Em Brasília, sessão solene lembra impunidade

Os dez anos do massacre em Eldorado do Carajás (PA) e o Dia Internacional de Luta Camponesa foram lembrados hoje durante sessão solene realizada pela manhã na Câmara dos Deputados. A sessão solene foi uma proposição da deputada federal Luci Choinacki, (PT/SC) e do deputado federal Adão Pretto (PT/RS).

Marina dos Santos, integrante da Direção Nacional do MST, participou de sessão solene na Câmara e disse que há um sentimento de indignação pelo "clima de impunidade". Até hoje, ninguém está preso pelos assassinatos. “Clamamos por justiça e todos sejam punidos. Não só o comandante da operação”, declarou Marina.

Hoje, são mais de 75 sobreviventes que precisam de atendimento médico, psicológico, cirurgias, fisioterapia e uma maneira digna de sobrevivência. Existe uma decisão judicial desde 1999 que prevê o atendimento dessas pessoas e não é cumprida por parte do Estado e esses mutilados seguem lutando para que a justiça seja feita.

"É difícil acreditar que dez anos depois do Massacre existam pessoas com balas ainda alojadas no corpo, pessoas que não podem andar ou trabalhar pela sua falta de saúde. É necessário o Estado Brasileiro resgatar essa dívida social e oferecer condições para que essas pessoas possam ter seus direitos garantidos. Precisamos evitar que fatos como esse se transformem em mais uma forma de eliminação dos mais empobrecidos”, disse Marina.

À tarde, está previsto lançamento do livro "Marcha Interrompida", de Pedro César Batista. Ao final das atividades, os integrantes do MST vão plantar 19 árvores na área externa da Câmara Legislativa do DF, em memória dos trabalhadores mortos.