado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para fins de Reforma Agrária. Mas a Usina entrou com ação judicial contestando a imissão de posse e voltou a plantar cana-de-açúcar na área.

Na metade da manhã as mulheres desocuparam a Usina e seguiram para a BR 101, onde realizam o bloqueio da rodovia. Desde que as mulheres entraram na área, carros da Usina e da Polícia Militar estão rondando o local, em clara atitude de ameaça.

O ato das mulheres de Via Campesina é um protesto contra a monocultura de cana-de-açúcar e em favor da produção de alimentos e da agricultura camponesa. A ação faz parte das mobilizações da Jornada de Luta das Mulheres Camponesas pela Soberania Alimentar e Contra o Agronegócio, com atividades previstas até o dia 8 de março.

Mulheres realizam vigília em frente à Nortox no Paraná

Com o lema “Mulheres Sem Terra em Defesa da Vida, da Água, da Biodiversidade e da Soberania Alimentar”, neste dia 8 de março, mais de 700 mulheres do MST, realizam vigília em frente a empresa brasileira de produtos agroquímicos Nortox no Paraná, em protesto ao avanço do agronegócio, a produção de transgênicos e agrotóxicos.

A mobilização teve início às 13 horas e vai até o final da tarde. Com o protesto, as mulheres querem chamar a atenção da sociedade para a necessidade de uma agricultura que produza alimentos saudáveis, sem agrotóxicos e transgênicos. Além de alertar para os prejuízos que empresas como a Nortox causam a saúde e ao meio ambiente.

A empresa é produtora de herbicidas e inseticidas, e umas das principais responsáveis pela produção do glifosato pós-emergente, usado na cultura da soja transgênica, que envenena os alimentos consumidos pela população e contamina o solo e os lençóis freáticos da região, provocando a destruição da natureza e da biodiversidade. No Paraná a empresa está localizada no município de Arapongas, próximo ao distrito de Aricanduva, onde vivem aproximadamente 2.000 mil pessoas, que permanentemente estão expostas à contaminação dos seus produtos químicos.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), atualmente a agricultura familiar é responsável por 70% da produção dos alimentos consumidos pela população brasileira. Paralelo ao ato, as Mulheres Sem Terra estão distribuindo um manifesto em defesa da vida, da agroecologia e da soberania alimentar. “Lutamos pela produção de alimentos agroecológicos para nossas famílias e o povo brasileiro, pela preservação das sementes e da água”, afirma o documento.

Além de combater o modelo do agronegócio, que envenena a terra e destrói o meio ambiente, o manifesto é contra o patenteamento das sementes, a produção de sementes transgênicas, o uso de agrotóxicos na agricultura, além de todas as formas de violência contra as trabalhadoras e trabalhadores, produzidas pelas relações do capitalismo.

O ato também repudia a visita do presidente dos Estados Unidos George W. Bush ao Brasil, que a acontece hoje, e a interferência do império norte-americano no país. As atividades fazem parte do dia internacional da mulher. No Paraná, desde terça-feira, dia 6, trabalhadoras do MST estão participando da Jornada de Luta no assentamento Dorcelina Falador, em Arapongas.

Na Bahia, mulheres organizam o 7° Acampamento

Terminou ontem, dia 8, o 7° Acampamento de Trabalhadoras Rurais e Indígenas na Bahia. Desde segunda-feira, dia 5, cerca de 1.200 mulheres estiveram acampadas na antiga sede da Petrobras, em Salvador. Elas organizaram oficinas, atividades culturais e debates sobre gênero e soberania alimentar. O encerramento aconteceu à tarde, com uma marcha pela cidade de Salvador, que reuniu diversos outros movimentos em um protesto contra a presença de George Bush no Brasil.

Ontem pela manhã, as mulheres participaram de uma audiência pública com alguns secretários estaduais para cobrar políticas públicas específicas para as mulheres. Elas também se reuniram com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), pra quem elas entregaram uma carta manifesto com as reivindicações.

No primeiro dia de acampamento, elas realizaram uma análise de conjuntura, que contou com a participação de duas companheiras indígenas do MST de Cochabamba, Bolívia. As bolivianas participam de um intercâmbio no Brasil, organizado pela Ong suíça E-Changer.

Na terça pela manhã, mulheres também fizeram uma plenária sobre violência contra a mulher, que contou com a presença de Nalu Faria, da Marcha Mundial de Mulheres. À tarde foi realizado um debate sobre soberania alimentar. Os dois temas foram também debatidos nas 55 oficinas realizadas durante toda a quarta-feira. A parte lúdica, ficava para o período da noite, com apresentação de bandas e forró e recitais de poesia.

“Foram espaços muito ricos, com a presença de vários movimentos de mulheres. A participação das companheiras foi muito positiva”, avaliou Célia Alldridge, voluntária que atua no setor de gênero do MST na Bahia. Entre as participantes, mulheres trabalhadoras rurais do MST, do Movimento de Trabalhadores Acampados e Assentados da Bahia (Ceta) e indígenas.

No Maranhão, mulheres protestam contra Bush e o agronegócio

Diversas organizações de mulheres do campo e da cidade se unificam no Maranhão para lutar contra a expansão do agronegócio e contra a presença do presidente estadunidense George W. Bush no Brasil. Elas também reivindicam políticas públicas específicas para as mulheres, nas áreas de saúde, educação e segurança, entre os quais a execução da Lei Maria da Penha*.

Mais de 500 pessoas protestam em frente ao Palácio dos Leões (governo estadual). Elas aguardam uma audiência com o governador Jacson Lago (PDT). As mulheres pretendem entregar ao chefe do executivo estadual uma carta contendo as reivindicações dos movimentos. Ao final do ato elas vão queimar o boneco do presidente George Bush.

“No nosso estado o agronegócio está avançando bruscamente. Hoje a maior parte das lavouras é de eucalipto, soja e cana-de-açúcar. A presença de Bush no nosso país tem um valor simbólico muito grande, já que ele é o grande representante do neoliberalismo. Queimar o boneco dele significa que estamos contra a tudo que ele representa, inclusive, o agronegócio”, afirmou Maria Divina Lopes, dirigente estadual do MST.

Pela manhã de hoje, dia 8, as mulheres fizeram uma grande marcha pela cidade de São Luiz. Às 8 horas da manhã, elas partiram da Praça Deodoro e seguiram até o Palácio da Justiça, onde fizeram o enforcamento do boneco do Bush. Ironicamente, durante o enforcamento um grupo de turistas estadunidense passou pelo local. Eles registraram o acontecimento em fotos e disseram que nos EUA a cada 10 norte-americanos, 8 são contra Bush.

As mobilizações começaram ontem, dia 7, no acampamento montado no Sindicato dos Bancários do Maranhão. Lá as mulheres organizaram uma série de debates sobre temas que afetam as trabalhadoras do campo e da cidade. O principal debate foi travado em torno do agronegócio e suas conseqüências para os trabalhadores e para o campo. “Nosso estado tem que produzir alimentos para alimentar sua população e não para mandar para fora do país”, afirmou Divina. Na noite de ontem houve uma exposição áudio-visual sobre o Impacto dos Grandes Projetos no Maranhão e no Brasil, do fotógrafo Robson de Oliveira.

Segundo Divina a mobilização tem um significado muito importante para o estado, uma vez que, conseguiu unificar trabalhadoras de diversos movimentos e organizações. “Já havia tempo que não fazíamos uma mobilização grande como essa em conjunto”, disse. Agora, segundo ela, o objetivo é dar continuidade as atividades iniciadas nas mobilizações do 8 de Março para que o movimento de mulheres ganhe ainda mais força. Ao todo 15 organizações participaram da articulação da Jornada das Mulheres, entre elas o MST, a Assema, a Fetaema, os Movimentos Quilombolas, a CUT, o Comeruc e o Movimento GLBT-MA.

Saiba mais

A Lei da Maria da Penha entrou em vigor em setembro de 2006 e aumenta o rigor das punições das agressões contra a mulher. Além disso, possibilita que os agressores sejam presos em flagrante, acaba com as penas alternativas e aumenta o tempo máximo de prisão, que era de três anos. O nome da lei homenageia a mulher que, agredida durante seis anos por seu companheiro, teve sua vida ameaçada por ele por duas vezes. Ela ficou tetraplégica. O marido só foi punido 19 anos depois e cumpriu pena por apenas dois.

Prédio do BNDES é ocupado por mulheres do MST no RJ

Cerca de 150 trabalhadoras rurais, sindicalistas e militantes feministas e trabalhadoras rurais Sem Terra ocuparam na manhã de hoje, dia 7, a sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. A ação faz parte da Jornada de Luta das Mulheres Camponesas pela Soberania Alimentar e Contra o Agronegócio, promovida pelas mulheres Sem Terra em todo o país. A ocupação ocorreu por volta das 11 horas.

As mulheres denunciam que o banco tem aumentado seus investimentos em energia, principalmente na área de biocombustíveis, em detrimento de uma ação consistente para financiar a agricultura familiar e os assentamentos rurais. “O BNDES financia comida para gado e matéria-prima para papel, mas não investe na produção de alimentos de forma limpa e agroecológica”, afirmou a integrante da direção do MST, Nívia Régis.

Em nota elas afirmam que a ocupação é uma forma de protestar contra o atual modelo de exploração baseado no agronegócio financiado por bancos públicos, em especial o Banco do Brasil e o BNDES. “Por isso, ocupamos este prédio para que este banco se volte para a agricultura familiar”, afirma o documento.

Segundo o documento o BNDS desembolsou em 2005 e 2006 aproximadamente R$ 3,3 bilhões para projetos de plantio de cana-de-açúcar e para a construção de usinas. Até 2012, o banco pretende liberar R$ 10 bilhões para o setor. Para comparar, no ano passado, o Governo federal aplicou o mesmo valor na agricultura familiar, enquanto o agronegócio recebeu R$ 50 bilhões.

As mulheres só pretendem deixar o local após serem recebidas pelo presidente da instituição Demian Fiocca para debater sua pauta de reivindicações que inclui crédito para agroindústrias e subsídio voltado para a produção de alimentos nos assentamentos da Reforma Agrária.

Elas também afirmam que é preciso superar o atual modelo de produção, o que passa pela realização de ampla Reforma Agrária e pela eliminação do latifúndio. Além da luta pela terra as mulheres exigem a construção de um novo modelo, baseado na agricultura camponesa e na agroecologia, com produção diversificada e prioridade para o mercado interno. “Exigimos, além da terra, o respeito ao meio ambiente, à biodiversidade, à educação, à saúde e à alimentação”, concluem.

Leia na íntegra a Carta à Sociedade

Trabalhadoras fazem protestos na BR 101 em Sergipe

Durante a manhã de hoje, dia 6, dezenas de trabalhadoras do MST fecharam dois pontos da BR 101 em Sergipe. Um grupo ficou no município de Maruim, na região norte do estado, enquanto outro aproveitou para distribuir panfletos município de Estância, região sul. As manifestações na BR aconteceram durante toda a manhã e terminaram por volta das 12 horas. De lá elas seguem, ainda hoje, para o acampamento na praça Ranufo Prata, onde se reúnem as demais trabalhadoras acampadas.

O acampamento armado na praça Ranufo Prata, antiga praça da Cruz Vermelha é parte da programação do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Centenas de trabalhadoras de diversas regiões urbanas e rurais de Sergipe já estão acampadas na capital Aracajú. Lá elas realizam atividades lúdicas e políticas até o dia 8 de março.

Acampamento

Durante o acampamento serão realizados estudos sobre o agronegócio e debates sobre a organização política e projetos produtivos para as mulheres. Na quarta-feira, dia 7, será realizada uma Audiência Pública com as autoridades do Governo do Estado e na quinta-feira, dia 8, uma caminhada pelas principais ruas da capital. A caminhada tem previsão para começar às 8 horas e pretende reunir trabalhadoras do campo e da cidade. Às 11 horas haverá um ato público na praça Fausto Cardoso.

O Nordeste brasileiro é dos palcos da ofensiva capitalista no campo, que pode ser verificada principalmente com a expansão da cana-de-açúcar. Na contramão dessa ofensiva estão as famílias agricultoras rurais, obrigadas a abandonar a vida no campo. E é nessa perspectiva que o lema deste ano da jornada das mulheres é “Mulheres na Luta pela Soberania Alimentar, Contra o Agronegócio”.

“Hoje são cerca de 13 mil famílias em todo estado lutando pela terra. Por isso a gente se une a essa jornada de luta nacional contra o agronegócio, por que entendemos que ele é um entrave a Reforma Agrária e prejudica o meio ambiente”, afirma Valdinéia Silva dirigente do MST.

Segundo Valdinéia, enquanto faltam recursos para manter os projetos que geram renda para as mulheres e suas famílias, milhões de reais são destinados ao agronegócio e aos grupos empresariais. “Por isso nossa luta é contra o agronegócio que explora e expropria as trabalhadoras e trabalhadores rurais”, completa.

Entre as pautas reivindicadas pelas mulheres estão: agentes de organização e formação dos grupos de mulheres; projetos produtivos (infra-estrutura física, material e capacitação técnica para produção, gestão e comercialização); centros de comercialização de artesanato; cirandas Infantis (Creches) e; Programas de saúde da mulher e contra violência.

As mobilizações estão sendo organizadas pelos movimentos da Via Campesina (MST, MPA e MAB) e apoiada pela Coordenação dos Movimentos Sociais em Sergipe, que reúne CUT (sindicatos filiados), DCE/UFS, entre outros.

Trabalhadoras rurais são despejadas de ocupações no RS

As trabalhadoras rurais Sem Terra que haviam ocupada a área da empresa Aracruz Celulose, em Eldorado do Sul (RS) foram despejados ontem, dia 8, pela brigada militar da região, sem nenhum mandado oficial de desocupação. As trabalhadoras de outros três latifúndios, ocupados na última terça-feira, também sofreram despejo na tarde de ontem.

As áreas ocupadas pertenciam as transnacionais Aracruz Celulose, Votorantim, Stora Enso e Boise, que possuem diversas áreas na região da bacia hidrográfica do Rio Guaíba, todas destinadas à produção de eucalipto para celulose. É uma região rica em água doce, com fácil escoamento pela proximidade com o Oceano Atlântico e com a capital do estado, Porto Alegre.

Antes da desocupação, alguns trabalhadores já haviam sido presos, no dia 6, quando saíram da área para buscar água potável para mulheres e crianças. Eles haviam negociado a saída com membros da brigada militar, que não cumpriram o acordo. No local não havia água potável, sendo um pequeno açude, a única fonte de água para as famílias.

Mulheres e crianças passaram a ferver a água do açude para beber. Além disso, por duas vezes, no dia 6, sem nenhum mandado sobre desocupação, a brigada investiu contra as mulheres e crianças, criando um clima de medo. Em uma das investidas, a cavalaria fez uma ofensiva contra as trabalhadoras, na tentativa de intimidá-las. Mas com a resposta e o enfrentamento das mulheres, os policias da brigada foram obrigados a recuar.

Em nota a Via Campesina, alegou que os fatos demonstram a organização e a capacidade das mulheres de irem para o enfrentamento ao capital transnacional, exigindo que as terras sejam prioritariamente cultivadas com alimentos para o povo brasileiro, e não com celulose para exportação.

As mulheres exigem Reforma Agrária, igualdade nas relações de gênero, fim da violência contra a mulher e fim da proteção estatal sobre as empresas que promovem o “deserto verde”. “Nós defendemos um projeto de agricultura camponesa, centrado nas pessoas, nas necessidades humanas, e não na acumulação de lucro de algumas megaempresas”, afirma a nota.

Trabalhadores rurais ocupam sede do Incra na Paraíba

Cerca de 300 trabalhadores ocuparam ontem, dia 5, a sede do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em João Pessoa, Paraíba. Os trabalhadores são provenientes das cidades do Brejo, Curimataú e de Campina Grande. O objetivo da ocupação é pressionar o Incra a realizar a Reforma Agrária no estado.

A meta do Incra para 2006 era de assentar 1.300 famílias, mas apenas 35 famílias foram assentadas até o momento. “Esse número é lastimável, não podemos ficar calados diante desse fato”, disse Dilei Aparecida, dirigente do MST. O Movimento reivindica o assentamento de pelo menos 1.500 famílias em 2007.

Além das famílias Sem Terra, mais de 800 famílias atingidas por barragem também aguardam por moradia na região. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) espera o assentamento de pelo menos 500 famílias este ano.

Além disso, os trabalhadores também reivindicam a liberação de 5 milhões de reais para investimento em infra-estrutura dos assentamentos. A ocupação também visa a garantir as renovações dos convênios ATES e PDAs; o pagamento de retroativos e a ampliação dos recursos do Pronera para turmas de EJA. O Movimento também luta pela garantia de cursos de graduação nas áreas de veterinária, pedagogia, historia e agroecologia nas universidades e cursos profissionalizantes para os assentados.

Com a chegada de mais trabalhadores vindos dos municípios do Litoral Sul e do Agreste, a expectativa é que mais de 500 famílias acampem no interior do prédio.

Via Campesina fecha BR 101 em protesto à Aracruz Celulose no ES

Na manhã do dia 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres, cerca de 500 trabalhadoras da Via Campesina do Espírito Santo, fecharam a BR 101, no trevo Maria Amélia, município de São Mateus, em protesto à empresa Aracruz Celulose, representante do agronegócio no estado. São cerca de 250 mil hectares de plantio de eucalipto, sendo que a maior parte se concentra na região norte no estado, onde aconteceu a mobilização.

A BR 101 foi interditada por 1 hora e meia, a fim de que não pudessem passar as carretas de eucalipto que abastecem a fábrica da Aracruz. “Enquanto a monocultura do eucalipto se expande no estado, não há investimentos para a agricultura camponesa. Além disso, a Aracruz Celulose ocupa várias terras devolutas que deveriam ser destinadas à reforma agrária”, afirma Ednalva Moreira Gomes, integrante da direção do MST.

“Queremos dialogar com a sociedade que o agronegócio traz miséria e desemprego, não só para o campo, mas também para a cidade. Isso é percebido pelas condições sócio-econômicas dos municípios do norte do estado, onde se concentram a Aracruz Celulose com a monocultura do eucalipto e a Disa com a monocultura da cana”, explica Soraya Reis, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

Após a mobilização na BR, as mulheres saíram em caminhada para o centro de São Mateus, onde fizeram panfletagem e um ato público. Participaram da atividade mulheres de diversos municípios do norte capixaba, como Montanha, São Gabriel da Palha, Vila Valério, Pedro Canário, Nova Venécia, Linhares, Jaguaré e São Mateus.

A ação também reivindicava a demarcação das terras indígenas e quilombolas, atualmente em posse da empresa.

Via Campesina ocupa mineradora da Vale do Rio Doce em BH

A Via Campesina fechou na manhã de hoje, dia 7, a entrada da mina Capão Xavier, da empresa Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), do complexo de usinas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), na região metropolitana de Belo Horizonte, MG. Mais de 600 mulheres participam da ação em protesto contra as empresas transnacionais e o sistema financeiro, que juntos, buscam o controle dos recursos naturais do país, como os minérios e as terras.

Com a chegada da Polícia Militar a situação ficou tensa. Por volta das 8horas policiais militares efetuaram disparos em direção às mulheres, deixando três feridas e uma grávida com ameaça de aborto.

Segunda maior produtora de minério de ferro do Brasil e uma das cinco maiores exportadoras do mundo, a MBR é controlada pela CVRD, que detém indiretamente 90% do seu capital. Outros 10% são de acionistas japoneses.

As mulheres defendem que os elementos da natureza são a base da vida, riquezas que não têm preço e, por isso, não são mercadorias. “Em nome do desenvolvimento, do progresso e da modernidade, o capitalismo avança sobre o mundo, desrespeitando quaisquer limites e leis, colocando em risco a vida de todos os seres vivos, inclusive da humanidade”, diz o manifesto da entidade sobre a ação.

A ocupação faz parte da jornada de lutas nacional das mulheres da Via Campesina, que tem como lema “Mulheres Camponesas na Luta por Soberania Alimentar e contra o Agronegócio”. Elas denunciam também que as mineradoras poluem as águas, degradam a natureza e ainda desalojam inúmeras famílias com a construção de barragens.

Em nota, elas questionam a privatização da CVRD, empresa avaliada por R$ 40 bilhões e vendida ao sistema financeiro, tendo à frente o Banco Bradesco, por apenas R$ 3,7 bilhões. O lucro da mineradora supera os R$ 10 bilhões anualmente.

“O domínio imperialista estadunidense, representado pelo presidente George W. Bush, que desrespeita os direitos humanos com a promoção da guerra, desrespeita a legislação ambiental internacional ao rejeitar o tratado de Kyoto, ao mesmo tempo em que suga as riquezas naturais e tecnológicas e subordina os países pobres ao pagamento da dívida externa”, sustenta a nota que divulga a ocupação.