Ao longo destes 25 anos, realizamos mais de 2,5 mil ocupações de latifúndios com cerca de 370
mil famílias - hoje assentadas nos 7,5 milhões de hectares conquistados. Mais do que a terra, nossas famílias organizadas conquistaram crédito para a produção, garantia do acesso à saúde, mais de 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos. Alfabetizamos mais de 50 mil adultos e jovens nos últimos anos, construímos mais de 400 associações e cooperativas, além de 96 agroindústrias, que produzem alimentos sadios e com baixo preço na cidade. E a luta pela distribuição da terra persiste nos mais de 900 acampamentos com 150 mil famílias Sem Terra no Brasil. E para isso, cada um dos 24 estados do Brasil onde o MST está organizado mobilizou os trabalhadores e trabalhadoras para enfrentar o inimigo, ocupar latifúndios, construir alianças com sindicatos, poder público e outras organizações. E seguimos na luta! Viva o MST!
Espírito Santo
Tendo em vista a decisão política de levar o MST para o Espírito Santo e o esgotamento da tática das
negociações com o governo, em outubro de 1985, cerca de 300 famílias Sem Terra realizaram a
primeira ocupação do Movimento no estado. Foi na Fazenda Georgina, no município de São Mateus.
Despejadas no terceiro dia de ocupação, as famílias foram transferidas para outra área.
“Enquanto algumas mulheres e jovens cantaram o lamento daquela situação, policiais choraram, porque tinham que desmanchar os barracos, já que os acampados cruzaram os braços e eles tinham que cumprir ordens”, relatou um líder do acampamento. Passados cinco meses, as famílias conquistaram quatro assentamentos, um deles na própria Georgina. Hoje, a luta por Reforma Agrária no estado se dá principalmente no enfrentamento com as transnacionais, como é o
caso da empresa Aracruz Celulose, que encabeça a monocultura de eucalipto no estado.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, o MST luta contra a morosidade da realização da Reforma Agrária, que vem se
agravando com o fortalecimento do agronegócio. Há casos de acampamentos com dez anos de
existência e uma série de áreas que permanecem na condição de préassentamentos. Além disso, a maioria dos agricultores familiares do estado nunca teve acesso às políticas públicas de sustentação da produção, nem mesmo de educação, saneamento básico e saúde. O Setor de Saúde do
MST-RJ, por exemplo, formou em 2007 a primeira turma do Curso de Práticas Alternativas e Tradicionais em Saúde. O objetivo foi capacitar agentes comunitários, provenientes de
28 áreas de assentamentos e acampamentos, em práticas da medicina tradicional chinesa e fitoterapia, o que já impulsionou a criação de hortas medicinais. Para garantir a autosustentação
e continuidade da atividade, são vendidos produtos fitoterápicos e fitocosméticos, elaborados pelos
próprios educandos do curso.
Paraná
Mais de 17,5 mil famílias foram assentadas nos 25 anos do MST no estado. Um exemplo histórico dessa luta foi a desapropriação da Fazenda Giacomet-Marodin, também conhecida como empresa Araupel. A área abrange os municípios de Rio Bonito do Iguaçu, Nova Laranjeiras e Quedas do Iguaçu. Essa ocupação — a maior da América Latina — ocorreu em abril de 1996, com mais de três mil famílias e foi registrada pelas lentes do fotógrafo Sebastião Salgado. Após a ocupação, a fazenda, fruto de grilagens de terra, era permanentemente vigiada por pistoleiros, que aterrorizavam as famílias. Em 1997, os Sem Terra Vanderlei das Neves e José Alves dos Santos foram mortos numa emboscada dentro da área. Oito anos depois, a fazenda foi transformada em
quatro assentamentos: Ireno Alves dos Santos, Marcos Freire, Celso Furtado e Dez de Maio. Hoje, os assentados produzem, principalmente, milho, soja, feijão, arroz e leite para o autoconsumo
e abastecimento do mercado local. (Solange Engelmann)
Paraíba
Em abril de 1989, 200 famílias ocuparam a Fazenda Sapucaia, em Bananeiras. Foi em 1998, com uma
marcha que saiu do sertão em direção à João Pessoa, que o MST adquiriu força no estado e se expandiu para as regiões do sertão Curimataú e Cariri. Foi o primeiro estado no Nordeste a
conquistar cursos na universidade. Hoje, são mais de 2, 4 mil famílias acampadas em 54 acampamentos no estado e 2, 5 mil famílias assentadas. (Neto Barbosa)
São Paulo
O ano era 1993. Após meses de preparação, o MST se organizava para ocupar mais um latifúndio no
estado de São Paulo. Na madrugada de 9 de outubro, 2,7 mil famílias ocuparam a fazenda
Jangada, uma área de 5.396 hectares, localizada no município de Getulina. Após 40 dias, as famílias
sofreram um despejo violento, numa ação policial de proporções nunca vistas: oito mil homens. Apesar da brutalidade policial, os Sem Terra não desistiram e continuaram em luta na região por mais dois anos. A fazenda foi desapropriada, no entanto, a situação foi revertida na justiça. Sem a possibilidade de serem assentadas em Getulina, asfamílias se deslocaram para outras regiões do estado. A ocupação da fazenda Jangada é um marco na luta pela terra em São Paulo, pois a sua repercussão possibilitou o acesso do MST às cidades, formou militantes e ampliou o leque de alianças. O MST saiu dessa ação fortalecido, mostrando seu potencial de mobilização e a
necessidade da Reforma Agrária. Atualmente, 12 mil famílias estão assentadas em todo o estado.
(Eduardo Carmo e Camila Bonassa)
Santa Catarina
O Movimento no estado iniciou uma série de ocupações, com cerca de 5 mil famílias, após
o 1º Congresso Nacional dos Sem-Terra. Só no dia 25 de maio de 1985, numa articulação
simultânea, 1,7 mil famílias ocuparam áreas em 7 cidades. Após muita pressão e ocupação da
sede do Incra, 11 fazendas foram desapropriadas para a Reforma Agrária, sendo assentadas 1,3 mil famílias. Foi um dos episódios mais emblemáticos da luta do MST no estado. Entre as muitas
conquistas dos Sem Terra catarinenses está a produção organizada em agroindústrias. Conservas doces e salgadas, leite, queijo e erva-mate são produzidos e vendidos com a marca Terra
Viva por meio da Cooperoeste (Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo
Oeste Ltda). Criada em 1996, por 120 assentados da Reforma Agrária, a cooperativa é hoje uma
das grandes produtoras de leite da Região Sul do país.
Ceará
Em 1988, militantes cearenses se somaram à luta de outros estados para construírem o MST local. Assim, uma comissão provisória foi formada e encontros municipais e estaduais realizados. Em quatro meses de trabalhos de base e reuniões, conseguiram reunir cerca de 450 famílias.
Em maio de 1989, 300 delas ocuparam a Fazenda Reunidas São Joaquim, em Quixeramobim. Nove dias depois, estas e outras 200 famílias foram assentadas. Em setembro, outras 800 estavam prontas paraocupar a Fazenda Tiracanga. Mas os latifundiários organizados na UDR já estavam mobilizados e bloquearam parte das famílias na estrada. Mesmo assim, 600 conseguiram entrar. Uma das conquistas mais antigas do MST-CE é o Assentamento 25 de Maio, em Madalena, que celebra 20
anos de existência em 2009. Cerca de 425 famílias moram ali. Hoje, o 25 de Maio é o maior produtor de ovinos e bovinos da região, e é também o maior produtor de mamona do município.
Maranhão
Em julho de 1993, movidos pelo ascenso da mobilização social e da esquerda na década de 80,
movimentos camponeses do Maranhão realizaram a “Marcha Estadual das Organizações do
Campo”. A mobilização, que ficou conhecida como “Caminhada da Esperança”, atraiu militantes da
CUT, PT, PCdoB, PSB, CPT, além de pastorais e ONGs. Cerca de 12 mil trabalhadores caminharam 250 km de Vitória do Mearim a São Luis. A “Caminhada da Esperança” foi um marco para a consolidação do MST/MA, pois aquele era um momento de grande tensão no campo, devido aos
massacres e assassinatos promovidos pela ação criminosa da União Democrática Ruralista (UDR).
(Reynaldo Costa)
Goiás
Derivados também do 1º Congresso Nacional do MST, os trabalhos de organização do Movimento em Goiás se deram por uma articulação entre a CPT, sindicatos rurais e a CUT. A primeira ocupação de terra realizada no estado foi a da Fazenda Mosquito, em 1985. Depois de uma série de despejos e
negociações, 36 famílias foram assentadas na fazenda. Em 1986, o MST goiano realizou seu primeiro encontro e elegeu a Coordenação Estadual. A esta altura, já havia organizado comissões e grupos de famílias em 30 municípios do estado. Hoje, 4 mil famílias do Movimento moram em
cerca de 20 acampamentos em Goiás. O estado, atualmente, é um dos que mais registra conflitos no campo, principalmente devido à expansão do agronegócio na Região Centro-Oeste.
Rondônia
Quando os participantes de Rondônia retornaram do Congresso Nacional, em 1985, se iniciaram
os trabalhos de base junto às famílias Sem Terra no estado. Daquele ano em diante, a luta pela
terra foi se demonstrando cada vez mais difícil. Grandes áreas de posse foram griladas por latifundiários, empresas e comerciantes. Neste cenário, posseiros e Sem Terra passaram a
buscar formas de resistência, enfrentando sempre a repressão de policias e jagunços. Em 1986, 1,5 mil famílias de posseiros expulsos de suas terras conquistaram 61 mil hectares, em Porto Velho e Colorado d’Oeste. Em agosto daquele mesmo ano, o MST organizou seu 1º Encontro Estadual, onde foram definidas suas formas de luta e formação de grupos de famílias para ocupações. Há hoje no estado, cerca de 50 assentamentos do Incra, porém a maioria ainda luta por infra-estrutura básica.
Rio Grande do Sul
“Não deixem os pés sujos dos sem terra pisarem na nossa cidade”, dizia o panfleto dos latifundiários, atendidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que, em 2003, impediu a desapropriação da fazenda Estância do Céu, então propriedade de Alfredo Southall no município de São Gabriel. Depois de cinco anos de marchas e ocupações, a terra foi finalmente conquistada, assentando mais de 600
famílias, que injetarão mais de R$ 20 ilhões na economia local e produzirão alimentos numa área pretendida pelo agronegócio para produção de celulose. O mais recente assentamento conquistado pelo MST está no estado onde a luta por Reforma Agrária foi retomada durante a ditadura militar e
homenageará Sepé Tiarajú, primeiro mártir da luta pela terra da história do Brasil. (Miguel Stedile)
Bahia
No extremo sul da Bahia, a CPT já promovia a articulação das lutas locais. Militantes de Santa Catarina foram para lá em 1985 para ajudar a reunir e organizar as famílias Sem Terra. Em
janeiro de 1986, foi realizado o 1º Encontro Estadual, de onde se tirou o consenso de que a Reforma Agrária só seria realizada com os trabalhadores organizados. Um ano e meio depois do
Encontro, 600 famílias estavam engajadas no MST e 450 participaram da primeira ocupação em uma fazenda de cinco mil hectares em Prado. A área já estava desapropriada e pertencia à antiga Companhia Vale do Rio Doce, atual Vale. Hoje, a Bahia é um dos estados que tem o maior número de
famílias acampadas: cerca de 25 mil em 240 acampamentos. Em 2007, ocorreram 93 ocupações de terras baianas, mobilizando mais de 18 mil famílias Sem Terra.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, o MST teve origem em 12 de fevereiro de 1988, com 400 famílias ocupando a fazenda Aruega, o que desencadeou o processo de massificação e organização no estado.
Hoje, são cerca de 6 mil famílias, sendo que destas, 1,6 mil já foram assentadas em 42 áreas conquistadas. Hoje, já são 15 brigadas constituídas nas 5 regionais existentes, totalizando
mais de 70 áreas dentro da organicidade do MST. No ano passado comemoramos os 20 anos do Movimento no estado. Minas Gerais está para sempre marcada pelo caso de Felisburgo, onde
15 pistoleiros fortemente armados sob o comando do fazendeiro Adriano Chafik invadiram o acampamento da Fazenda Nova Alegria no dia 20 de novembro de 2004 e mataram 5
trabalhadores, além de deixarem diversos feridos. Após 4 anos de impunidade, a área ainda não teve sua desapropriação definitiva e os assassinos continuam livres. (Alexandre Chumbinho e Dayana Mezzonato)
Pará
Em 1990, em Conceição do Araguaia, aconteceu a primeira ocupação de terra do estado com a ajuda de militantes do Maranhão e do Piauí. Após três anos, parte das famílias ocupou a sede do Incra da cidade, reivindicando a desapropriação da área. O órgão preferiu não negociar com o Movimento, mas o governo federal decidiu em favor das famílias. O Movimento expandiu para a região de Carajás, em 1992, quando sete lideranças do MST estavam presas, acusados de
serem os responsáveis pelas ocupações de Marabá. Nesse mesmo ano, 541 famílias
ocuparam a Fazenda Rio Branco, de 12 mil hectares, em Parauapebas. Depois de um violento despejo, elas levantaram o primeiro acampamento massivo do estado. Em 1993, decidiram reocupar a fazenda e conquistaram a terra. O estado é um dos mais violentos quando o assunto é Reforma Agrária. Em 1996, foi palco do Massacre de Carajás, em que 19 trabalhadores foram mortos pela Polícia Militar. Até hoje, ninguém foi punido pelo crime.
Alagoas
O MST alagoano foi construído a partir da atuação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Inhapi, que esteve presente no 1º Congresso Nacional do Movimento, em 1985. Em outubro do ano seguinte, foi realizado o encontro regional em Inhapi, onde foram discutidas a situação do estado e
as formas de luta. Mas foi no município de Delmiro Gouveia que surgiram as 66 famílias que fariam a primeira ocupação no estado: a da Fazenda Peba, em janeiro de 1987. Após um despejo, no
ano seguinte, e uma nova ocupação, as famílias conquistaram a terra. Segundo dados da CPT, Alagoas ocupa o terceiro lugar no país em casos de violência cometida contra trabalhadores rurais durante ocupações e despejos. O quadro de violência é reflexo da história de dominação do
monocultivo da cana, de concentração de terra e de renda. O estado está entre os maiores produtores de cana-de-açúcar, sendo o quarto produtor do Brasil e o maior do Nordeste.
Tocantins
Atualmente, um dos principais focos da luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra do Tocantins é a construção da Usina Hidrelétrica de Estreito, no Rio Tocantins, na divisa do estado com o Maranhão. A estimativa dos movimentos sociais ligados à Via Campesina, como o MST e o MAB, é de que pelo menos cinco mil famílias serão afetadas pela obra em 12 municípios (dois no Maranhão e dez no Tocantins). A maior parte do financiamento da obra tem como fonte o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além de disputa na Justiça, diversas manifestações têm sido realizadas recentemente pelos militantes da Via atingidos por Estreito, que protestam contra o Consórcio responsável pela usina, composto pelas empresas Suez, Vale, Alcoa, e Camargo Corrêa.
Distrito Federal e Entorno
Em 2009, o MST completa 15 anos na região que abrange o Distrito Federal, o noroeste de Minas Gerais e o nordeste goiano. No DF, especialmente na capital do país, é alto o índice de grilagem de terras públicas por parte de empresários e políticos, em função da grande especulação imobiliária. É nessa conjuntura que o MST faz o embatedireto com os grileiros e luta para que essas áreas sejam desapropriadas. A base organizada Sem Terra da região ajuda ainda a pautar as grandes lutas
do MST. Exemplo recente disso foi a ocupação da Caixa Econômica Federal durante a jornada de lutas de abril de 2008, que resultou na criação de um programa nacional para habitação rural. (Janderson Barros)
Piauí
O Movimento no estado surgiu a partir da articulação entre setores progressistas da Igreja Católica, sindicatos de trabalhadores rurais da microrregião de Picos e agricultores. Antes da ida do MST para a região, os agentes pastorais e outras entidades contribuíam apenas para amenizar os conflitos agrários e não incluíam a ocupação entre as formas de luta. Em junho de 1989, 120 famílias
Sem Terra entraram na Fazenda Marrecas, em São João do Piauí. Foi a primeira ocupação do MST no estado. Não houve despejo e o assentamento foi negociado. Quase 20 anos após a ocupação, o Assentamento Marrecas possui mais de 270 famílias produzindo alimentos para sua sobrevivência e a
economia local. Atualmente o Movimento está organizado em três regionais no Piauí, com 28 assentamentos. São quase 5 mil famílias assentadas e seis áreas com cerca de duas mil acampadas.
Pernambuco
Pernambuco, baluarte das Ligas Camponesas, teve a primeira bandeira do MST cravada em um latifúndio em 1989. Já em 1995, o MST realiza uma das maiores ocupações de terra da sua história, com 2,2 mil famílias: a da fazenda Safra, de propriedade da empresa Etti, localizada em Santa Maria da Boa Vista. Como o acampamento crescia cada dia que passava, o MST resolve ocupar
outras áreas. O acampamento ficou historicamente conhecido como “mãesafra”, por ter sido o primeiro do MST na região que fez nascer tantos outros acampamentos, em uma área hoje
conhecida como “Estrada da Reforma Agrária”. Em outubro de 2008 foi oficialmente criado o Assentamento Safra, com 220 famílias assentadas, que cultivam principalmente frutas (goiaba,
manga, maracujá e maçã). (Cássia Bechara)
Rio Grande do Norte
A construção do MST no Rio Grande do Norte remonta aos anos de 1989, quando lideranças de outros estados começaram os trabalhos na região. Em outubro daquele ano, 20 famílias
ocuparam a Fazenda Bom Futuro, que já havia sido desapropriada, em Janduís. Mesmo após o despejo desta área, as mesmas famílias tentaram ocupar a Fazenda Palestina, em Jucurutu, mas acabaram desistindo. Em 1990, os militantes que estavam atuando no estado buscaram apoio da
CUT, PT e dos sindicatos urbanos. Assim, os trabalhos de base se intensificaram. Daí em diante diversas ocupações se seguiram e, neste período, não faltaram arbitrariedades e demonstrações de força dos latifundiários. Apesar da ofensiva, o MST obteve grandes conquistas no estado, como a de uma fazenda de 31 mil hectares na região de Mato Grande, que reúne hoje vários assentamentos.
Mato Grosso
A atuação do MST no Mato Grosso começou de fato em 1995, quando ocorreu a primeira ocupação de terra. Cerca de mil famílias reivindicavam a desapropriação da Fazenda Aliança, em Pedra Preta. Hoje, uma das principais lutas do Movimento da região é contra o avanço acelerado do agronegócio da soja, que traz desmatamento e pobreza aos trabalhadores rurais. Uma das maiores conquistas do MST no estado é a construção do Centro de Capacitação e Pesquisa Olga Benário (Cecape), no Assentamento Dorcelina Folador, que abriga 33 famílias. O objetivo é que o Centro seja um
espaço de formação e capacitação da classe trabalhadora. A primeira parte da obra já está pronta e inclui quatro salas de aula, um laboratório de informática e outro de Física, Química e Biologia, biblioteca e alojamentos para 200 pessoas, além do refeitório e da cozinha.
Mato Grosso do Sul
O embrião do MST no Mato Grosso do Sul foi a ocupação da Fazenda Idalina, em Ivinhema, em 1984. O fruto da mobilização foi o Assentamento Padroeira do Brasil, em Nioque. Os representantes dos sem-terra do estado haviam participado da fundação do MST em Cascavel (PR) e também
estiveram presentes no 1º. Congresso Nacional, em Curitiba. A partir de 1990, o Movimento expandiu-se por todo o estado e hoje são mais de 3,5 mil famílias acampadas. A maioria está entre
seis a dez anos vivendo embaixo da lona preta. Atualmente, centenas de famílias estão em áreas de pré-assentamento, esperando o parcelamento da área por parte do Incra. Os assentados também
enfrentam inúmeros problemas por conta da morosidade na Reforma Agrária, que enfrenta a força do latifúndio aliado ao agronegócio.
Sergipe
A formação do MST de Sergipe começou com a participação de nove representantes no 1º Congresso Nacional, em 1985. Os conflitos de terra estavam em efervescência, especialmente nas regiões de Própria e Pacatuba. Já em setembro do mesmo ano, com o apoio do MST e da CPT,
300 famílias ocuparam a Fazenda Barra do Onça, em Poço Redondo. No 1º Encontro Estadual, em 1987, em Iatibi, o MST começou a se articular com os movimentos sindicais rural e urbano, a
Igreja e outras instituições. Hoje, são 14 mil famílias acampadas. Em setembro de 2008, elas comemoraram uma importante vitória: 3 mil adultos e jovens do MST receberam os certificados de conclusão do curso de alfabetização, promovido pelo governo federal, por meio do Programa Brasil
Alfabetizado. No total foram assistidos 50 acampamentos e 30 assentamentos. “Não preciso ter mais vergonha por não saber escrever”, diz Maria José dos Santos, de 54 anos, do Acampamento
Antônio Conselheiro, em Canindé do São Francisco.
No início da década de 60, a Fazenda Sarandi foi desapropriada pelo governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, numa ousada proposta de Reforma Agrária, impulsionada pela organização do MASTER – Movimento de Agricultores Sem Terras. Era um período de ascenso da luta de massas, no campo e na cidade, em torno das mudanças estruturais necessárias para o nosso país, as reformas de base. Porém, a organização e a mobilização popular foi violentamente reprimida pelo golpe militar de 1964. As propostas de Reforma Agrária foram suprimidas e o governo militar criou programas de colonização, para avançar a expansão da monocultura para exportação para o norte e se livrar dos camponeses.
Quinze anos depois do golpe, a roda da história voltou a girar no campo. As glebas Macali e Brilhante, que faziam parte do Complexo da Fazenda Sarandi, foram ocupadas numa noite de sete de setembro, retomando a luta pela terra no país. Em 1981, mais famílias sem-terra iniciaram um acampamento na estrada em frente à Macali e Brilhante, era a Encruzilhada Natalino. Nestes acampamentos estava a gênese para a formação de nosso Movimento. Ali se gestava o Movimento Sem Terra. Um novo período de ascenso da luta de massas ocorria em todo Brasil, com a organização dos trabalhadores rurais e urbanos. Já organizados como MST, realizamos a maior ocupação do nosso Movimento naquela época, em outra parte da Fazenda Sarandi: a fazenda Anonni - que se tornou um dos símbolos da luta por Reforma Agrária durante a “Nova República”.
Vinte e cinco anos depois da fundação de nosso Movimento, nos encontramos agora para comemorar um quarto de século de lutas e conquistas. E marcamos este encontro justamente na Fazenda Anonni. Ali, dois períodos históricos de ascenso das lutas de massas se encontram. Ali, convergem os símbolos e história do movimento camponês no Brasil. Voltamos para beber na fonte, como dizem os antigos.
Marcamos este encontro com a herança do movimento camponês, mas também com nossa própria história. Para celebrarmos, mas também lembrarmos dos companheiros e companheiras que não puderam seguir este caminho conosco até aqui. Como Roseli Nunes, símbolo das marchas dos acampados na Anonni; como Teixeirinha, Fusquinha e Doutor; como os mártires de Eldorado de Carajás e de Felisburgo; Antônio Tavares e centenas de trabalhadores Sem Terra assassinados pela violência do latifúndio.
Se estivessem conosco, estariam orgulhosos em saber que nosso Movimento não apenas sobreviveu nestes 25 anos - um feito inédito para um movimento camponês no Brasil -, como estabelecemos uma nova concepção de Reforma Agrária. Muito mais ampla do que apenas democratizar o acesso a terra e extinguir o latifúndio. Nossa luta construiu na prática a democratização do acesso à educação, a saúde, a comunicação e a própria efetivação da democracia.
O Movimento Sem Terra que construímos é responsável pelo assentamento de 370 mil famílias em todo o país. Mas também é sujeito de muitas realizações como 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos que garantem o acesso à educação à mais de 160 mil crianças e adolescentes Sem Terras ou que alfabetizaram 50 mil adultos e jovens nos últimos anos. Ou ainda, nos mais de 100 cursos de graduação em parceria com universidades por todo o Brasil.
Mas, talvez, nossa principal contribuição para a sociedade brasileira esteja em cumprir nosso compromisso em produzir alimentos para o povo brasileiro. Fruto da organização de mais de 400 associações e cooperativas que trabalham de forma coletiva para produzir alimentos sem transgênicos e sem agrotóxicos. E ainda das 96 agroindústrias que melhoram a renda e as condições do trabalho no campo, mas também oferecem alimentos de qualidade e baixo preço na cidade.
Assim, temos um encontro marcado com a História, mas não apenas com o que já realizamos. Que este Encontro - com o que herdamos de dois períodos distintos do ascenso de massas - nos motive. E que possamos, com a unidade com os trabalhadores urbanos, explorando as contradições sociais da atual crise econômica e em torno das medidas estruturais necessárias para nosso país, iniciar um novo e vigoroso ciclo de lutas de massas.
No início da década de 60, a Fazenda Sarandi foi desapropriada pelo governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, numa ousada proposta de Reforma Agrária, impulsionada pela organização do MASTER – Movimento de Agricultores Sem Terras. Era um período de ascenso da luta de massas, no campo e na cidade, em torno das mudanças estruturais necessárias para o nosso país, as reformas de base. Porém, a organização e a mobilização popular foi violentamente reprimida pelo golpe militar de 1964. As propostas de Reforma Agrária foram suprimidas e o governo militar criou programas de colonização, para avançar a expansão da monocultura para exportação para o norte e se livrar dos camponeses.
Quinze anos depois do golpe, a roda da história voltou a girar no campo. As glebas Macali e Brilhante, que faziam parte do Complexo da Fazenda Sarandi, foram ocupadas numa noite de sete de setembro, retomando a luta pela terra no país. Em 1981, mais famílias sem-terra iniciaram um acampamento na estrada em frente à Macali e Brilhante, era a Encruzilhada Natalino. Nestes acampamentos estava a gênese para a formação de nosso Movimento. Ali se gestava o Movimento Sem Terra. Um novo período de ascenso da luta de massas ocorria em todo Brasil, com a organização dos trabalhadores rurais e urbanos. Já organizados como MST, realizamos a maior ocupação do nosso Movimento naquela época, em outra parte da Fazenda Sarandi: a fazenda Anonni - que se tornou um dos símbolos da luta por Reforma Agrária durante a “Nova República”.
Vinte e cinco anos depois da fundação de nosso Movimento, nos encontramos agora para comemorar um quarto de século de lutas e conquistas. E marcamos este encontro justamente na Fazenda Anonni. Ali, dois períodos históricos de ascenso das lutas de massas se encontram. Ali, convergem os símbolos e história do movimento camponês no Brasil. Voltamos para beber na fonte, como dizem os antigos.
Marcamos este encontro com a herança do movimento camponês, mas também com nossa própria história. Para celebrarmos, mas também lembrarmos dos companheiros e companheiras que não puderam seguir este caminho conosco até aqui. Como Roseli Nunes, símbolo das marchas dos acampados na Anonni; como Teixeirinha, Fusquinha e Doutor; como os mártires de Eldorado de Carajás e de Felisburgo; Antônio Tavares e centenas de trabalhadores Sem Terra assassinados pela violência do latifúndio.
Se estivessem conosco, estariam orgulhosos em saber que nosso Movimento não apenas sobreviveu nestes 25 anos - um feito inédito para um movimento camponês no Brasil -, como estabelecemos uma nova concepção de Reforma Agrária. Muito mais ampla do que apenas democratizar o acesso a terra e extinguir o latifúndio. Nossa luta construiu na prática a democratização do acesso à educação, a saúde, a comunicação e a própria efetivação da democracia.
O Movimento Sem Terra que construímos é responsável pelo assentamento de 370 mil famílias em todo o país. Mas também é sujeito de muitas realizações como 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos que garantem o acesso à educação à mais de 160 mil crianças e adolescentes Sem Terras ou que alfabetizaram 50 mil adultos e jovens nos últimos anos. Ou ainda, nos mais de 100 cursos de graduação em parceria com universidades por todo o Brasil.
Mas, talvez, nossa principal contribuição para a sociedade brasileira esteja em cumprir nosso compromisso em produzir alimentos para o povo brasileiro. Fruto da organização de mais de 400 associações e cooperativas que trabalham de forma coletiva para produzir alimentos sem transgênicos e sem agrotóxicos. E ainda das 96 agroindústrias que melhoram a renda e as condições do trabalho no campo, mas também oferecem alimentos de qualidade e baixo preço na cidade.
Assim, temos um encontro marcado com a História, mas não apenas com o que já realizamos. Que este Encontro - com o que herdamos de dois períodos distintos do ascenso de massas - nos motive. E que possamos, com a unidade com os trabalhadores urbanos, explorando as contradições sociais da atual crise econômica e em torno das medidas estruturais necessárias para nosso país, iniciar um novo e vigoroso ciclo de lutas de massas.
Por Kelli Mafort
MST/SP
Para traçarmos um quadro sobre as perspectivas da atuação do MST para 2009, é necessário entendê-lo no contexto do momento político internacional e no papel que devem cumprir as organizações da classe trabalhadora em torno do projeto da esquerda.
Estamos inseridos num contexto de hegemonia mundial do capitalismo, que historicamente convive e precisa das crises pra se recompor. No entanto, a esquerda brasileira vem produzindo uma análise de que a atual crise é de caráter estrutural e não conjuntural como em outros momentos políticos, com consequências desastrosas para a classe trabalhadora. Estão colocadas questões que não encontram respostas definitivas dentro do atual modo de produção, nas esferas econômica, ambiental, social e política.
Somado a esta análise, a esquerda vem apontando uma ampliação do espaço de organização da classe em torno das necessidades concretas, que estão se tornando cada vez mais gritantes; e também a possibilidade de reascenso das lutas de massas, com um potencial político de enfrentamento ao Capital.
Portanto, está colocado objetivamente que 2009 será um ano de lutas com potencial de avanço na organização enquanto classe trabalhadora. Porém, isso precisa estar na essência das organizações com uma intencionalidade política de caráter estratégico. Este é o desafio principal. E o MST, no marco de seus 25 anos de existência, tem papel fundamental nesta tarefa.
Construímos o MST rompendo cercas e travando lutas importantes não somente para nós Sem Terra, mas para o conjunto dos trabalhadores e das trabalhadoras. Definimos, desde o início de nossa organização, três objetivos principais que nortearam nossa trajetória política: a conquista da terra, a Reforma Agrária e a transformação da sociedade. Conquistamos terras, construímos assentamentos, nos desafiamos na destruição de outras cercas para além do latifúndio, mas não conquistamos a Reforma Agrária.
Nossa luta tem origem na expropriação das terras pela burguesia, o que criou a necessidade material para a organização e a luta dos Sem Terra por um lado e a acumulação de riquezas por outro. “A expropriação do produtor rural, do camponês, quer ficou assim privado de suas terras, constitui a base de todo o processo (...) Aconteceu que uma elite foi acumulando riquezas e a população vadia ficou finalmente sem ter outra coisa pra vender além da própria pele.” (Marx, O Capital, livro I, capítulo 24).
Projeto Democrático Popular
No Brasil, indígenas, posseiros, quilombolas e cangaceiros travaram esta luta. Nos anos 60, a Reforma Agrária entrou na pauta política do país pela força das Ligas Camponesas. Estava colocado para a esquerda brasileira um campo feudal que precisava se desenvolver por meio da Reforma Agrária.
Neste período, a Reforma Agrária estava no centro do projeto político que previa uma etapa nacional burguesa, dentro de uma aliança tática entre a esquerda e a burguesia nacional contra o atraso do latifúndio. Este projeto político foi derrotado pela ditadura militar, que impulsionou um desenvolvimento no campo com a Revolução Verde, perpetuando o latifúndio. Produziu-se no país, neste período, uma cultura de contestação e protestos, impulsionada pelo movimento estudantil e pelo setor progressista da igreja católica.
Com o processo de redemocratização e abertura política, produzido pelo movimento de massas em torno da campanha pelas “Diretas Já” na década de 80, novos instrumentos políticos de organização da classe trabalhadora foram construídos, com destaque para a formação do PT, da CUT e do MST. Autônomos entre si, mas sob o mesmo contexto político, formando um bloco de esquerda com papéis distintos e ao mesmo tempo complementares. Experimentamos um processo fecundo de lutas de massas e avanço nas conquistas concretas.
Neste processo, a esquerda produziu um projeto político Democrático Popular, na certeza que a luta por reformas teria que ser impulsionada pelos trabalhadores e trabalhadoras de maneira autônoma, sem qualquer tipo de aliança com a burguesia.
No final da década de 80, enfrentamos uma derrota do projeto socialista com a queda do Muro de Berlim e o fim da URSS. Para a esquerda, a questão da transformação da sociedade e do socialismo como transição, pouco a pouco, foi ocupando lugar apenas como um valor místico, uma utopia, e deixando de ser um projeto estratégico. Em geral, os instrumentos políticos forjados no contexto anterior foram perdendo sua combatividade e trilhando o caminho da burocratização.
O projeto político da esquerda - Democrático e Popular – foi, e até hoje vem enfrentando barreiras no próprio desenvolvimento capitalista. No campo, o capitalismo se desenvolveu e se consolidou pelo agronegócio, sem a necessidade e espaço para a Reforma Agrária.
A aliança da esquerda em torno do projeto democrático popular está em crise. No entanto, não construímos nenhum projeto político que o supere e é evidente que o descenso das lutas de massas contribui para isso.
O MST é parte integrante desta história e também passa por essa crise. Na busca de nossos objetivos originários – terra, Reforma Agrária e transformação da sociedade –, só encontraremos saídas em conjunto com a organização da classe trabalhadora.
Frentes de atuação
Seguimos nas lutas por conquistas. E pra alcançar a Reforma Agrária, temos que enfrentar e derrotar o capitalismo. Temos o desafio de projetar a materialidade do MST a partir desta perspectiva, produzindo lutas e expressando, nas nossas conquistas, este caráter de enfrentamento à ordem do Capital. As linhas políticas das principais frentes de atuação do MST devem se nortear a partir disso: formação política, relações com a sociedade, assentamentos e massificação.
Temos a tarefa de projetar a nossa organização como uma referência de luta política para a sociedade, nos dispor a contribuir com a construção de outros instrumentos políticos de organização dos trabalhadores e das trabalhadoras e forjar uma nova concepção norteadora da esquerda.
Na luta pela Reforma Agrária não temos todos os elementos materiais para afirmar que 2009 será o ano da massificação, mas temos todas as condições de declará-lo como o ano de intensificação das lutas de caráter político, a partir de alguns elementos históricos acerca da Reforma Agrária e da crise do Capital.
EXPEDIENTE
20/01/2009
Edição
Nina Fideles
Revisão
Joana Tavares
Projeto Gráfico Diagramação
Eliel Almeida
Assinaturas
Meire Cardoso
Impressão
Taiga Gráfica e Editora
Tiragem
20 mil exemplares
Redação
Alameda Barão de Limeira, 1232 – CEP 01202-002 – São Paulo/SP – Tel/fax: (11) 3361-3866. Correio eletrônico: jst@mst.org.br. Página na internet: www.mst.org.br
Aos companheiros e companheiras Sem Terra.
De Pedro Casaldáliga - Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia.
Vocês e todos nós (que somos muitos) estamos celebrando os 25 anos do MST. Um jubileu de utopia e de realismo, de sangue e de poesia, de pranto e de canto, de presença internacional e de modesta anônima presença cotidiana, na beira de uma estrada, debaixo de umas lonas, em caminhada para a Brasília capital e em participação em muitos gestos diversificados do movimento popular. O MST, esse "sem" da terra é muitos "sem" - sem teto, sem emprego, sem saúde, sem educação -, e com a dignidade humana oficialmente proibida e com a teimosa reivindicação.
Muitos analistas do Brasil e do exterior têm reconhecido o MST como o mais expressivo movimento popular nestas últimas décadas.
Vocês, Sem Terra, têm feito questão de somar energias populares e reivindicações concretas. O MST não é um partido, mesmo tendo ideologia e preferências, precisamente para poder abranger mais povo. O MST é politicamente e socialmente ecumênico. Pratica alianças, se faz parceiro, assume fraternalmente sonhos e riscos com muitos setores do povo pobre, mas militante. Sempre mantendo uma clara postura, política e social, sempre na procura de um socialismo novo, como nos recorda este ano a Agenda Latinoamericana Mundial. Que a gente quer que seja "Agenda" mesmo, ou seja, aquilo que se deve fazer, aquilo que se faz cada dia.
O MST se transformou num braço poderoso (o esquerdo deve de ser...) dentro da grande coalisão continental e mundial da Via Campesina. Desde a primeira hora, naquelas turbulências e resistências das Rondas Altas, o MST vem sendo apaixonadamente latino-americano e as grandes figuras libertárias da Nossa América são patronos e mestres inspiradores.
O MST é ecumênico também em religião, e não faz da religião uma bandeira de conquista, mas, desde aquelas cinco da tarde da mesma Ronda Alta, a religião alenta e conforta os âmbitos mais íntimos dos corações MST. E é bom que assim seja. O verdadeiro Deus só pode ser o Deus da Vida, o Deus da Terra, o Deus da Fraternidade Universal.
Comentários lúcidos e frequentes condecorações vêm destacando a integralidade na luta do MST, que quer aquela terra que é mais que terra, Reforma Agrária com reforma agrícola, com educação, com saúde, com arte. Também se reconhece, merecidamente, a capacidade de congregar com disciplina e com ternura simultaneamente, pessoas, adultas e crianças, vindas de tantas origens diversas.
O nosso MST tem também os seus pecados e tentações. Não pode ser nunca autoritário, não pode desprezar nunca experiências ou agremiações "parentes", como diriam os nossos indígenas. E falando em indígenas ou em quilombolas, o MST deve ajudar positivamente a esses dois grandes núcleos secularmente excluídos: os povos indígenas e o povo quilombola.
São 25 anos de MST. Tem ainda muito caminho pela frente (até o dia em que o MST não seja mais necessário).
Ser um "Sem" não é um capricho morboso, é a imposição fratricida de poderes e privilégios, nacionais e multinacionais, que proíbem a vida das grandes maiorias. Por isso mesmo, o MST deverá continuar sendo sempre um grito profético, uma marcha de bandeiras e corações libertadores, uma contestação inclaudicável ao capitalismo - agora neoliberal -, ao latifúndio - agora agronegócio -, e à minimização do trabalho, ainda com frequência trabalho escravo.
Sigam. Seguiremos. Unidos nessa radical condição de seres humanos, com DNA divino; com a missão libertadora de ir humanizando sempre mais a própria Humanidade. Com uma coerência a toda prova frente a tantas corrupções e claudicações. Com a invencível esperança de ver esse Outro Mundo Possível, arrancando do toque de uma enxada, da brincadeira de um Sem Terrinha e do testemunho radical de todos os nossos mártires da caminhada.
Recebam todos e todas um beijo no coração e um abraço indissolúvel deste velho companheiro de utopia.
Pedro Casaldáliga
Por Egídio Brunetto
MST/MS
E difícil e também muito bonito aprofundar o tema do internacionalismo.Tentar resgatar sua essência e principalmente desenvolver uma prática consequente cotidiana. Especialmente agora que completamos um quarto de século e que já vivemos a fase do auge revolucionário, o descenso do socialismo com o ascenso do neoliberalismo, e agora, uma grande crise do capitalismo.
O MST foi desenvolvendo esta prática a partir das lutas internacionais e das contradições da luta de classe também no Brasil. Sem esta prática e este princípio, nós não teríamos a força de hoje.
A prática da solidariedade e do internacionalismo proletário está muito ligada ao surgimento das teorias políticas revolucionárias, que vão dando origem às teorias com caráter classista. Com o surgimento do marxismo, vamos entendendo que nós vivemos em sociedades de classes antagônicas, e isso significa viver em uma luta permanente.
Sempre houve grandes lutas locais nacionais entre povos e muitos exemplos de lutadores que foram defender outros povos em outros países, mas no período mais recente, em que o tema do internacionalismo ganha forte caráter, na medida em que se chega à conclusão que a burguesia é a mesma em toda parte do mundo, é que os trabalhadores teriam que se unir e lutar contra o inimigo comum.
O surgimento da consigna histórica “Operários do mundo uni-vos!”, sintetiza a estratégia da classe a nível mundial e remete às lutas futuras a construção do projeto de libertação da classe.
O surgimento da internacional socialista foi uma das mais importantes ações da classe trabalhadora a nível mundial. E a internacional, o hino da classe trabalhadora, vai ser parte importante da mística dos povos na luta e na unidade.
Solidariedade e lutas
No final dos anos 70 e início dos anos 80, há um movimento muito bonito da lutas internacionais. Temos o exemplo da revolução sandinista, as resistências contra as ditaduras na América Latina, o fortalecimento do socialismo no leste europeu, a vitória do povo do Vietnã contra os EUA. Na África, depois de mais de 500 anos, as colônias foram derrotadas pelos povos africanos. A exemplo também, a luta do povo sul africano contra o apartheid e pela libertação do Mandela, a resistência do povo palestino, e mais recentemente, a luta pela independência no Timor Leste.
O grande exemplo aqui na América Latina é Cuba. Com sua experiência de socialismo de ensinamentos próprios, tem como importante marca de seu internacionalismo a solidariedade com outros povos. Sem igual na história recente! Só na África foram enviados mais de 300 mil militantes, entre os quais Che Guevara e sua filha Aleida Guevara. Destes, mais de 2 mil perderam a vida lutando em defesa do povo africano contra os colonizadores, o imperialismo e o apartheid.
Centenas de estudantes de países pobres tiveram a oportunidade de se formar graças a solidariedade do povo e do governo cubano. São mais de 30 mil médicos em várias partes do mundo.
Portanto, o MST é fruto deste período rico da história da humanidade e procurou aprender os ensinamentos importantes das lutas destes povos.
O MST - sempre com muitas limitações e muita humildade - buscou contribuir na construção de instrumentos capazes de ajudar a articular as lutas continentais e internacionais: o movimento continental dos 500 anos de resistência indígena negra e popular, a organização da CLOC (Coordenadora Latino-americana de Organizações do Campo), a Via Campesina, o Fórum Social Mundial, a luta contra a Alca e os vários comitês de solidariedades espalhados pelo mundo.
Nestes anos, foram mais de 4 mil pessoas que viajaram para os outros países para aprender, levar solidariedade, lutar lado a lado com outros povos, trocar experiências e levar nosso modesto aporte a partir da nossa experiências. Mas o mais importante foi desenvolver em nossa base e com os nossos militantes, milhares de ações no Brasil e em outras terras, a prática em receber de braços abertos exilados peruanos, colombianos, chilenos e de outros continentes que tinham que fugir para não ser mortos.
E com estas ações e gestos, o MST também recebeu, além do reconhecimento público, milhares de ações em outros países em defesa do Movimento. Centenas de visitas para trazer apoio e solidariedade aos nossos militantes e às nossas lutas - que foram fundamentais em nossa construção.
Neste período, os desafios continuam. Nossos militantes vão construindo uma consciência e uma prática que articule as lutas locais com as lutas internacionais, na construção de instrumentos com caráter e estruturas internacionais.
Os 25 anos do nosso Movimento nos exige uma ação internacional mais forte na construção de alternativas revolucionárias socialistas e de exemplo da nossa militância no trabalho, no estudo, na solidariedade, na indignação e fortalecer e construir a ALBA como alternativa dos povos.
Significa a defesa de valores que o mundo vai esquecendo como a defesa da natureza, da biodiversidade, dos alimentos, das sementes, da soberania alimentar como um princípio, da defesa do socialismo como um modo de produção capaz de resolver os problemas da humanidade. Entender e defender que a revolução é o instrumento da humanidade para as grandes mudanças. Entender e praticar o espírito de sacrifício sem o qual não haverão as grandes mudanças. Estar atentos como organização para estar nas grandes lutas e levar solidariedade aos que precisam urgentemente dela.
Fortalecer o intercâmbio com outros continentes e dar uma maior prioridade a África. Estar preocupado permanentemente com a violência que ocorre no nosso continente, onde a todo o momento, o latifúndio continua matando, prendendo e expulsando os camponeses, os indígenas. O internacionalismo também é fazer a luta e a resistência onde a gente mora e vive.
Ser solidário com os governos progressistas, mas também ser críticos com os desvios e ser eternamente gratos e solidários com o povo cubano.
“Operários do mundo uni-vos!”
Globalizemos a luta globalizemos a esperança.
Por Joana Tavares
Setor de Comunicação do MST
Nesses 25 anos de história, lutamos contra o latifúndio e enfrentamos também o agronegócio. Nascemos em um período de ascenso e resistimos ao deserto do descenso da luta de massas, provocado pelo neoliberalismo. Segundo João Pedro Stedile, em entrevista para o Jornal
Sem Terra, 2009 pode ser um ano de maior efervescência da luta social, no campo e nas cidades. E a Reforma Agrária Popular pode ser recolocada na pauta política da sociedade. Confira abaixo trechos da conversa com o dirigente, que traça um panorama do contexto que nos trouxe até aqui, e os desafios para o próximo período.
Do latifúndio ao agronegócio
João Pedro Stedile – As mudanças dos inimigos da Reforma Agrária fazem parte da evolução do capitalismo. No início do Movimento, o inimigo principal era o latifúndio, porque concentrava terra e porque havia uma possibilidade real de ser feita uma Reforma Agrária nos moldes clássicos, em que a distribuição de terra é combinada com a indústria. E este modelo era de interesse de uma burguesia industrial. Quando o modelo do capitalismo industrial entrou em crise na década de 80, na seguinte década, a classe dominante brasileira evoluiu para um capitalismo internacionalizado,
dominado pelo capital financeiro. Essa nova etapa do capitalismo chegou na agricultura, durante os últimos seis anos, com essa nova forma de dominação por meio das empresas transnacionais. Elas
passam a controlar o modo de produzir: insumos, adubos, fertilizantes, venenos, máquinas, o comércio agrícola e os preços. E elas fazem uma grande aliança desse novo capitalismo com os fazendeiros capitalistas, para inclusive se apoderarem do latifúndio atrasado e incorporarem
as áreas de latifúndio a esse modelo. Esse modelo, aplicado à agricultura, é que se chama agronegócio. Com essa mutação, a luta pela Reforma Agrária passou a incorporar novos inimigos.
Ela não só continua enfrentando o latifúndio, mas agora também as empresas transnacionais, o capital financeiro por trás delas, e o modelo do agronegócio. Antes era mais fácil, havia a ocupação
do latifúndio e a gente enfrentava o fazendeiro. Agora não. Agora, mesmo quando a gente ocupa uma fazenda, em geral, por trás do fazendeiro tem uma grande empresa, tem o Estado brasileiro,
que o protege, colocando em primeiro lugar não a eliminação da pobreza e da desigualdade, mas a produção.
Conluio com a mídia
JP – Agora, os inimigos da Reforma Agrária têm muito mais influência e parceria com os meios de comunicação. Antes esses meios podiam não se interessar muito pelos latifundiários, mas eles têm interesses vinculados com as grandes empresas. Há um conluio de classe mais complexo. Às vezes, o mesmo banco tem articulações com a Globo e também com a Monsanto. A imprensa nos
últimos dez anos começou a tratar o MST como um inimigo de classe. Antes, a imprensa tinha raiva das nossas lutas, mas nos suportavam, agora não. E essa é uma dificuldade, porque eles
disputam a sociedade conosco. E como eles são um monopólio, significa que vão ter mais influência sobre a sociedade contra a Reforma Agrária.
Derrotar o neoliberalismo
JP – Como tudo é dialético e tem contradições, o lado bom dessa maior complexidade da luta é que agora a Reforma Agrária só tem viabilidade se nós derrotarmos o neoliberalismo. E para isso
vamos ter que criar uma grande aliança dentro da classe trabalhadora. Significa que os camponeses vão ter que necessariamente se aliar com outros setores da classe, com os trabalhadores da cidade,
para realizar a Reforma Agrária. Se antes o camponês tinha ódio do latifundiário, e muitas vezes um ódio pessoal, agora ele tem que desenvolver consciência de classe. Ele tem que compreender que o inimigo agora é o sistema, a Monsanto, a Nestlé, inimigos que a gente não conhece tão bem.
E o nosso Movimento e as demais organizações que fazem a mediação daluta de classes, têm que se preparar melhor. Uma coisa é trabalho de base para ocupar o latifúndio. Outra é explicar porque temos que ocupar uma área da Syngenta, por exemplo, que é uma empresa suíça que domina sementes transgênicas. Temos que debater o que é uma semente transgênica, porque o preço do leite é controlado pela Nestlé, Parmalat, Danone, etc.
Crise no Brasil
JP – A crise que se instalou no centro do capitalismo e que está vindo para a periferia, provavelmente vai se agudizar em 2009 aqui no Brasil. Em janeiro, já caíram os índices de produção da indústria, aumentou o desemprego, a inadimplência dos consumidores. A crise tem um papel
importante: ela é um estimulador da luta de classes. Porque na crise todo mundo pode perder, e alguns podem ganhar. É na crise que as classes tendem a se reposicionar para defender mais claramente seus interesses. Nos momentos de crise há uma readequação da burguesia, da classe
trabalhadora, dos camponeses. Acredito que 2009 será um ano muito importante para produzir uma efervescência da luta social. Para que os camponeses se mobilizem, e, sobretudo, para que haja
uma retomada da luta social nas cidades, que esteve anestesiada pelo refluxo do movimento de massas nos últimos 15 anos do neoliberalismo. E se houver esse reascenso, será um momento propício para fazer alianças e construir pautas comuns.
Reforma Agrária Popular
JP – Nós vamos seguir com nossa obrigação: ocupar terra, lutar por crédito, casas. Mas, como provavelmente vai haver luta social nas cidades, certamente vai ser criado um clima para que o MST
participe de outras mobilizações com o tema extra-reforma agrária. Mesmo que essas lutas não representem imediatamente mais desapropriações de terra, mas em médio prazo vão representar a derrota do neoliberalismo e vão abrir uma brecha política para que a Reforma Agrária seja
recolocada na pauta de disputa política da sociedade brasileira. Porque agora a Reforma Agrária foi derrotada pelo neoliberalismo. Por isso nossa luta tem sido tão difícil nesses últimos dez anos.
Mas com a crise e com a retomada das lutas, a Reforma Agrária será recolocada como uma das reformas necessárias para sair da crise e trazer mudanças estruturais para o povo brasileiro. A nova Reforma Agrária vai estar vinculada com mudanças do modelo econômico capitalista. Que
ainda não será o socialismo, mas será um modelo mais popular, com distribuição de renda e soberania nacional. Isso abre brechas para uma Reforma Agrária Popular, que combine desapropriações massivas de terra, com instalação de agroindústrias cooperativadas, uma nova política agrícola, em que o Estado garanta a compra de todos os produtos dos agricultores
por um preço justo, um novo modelo de produção baseado na agroecologia, combinado
com a democratização da educação. A Reforma Agrária Popular também deve criar condições para que todos os jovens tenham acesso à universidade.
Relação com o PT
JP – A luta de classes em qualquer país e no Brasil ocorre por ciclos históricos. Cada ciclo de ascenso do movimento de massas gera formas específicas de luta, instrumentos apropriados de organizações da classe, e seus líderes. O MST é fruto do ciclo de reascenso de 78 a 89. Aquele período levou a que o povo brasileiro construísse e reconstruísse várias formas de luta. A ocupação de terra é fruto desse ciclo, os dirigentes do MST são fruto desse ciclo, a CUT é fruto desse ciclo, o PT é fruto desse ciclo. Nós nascemos juntos, como instrumentos parceiros de um mesmo projeto. Cada um na sua trincheira, mas todos se ajudando. Esse ciclo terminou na década de 1990, com o descenso do movimento de massas. Quando vier um novo reascenso no movimento de massas – espero que seja logo – serão criadas novas formas de luta, novos instrumentos e novos líderes. Somos fruto de reascenso passado, e resistimos em um período de descenso. Poderíamos ter desaparecido como referência para o povo, como muitas organizações desapareceram. Oxalá o MST consiga sobreviver
ao próximo reascenso.
Relação com Estado
JP – Um dos acertos que o MST aplicou desde o início foi manter a autonomia. Não porque nós fomos mais sábios, mas porque aprendemos com experiências do passado que a saúde política de qualquer movimento de massas é que ele tem que ser autônomo do Estado, governos, igrejas e inclusive de partidos políticos. Já tivemos movimentos camponeses ligados a essas quatro áreas da sociedade. Nós aprendemos que se quisermos ter uma vida saudável e longa, precisamos ter autonomia. E aplicamos isso a rigor. Claro que o MST em alguns estados às vezes não consegue manter a autonomia e paga caro. A tendência é ser destruído, definhar, não crescer ou se desviar. Quem não obedece a regra – e para isso não precisa fazer reunião de direção – a realidade política
impõe a pena. Se em um estado o MST virasse puxa-saco de governo, acabaria o governo, acabaria também o Movimento. Isso aconteceu com o Master na década de 60, no Rio Grande do Sul.
Governo Lula
JP - Acho que nós conseguimos manter a nível nacional essa autonomia em relação ao governo Lula. O que mudou é que nós estávamos acostumados a ter governos de direita, como na época da ditadura, de centro-direita, como na época de Sarney e do Itamar, e agora nós temos um
governo de centro, onde tem gente de direita e gente de esquerda. Então a natureza do governo Lula também é diferente. Muitos companheiros – principalmente na nossa base – gostariam de estar
mais próximos do governo, para conquistar mais benefícios. E há outros companheiros que, por esse não ser um governo de esquerda, acham que deveríamos ter distância. Os dois estão certos, mas esse não é o centro da questão. O centro é que nós mantivemos nossa autonomia em relação ao governo. Governo Lula é uma coisa, nós somos outra. Nós continuamos lutando, tanto é que a direita nos bate dia e noite. Porque ela sabe que nós somos autônomos, sabe que o governo Lula não controla o MST. Isso não quer dizer que o MST fica torcendo para ter um governo ruim. Pelo contrário. A gente quer ter um governo de esquerda. Nossas críticas ao governo Lula se dão quando ele se afasta da esquerda. Quando ele toma medidas boas para a classe trabalhadora,
a gente aplaude, sempre mantendo nossa autonomia. Olhando para 2010 a gente espera que o próximo governo seja mais à esquerda que o governo Lula.
Caráter da organização
JP – O debate no MST é o seguinte: somos um movimento de massas e temos que ter massa para fazer luta social. Mas a complexidade da luta de classes exige que a gente tenha uma organização, uma organicidade de militantes que constrói setores bem organizados. Porque só na etapa do movimento de massas um movimento não ultrapassa o deserto do descenso, correndo o risco de ser destruído. É na organização de massas que se preza pela ideologia, pela doutrina, que se monta o esqueleto das massas. A organização de massas é a estrutura óssea que mantém o organismo de pé. As mudanças sociais no país dependem de um arco muito plural de formas de organização do povo, desde pastorais da igreja até partidos revolucionários clandestinos. Na luta por transformações, há espaços e necessidade de se desenvolver todas as formas de organização
possível. É besteira conjecturar se o MST será um movimento de massas ou organização política. No reascenso vamos precisar de todas essas formas. É besteira disputar qual delas é ou será mais importante. O mais importante é ter um projeto de sociedade. O grande desafio da esquerda e do povo brasileiro é criar um projeto de transformação. Para não cair no simplismo de que basta criar uma nova organização, uma nova sigla e pronto, estão resolvidos os problemas revolucionários.
Os instrumentos são para construir um projeto. O importante é a gente trabalhar no sentido da unidade, nossa motivação justa deve ser para construir a unidade para garantir as mudanças necessárias.