Os 25 anos do MST

Número: 
23
Jan
2009

O Brasil vivia uma conjuntura de duras lutas pela abertura política, pelo fim da ditadura e de mobilizações operárias nas cidades. Como parte desse contexto, entre 20 e 22 de janeiro de 1984, foi realizado o 1º Encontro Nacional dos Sem Terra, em Cascavel, no Paraná. Ou seja, o Movimento não tem um dia de fundação, mas essa reunião marca o ponto de partida da sua construção.

A atividade reuniu 80 trabalhadores rurais que ajudavam a organizar ocupações de terra em 12 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Bahia, Pará, Goiás, Rondônia, Acre e Roraima, além de representantes da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária), da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e da Pastoral Operária de São Paulo.

Os participantes concluíram que a ocupação de terra era uma ferramenta fundamental e legítima das trabalhadoras e trabalhadores rurais em luta pela democratização da terra. A partir desse encontro, os trabalhadores rurais saíram com a tarefa de construir um movimento orgânico, a nível nacional. Os objetivos foram definidos: a luta pela terra, a luta pela Reforma Agrária e um novo modelo agrícola, e a luta por transformações na estrutura da sociedade brasileira e um projeto de desenvolvimento nacional com justiça social.

Em 1985, em meio ao clima da campanha "Diretas Já", o MST realizou seu 1º Congresso Nacional, em Curitiba, no Paraná, cuja palavra de ordem era: "Ocupação é a única solução". Neste mesmo ano, o governo de José Sarney aprovou o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), que tinha por objetivo dar aplicação rápida ao Estatuto da Terra e viabilizar a Reforma Agrária até o fim do mandato do presidente, assentando 1,4 milhão de famílias.

A proposta de Reforma Agrária ficou apenas no papel. O governo Sarney, pressionado pelos interesses do latifúndio, ao final de um mandato de cinco anos, assentou menos de 90 mil famílias sem-terra. Ou seja, apenas 6% das metas estabelecidas no PNRA foi cumprida por aquele governo. Com a articulação para a Assembléia Constituinte, os ruralistas se organizam na criação da União Democrática Ruralista (UDR) e atuam em três frentes: o braço armado - incentivando a violência no campo -, a bancada ruralista no parlamento e a mídia como aliada.

Embora os ruralistas tenham imposto emendas na Constituição de 1988, que significaram um retrocesso em relação ao Estatuto da Terra, os movimentos sociais tiveram uma importante conquista. Os artigos 184 e 186 fazem referência à função social da terra e determinam que, quando ela for violada, a terra seja desapropriada para fins de Reforma Agrária. Esse foi também um período em que o MST reafirmou sua autonomia, definiu seus símbolos, bandeira e hino. Assim, foram se estruturando os diversos setores dentro do Movimento.
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Anos 90
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A eleição de Fernando Collor de Mello para a presidência da República, em 1989, representou um retrocesso na luta pela terra. Ele era declaradamente contra a Reforma Agrária e tinha ruralistas como seus aliados de governo. Foram tempos de repressão contra os Sem Terra, despejos violentos, assassinatos e prisões arbitrárias. Em 1990, ocorreu o II Congresso do MST, em Brasília, que continuou debatendo a organização interna, as ocupações e, principalmente, a expansão do Movimento em nível nacional. A palavra de ordem era: "Ocupar, resistir, produzir".

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso vence as eleições com um projeto de governo neoliberal, principalmente para o campo. É o momento em que se prioriza novamente a agroexportação. Ou seja, em vez de incentivar a produção de alimentos, a política agrícola está voltada para atender aos interesses do mercado internacional e gerar os dólares necessários para pagar os juros da dívida pública.

O MST realizou seu 3º Congresso Nacional, em Brasília, em 1995, quando reafirmou que a luta no campo pela Reforma Agrária é fundamental, mas nunca terá uma vitória efetiva se não for disputada na cidade. Por isso, a palavra de ordem foi "Reforma Agrária, uma luta de todos".

Já em 1997, o Movimento organizou a histórica "Marcha Nacional Por Emprego, Justiça e Reforma Agrária" com destino a Brasília, com data de chegada em 17 abril, um ano após o massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 Sem Terra foram brutamente assassinados pela polícia no Pará. Em agosto de 2000, o MST realiza seu 4º Congresso Nacional, em Brasília, cuja palavra de ordem foi "Por um Brasil sem latifúndio".

Durante os oito anos de governo FHC, o Brasil sofreu com o aprofundamento do modelo econômico neoliberal, que provocou graves danos para quem vive no meio rural, fazendo crescer a pobreza, a desigualdade, o êxodo, a falta de trabalho e de terra.

A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, representou um momento de expectativa, com o avanço do povo brasileiro e uma derrota da classe dominante. No entanto, essa vitória eleitoral não foi suficiente para gerar mudanças significativas na estrutura fundiária, no modelo agrícola e no modelo econômico.

Os integrantes do MST acreditam que as mudanças sociais e econômicas dependem, antes de qualquer coisa, das lutas sociais e da organização dos trabalhadores. Com isso, será possível a construção de um modelo de agricultura que priorize a produção de alimentos, a distribuição de renda e a construção de um projeto popular de desenvolvimento nacional.

Atualmente, o MST está organizado em 24 estados, onde há 130 mil famílias acampadas e 370 mil famílias assentadas. Hoje, completando 25 anos de existência, o Movimento continua a luta pela Reforma Agrária, organizando os pobres do campo. Também segue a luta pela construção de um projeto popular para o Brasil, baseado na justiça social e na dignidade humana, princípios definidos lá em 1984.
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Antecedentes
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O MST é fruto da história da concentração fundiária que marca o Brasil desde 1500. Por conta disso, aconteceram diversas formas de resistência como os Quilombos, Canudos, as Ligas Camponesas, as lutas de Trombas e Formoso, entre muitas outras. Em 1961, com a renúncia do então presidente Jânio Quadros, João Goulart - o Jango - assumiu o cargo com a proposta de mobilizar as massas trabalhadoras em torno das reformas de base, que alterariam as relações econômicas e sociais no país. Vivia-se um clima de efervescência, principalmente sobre a Reforma Agrária.

Com o golpe militar de 1964, as lutas populares sofrem violenta repressão. Nesse mesmo ano, o presidente marechal Castelo Branco decretou a primeira Lei de Reforma Agrária no Brasil: o Estatuto da Terra. Elaborado com uma visão progressista com a proposta de mexer na estrutura fundiária, ele jamais foi implantado e se configurou como um instrumento estratégico para controlar as lutas sociais e desarticular os conflitos por terra.

As poucas desapropriações serviram apenas para diminuir os conflitos ou realizar projetos de colonização, principalmente na região amazônica. De 1965 a 1981, foram realizadas oito desapropriações em média, por ano, apesar de terem ocorrido pelo menos 70 conflitos por terra anualmente.

Nos anos da ditadura, apesar das organizações que representavam as trabalhadoras e trabalhadores rurais serem perseguidas, a luta pela terra continuou crescendo. Foi quando começaram a ser organizadas as primeiras ocupações de terra, não como um movimento organizado, mas sob influência principal da ala progressista da Igreja Católica, que resistia à ditadura.

Foi esse o contexto que levou ao surgimento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975, que contribuiu na reorganização das lutas camponesas, deixando de lado o viés messiânico, propondo para o camponês se organizar para resolver seus problemas. Além disso, a CPT teve vocação ecumênica, aglutinando várias igrejas. Por isso, o MST surgiu do trabalho pastoral das igrejas católica e luterana.
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Reforma agrária e desenvolvimento
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Todos os países considerados desenvolvidos atualmente fizeram reforma agrária. Em geral, por iniciativa das classes dominantes industriais, que perceberam que a distribuição de terras garantia renda aos camponeses pobres, que poderiam se transformar em consumidores de seus produtos. As primeiras reformas agrárias aconteceram nos Estados Unidos, a partir de 1862, e depois em toda a Europa ocidental, até a 1ª Guerra Mundial. No período entre guerras, foram realizadas reformas agrárias em todos os países da Europa oriental. Depois da 2ª Guerra Mundial, Coréia, Japão e as Filipinas também passaram por processos de democratização do acesso a terra.

A reforma agrária distribuiu terra, renda e trabalho, o que formou um mercado nacional nesses países, criando condições para o salto do desenvolvimento. No final do século 19, a economia dos Estados Unidos era do mesmo tamanho que a do Brasil. Em 50 anos, depois da reforma agrária, houve um salto na indústria, qualidade de vida e poder de compra do povo.

Depois de 500 anos de lutas do povo brasileiro e 25 anos de existência do MST, a Reforma Agrária não foi realizada no Brasil. Os latifundiários, agora em parceria com as empresas transnacionais e com o mercado financeiro – formando a classe dominante no campo - usam o controle do Estado para impedir o cumprimento da lei e manter a concentração da terra. O MST defende um programa de desenvolvimento para o Brasil, que priorize a solução dos problemas do povo, por meio da distribuição da terra, criação de empregos, geração de renda, acesso a educação e saúde e produção e fornecimento de alimentos.

Encontro Nacional do MST discute efeitos da crise financeira no Brasil

Da Radioagência NP

“O capitalismo é um modo de existir que produz crise e quem paga a conta é o trabalhador”. A declaração foi dada nesta quarta-feira (21/01) pela historiados e professora da Universidade Federal Fluminense, Virgínia Fontes, no Décimo Terceiro Encontro Nacional do MST. O evento faz parte das comemorações do aniversário de 25 anos do MST, que ocorre no assentamento Novo Sarandi, no município de Sarandi, no estado do Rio Grande do Sul (RS). Mais de mil pessoas participam do encontro.

Na palestra com o tema conjuntura internacional, a professora afirmou que as forças populares devem se atentar para os novos desafios que crise financeira mundial coloca. No caso, fazer uma análise mais profunda e minuciosa sobre a interconexão entre os setores produtivos e bancários.

Virgínia ainda destacou que, diante das crises, as forças populares devem ser organizar para elabora e apresentar um emergencial social para impor medidas, como por exemplo, a suspensão da expropriação popular, como também a expropriação e a socialização imediata, com punição dos responsáveis de empresas, e bancos com problemas.

Logo em seguida, o cientista econômico e professor da Universidade Federal da Bahia, Luis Filgueiras, apresentou dados sobre o reflexo da crise mundial na economia brasileira. O aumento da taxa de desemprego e a queda nas exportações, que deve acontecer no Brasil, foram as principais preocupações do professor.

O Encontro Nacional do MST começou nesta terça-feira (20/01) e vai até o próximo sábado.

CPT presta homenagem ao MST

A Coordenação Nacional da CPT vem a público para externar sua alegria pela comemoração dos 25 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, neste mês de janeiro.

São passados 25 anos que marcaram a História dos Movimentos Camponeses no Brasil. A organização e combatividade do MST, a clareza de suas estratégias de luta, as conquistas de novos espaços para o assentamento de famílias, e seu envolvimento com os grandes temas nacionais e internacionais lhe renderam o reconhecimento tanto nacional, quanto internacional. No Brasil não há quem não conheça o movimento. Pesquisa do IBOPE, em meados de 2008, sob encomenda da Vale, mostrou que 97% da população brasileira conhece o MST, o que levou o instituto a concluir, em suas considerações finais, que “o MST é um movimento já incorporado pela sociedade como uma das “instituições” brasileiras”.

Sua bandeira vermelha tremula de Norte a Sul do País. Seus bonés vermelhos circulam tanto nas grandes capitais, bem como nos mais distantes rincões do território nacional. E cobrem ou já cobriram a cabeça de milhares de pessoas simples, mas também de autoridades e de pessoas influentes em nossa Nação. Quando usado pelo Presidente da República provocou uma reação hipócrita daqueles que se consideram os portavozes da nacionalidade restrita a um pequeno grupo de privilegiados.

Seus acampamentos povoam as margens das rodovias, escancarando aos olhos de todos os que querem ver a escandalosa realidade agrária brasileira calcada sobre a histórica concentração de terras, deixando centenas de milhares de famílias sem a possibilidade de acesso à terra para viver e cultivar.

Se por um lado o movimento goza de imensa simpatia de diversos setores da sociedade brasileira, por outro é execrado e combatido com todas as armas possíveis - desde Decretos do poder Executivo que impedem a vistoria de áreas ocupadas, e criminalizavam lideranças, passando pelos inúmeros processos movidos contra elas no âmbito do poder judiciário, por CPIs no Legislativo nas quais se queria taxar de terroristas suas ações, chegando aos meandros do Ministério Publico, que no Rio Grande do Sul simplesmente propunha a extinção do Movimento e agora ao Tribunal de Contas da União, na tentativa de asfixiá-lo. Culmina na calúnia, perseguição, prisão e até mesmo na morte de muitas de suas lideranças. Destaque especial merece o massacre de Eldorado de Carajás quando 19 sem terra foram barbaramente assassinados, em 17 de abril de 1996.

Muitos temem o MST, e por isso deflagram campanhas para tentar isolá-lo e desmoralizá-lo.

Na realidade o MST deve ser temido por quem sempre apostou na preservação dos privilégios de uma pequena parcela da população brasileira que concentrou terras, renda e poder. Nestes 25 anos o movimento conquistou terra para mais de três centenas de milhares de famílias e inspirou o surgimento de novos movimentos de luta, não só no Brasil, como em outros países. Mas o que de melhor e de mais importante o MST conseguiu realizar foi ter aberto o caminho da cidadania e da dignidade para milhares e milhares de pessoas que nunca antes tiveram um lugar ao sol. No movimento elas encontraram espaço, começaram a ser reconhecidas, conseguiram levantar a cabeça e se fizeram respeitar. O movimento conseguiu dar a estes milhares de brasileiras e brasileiros, o que a sociedade nacional durante séculos lhes negou, o acesso à educação, à saúde, ao reconhecimento dos seus direitos. Desde o menor acampamento à beira da estrada, até o mais organizado assentamento acompanhado pelo MST, funcionam escolas para as crianças e adolescentes e uma equipe é encarregada pelos cuidados básicos de saúde. Adultos são alfabetizados. E hoje convênios com dezenas de Universidades abrem as portas do ensino superior a um grupo humano que antes não tinha nem condições de sonhar em chegar a este estágio. Centenas de processos de formação estão forjando novas lideranças que poderão ser sementes e fermento de uma profunda transformação da sociedade brasileira.

Mesmo reconhecendo as dificuldades e os conflitos que o movimento enfrenta, próprios a qualquer agremiação humana, a Coordenação Nacional da CPT não poderia deixar de reconhecer a grande riqueza que o MST trouxe à sociedade brasileira. Felicitando-o pelo transcurso desta data, a CPT deseja-lhe que continue firme ajudando a descortinar sempre novos horizontes para os homens e mulheres do campo e a plantar novas sementes de cidadania e dignidade.

Coordenação Nacional da CPT

Goiânia, 19 de janeiro de 2009.

Carta do 13º Encontro Nacional do MST

1. Nós, mais de 1.500 trabalhadores rurais sem terra, vindos de todas as regiões do Brasil, e delegações internacionais da América Latina, Europa e Ásia, nos reunimos de 20 a 24 de janeiro de 2009 em Sarandi, no Rio Grande do Sul, para comemorar os 25 anos de lutas do MST. Avaliamos, também, nossa história e reafirmamos o compromisso com a luta pela Reforma Agrária e pelas mudanças necessárias ao nosso país.

2. Festejamos as conquistas do nosso povo ao longo desses anos, quando milhares de famílias tiveram acesso à terra; milhões de hectares foram recuperados do latifúndio; centenas de escolas foram construídas e, acima tudo, milhões de explorados do campo recuperaram a dignidade, construíram uma nova consciência e hoje caminham com altivez.

3. Reverenciamos nossos mártires que caíram nessa trajetória, abatidos pelo capital. E, lembramos dos líderes do povo brasileiro que já partiram, mas deixaram um legado de coerência e exemplo de luta.

4. Vimos como o capital, que hoje consolida num mesmo bloco as empresas industriais, comerciais e financeiras, pretende controlar nossa agricultura, nossas sementes, nossa água, a energia e a biodiversidade.

5. Nos comprometemos em garantir à terra sua verdadeira função social; cuidar das sementes e produzir alimentos sadios, de modo a proteger a saúde humana, integrando homens e mulheres a um meio-ambiente saudável e adequado a uma qualidade de vida cada vez melhor.

6. Reafirmamos nossa disposição de continuar a luta, em aliança com todos os movimentos e organizações dos trabalhadores e do povo, contra o latifúndio, o agronegócio, o capital, a dominação do Estado burguês e o imperialismo.

7. Defendemos a Reforma Agrária como uma necessidade popular, que valoriza o trabalho, a agro-ecologia, a cooperação agrícola, a agroindústria sob controle dos trabalhadores, a educação e a cultura, medidas imprescindíveis para a conquista da igualdade e da solidariedade entre os seres humanos.

8. Estamos convencidos de que somente a luta dos trabalhadores, e do povo organizado, pode nos levar às mudanças econômicas, sociais e políticas indispensáveis à efetiva emancipação dos explorados e oprimidos.

9. Reafirmamos a solidariedade internacional e o direito dos povos à soberania e à autodeterminação. Por isto, manifestamos nosso apoio a todos os que resistem e lutam contra as intervenções imperialistas, como hoje faz o povo afegão, cubano, haitiano, iraquiano e palestino.

10. Cientes de nossas tarefas e dos enormes desafios que se colocam, reafirmamos a necessidade de construir alianças com as organizações e os movimentos populares e políticos em torno de bandeiras comuns, para que, unidos e solidários, possamos construir um projeto popular, capaz de romper com a dependência e subordinação interna e externa ao capital, e de construir uma sociedade igualitária e livre – uma sociedade socialista.

Sarandi, 24 de janeiro de 2009

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST

Educação: Uma bandeira histórica do MST

Desde a 1984, além das ocupações de terra e marchas para pressionar pela reforma agrária no país, o MST luta pelo acesso à educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis para a população do campo. Em toda a sua história, foram conquistadas aproximadamente 2 mil escolas públicas nos acampamentos e assentamentos em todo país, abrindo as portas do conhecimento para 160 mil crianças e adolescentes Sem Terra.

Também foram formados mais de 4 mil professores.Nos últimos anos, foi desencadeado um trabalho de alfabetização de jovens e adultos, que envolve a cada ano 2 mil educadores e mais de 28 mil educandos. Mais de 50 mil pessoas já aprenderam a ler e escrever no MST, que defende que a escola esteja onde o povo está e, conseqüentemente, os camponeses têm o direito e o dever de participar da construção do seu projeto de escola.

"O movimento chegou a conclusão que para implementar um processo de reforma agrária com mais qualidade, onde as famílias possam melhorar a qualidade de vida é preciso elevar a escolarização dos trabalhadores", acredita a integrante do setor de educação, Izabel Grein.

Contra analfabetismo

O MST promove também projetos de alfabetização de jovens e adultos nas áreas de acampamentos e assentamentos em parceria com entidades da reforma agrária, organizações não-governamentais e órgãos estaduais e federais para combater o analfabetismo e garantir que o domínio da leitura e da escrita seja possível para toda a população do campo.

Os principais objetivos dos projetos de alfabetização é transformar os acampamentos e assentamentos em territórios livres do analfabetismo e, para isso, a EJA (Educação de Jovens e Adultos) trabalha com os Sem Terra conteúdos relacionados à realidade rural.

Maria Cristina Vargas, integrante do setor de educação do MST, analisa que a EJA desempenha um papel fundamental porque, além de possibilitar a alfabetização dos lavradores, criou a cultura do estudo no campo. “A EJA começou com o lema ‘sempre é tempo de aprender’, mas o projeto desempenhou um trabalho de educação tão intenso dentro que hoje o lema é ‘todas e todos os sem terra estudando’”.

A alfabetização de jovens, adultos e idosos fomentou a percepção de que todos podem ir além da educação básica e descobrir que são capazes de aprender e ensinar, explica uma das coordenadoras do projeto no Paraná, Vanessa Reichenbach.

Isso se constitui como o primeiro passo do processo educativo, que não acontece apenas na escola, mas em todos os espaços do MST. O desafio é fazer com que o ensino contribua para que os lavradores se apropriem do conhecimento para conseguir aproveitar toda a sua potencialidade e ver o mundo de uma outra forma.

Durante os três anos do projeto Brasil Alfabetizado, realizado em parceria entre entidades da reforma agrária e Ministério da Educação, foram alfabetizando 5500 educandos, além de capacitar 1.820 educadores em acampamentos e assentamentos do MST. O projeto começou em 2003 e atualmente funciona em 23 estados.

Antes disso, a EJA já funcionava em alguns estados com apoio de universidades e secretarias de educação. Até 2002, foram alfabetizados mais de 16 mil trabalhadores do campo em aproximadamente 10 mil turmas.

Os educadores da EJA fazem parte do MST, moram nos assentamentos e acampamentos. A convivência entre educadores e educandos ajuda no aprendizado, uma vez que ambas as partes têm as mesmas referências, desafios e objetivos. Ao longo do trabalho de alfabetização, os trabalhadores rurais perceberam que o grande problema é a ausência de políticas públicas que criem condições para a continuidade dos estudos.

De acordo com Maria Cristina Vargas, o Brasil sempre teve uma política compensatória no campo da educação. “É preciso criar um projeto específico para o campo, que atenda a continuidade da escolarização”, explica.

História

A EJA teve início com a Campanha de Educação de Jovens, Adultos e Idosos, realizada em 1991, no assentamento Conquista da Fronteira em Bagé, no Rio Grande do Sul, com a presença de Paulo Freire (1921-1997),um dos principais pensadores da educação no país e no mundo.

Após um período com experiências fragmentadas, foi firmada uma parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), que possibilitou o trabalho de alfabetização nas áreas de assentamentos e acampamentos do estado.

Um convênio entre Ministério da Educação e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em 1996, levou o projeto para 18 estados. Foram formadas 550 turmas e 8000 educandos. Depois o projeto continuou por meio de parcerias entre secretarias de educação e universidades nos estados.

Em 1997, aconteceu o 1ª Encontro Nacional de Educadores e Educadoras da Reforma Agrária, que reuniu educadores, especialistas e trabalhadores sem-terra para formular um plano de alfabetização no campo. Após o encontro, foi firmado um convênio com universidades, governo federal para a criação do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, que promoveu projetos de alfabetização nos assentamentos e acampamentos.

DADOS SOBRE A EDUCAÇÃO NO MST

- Temos nos assentamentos e acampamentos - em torno de 2 mil escolas públicas (estimativa feita a partir dos dados da PNERA, 2004)

- Destas 2.000 escolas, apenas 250 vão até o Ensino Fundamental completo e são 50 até o Ensino Médio. As demais, são até a 4a série.

- Atuam nessas escolas 10.000 professoras(es)

- Estudantes no MST beiram 300.000 pessoas, incluindo da Educação Infantil até a universidade, passando pela EJA, cursos profissionalizantes. OBS.: muitos estudam fora dos assentamentos, em escolas da cidade, especialmente de 5a a 8a série e mais ainda no Ensino Médio. Não temos dados concretos sobre isso.

- Temos parcerias com pelo menos 50 Instituições de Ensino, entre Universidades, Escolas Agrotécnicas. Somando aproximadamente 100 turmas de cursos formais, num total de mais ou menos 4.000 estudantes jovens e adultos.

Encontro marca a luta do MST pela Reforma Agrária

Da Agência Chasque de Notícias

Ouça a reportagem

Trezentas e setenta mil famílias assentadas e cem mil acampadas em todo o país, duas mil escolas públicas em áreas rurais, 400 associações e cooperativas agrícolas. Estes são alguns dos resultados de 25 anos de luta do MST no país, completados neste mês de Janeiro.

O balanço do período e a projeção para os próximos anos serão feitos por 1,5 mil sem terra no 13º Encontro Nacional do MST, que inicia nesta terça-feira (20/01) e prossegue até sábado, dia 24, na antiga Fazenda Anonni, na cidade de Sarandi, Norte do Rio Grande do Sul. O coordenador do MST, Cedenir de Oliveira, avalia que um dos principais triunfos do movimento é destinar a terra para a produção de comida e não para a especulação ou para exportação, como predomina no agronegócio.

\"É evidente com que não conseguimos fazer com que nosso país efetivasse verdadeiramente uma reforma agrária. Mas ao longo desses 25 anos temos muito o que comemorar. A principalmente contribuição que estamos dando é com que a terra seja destinada para a produção de alimentos\", avalia.

O integrante da coordenação nacional do MST, João Pedro Stedile, considera que a luta pela reforma agrária nos próximos anos exige alianças com demais trabalhadores, como os urbanos. Isso porque a luta pela terra mudou nesses últimos 25 anos. Hoje, além do latifúndio, as transnacionais e muitos governos se colocam como empecilho à reforma agrária.

\"Vamos ter que criar uma grande aliança dentro da classe trabalhadora. Significa que os camponeses vão ter que necessariamente se aliar com outros setores da classe, com os trabalhadores da cidade, para realizar a reforma agrária\", diz.

Somente no Rio Grande do Sul, 13 mil famílias estão assentadas em 200 áreas que até então eram improdutivas ou foram desapropriadas por interesse social. Os assentamentos estão concentrados nas regiões Central, Sul e da Campanha gaúchas.

MST comemora aniversário com festa no Rio Grande do Sul

No próximo sábado (24/11), uma grande festa marcará os 25 anos de lutas e conquistas do MST, com a presença de representantes de entidades e movimentos da sociedade civil, estudantes, autoridades, artistas, personalidades nacionais e internacionais em Sarandi, Rio Grande do Sul.

A comemoração será realizada no encerramento do 13º Encontro Nacional do MST, que reunirá 1.500 integrantes do movimento entre 20 e 24 de janeiro. No Encontro, os militantes farão uma avaliação da luta pela terra, da situação da Reforma Agrária e da agricultura.

Na noite do dia 23/01, acontece a cerimônia do Prêmio Luta pela Terra, um reconhecimento público do MST a entidades, coletivos, personalidades, lutadores e lutadoras sociais que atuam em defesa da Reforma Agrária.

Na história do Brasil, a resistência de um movimento camponês que enfrenta há um quarto de século a violência do latifúndio e do Estado é considerada inédita. Nessa trajetória, o MST ganhou centenas de prêmios e conta com prestígio internacional.

O MST conseguiu assentar 370 mil famílias por meio das ocupações de terras. Atualmente, mais de 100 mil famílias estão acampadas em 24 estados. O Movimento conquistou 2.000 escolas públicas em acampamentos e assentamentos, que garantem o acesso à educação a mais de 160 mil crianças e adolescentes, alfabetizou 50 mil adultos e jovens e formou mais de 4.000 professores.

Com o compromisso de fornecer alimentos para o povo brasileiro, o MST criou mais de 400 associações e cooperativas em assentamentos, que trabalham de forma coletiva para produzir alimentos sem transgênicos e sem agrotóxicos. Há ainda 96 agroindústrias, que melhoram a renda e as condições do trabalho no campo e oferecem alimentos de qualidade e baixo preço na cidade.

Fazenda Anonni

O encontro e a festa serão realizados no assentamento na Fazenda Anonni, que é considerado um símbolo do surgimento do MST. Na década de 60, a área pertencia ao complexo da Fazenda Sarandi, desapropriada pelo governador Leonel Brizola para fins de Reforma Agrária por pressão do Master (Movimento de Agricultores Sem Terra). No entanto, a Reforma Agrária no complexo foi interrompida e suspensa definitivamente com o golpe militar.

Em 1979, trabalhadores Sem Terra retomaram as ocupações como ferramenta de luta, ocupando duas glebas que pertenciam ao complexo da Fazenda Sarandi: as granjas Macali e Brilhante. A ocupação é considerada a gênese do Movimento Sem Terra. Dois anos depois, na estrada em frente à Macali e Brilhante, foi montado o acampamento da Encruzilhada Natalino, transformado em área de segurança nacional pelo regime militar.

Entre os participantes do Encontro Nacional que fundou o MST, em 1984, muitos trabalhadores Sem Terra eram originários destas ocupações. Em novembro de 1984, com o Movimento Sem Terra formalmente criado como movimento nacional, é ocupada a Fazenda Anonni, última parte do complexo da Fazenda Sarandi. Na época, foi a maior ocupação de terras do país com 8.500 trabalhadores rurais.

Mais de 418 famílias estão assentadas atualmente nos quatro assentamentos originados da desapropriação da Fazenda Anonni. Há três escolas de ensino fundamental e uma escola técnica em agroecologia, que atendem crianças e jovens dos assentamentos. Nos assentamentos, funcionam duas cooperativas de prestação de serviços, uma cooperativa de crédito e outra de produção agropecuária. Estão instaladas também uma agroindústria de laticínios e outra de embutidos.

O impacto do assentamento na região é visível: o município de Pontão foi emancipado de Sarandi com a chegada das famílias assentadas. Mais de 70% da produção é destinada aos municípios do entorno e da região de Passo Fundo. A renda média das famílias assentadas é superior a cinco salários mínimos.

Importante - O Prêmio Luta pela Terra e a festa dos 25 anos serão abertos para a imprensa. No dia 23/11, pela manhã, será organizada uma coletiva de imprensa para apresentar as conclusões do Encontro Nacional e uma visita a pontos históricos da luta pela terra e da formação do MST.As atividades entre 20 e 23 serão fechadas.

MST reafirma luta por Reforma Agrária e é homenageado no RS

Mais de 2 mil pessoas participaram do ato político-comemorativo dos 25 anos do MST, realizado no último sábado (24/01) em Sarandi, Rio Grande do Sul. Governadores, prefeitos, deputados, intelectuais e dirigentes políticos nacionais e internacionais levaram seu apoio e reconhecimento à luta do Movimento. O ato encerrou as atividades do 13º Encontro Nacional do MST, que teve início na noite do dia 20/01.

Durante o Encontro, os militantes avaliaram a luta pela terra, a situação da Reforma Agrária e da agricultura no país. O balanço das discussões foi divulgado em um manifesto, em que o MST reafirma o compromisso com a luta pela Reforma Agrária e pelas mudanças necessárias ao país (leia abaixo). “O MST não é a doença do Brasil, é a demonstração da saúde, dos que não se dobram diante da tirania, da opressão e da marginalização. O MST no Brasil é o movimento palestino em Gaza. Esse movimento extraordinariamente organizado, que forma militantes em escolas e universidades, é uma graça de Deus para que a paz seja instaurada no país”, afirmou o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Jackson Lago (PDT), governador do Maranhão, destacou a importância do Movimento na luta pela educação. “O MST desempenha um papel importante nas lutas sociais do país, e especialmente na luta pela erradicação do analfabetismo. Espero que o Movimento continue contando com o apoio da sociedade”. “A gente só luta porque ama, e esse movimento faz com que a gente se contagie com o espírito de liberdade no seu sentido integral”, disse a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT).

“Vocês estão fazendo aquilo que meu pai sempre buscou e pelo qual doou 70 anos de sua vida. Ele sempre disse que o povo precisa se organizar. A história do século XIX é uma história de luta e repressão dos movimentos sociais. No século XX, foi a mesma coisa, apenas a Coluna Prestes não foi derrotada. O MST está seguindo esse exemplo, com muito estudo, para poder transformar o Brasil em um país socialista”, ressaltou Anita Prestes, historiadora e filha dos lutadores comunistas Luiz Carlos Prestes e Olga Benário.

Apoio internacional

Aleida Guevara, médica cubana e filha de Che Guevara, também levou seu apoio a Sarandi. “Quando vou a alguma área do MST, seja um acampamento, assentamento ou escola, sempre sinto a força de vida que emana de vocês. Força que mostra que, quando um povo decide criar seu próprio destino, ele pode”. Representando a Via Campesina Internacional, o dirigente turco Abdullah Aysu afirmou que o MST é símbolo de terra, dignidade e vida para os camponeses da Turquia. “Sempre que algum companheiro do MST cai na luta, nós nos entristecemos na Turquia”, concluiu. Ao final do ato, as delegações dos 24 estados em que o MST atua e uma delegação de convidados internacionais plantaram 25 mudas de árvores – cada uma representando um ano de vida do movimento.

Prêmio luta pela terra

O MST concedeu o Prêmio Luta pela Terra, comemorativo de seus 25 anos, na noite de 23 de janeiro. O prêmio, que existe desde o ano 2000, reconhece entidades, coletivos, personalidades, lutadores e lutadoras sociais com destaque na defesa da Reforma Agrária, do MST, dos movimentos sociais e dos interesses do povo brasileiro. A premiação procura valorizar as iniciativas e lutas de outros movimentos sociais, assim como homenagear aquelas pessoas que dedicaram sua vida em defesa dos interesses do povo brasileiro.

Neste ano, foram concedidos 15 prêmios, em várias categorias. O advogado Jacques Alfonsin e o promotor Afonso Henrique Miranda foram homenageados na categoria Amigos da Reforma Agrária. João Zinclar recebeu o prêmio na categoria fotografia e o Centro de Teatro do Oprimido foi o homenageado na categoria teatro.

MST recebe saudações pelos 25 anos de luta

Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o Movimento Sem Terra e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo. (yo suplico a los dioses y a los diablos que protejan al movimiento sin tierra, y a toda su linda gente que comete la locura de querer trabajar, en este mundo donde el trabajo merece castigo).

Eduardo Galeano – escritor

O MST completa, então, seus 25 anos de luta, de enxada, de poesia, de profecia ao pé da estrada e da rua. Segundo muitos analistas o MST está sendo o movimento popular melhor organizado e mais eficaz "de fato". Sabe muito bem o MST que "a terra é mais que terra", e por isso está se volcando, pertinaz, esperançado, na conquista comunitária da terra, na educação de qualidade, na saúde para todos, numa atitude permanente de solidariedade, em colaboração gratuita e fraterna com todos os outros movimentos populares. Os 25 anos do MST são uma data a celebrar, dando graças ao povo da terra e o Deus da terra e da vida, reafirmando os princípios que norteiam o objetivo e a prática do MST. Recordando a palavra de Jesus de Nazaré: "não podeis servir a Deus e ao dinheiro"; não podeis servir ao latifúndio e à reforma agrária. O latifúndio continua a ser um pecado estrutural no Brasil e em toda Nossa América. Que o MST continue a ser um abanderado desse "socialismo novo" e de uma verdadeira reforma agrária e agrícola, inserido na Via Campesina, na procura e no feitio de uma nova América. Que mantenha viva e produtiva de esperança a memória dos nossos mártires, sangue fecundo, os melhores companheiros e companheiras da caminhada. Que siga entrando, plantando, cantando, contestando, com aquela esperança que não falha porque tem inclusive a garantia do Deus da Terra, da Vida, do Amor.

Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia

O MST desempenhou um papel de grande relevância nesses 25 anos, ao chamar a atenção para a questão da reforma agrária e organizar a luta pelo acesso à terra. Com os movimentos populares em geral, participou ativamente da reconstrução da democracia brasileira, tarefa ainda em curso que exige sempre a unidade na diversidade daqueles que lutam por um país justo e democrático. Parabéns pelos 25 anos.

Ricardo Berzoini – presidente do PT

O MST é o mais profundo e, por isso, o mais importante movimento social brasileiro. Apoiá-lo em todas as suas frentes de luta é lutar pela transformação de nosso país em uma sociedade menos perversa e menos excludentes. Este é o dever de todo socialista e de todo democrata.

Roberto Amaral é escritor, vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro e ex-Ministro da Ciência e Tecnologia

O MST é o movimento social mais importante do Brasil. Se a reforma agrária está lenta, estaria praticamente parada se não fosse o MST. Valorizamos as formas de luta e a maneira de o MST se organizar, necessárias, diante da intolerância e da agressividade dos latifundiários, protegidos pelo estado burguês. O MST, de uns anos para cá, deu um grande salto de qualidade, quando passou a participar das lutas democráticas, populares e antimperialistas e por um mundo sem explorados.

Ivan Martins Pinheiro - secretário geral do PCB

O aniversário do MST marca uma data histórica para a luta de todos os movimentos sociais. Foram 25 anos de enfrentamento, de coragem e de combatividade, mantendo acesa a chama da organização dos trabalhadores. Desde sua origem, o movimento trava batalhas na construção de um Brasil mais justo e, neste percurso, conquistou o reconhecimento dos campesinos como sujeitos históricos, assim como transformou a luta pela reforma agrária numa luta nacional, que deve ser inserida num programa democrático e popular para o nosso país. Que o exemplo do MST siga vivo, inspirando cada um de nós na defesa do socialismo."

Ivan Valente - Deputado Federal PSOL/SP

O MST completa 25 anos de vida e de luta como um dos movimentos sociais mais importantes do nosso país. Foi o movimento que colocou e mantém a luta pela reforma agrária na agenda do país, dentro de uma perspectiva transformadora da sociedade brasileira. Isso não é pouco. E não é outra a razão pela qual o movimento tem sido vitima de tanta perseguição do latifúndio e dos governos. Mas é também a razão pela qual o MST é um parceiro privilegiado de todos e todas que, neste país, lutam pelo fim da exploração e da opressão que afligem a vida da classe trabalhadora. Parabéns ao MST pelos 25 anos de vida e de luta. Vida longa ao MST!

José Maria de Almeida - Coordenação Nacional da Conlutas e do PSTU

Para nós que defendemos o socialismo, a reforma agrária é uma necessidade. Poderia ser uma necessidade, também, para os que defendem o capitalismo. Mas o capitalismo no Brasil se desenvolveu de maneira dependente, altamente concentrada e politicamente conservadora. Para este tipo de capitalismo, a reforma agrária é um problema, não uma solução. No Brasil, a reforma agrária ou será uma conquista da luta dos trabalhadores e de toda a esquerda, ou não será. É por isto que o MST é tão importante, uma organização que deve ser apoiada, defendida e protegida pelo conjunto da esquerda brasileira. Só não digo "vida longa ao MST", porque espero que antes cedo do que tarde consigamos viabilizar seu principal objetivo histórico, que é a reforma agrária no Brasil.

Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT

O MST é a mais democrática organização social que o Brasil tem ou que já teve. Não esquece as necessidades individuais de cada um dos seus integrantes como costumam fazer as organizações políticas e é capaz de conjugá-las com as necessidades mais amplas da luta pela terra. Não só da luta pela terra, mas da luta pela emancipação do Brasil. Não só do Brasil como nação, mas dos brasileiros como gente.

Augusto Boal - diretor artístico do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro

Eu tenho muito prazer em poder parabenizar o MST pela passagem dos seus 25 anos de existência e afirmar que me sinto privilegiada por ter participado de um CD realizado pelo MST em que eu cantei uma música falando sobre a importância da educação e da liberdade. E quero dizer também que a contribuição do Movimento Sem Terra é importantíssima. A contribuição e conscientização que o MST deu para o brasileiro para que isso acontecesse foi fundamental, porque o MST nunca deixou de estar presente nas principais lutas sociais do nosso país, da nossa nação. Por isso, eu me sinto orgulhosa de ter podido participar de vários eventos do movimento sem-terra e dizer que espero que continuem com essa luta, com essa consciência política e que nunca se deixem ser submetidos por oligarquias, por classes dominantes de forma alguma. Se chegamos onde chegamos, o MST também é responsável por isso. Parabéns a todos vocês!

Leci Brandão - sambista

Eu gostaria de parabenizar o MST pelos 25 anos da sua atividade e dizer que esse movimentos tem sido muito importante pro Brasil na questão agrária e na questão social e eu espero que vocês tenham muita saúde, muita paz e muitas realizações nesse ano de 2009.

Lucélia Santos - atriz

Tenho uma grande simpatia e admiração pelo MST. É necessário que haja um movimento organizado de defesa de interesses populares. Evidentemente, o MST visa fundamentalmente a questão da reforma agrária no país, necessária doa a quem doer. É necessário que se reveja a questão agrária no país, até porque a própria colonização portuguesa e a maneira como se distribuiu terras nesse país, desde a colonização, é absurda. É necessário esses movimentos e, paralelamente a isso, o MST estendeu a sua rede para ensino, escolas, como a Escola Florestan Fernandes, de formação cultural e de dar apoio às pessoas que não têm acesso a educação como deveria ser. É um movimento de coragem e de resistência, que a imprensa de um modo geral conservadora sataniza. E chegar como movimento organizado a 25 anos de existência não deixa de ser um grande ato de heroísmo, uma grande vitória.

Osmar Prado - ator

Quero cumprimentar o MST nesta data em que ele comemora os seus 25 anos. Acho que o MST é uma das coisas mais importantes que aconteceram na história recente do Brasil. Acho que o MST teve, tem e terá uma função muito importante na democratização e na distribuição da terra no Brasil. Desejo vida longa ao MST! Desejo muita sorte em seus projetos, muita luta e melhorias para o povo brasileiro que virão através da luta do MST! Um abraço à todos. Parabéns MST pelos seus 25 anos. Parabéns pela importante luta que desenvolve no Brasil e boa sorte.

Paulo Betti - ator

A redemocratização e a normalidade democrática não teria sido possível no Brasil não fosse esse vigoroso movimento, nesses 25 anos que completa o MST. Falta agora à democracia cumprir com sua parte, acabando com as diversas formas de cativeiro no Brasil, entre os quais o cativeiro da terra, o trabalho escravo, o trabalho infantil, a depredação ambiental e a redistribuição de renda, em direção a uma sociedade mais justa. Um grande e vigoroso abraço a esses lutadores.

Chico de Oliveira - Professor emérito da FFLCH-USP

A importância do MST é impar porque ele consegue somar às reivindicações por melhores condições de vida, aqui e agora, uma agenda que questiona profundamente a sociedade capitalista. As reivindicações mais imediatas são indispensáveis para alimentar um movimento de massas. Sem elas não há a expansão e a adesão dos participantes de forma extensiva. Num primeiro momento as pessoas entram na luta para melhorar sua condição de pobreza material - o que é muito diferente do motivo que leva um intelectual à luta social. Essa condição a maior parte dos movimentos sociais apresenta. O que é raro, e essa é uma condição especial do MST, é combinar a luta por melhores condições de vida com a luta por transformações sociais fundamentais como o padrão de consumo, as relações de produção, as relações de poder ou as relações com o meio ambiente, apenas para dar alguns exemplos importantes. Vida longa aos que lutam! Viva o MST!

Erminia Maricato – professora da USP

Vocês chegam ao 25º aniversário com uma história exemplar de luta, inspiração para muitos movimentos no Brasil, na região e no mundo. A história de vocês é um dos pilares da própria tarefa árdua e difícil de democratização de nossa sociedade latifundiária, violenta, racista e machista. O Ibase, como organização de cidadania ativa, sempre esteve "ligado" no MST e dele extraiu ânimo para continuar e ousar em sua própria missão. Orgulhamo-nos da relação política estratégica que mantemos ao longo dos anos com o MST.

Cândido Grzybowski - Diretor Geral Ibase

Embora haja um longo caminho a percorrer na direção de melhores condições de vida aos trabalhadores do campo, bem como para o combate das desigualdades, das injustiças e dos conflitos agrários, no Brasil, é inestimável a contribuição do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - nesses 25 anos de existência - no sentido de promover a justiça social no campo e na cidade, através de ações comprometidas não só com a subsistência digna da população camponesa em seu local de origem, mas, sobretudo, com a qualidade de vida e a produção de alimentos a todo povo brasileiro. A luta segue!

Roberto Franklin de Leão - Presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino - CONTEE parabeniza o Movimento dos Sem Terra pelos seus 25 anos de luta em nome da justiça social, da inclusão da população do campo e da busca por oportunidades iguais para todos os brasileiros. Estamos certos de que é um orgulho para nosso País contar com uma entidade com tal história e combatividade. A CONTEE destaca ainda a valorização dada pelo MST às ações educacionais, tanto no que tange ao incentivo à formulação de políticas públicas de educação, que impulsionem o desenvolvimento do Brasil, quanto na adoção de atividades direcionadas aos companheiros e companheiras que fazem parte do Movimento. Parabéns pelos 25 anos de luta do MST!

Madalena Guasco Peixoto – Coordenadora Geral da CONTEE

Parabéns, ao MST, pelos 25 anos de luta em prol da melhoria das condições de vida dos mais necessitados. Continuo apoiando vocês e desejo que continuem o trabalho de pressionar o governo quanto a necessidade de uma reforma agrária no Brasil. Sugiro que a pressão foque também a carência educacional e a atual matriz tecnológica de produção, no campo, que é excludente e ambientalmente incorreta.

João Luís Homem de Carvalho – agrônomo, professor da Universidade de Brasília e assessor do senador Cristovam Buarque (PDT), é ex-secretário extraordinário de Erradicação do Analfabetismo do Ministério da Educação e ex-secretário de Agricultura do Distrito Federal.

Não é por acaso que a história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, construída ao longo dos últimos 25 anos, é reconhecida em todo o mundo. Manter a luta pela reforma agrária em pauta no Brasil tem sido um dos grandes méritos do MST. A vida e o sangue de trabalhadores e trabalhadoras, mobilizados contra as injustiças do latifúndio e em busca de uma sociedade igualitária, são um combustível para a nossa militância diária em direção ao socialismo.

Dr. Rosinha - deputado federal (PT-PR), presidente do Parlamento do Mercosul.

Ao longo desses 25 anos, o MST se consolidou como um dos mais importantes movimentos sociais brasileiros. Para nós, da FUP (Federação Única dos Petroleiros), o MST é referência de luta e parceiro de inúmeras jornadas. Marcou a sua trajetória o compromisso com um país mais justo para todos, em especial aos mais pobres. A justa e necessária luta pela reforma agrária e democratização do meio rural brasileiro é o seu compromisso principal, mas a compreensão de que a luta se dá em todas as frentes de batalha impulsiona o MST a defender diversas bandeiras como a defesa da soberania nacional. Por tudo isso, podemos afirmar que o Brasil estaria bem pior não fosse atuação do movimento. Valeu companheirada que venham outros vinte cinco anos de lutas e vitórias.”

João Antonio de Moraes - Coordenador Geral Federação Única dos Petroleiros-CUT

Há vinte e cinco anos que o MST luta para mudar a fisionomia excludente e conservadora do nosso país. Através do MST, milhares de brasileiros excluídos da terra e da plena cidadania, milhares de brasileiros sem voz nem querer coletivo, se organizaram e se transformaram em lutadores por seus direitos e em amantes da igualdade, da fraternidade, da dignidade e da justiça. Milhares de brasileiros deserdados da terra, homens e mulheres; velhos, adultos, jovens e crianças; brancos, negros e índios, se irmanaram e, de mãos dadas, acreditaram que, juntos, poderiam mudar seu próprio destino. Enfrentando a onipotência dos poderosos, esta brava gente brasileira adquiriu raízes, identidade, experiência, sonhos e até o projeto de construir uma sociedade mais justa e igualitária. Com muita coragem e obstinação, estão ensinando aos brasileiros que a sua esperança de uma vida digna é a nossa luz no fim do túnel.

Heloísa Fernandes - socióloga, professora da Escola Nacional Florestan Fernandes e professora aposentada da Universidade de São Paulo.

Nas lutas sociais, preservar o que foi construído, avançar em períodos de dificuldades, recusar as imposições e os constrangimentos impostos por uma lógica destrutiva, não perder os sentidos e direções na busca por um novo modo de vida, em tudo e por tudo distinto da tragédia atual, é algo difícil de se manter e de se conquistar, mas é também imprescindível. O MST, em seus 25 anos, vem honrando com dignidade, força, altivez e pujança popular esta batalha. Caminhemos agora para os 50 anos! Vida longa ao MST.

Ricardo Antunes – professor do Departamento de Economia da Unicamp

25 anos de luta, de dignidade, de resgate daqueles que estariam morrendo à míngua e no anonimato no campo, para a cidadania, para a consciência social e política, mas principalmente, resgatar a esperança de um mundo melhor, com que o MST nos acostumou. Parabéns, trabalhadores, companheiros, militantes, vocês moram nos corações dos humanistas de todo o mundo.

Emir Sader - professor do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Hoje, a pressão pela reforma agrária não é uma bandeira exclusiva dos sem terra, porque o MST conseguiu fazer com que ela passasse a ser empunhada também por forças sociais e políticas importantes: CNBB; CUT; intelectuais e artistas progressistas; professores universitários e profissionais do setor agrário, agrupados na Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA); partidos políticos do espectro que vai do centro à esquerda. O MST é um movimento pacífico - apesar do esforço da mídia burguesa para colar nele o estigma da violência, os fatos demonstram o contrário. As ocupações de terra, outrora objeto de processos criminais, já foram reconhecidas pela justiça como atividades que não configuram ilícitos penais, porque representam, na verdade, pressões legítimas de famílias que necessitam um pedaço de terra para poder sobreviver. A opinião publica observa com simpatia o enorme esforço que o Movimento faz para educar as crianças, tanto nas terras ocupadas como nos assentamentos já legalizados, e para capacitar os adultos, a fim de que possam gerir eficientemente as unidades reformadas. Esse apoio dos setores democráticos da sociedade civil ao MST decorre da consciência do enorme serviço que a organização presta à consolidação da democracia brasileira, pois a esperança de conseguir um pedaço de terra é que está impedindo a ocorrência de gestos desesperados no meio rural.

Plinio de Arruda Sampaio - dirigente do PSOL, é presidente da Abra. Foi consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

Los que buscamos un mundo mejor tenemos sueños de dignidad que derrotan paulatina y cotidianamente a la pesadilla de la inequidad, la injusticia y la exclusión. El Movimiento Sin Tierras ha desempeñado un rol interpelador que permanentemente nos recordó durante estas décadas que la reivindicación de un elemento fundamental para la vida como lo es el lugar donde morar, el lugar donde vivir y el lugar donde morir, tiene coherencia no solo con derechos legales fundamentales sino con el sentido mismo de nuestra existencia. Mi valoración a una lucha constante y coherente que se ha multiplicado en la región y por sobre todo se proyecta hacia el futuro como el rumbo hacia una sociedad menos injusta y más solidaria. Feliz aniversario!

Fernando Lugo - Presidente do Paraguai

Companheiros e companheiras do MST: na verdade, eu gostaria que a festa fosse de celebrar a extinção do MST, pois o Brasil teria efetivado a reforma agrária, o latifúndio estaria extinto, a miséria erradicada, os acampamentos suprimidos, os assentamentos considerados prioridades por um governo avesso ao agronegócio. Assim, rogo ao Deus Libertador que não permita que haja comemoração dos 30, 40 ou 50 anos do MST, pois todos terão terra para trabalhar e viver neste país de dimensões continentais. Coragem e que a luta continue!

Frei Betto - escritor e frade dominicano

Por estar em Cuba, em viagem de trabalho, estou enviando essa mensagem de cumprimentos e de solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra pelo seu aniversário de 25 anos. Nesse período, o MST se constituiu em um dos mais importantes movimentos sociais da história do Brasil. Sua contribuição para a conscientização dos trabalhadores rurais e de todo o povo brasileiro com respeito à necessidade de realização da reforma agrária e da instituição no Brasil de políticas que possam significar, de fato, a realização de justiça e a consecução dos anseios de igualdade, fraternidade e liberdade, tem sido fundamental. Ontem, dia 21/01, visitei a Escola Latino Americana de Medicina de Havana que fica no município de La Playa, ocasião em que mantive um diálogo de cerca de duas horas com aproximadamente 200 estudantes brasileiros. Dentre esses estavam alguns integrantes do MST do Rio Grande do Sul muito entusiasmados com a oportunidade de estudar Medicina. Assumi com eles o compromisso de me empenhar pela aprovação do Projeto de Lei que reconhece o diploma obtido por brasileiros pelo estudo de Medicina em Cuba, para que possam exercer sua profissão no Brasil. O abraço amigo.

Senador Eduardo Matarazzo Suplicy

O MST está fazendo 25 anos, se tomarmos como referência a sua data oficial de nascimento: o Primeiro Encontro Nacional realizado em Cascavel, no ano de 1984. Mas se considerarmos as primeiras lutas que deram origem ao MST e que aconteceram entre 1979 e 1983, nas regiões Sul, Sudeste e Centro – Oeste, o MST estaria completando 30 anos. Nestas três décadas, o MST tornou-se um dos movimentos camponeses mais conhecidos do mundo. Está organizado em 24 das 27 unidades da Federação e é um dos mais importantes protagonistas da luta pela terra e do desenvolvimento territorial do Brasil. O MST tornou as ocupações e os assentamentos em espaços e territórios de resistência ao modelo de desenvolvimento expropriador do agronegócio. A agricultura camponesa representa o mundo saudável, a comida - sem veneno - feita na hora. Já foi o tempo em que alguém ousava falar que o campesinato é parte de um mundo atrasado. Cada vez mais, as pesquisas têm demonstrado que o campesinato é parte do mundo moderno. Que além de produzir alimento saudável, luta também para que todos tenham direito à alimentação, defendendo a soberania alimentar. É esta idéia que nos faz compreender porque o MST é um movimento do futuro.

Bernardo Mançano Fernandes - Universidade Estadual Paulista – UNESP

Diferentemente do que insiste a grande imprensa e o pensamento político e jurídico dominante de criminalizar o MST, um balanço atento dos seus 25 anos indica que o mesmo condensa uma experiência de resistência e uma agenda propositiva no campo econômico-social, político, cultural e educacional. Agenda esta que pode superar o legado de uma classe dirigente que, ao longo do século XX , consolidou no Brasil um projeto de capitalismo dependente e uma das sociedades, ao mesmo tempo, que concentra riqueza e iníqua pobreza. No campo educação escolar, mas não só, como educador e pesquisador há 30 anos na área não tenho dúvida em afirma que o MST condensa a proposta mais avançada articulando cultura, experiência, trabalho e conhecimento na perspectiva da emancipação humana.

Gaudêncio Frigotto. UERJ/RJ - Educador

A existência do MST e sua luta é fundamental para que a Reforma Agrária no Brasil se concretize e a luta pela democracia avance. O MST nasceu no processo de democratização do Estado brasileiro e é um patrimônio de todos aqueles que lutam por um Brasil para todos os brasileiros. A luta pela terra não seria uma luta politizadora e de sentido transformador sem os valorosos companheiros do campo. Nós, militantes pela Reforma Urbana, que estamos organizados na CONAM, nos orgulhamos em ter os companheiros do MST como aliados estratégicos nas grandes lutas políticas em nosso país. O ano de 2009 coloca para o conjunto do povo brasileiro desafios a serem enfrentados. Temos a certeza de que o MST continuará a jogar papel preponderante nas lutas sociais de caráter transformador em nosso país. Parabéns pelos 25 anos de luta

Bartiria Lima da Costa - Presidenta da CONAM

Em Portugal, todos quantos lutam contra a ditadura de fachada democrática imposta ao povo acompanham com admiração o combate difícil e heróico do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil. Ao comemorar um quarto de século, o MST aparece-nos como um exemplo de tenacidade e coerência na batalha por uma Reforma Agrária que destrua o latifúndio improdutivo e permita que a Terra passe finalmente para as mãos dos camponeses que a trabalham, libertando-os de uma servidão secular.

Miguel Urbano Rodrigues - ex-deputado do Parlamento Europeu pelo Partido Comunista de Portugal

Nestes 25 anos, o MST ultrapassou fronteiras, constituindo-se no principal movimento social que resgatou as lutas históricas dos camponeses pobres e sem terra por reforma agrária e justiça social no Brasil.

Osvaldo Russo, ex-presidente do INCRA, diretor da ABRA e coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT

Nestes 25 anos do MST, foram assentadas mais de 370 mil famílias tendo o movimento a frente desta luta, contra o latifúndio. Se não fosse esta lutas, estas famílias iriam para os centros urbanos, ocupando as periferias e em muitos casos indo para criminalidade, pois não teriam nenhuma expectativa de vida. Em nosso assentamentos não temos nenhuma família passando fome ou criança fora da escola, por isto sempre desafiamos os que são contra a reforma agrária e ir visitar um assentamento e conhecer esta realidade. Me orgulho por participar desta luta desde a criação do MST.

Adão Pretto - Deputado Federal (PT)

A sociedade civil brasileira, assim como a correlação de forças políticas no campo, vivenciou nestes últimos 25 anos um processo de luta social no qual a qualidade da luta pela terra e na terra foi referência histórica para todos os movimentos sociais populares do campo e da cidade, não apenas devido à ousadia das ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, mas, sobretudo, pela desenvolvimento de uma renovada capacidade de formar politicamente um geração inteira de combatentes sociais nas e para as lutas de superação da sociedade de classes no Brasil. Precisamos de dois, mil, dez mil MSTs neste país e no mundo para que a chama da libertação seja constantemente avivada e possamos derrotar a concepção e prática de mundo capitalista.

Horacio Martins de Carvalho – agrônomo

Da raiz à luta,

Da flor ao fruto,

Do chão ao pão

No caminho da utopia,

Da noite ao novo dia!

Parabéns, pela esperança que semeiam em cada terra repartida coletivamente, pela revolução que brota de cada braço e coração construindo o sonho socialista na ameríndia! Sentir o pulsar forte e firme do MST passa pela terra indígena de Nonoai, passa pela encruzilhada natalina, passa pelo rio grande inacabado, passa pelo Brasil ainda dominado pelo latifúndio. Se a raiz profunda do MST, nasceu do conflito, da enganação política, da expulsão para beira da estrada, do sofrimento e da luta nasceu e está se ampliando a aliança no campo e de maneira especial com os povos indígenas. Ainda existe um longo e duro caminho para amanhecer. Mas a certeza que temos é o caminho e o horizonte que vai se avermelhando com o nascer do sol! Estava ao lado dos índios Kaingang e Guarani de Nonoai, naquele maio e julho de 1978, assim como,deste então,tenho estado ao lado da luta da terra e da justiça nesses 30 anos de mobilização e organização da esperança na partilha da terra e construção de um novo projeto político para o país.

Egon Heck - Cimi/MS

Nos últimos 25 anos, o MST tem pautado um dos problemas centrais do país: a desigualdade, em especial no que se refere ao acesso à terra. Sob essa perspectiva, tem sido um agente importante da democratização da nossa sociedade. Ao mesmo tempo, renovando sempre sua pauta, tem conseguido trazer a debate, além dos efeitos da concentração fundiária, questões chaves, tais como o controle da produção de sementes por grandes empresas transnacionais, os riscos da transgenia, a desnacionalização da propriedade da terra, entre outros. Merece ainda destaque o esforço educacional, que vem qualificando trabalhadores para participar como sujeitos dos debates políticos e da transformação da sociedade onde vivem.

Leonilde Servolo de Medeiros - Professora do Programa de Pós-graduação de C. Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Os 25 anos do MST devem ser celebrados como ele merece. Ponta de lança na luta pela transformação da sociedade, o movimento desde o início confrontou a pior das iniqüidades de nosso país, onde elas não faltam, e que é a iniqüidade do acesso à terra. São 25 anos de lutas incessantes, de sacrifícios, de conquistas e de vitórias extraordinárias. O MST tornou-se um exemplo para o mundo e seu prestígio é reconhecido em toda parte. Saúdo a todos e comemoro o aniversário.

Walnice Nogueira Galvão, escritora e editora

Chegar aos 25 anos de marcha e caminhada dos pobres da terra é já um marco da memória social do continente. ousar caminhar, ousar se mover e mover a história é o que regula a pisada e o tamanho do passo. Para todos do nosso movimento: esperança, desejo, utopia, horizonte e fartura de vida na terra. um grande e comovido abraço.

Adelaide Gonçalves - Historiadora e Professora da Universidade Federal do Ceará

Quantos momentos de educação e de cidadania eu poderia relembrar para celebrarmos juntos os 25 anos do MST e agradecer suas lições... Mas vou recordar alguns ensinamentos que recebi com o testemunho de uma grande liderança do MST, Roseli de Oliveira. a Rose, da Fazenda Anoni, a Rose do filme Terra para Rose. A ocupação da Fazenda Anoni estava para acontecer. Também o filho de Rose estava para nascer no final de outubro de 1985. Nas reuniões de preparação, lá com as vizinhas e vizinhos do Município de Rondinha, Rose confiava às amigas a pressão que estava sofrendo sobre os riscos que poderia acontecer ao nenê - o que a deixava em dúvida de ir junto ou logo depois do nascimento do nenê para ocupação. As vizinhas então

responderam a Rose: "Ah Rose se você não vai - nós também não vamos". Rose, então, não vacilou e junto com o marido, filhos e suas vizinhas partiu para Sarandi para transformar o latifúndio da Fazenda Anoni em terra de produção de fartura e dignidade. Uma vez cortada a cerca da propriedade improdutiva Rose entrou em trabalho de parto e lá no Hospital de Passo Fundo com o nenê no colo decidiu que também filho deveria ser tratado com responsabilidade comunitária e não como propriedade particular. Então pediu que os 16 núcleos do Acampamento da Fazenda Anoni opinassem o nome do seu filho. E assim o menino recebeu o nome de Marco (o primeiro marco nascido no acampamento) Sepé Tiaraju - em homenagem ao primeiro mártir da reforma agrária no Rio

Grande do Sul. Em 1987 os agricultores de todo o país encontravam-se endivididados com os Bancos. Muitas mobilizações se espalharam no país. Rose colocou-se ao lado dos pequenos agricultores para que eles não viessem a ser também trabalhadores sem terra. Foi numa mobilização de agricultores que Rose e outros dois sindicalistas foram mortos no Município de Sarandi. A grandeza do Movimento está alicerçada em ações de brava gente como foi Rose e como são os companheiros e companheiras do MST. Sou uma aprendiz do projeto vivido nas várias Escolas de Vida do MST. Parabéns.

Sueli Bellato – comissão de Anistia do Ministério da Justiça

O MST mostrou, desde o seu nascimento, que é possível lutarmos e construirmos uma sociedade radicalmente humana e igualitária;que é possível atuarmos, em todos os âmbitos da vida em sociedade, pautados pelos melhores valores surgidos ao longo da história humana, constituídos por religiões, por correntes filosóficas e por povos lutadores em busca da dignidade; que é possível tornar a prática da solidariedade, desde a interpessoal até a internacional, a essência mesma das nossas relações humanas, sociais, econômicas e políticas; que é possível mantermos sempre no nosso horizonte a perspectiva de uma sociedade livre e socialista e atuarmos, a cada dia e a cada minuto, de maneira coerente na construção compartilhada deste sonho coletivo. Posso afirmar que, desde antes de 1984, o MST mudou a minha vida, das gerações que vieram desde então e do próprio povo brasileiro. Desde quando a quarta fralda foi colocada na cruz da Encruzilhada Natalino, em 1979, foi selada uma ampla aliança histórica pela transformação radical da sociedade brasileira, pelo fim definitivo dos sofrimentos de nosso povo, dos povos latino-americanos e do Terceiro Mundo. O MST segue atuando como exemplo maior desta aliança estratégica. Estamos e estaremos sempre juntos, cotidianamente, na busca determinada pela realização deste sonho de todos nós.

Paulo Maldos - assessor político do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)

São 25 de luta, de vitórias, de derrotas. É assim a vida!!! O saldo é altamente positivo. É olhar e ver a organização da luta, seus resultados, o aumento do nível de consciência ... Cada nova ocupação é imediatamente acompanhada pela nova escola, tendo na formação um de seus pontos principais. Quem sabe disso, quem lê isso na grande imprensa? E ainda assim o MST avança, a Reforma Agrária avança, a luta avança para construir uma sociedade mais justa, fraterna, humana, onde o homem/mulher seja irmão um do outro e não seu empregado.

Longa vida ao MST.

Raymundo Oliveira - ex-deputado estadual pelo MDB-RJ, ex-presidente do Clube de Engenharia e professor da UFRJ

Parabéns pela luta pela reforma agrária e pela luta contra o neoliberalismo, contra as privatizações, pela retomada da Vale do Rio Doce, por um novo modelo econômico no Brasil e por uma nova ordem mundial.

Clair da Flora Martins, advogada, ex-deputada federal, é presidente do Instituto Reage Brasil

Meus caros amigos e companheiros de lutas, feliz do país que, em um mundo em que todos buscam a volúpia e o equívoco da vida na cidade, especialmente nas pobres e grandes metrópoles, tem um movimento sério no sentido contrário, de volta ao campo. Coisa rara nesse mundo das hegemonias vorazes. PARABÉNS E VIDA LONGA AO MST. CADA VEZ MAIS SUCESSO EM SUAS DURAS LUTAS. POIS ELAS CONTINUAM, COMPANHEIROS!
Abraço,

Maria Adélia de Souza
Professora Titular de Geografia Humana da USP

Tenho com o MST, e com os primórdios do MST, há mais de 25 anos, uma relação de admiração e
compromisso, que continua até hoje. Transmitam aos companheiros e companheiras do MST, que
ao longo deste quarto de século, com sacrifícios pessoais e coletivos dificilmente quantificáveis, mantiveram alta a bandeira da luta pela terra, associada à luta pelo socialismo, à luta pela libertação de toda a classe trabalhadora, à luta pela soberania do nosso país, os meus parabéns
por esta epopéia que é a história do MST até os dias de hoje. E acrescento os votos de que a luta do MST continui com o mesmo vigor e a mesma determinação, fortalecendo cada vez mais, ideologica e organizativamente, a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil pela liberdade, pelo socialismo.
Um grande abraço,

Claus Germer
Prof. da UFPR

O saudoso Carlito Maia, com seu extraordinário senso de humor, já dizia que no futuro os estudiosos do atual período histórico vão perceber com clareza e afirmar com convicção que o século XXI, na história brasileira, vai ser o século da luta entre os sem terra e os sem vergonha.
Um abraço ao MST.

Leandro Konder, filosofo, PUC-RJ

companheiros, são vocês os responsáveis pela esperança de tantos. Parabéns e a luta continua.

Tutuca (açao da cidadania de Barbacena)

A questão agrária no Brasil — onde se apresenta um forte predomínio do monopólio da terra, de grandes áreas improdutivas e com a presença de gigantescas empresas monopolistas nacionais e estrangeiras — sobre os quais se desenvolveu o capitalismo no campo, é muito importante o papel que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, nestes seus 25 anos de atividade desenvolveu e desenvolve, no sentido da mobilização dos que na terra queiram trabalhar. Ao lado dessa ação permanente, o MST também se destaca no caminho da unificação dos movimentos sociais no país e em toda a América Latina, pela soberania nacional, pela Reforma Agrária por uma verdadeira alternativa civilizacional avançada em nossa terra.

Renato Rabelo, presidente do Partido Comunista do Brasil

Nestes 25 anos, muros caíram e se ergueram. A expansão capitalista – e, com ela, a crise – ganhou o planeta. Mas resistências surgiram contra a exploração e a dominação de classe; a opressão de gênero; a degradação ambiental; a opressão nacional; em defesa da cultura; por novas formas de internacionalismo; por métodos de luta e organização que aprofundem a participação popular na política. Em tempos difíceis, o MST, atuando nestas múltiplas frentes, ousou, acertou muito e – o que é melhor – em boa companhia: com os que nada têm a perder a não ser os grilhões que os arrastam – e com eles a humanidade – para a barbárie. Mais do que parabéns, a solidariedade ativa.

Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida - PUC-SP

São 25 de luta, de vitórias, de derrotas. É assim a vida!!! O saldo é altamente positivo. É olhar e ver a organização da luta, seus resultados, o aumento do nível de consciência ... Cada nova ocupação é imediatamente acompanhada pela nova escola, tendo na formação um de seus pontos principais. Quem sabe disso, quem lê isso na grande imprensa? E ainda assim o MST avança, a Reforma Agrária avança, a luta avança para construir uma sociedade mais justa, fraterna, humana, onde o homem/mulher seja irmão um do outro e não seu empregado. Longa vida ao MST.

Raymundo de Oliveira
Sociedade de engenharia do Rio de Janeiro

Na década de 80 surge o MST. Ideologia laica, mas que soube compreender e acolher os que vinham de matriz religiosa. O MST, nesse sentido, é uma síntese da história da luta camponesa no Brasil. Influenciou a formação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) e outros. A chave histórica do MST é a “ocupação de terras”. As 370 mil famílias assentadas em 7,5 milhões de hectares é uma conquista gigantesca em qualquer país do mundo. Cada ocupação vale mais que marchas, manifestações, discursos e outras formas de marcar presença na sociedade. Só ela mexe com o coração do capital. Todas as outras ganham sentido quando essa existe. O futuro do MST depende também da sabedoria de seus dirigentes. A luta pela terra não morreu. Basta olhar para índios, quilombolas e comunidades tradicionais. É no campo que está o confronto com o grande capital em todo o mundo: alimentos, energia, biodiversidade, água, solos, territórios, enfim, todos os bens naturais estão em seu último estágio de apropriação privada. Essas vítimas históricas dos saqueadores de riquezas, territórios e do capital moderno dizem que a história continua. Na luta pela terra está o futuro do MST. Vida longa a esses lutadores brasileiros.

Roberto Malvezzi (Gogó) - Membro da coordenação nacional da CPT

O Brasil deve a vocês a participação decisiva no processo de construção da democracia, seja pelo movimento se constituir em canal de organização social e política dos camponeses e dos pobres do país, seja pelos avanços na democratização da terra ou pela conquista da cidadania de milhões de brasileiros. Aprendi com o Movimento que nada se conquista sem luta e que para lutar é preciso ter sonhos, senso de justiça, valores solidários e humanistas, além de muita determinação. E que a vitória está nas pequenas-grandes conquistas, que se expressam na construção da consciência em sua militância, mas também no despertar para a solidariedade na sociedade brasileira como um todo; nos gestos simbólicos, como o ostentar da bandeira do movimento por um militante, mas também nas grandes caminhadas com as quais se busca mobilizar o país para suas causas. Aprendi, enfim, que a vitória está nessa caminhada, pois mesmo se um dia tivermos alcançado progressos satisfatórios com relação à democratização da terra, ainda assim a mobilização será necessária para lutarmos contra outras injustiças que caracterizam nossa sociedade. Sinto-me parte constitutiva da história do Movimento. Sentimento que me faz ter orgulho da nossa história.
Ao MST deixo o meu agradecimento por tudo que fizeram e por tudo que ainda irão fazer por nosso país.

Rogério Sottili
Secretário Adjunto
Secretaria Especial dos Direitos Humanos

Les envío un saludo cordial por los 25 años del MST. La lucha de ustedes es vital para consolidar el logro de mejores condiciones de vida para el pueblo Brasileño y son ejemplo para la region y el mundo que en ese proceso no vale las claudicaciones y si la coherencia, la firmeza y el conocimiento para poder disernir que aunque tengamos en la región gobiernos con tendencia más progresistas existen contradicciones, que no permiten llegar aún a la solución de los grandes problemas; como la pobreza, la exclusión social, la estructura de tenencia de las tierras, soberanía alimentaria, soberanía energética, las asimetrías en la integración entre otros. La solidaridad activa que realizan en favor de los pueblos es la clave para lograr la unidad de los sectores sociales y populares que nos permita llegar a la justicia social y una verdadera integración humanista. En ese sentido estamos orgullosos de ustedes por el apoyo permanernte al pueblo paraguayo en relación a los planteamientos en Itaipú, que es muy valorada por las organizaciones sociales y populares del Paraguay y con mucho destaque en los medios masivos de comunicación. Estamos seguros que esta acción será determinante para llegar a un buen acuerdo para beneficio de nuestros paises. Saludos fraternales.

Roberto Colmán, Miembro de la Conducción Nacional del Frente Social y Popular - FSP

Ao lado de companheiros e companheiras do Brasil e do mundo inteiro, envio minhas felicitações ao MST por ocasião dos seus 25 anos existência. Um quarto de século de luta contínua e incansável. Para mim é motivo de orgulho e uma honra fazer parte, ainda que de forma bem modesta, mas com apoio incondicional, desta organização responsável por transformar o sonho de homens como Florestan Fernandes em uma realidade concreta e palpável. Em tempos de barbárie e crise globalizada resultante da inversão dos valores humanitários, quando palavras como solidariedade estão sendo arrancandas dos dicionários, o MST representa uma centelha que ilumina e reacende a esperança de milhares de pessoas ao redor do planeta. Parabéns e um grande abraço.

Marcia Camargos

Sigo pensando en que tenemos mucho que aprender del Movimiento de los Sin Tierra, de su espíritu de lucha y su mística, de la seriedad con se toma la formación ideológica; de su solidaridad con los movimientos campesinos y revolucionarios del mundo. Se que la lucha no es fácil en Brasil, pero tengo confianza en que los compañeros y compañeras que militan en el MST nunca claudicarán por difícil que sea el camino. Un abrazo fraterno lleno de sueños y esperanzas a todas y todos.

Marta Harnecker - Centro Internacional Miranda

Parabéns pelos 25 de vida do MST! São 25 anos de lutas, vitórias e sonhos. São 25 anos marcados pela certeza que a terra pode e deve ser partilhada, repartida, socializada e tornar-se lugar onde se produza a vida e o alimento sagrado de cada dia. Mas os 25 anos são também um período onde o MST fez os pobres sonharem com um mundo melhor e acreditar que é possível construir um mundo diferente deste que está aí: um mundo com as marcas da justiça, da fraternidade e da beleza.
Que os próximos anos que se seguem sejam a continuação desta caminhada! Que Deus abençoe os trabalhadores e trabalhadoras sem terra e também os sem-terrinha! Um abraço fraterno.

Frei Ildo Perondi - Londrina - PR

Sinto-me honrada por conhecer, respeitar, acompanhar e apoiar os passos deste Movimento que, ao longo de toda sua existência, vem servindo de exemplo de determinação, fé e fraternidade na trajetória dos que querem transformar em realidade o sonho de um país onde os campos e as cidades sejam socialmente justos. Viver para ver os 25 anos de luta do movimento social mais sólido e mais ativo dos últimos tempos no país é assistir à consolidação da voz popular de gente que persiste e acredita em uma sociedade organizada e movida de modo, verdadeiramente, democrático. Tenho acompanhado de perto, por todos esses anos, as muitas conquistas do MST. Saúdo hoje, com alegria, o 25º aniversário do grupo que chega à sua juventude sem perder o foco e sem abrir mão de seus ideais, apesar de muitas vezes ser alvo de criminalizações pela imprensa, pelo poderio econômico ou mesmo pela elite política.Eu e toda a equipe da CESE renovamos nosso compromisso histórico com o Movimento em suas lutas que contribuem para a radicalização da democracia. Parabenizamos as companheiras e os companheiros, ao tempo em que manifestamos nosso orgulho em fazer parte dessa rede emancipatória. Viva a Reforma Agrária! Vida longa ao MST!

Eliana Rolemberg - Diretora Executiva da CESE

O que seria do Brasil sem vinte e cinco anos de MST?
Nos ajudou a nunca esquecer que 500 anos da colonização não foram suficientes para que os direitos das pessoas e dos grupos sociais do andar de baixo fossem reconhecidos, a nos lembrar que os Senhores de escravos continuam agindo impunemente entre nós; tornou visíveis as lutas, as conquistas e as esperanças passadas e presentes dos que a história oficial ignora e com isso nos deu fé no futuro; nos ajudou a acreditar que, sim, um outro Brasil e um outro mundo são possíveis.
Muito obrigado a todas e todos seus membros.

Jean Pierre Leroy, Fase

El equipo de Fratelli dell'Uomo se une a ustedes en las celebraciones de sus 25 años.
Y les comunica que se acerca otro aniversario... Nosotros cumplimos 40 años este el proximo 28 de abril.... Quisiera pedirles un favor: que cuando tengan un momento de tiempo alguien de usedes nos mande un breve mensaje que podamos traducir y poner en nuestra publicaciòn periodica (y utilizar eventualmente en algun evento). Pocas lineas, como lo que se manda a un amigo que cumple años... Les agradezco desde ya. Un abrazo.

Rodolfo Canciani

A marca do MST nesses 25 anos de vida é maior do que a luta pela Reforma Agrária, tão urgente e necessária. É a marca da luta pela igualdade de direitos para todos, por uma sociedade mais justa e fraterna. Tenham a UNE, a UBES e os estudantes brasileiros como grandes aliados nesta batalha! Que esses 25 anos sejam comemorados com muitas lutas unitárias nas ruas! Viva a luta pela Reforma Agrária! Viva o MST!

Lúcia Stumpf - presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE)

Ao lado de companheiros e companheiras do Brasil e do mundo inteiro, envio minhas felicitações ao MST por ocasião dos seus 25 anos existência. Um quarto de século de luta contínua e incansável. Para mim é motivo de orgulho e uma honra fazer parte, ainda que de forma bem modesta, mas com apoio incondicional, desta organização responsável por transformar o sonho de homens como Florestan Fernandes em uma realidade concreta e palpável. Em tempos de barbárie e crise globalizada resultante da inversão dos valores humanitários, quando palavras como solidariedade estão sendo arrancandas dos dicionários, o MST representa uma centelha que ilumina e reacende a esperança de milhares de pessoas ao redor do planeta. Parabéns e um grande abraço,

Marcia Camargos

Pela passagen do 25º aniversário de fundação do MST, através da mediação de sua pessoa, quero parabenizar esse movimento fantástico e teimoso que tantas lições nos deu nesses 25 anos. Devo dizer que, em minha opção de vida, muitas lições e ajudas recebi desse movimento. Daí meu reconhecimento modesto e sincero. Em frente sempre, teimosamente! Abraços.

Pe. Tedesco

La esencia y la razón de ser del campesino es la madre tierra, aquella que desde épocas inmemorables nos la han arrebatado, nos la han saqueado, nos la han maltratado, nos la han herido de muerte, madre tierra que luchamos, que peleamos, que defendemos que amamos.
En estas fechas al cumplirse los 25 años de existencia y resistencia del Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra del Brasil, conformado por hombres y mujeres que sueñan y luchan por la vida digna, por la reforma agraria, por la soberanía alimentaria, por un mundo justo e igualitario. Hombres y mujeres que muchos de ellos y de ellas han ofrendado su vida, y su libertad en la búsqueda de sus ideales. Hombres y mujeres que han implementado en la práctica el sentido de la solidaridad, el internacionalismo de la lucha campesina sembrando la esperanza para los habitantes del campo y ciudades del Brasil y del mundo. Hoy hacemos un reconocimiento público a Ustedes compañeros y compañeras militantes del MST Brasil, que luchan y se fortalecen en el proceso organizativo, sin inclinar su frente ni claudicar en su lucha por la libertad con dignidad. Hacemos un reconocimiento público y rendimos un sincero homenaje a esos compañeros y compañeras que han ofrendado valientemente su vida en la búsqueda del mundo soñado. Ratificamos nuestro compromiso de continuar con Ustedes sembrando los caminos de justicia y dignidad, en la defensa y recuperación de la madre tierra, la soberanía alimentaria y los derechos de los campesinos afrodescendientes e indígenas de nuestra América y el mundo.

Los y las alentamos a continuar adelante marcando el camino y construyendo unidad en la construcción del nuevo modelo de sociedad para el mundo.

Feliz 25 años compañeros y compañeras hombres y mujeres del MST.

Coordinador Nacional Agrario de Colombia C.N.A

Asociación campesina de Antioquia ACA
Asociación campesina de Inzá Tierradentro.
Asociación de agricultores del centro del valle ASOAGROS
Asociación de pequeños y medianos productores del oriente antioqueño ASOPROA.
Asociación Departamental de Usuarios Campesinos de Arauca ADUC.
Asociación Vía Sumapáz Cundinamarca.
Comité de integración de macizo colombiano CIMA.
Comité de Integración social del Catatumbo CISCA.
Coordinador Regional Agrario de Nariño
Federación Agrominera del Sur de Bolívar FEDEAGROMISBOL.
Movimiento Campesino de Cajibío. MCC
Proceso Tiendas Cooperativas del Tolima.
Instituto nacional sindical INS.

Parabéns MST, pelos 25 anos de luta! A Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) parabeniza o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pelos 25 anos de luta pela Reforma Agrária e por um Brasil livre e soberano. Não é possível falar de desenvolvimento nacional sem a realização de uma ampla Reforma Agrária, que possibilite o acesso à terra a milhões de camponeses e que organize a produção agrícola com base na soberania nacional e no combate aos monopólios. Estamos seguros que a luta do MST representa esse anseio, que é de todo o povo brasileiro.

Executiva Nacional da CGTB

É com imensa satisfação que a comunidade autônoma Utopia e Luta-MNLM, através dos companheiros participantes das comemorações dos 25 anos de luta do MST, declara o total apoio e disposição em colaborar desde nossa base urbana na consolidação necessária da unidade programática e estratégica campo-cidade. Duas realidades aparentemente distantes pelas determinações de seus meios geográficos naturais e culturais,mas profundamente inseparável na relação sócio econômica,ambiental e ideológica. Estamos dispostos a trabalhar desde nossa complexidade urbana, onde acham-se concentrados os poderes da desinformação, o consumismo e a oligarquia financeira neoliberal. Trabalharemos pela reivindicação constante e soberana na importância de consolidar a vital reforma agrária sustentável e revolucionária. Como também alertas ao chamado dos companheiros na defesa de nossa soberania econômica, ante a profunda crise atual e seus efeitos. Parabéns por existir. Para todos nós.

Coordenação Utopia e Luta - MNLM

Em nome do Núcleo Agrário da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, saúdo o MST pela realização do 13º Encontro Nacional do Movimento, que coincide com a comemoração dos seus 25 anos de lutas e conquistas em favor da democracia e da justiça social no Brasil. Muito nos honra que desde as legislaturas após a promulgação da atual Constituição do país, o MST se mantenha como um aliado de todas as horas e mesmo um protagonista da história do Núcleo Agrário. Quero ressaltar que em pouco tempo de existência o MST já marcou positivamente a história contemporânea do Brasil. Não exclusivamente pelas lutas sociais em torno da reforma agrária, mas pelo exemplo de organização popular educadora e transformadora que inclusive ultrapassou as fronteiras do país tecendo laços de solidariedade entre as populações deserdadas em várias partes do mundo. Saibam as companheiras e os companheiros, que continuarão a contar com o apoio incondicional, não apenas do Núcleo Agrário, mas certamente de todas as instâncias do Partido dos Trabalhadores, contra as ações da extrema direita que permanentemente conspiram, sem êxito, pela criminalização e a destruição do MST. A realização do 13º Encontro Nacional do MST, neste momento de crise terminal do neoliberalismo constitui oportunidade histórica para as reflexões da companheirada acerca do papel da reforma agrária para um novo projeto econômico e de sociedade para o Brasil. Sucesso no evento e êxito na definição das novas táticas e estratégias do Movimento!

Deputado Beto Faro – Coordenador do Núcleo Agrário Bancada Federal do PT

Muito obrigado pelo convite para a comemoração em Sarandi, RS, dos 25 anos do MST. Achei muito feliz a iniciativa da escolha do lugar simbólico para esta celebração. Acredito que este espaço e este tempo serão fonte de vida nova para a caminhada do movimento na atual conjuntura brasileira. Estou em comunhão com vocês. Abraços solidários.

Dom Tomás Balduíno – Bispo CPT

Referente obligado es el MST para las luchas latinoamericanas. Nos obliga a seguir pensando, soñando y actuando en la construcción de otro mundo, en el que el trabajo sea motivo de orgullo y dignidad. Felicidades.

Ramiro Serna Castillo
Presidente Consejo Estatal
Partido de la Revolución Democrática
Baja California Sur, México

As cercas
Crescem com o dia
Demarcam
A imensidão
Do latifúndio
E calam
O murmúrio
Das sementes

Nas madrugadas
O camponês
Arma o coração
Da derrubada

O arame farpado
Não deterá jamais
O grito
Da aurora
Ocupada!

Carlos Pronzato

Neste importante momento em que são celebrados 25 anos de lutas, martírios, dores, alegrias, conquistas e de muitas esperanças semeadas pelo MST quero, em meu nome e em nome do Conselho Indigenista Missionário, expressar nossa admiração e compromisso com os lutadores e lutadoras deste insubstituível movimento de vida. Ao mesmo tempo expresso preocupação com relação ao Brasil que se desenha para o futuro e que está sendo gerenciado no presente, um Brasil centrado numa visão economicista, desenvolvimentista e concentrador (ainda mais) de terra, renda e poder. Serão necessários ainda grandes esforços para reverter esta estrutura, serão necessários outros movimentos, outros partidos, outros sindicatos, mais comprometidos e enraizados na terra, no chão da vida e no cotidiano daqueles que sofrem e clamam por seus direitos. Parabéns e irmanados na reforma agrária, na luta dos Povos Indígenas pela demarcação e garantia das suas terras seguiremos andantes, esperançosos e abraçados na construção do outro mundo possível.

Roberto Antonio Liebgott - Vice-Presidente do Cimi

Na oportunidade em que agradeço a atenção pelo envio dos informes abaixos quero parabenizar o MST por estes vinte e cinco anos de luta, vitórias e conquistas. Nestes últimos vinte e cinco anos o Brasil só tem a agradecer a ação desenvolvida pelo MST, no combate ao latifundio, a pobreza e á desigualdade social e econômica. Depois de tantas lutas e tantos líderes que sacrificarm suas vidas em defesa da terra e por uma reforma agária sob controle dos trabalhadores, desde os primeiros movimentos camponeses, dos Quilombos, Canudos, das Ligas Camponesas e tantos outros, esperamos construir um Brasil onde a terra seja para quem dela necessita e nela trabalha. E o MST é o caminho para a construção desse projeto. As elites e a burguesia temem o MST porque êle significa luta, poder, democracia, socialismo, meio ambiente, direitos humanos, luta pela pazl, liberdades democráticas e principalmente participação politica . Mas tudo a custa de muita luta, suor e sangue. Como maior movimento de massa desse país sei que se preciso for o MST continuará a luta por mais vinte e cinco anos, no entanto espero que o atendimento de suas reivindicações não chegue a tanto tempo , gostaria de comemorar o fim dessa angustia. Contem com um velho companheiro de luta, para ' OCUPAR, RESISTIR E PRODUZIR '

Acilino Ribeiro - Advogado, Ex-Superintendente do Incra-PI e ex-Presidente do Interpi (Instituto de Terras do Piauí). Coordenador Nacional do MDD - Movimento Democracia Direta

MST: 25 anos de teimosia

Por João Pedro Stedile

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Em janeiro de 1984, havia uma processo de reascenso do movimento de massas no Brasil. A classe trabalhadora se reorganizava e acumulava forças orgânicas. Os partidos clandestinos já estavam na rua, como o PCB, PcdoB, etc. Tínhamos conquistado uma anistia parcial, mas a maioria dos exilados tinham voltado. Já havia se formado o PT, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a CONCLAT (Coordenação Nacional da Classe Trabalhadora). Amplos setores das igrejas cristãs ampliavam seu trabalho de formiguinha, formando consciência e núcleos de base em defesa dos pobres, inspirados pela Teologia da Libertação. Havia um entusiasmo em todo lugar, porque a ditadura estava sendo derrotada e, a classe trabalhadora brasileira, na ofensiva, lutando e se organizando.

Os camponeses no meio rural viviam o mesmo clima e a mesma ofensiva. Entre 1979 e 1984, se realizaram dezenas de ocupações de terra em todo o país. Os posseiros, os sem terra e os assalariados rurais perderam o medo - e foram à luta. Não queriam mais migrar para a cidade como bois marcham para o matadouro (na expressão de nosso saudoso poeta uruguaio Zitarroza).

Fruto de tudo isso, nos reunimos em Cascavel, em janeiro de 1984, estimulados pelo trabalho pastoral da CPT, lideranças de lutas pela terra de 16 estados brasileiros. E lá, depois de cinco dias de debates, discussões, reflexões coletivas, fundamos o MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Os nossos objetivos eram claros: organizar um movimento de massas a nível nacional, que pudesse conscientizar os camponeses para lutarem por terra, por reforma agrária (mudanças mais amplas na agricultura) e por uma sociedade mais justa e igualitária. Queríamos, enfim, combater a pobreza e a desigualdade social. A causa principal dessa situação no campo era a concentração da propriedade da terra, apelidada de latifúndio.

Não tínhamos a menor idéia se isso era possível. E nem quanto tempo levaríamos na busca de nossos objetivos. Passaram-se 25 anos, muito tempo. Foram anos de muitas mobilizações, muitas lutas e de uma teimosia constante, de sempre lutarmos e nos mobilizarmos contra o latifúndio. Pagamos caro por essa teimosia. Durante o governo Collor fomos duramente reprimidos, com a instalação inclusive de um departamento especializado na Policia Federal para o combate aos sem-terra. Depois, com a vitória do neoliberalismo do governo FHC, foi o sinal verde para os latifundiários e suas polícias estaduais atacarem o movimento. Tivemos em pouco tempo dois massacres: Corumbiara e Carajás. Ao longo desses anos, centenas de trabalhadores rurais pagaram com sua própria vida o sonho da terra livre.

Mas seguimos a luta. Brecamos o neoliberalismo elegendo o governo Lula. Tínhamos esperança de que a vitória eleitoral pudesse desencadear um novo reascenso do movimento de massas, e com isso a reforma agrária tivesse mais força de ser implementada. Não houve reforma agrária durante o governo Lula. Ao contrário, as forças do capital internacional e financeiro, através de suas empresas transnacionais, ampliaram seu controle sobre a agricultura brasileira.

Hoje a maior parte de nossas riquezas, produção e distribuição de mercadorias agrícolas está sob controle das empresas transnacionais. Elas se aliaram com os fazendeiros capitalistas e produziram o modelo de exploração do agronegócio. Muitos de seus porta-vozes se apressaram a prenunciar nas colunas de jornalões burgueses que o MST se acabaria. Lêdo engano. A hegemonia do capital financeiro e das transnacionais sobre a agricultura não conseguiu, felizmente, acabar com o MST. Por um único motivo: o agronegócio não representa solução para os problemas dos milhões de pobres que vivem no meio rural. E o MST é a expressão da vontade de libertação desses pobres.

A luta pela reforma agrária, que antes se baseava apenas na ocupação de terras do latifúndio, agora ficou mais complexa. Temos que lutar contra o capital, contra a dominação das empresas transnacionais. A reforma agrária deixou de ser aquela medida clássica: desapropriar grandes latifúndios e distribuir lotes para os pobres camponeses.

Agora, as mudanças no campo para combater a pobreza, a desigualdade e a concentração de riquezas depende de mudança não só da propriedade da terra, mas também do modelo de produção. Se agora os inimigos são também as empresas internacionalizadas, que dominam os mercados mundiais, significa também que os camponeses dependerão cada vez mais das alianças com os trabalhadores da cidade para poder avançar nas suas conquistas. Felizmente, o MST adquiriu experiência nesses 25 anos: sabedoria necessária para desenvolver novos métodos e novas formas de luta de massa, que possam resolver os problemas do povo.

Artigo publicado originalmente na revista Caros Amigos

Por onde marchamos

Por Nina Fideles

Bem próximo de completar seus 25 anos, o MST empenha uma dura luta contra a grande ofensiva do capital na agricultura, que hoje se apresenta pelo domínio das transnacionais sobre o que é produzido e também o gradativo aumento das extensões de terra com os monocultivos de cana-de-açúcar, eucalipto e soja. As conseqüências deste modelo para o campo vêm se manifestando de diversas formas. Uma delas foi o aumento significativo do preço dos alimentos para a população brasileira e a presença cada vez mais intensa de empresas estrangeiras no domínio das nossas terras. Neste contexto, coloca-se uma urgente necessidade de lutas conjuntas com outros setores da sociedade para recolocar em pauta a importância da Reforma Agrária.

O Jornal Sem Terra conversou com o integrante da coordenação nacional do Movimento, José Roberto Silva, que nos coloca as conquistas e desafios deste um quarto de século de luta.

O que dizer da política agrária dos últimos anos?

Os trabalhadores rurais Sem Terra e a sociedade tinham uma grande esperança e uma expectativa com o governo Lula realizar a tão sonhada Reforma Agrária. O que nós vimos ao longo destes seis, sete anos é que não existiu um programa de Reforma Agrária. Os trabalhadores tinham motivos de sobra para acreditar neste governo, por ele ter vindo da classe operária e por existirem mais de cem mil hectares de terras improdutivas no Brasil. Esta esperança foi se desfazendo a partir deste ato explícito do governo em optar por um outro projeto, um outro modelo de agricultura – baseado na expansão da produção canavieira, de eucalipto, soja, e outros produtos voltados para exportação e que viabilizam o agronegócio.

Quais são os números divulgados pelo governo e quantas famílias de fato foram assentadas?

Se avaliarmos os números divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e pelo Incra nestes seis últimos anos do governo Lula, a gente percebe que não houve nenhuma Reforma Agrária. Basta pegar os números. Há uma grande propaganda sobre a quantidade de assentamentos, mas o que o governo tem feito é o mesmo processo que outros governos fizeram anteriormente: maquiando números. Nos últimos seis anos, menos de 150 mil famílias foram assentadas e o governo divulga que foram assentadas 448 mil famílias. Basta ver os dados de 2008, onde a meta estabelecida não atingiu 10%. Além de que a maioria destes assentamentos foram realizados na região Norte, principalmente na região Amazônica. Resumindo, é uma Reforma Agrária que não enfrenta o latifúndio improdutivo, mas assenta as famílias em terras públicas e regulariza as terras, reassentando famílias. Isso não é Reforma Agrária.

Qual seria o panorama da infra-estrutura dos assentamentos no Brasil?

A política do governo não priorizou os assentamentos e tampouco a pequena agricultura, ao contrário do que foi propagandeado. Basta ver os dados. Hoje são mais de 70% dos assentamentos sem infra-estrutura. Sem estradas, energia elétrica, sem escolas... Basta ver em cada estado, em cada região. A burocracia para atingir os programas de crédito e apoio é tão grande que impede as famílias de terem acesso. A maioria dos setores dentro do Incra e do MDA viraram um balcão de negócios, e não funcionam para elevar o nível de sociabilidade das famílias assentadas, mas, sobretudo para inviabilizar os assentamentos, para provar para a sociedade que assentamentos não dão certo. Aqueles que se adequaram à lógica de produção do agronegócio, o governo prioriza, mas não chegam a 10%. Mas no geral, não existe esta política de viabilidade econômica e social. Usam destes instrumentos para mostrar que o caminho é o agronegócio. Mas não podemos negar que os assentamentos são marcos históricos da melhoria na vida dos camponeses, dos Sem Terra e da sociedade como um todo. A contribuição que o MST tem dado à sociedade nos últimos 25 anos, na construção do homem novo, da mulher nova, dos alimentos sem venenos, e outros, é uma contribuição extremamente importante. O MST tem evitado que várias pessoas deixem a vida no campo para irem para as grandes cidades, para as favelas.

E os acampamentos?

Temos mais de 100 mil famílias acampadas. Infelizmente muitas estão há mais de dez anos debaixo de lona preta. O governo tenta desmobilizar as famílias que estão acampadas, que estão lutando, em troca de políticas compensatórias. Mesmo assim elas continuam acampadas, pressionando para que de fato consigam ser assentadas. E com isso, com a não-realização da Reforma Agrária, aumenta a violência e a truculência de governos, latifundiários e empresas transnacionais. Principalmente nos locais onde existem grandes latifúndios e em que os poderes do Estado ou estão coniventes, ou omissos.

É possível aplicar uma Reforma Agrária dentro desta lógica neoliberal?

Para nós está claro que não há a mínima condição de ser realizado uma Reforma Agrária dentro dos marcos capitalistas. Nós estamos discutindo que é possível sim, com a força das organizações, com a força popular, a gente construir uma grande força e conseguir realizar uma Reforma Agrária social popular que se contraponha a esta que está sendo supostamente aplicada. Só acreditamos que seja possível uma Reforma Agrária de fato, se a gente construir esta grande força. Que agregue as diversas organizações, movimentos, entidades do campo da cidade para a luta concreta que enfrente este modelo.

Há uma grande investida na produção de etanol no Brasil. Um aumento significativo de terras cultivadas com cana-de-açúcar, o resgate das usinas falidas, etc... Qual a consequência disso nos assentamentos?

Este grande projeto em curso do modelo econômico e agrícola, controlado pelas grandes empresas transnacionais, tem um impacto muito forte na pequena agricultura e nos assentamentos. Este impacto é bem claro quando o Estado ao invés de incentivar a política agrícola que eleve a produção e comercialização dos alimentos produzidos nos assentamentos, introduz a subordinação da pequena agricultura e dos assentamentos à estas grandes empresas do sistema capitalista financeiro. Há um estímulo para que a pequena agricultura se desenvolva dentro do projeto do agronegócio. Assim, estes assentados terão que se aliar, se subordinar à esta lógica. Os que não querem têm como resposta as políticas compensatórias. E por isso também não há o melhoramento da qualidade de vida nos assentamentos.

E mesmo com um cenário tão desfavorável, ainda podemos contar com conquistas significativas?

Apesar de toda esta ofensiva do Estado - seja no judiciário, executivo, ou legislativo -, das grandes empresas e do latifúndio, tivemos sim boas conquistas. Com a compreensão que o MST tem de que a Reforma Agrária não sairá por força e vontade do governo, é que o Movimento nestes últimos tempos tem buscado unir forças com organizações, especialmente com a Via Campesina e muitas conquistas importantes podemos aqui destacar. Por exemplo, com relação a conquista da área da Syngenta no Paraná (área usada para experimentos ilegais e que foi palco do assassinato do companheiro Keno), no caso da área da Aracruz no Espírito Santo, dos tupis-guaranis, e outras tantas lutas de enfrentamento, que podem não ter dado nenhuma vitória direta, mas certamente pautamos diversos temas na sociedade. Mas com certeza, uma das maiores vitórias que tivemos neste período é a elevação da consciência e formação da nossa militância. Na compreensão deste modelo para que, a partir daí, a gente consiga avançar na luta estratégica e seguir estimulado. E temos também maior clareza de quem é o nosso maior inimigo. E estas conquistas servem para que em 2009 a gente siga unindo forças neste movimento contra o capital.

Como fazer a disputa de projeto na sociedade?

Nossa grande preocupação é construir e fortalecer as diversas organizações já existentes, assembléia populares, via campesina nacional e internacional e seguir unindo não somente os setores rurais, mas também os setores urbanos com campanhas, como “o petróleo tem que ser nosso”. Então, há a possibilidade de elevando o nível de consciência e reascendendo o movimento de massas na sociedade, nos temos compreensão que há possibilidade de fazer grandes mudanças sem se preocupar com o processo eleitoral. Nossa preocupação não é discutir este processo eleitoral. É avançar na construção de um programa para a Reforma Agrária que seja compreendido por toda a sociedade.

Por que atuar nas regiões metropolitanas? Como avançar?

Talvez este seja um dos desafios mais importantes do nosso Movimento. Porque se analisarmos as estatísticas, as conseqüências deste avanço do capital financeiro na agricultura têm feito com que uma boa parte da população rural seja expulsa do campo para as cidades. E estas pessoas acabam nas favelas. E qual a nossa participação neste processo? Não temos dúvida da nossa contribuição junto com outros setores da sociedade nos meios urbanos, com organizações urbanas. É preciso compreender a importância do fortalecimento deste setor urbano e rural de forma unificada. Talvez seja a saída para que nosso povo saia deste momento de desânimo. Temos este papel de contribuir no processo de formação, participação e no incentivo e também no exemplo da luta permanente contra o capital, que é o nosso principal inimigo.

Diante deste quadro, quais os maiores desafios do MST com seus 25 anos de luta?

Chegamos até aqui com muita luta, muita mobilização e também com muita esperança. Nós não temos um outro caminho a não ser começar a rediscutir e debater – é o que estamos fazendo agora – de que é preciso a gente olhar um pouco mais para os objetivos específicos e estratégicos do nosso Movimento que é a luta pela terra, pela Reforma Agrária e pela transformação da sociedade. A luta pela Reforma Agrária, um tema que foi tirado de pauta nos últimos anos, não somente pelo governo, mas também por alguns setores populares, é preciso ser recolocada na pauta do dia. São dois papéis fundamentais: a luta pela Reforma Agrária e a luta em conjunto com outros setores pelas transformações necessárias no Brasil e no mundo. Além de sempre trabalhar na formação política da nossa militância. Com tudo isso e a compreensão dos nossos objetivos e desafios, conseguiremos dar este salto de qualidade na nossa atuação e completar mais 25 anos.

Um encontro marcado na história

"O encontro é realizado no assentamento Nova Sarandi (RS) para resgatar a história da gênese do Movimento e para reafirmar para a sociedade e para a militância que a Reforma Agrária dá certo. Nos orgulhamos de acolher as 1500 companheiras e companheiros nesse assentamento, que é fruto da nossa luta". É assim que Cedenir de Oliveira, da coordenação nacional do MST, consegue sintetizar o motivo que faz de Sarandi a sede das primeiras comemorações desses 25 anos de história.

Nomes como Encruzilhada Natalino, Macali, Brilhante, Ronda Alta e Anonni são muito simbólicos para os Sem Terra. Aconteceram nessas fazendas as primeiras ocupações de terra com a bandeira do Movimento. Em 1981, mais de 8000 trabalhadores romperam a cerca da fazenda Anonni, numa madrugada de lua cheia, levando o lema do primeiro Congresso: "Ocupação é a única solução".

Hoje são cerca de 450 famílias morando nos quatro assentamentos originados da desapropriação da fazenda Anonni. São três escolas de ensino fundamental e uma escola técnica em agroecologia, duas cooperativas de prestação de serviços, uma cooperativa de crédito e outra de produção agropecuária. Estão instaladas também uma agroindústria de laticínios e outra de embutidos.

O impacto do assentamento na região é visível. O município de Pontão foi emancipado de Sarandi com a chegada das famílias assentadas. Mais de 70% da produção dos assentados é destinada aos municípios do entorno e da região de Passo Fundo.

"O Movimento se constrói por meio da valorização do sujeito coletivo. Cuidamos do que foi necessário para acolher o encontro: as famílias se envolveram na arrecadação de alimentos e na ornamentação, por exemplo. Isso reforça nossa pertença e identidade Sem Terra", conta Isaías Vedovatto, membro da coordenação estadual do MST no RIo Grande do Sul, orgulhoso do resultado de tantos anos de luta.

Um histórico do MST

O Brasil vivia uma conjuntura de duras lutas pela abertura política, pelo fim da ditadura e de mobilizações operárias nas cidades. Como parte desse contexto, entre 20 e 22 de janeiro de 1984, foi realizado o 1º Encontro Nacional dos Sem Terra, em Cascavel, no Paraná. Ou seja, o Movimento não tem um dia de fundação, mas essa reunião marca o ponto de partida da sua construção.

A atividade reuniu 80 trabalhadores rurais que ajudavam a organizar ocupações de terra em 12 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Bahia, Pará, Goiás, Rondônia, Acre e Roraima, além de representantes da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária), da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e da Pastoral Operária de São Paulo.

Os participantes concluíram que a ocupação de terra era uma ferramenta fundamental e legítima das trabalhadoras e trabalhadores rurais em luta pela democratização da terra. A partir desse encontro, os trabalhadores rurais saíram com a tarefa de construir um movimento orgânico, a nível nacional. Os objetivos foram definidos: a luta pela terra, a luta pela Reforma Agrária e um novo modelo agrícola, e a luta por transformações na estrutura da sociedade brasileira e um projeto de desenvolvimento nacional com justiça social.

Em 1985, em meio ao clima da campanha "Diretas Já", o MST realizou seu 1º Congresso Nacional, em Curitiba, no Paraná, cuja palavra de ordem era: "Ocupação é a única solução". Neste mesmo ano, o governo de José Sarney aprovou o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), que tinha por objetivo dar aplicação rápida ao Estatuto da Terra e viabilizar a Reforma Agrária até o fim do mandato do presidente, assentando 1,4 milhão de famílias.

A proposta de Reforma Agrária ficou apenas no papel. O governo Sarney, pressionado pelos interesses do latifúndio, ao final de um mandato de cinco anos, assentou menos de 90 mil famílias sem-terra. Ou seja, apenas 6% das metas estabelecidas no PNRA foi cumprida por aquele governo. Com a articulação para a Assembléia Constituinte, os ruralistas se organizam na criação da União Democrática Ruralista (UDR) e atuam em três frentes: o braço armado - incentivando a violência no campo -, a bancada ruralista no parlamento e a mídia como aliada.

Embora os ruralistas tenham imposto emendas na Constituição de 1988, que significaram um retrocesso em relação ao Estatuto da Terra, os movimentos sociais tiveram uma importante conquista. Os artigos 184 e 186 fazem referência à função social da terra e determinam que, quando ela for violada, a terra seja desapropriada para fins de Reforma Agrária. Esse foi também um período em que o MST reafirmou sua autonomia, definiu seus símbolos, bandeira e hino. Assim, foram se estruturando os diversos setores dentro do Movimento.
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Anos 90
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A eleição de Fernando Collor de Mello para a presidência da República, em 1989, representou um retrocesso na luta pela terra. Ele era declaradamente contra a Reforma Agrária e tinha ruralistas como seus aliados de governo. Foram tempos de repressão contra os Sem Terra, despejos violentos, assassinatos e prisões arbitrárias. Em 1990, ocorreu o II Congresso do MST, em Brasília, que continuou debatendo a organização interna, as ocupações e, principalmente, a expansão do Movimento em nível nacional. A palavra de ordem era: "Ocupar, resistir, produzir".

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso vence as eleições com um projeto de governo neoliberal, principalmente para o campo. É o momento em que se prioriza novamente a agroexportação. Ou seja, em vez de incentivar a produção de alimentos, a política agrícola está voltada para atender aos interesses do mercado internacional e gerar os dólares necessários para pagar os juros da dívida pública.

O MST realizou seu 3º Congresso Nacional, em Brasília, em 1995, quando reafirmou que a luta no campo pela Reforma Agrária é fundamental, mas nunca terá uma vitória efetiva se não for disputada na cidade. Por isso, a palavra de ordem foi "Reforma Agrária, uma luta de todos".

Já em 1997, o Movimento organizou a histórica "Marcha Nacional Por Emprego, Justiça e Reforma Agrária" com destino a Brasília, com data de chegada em 17 abril, um ano após o massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 Sem Terra foram brutamente assassinados pela polícia no Pará. Em agosto de 2000, o MST realiza seu 4º Congresso Nacional, em Brasília, cuja palavra de ordem foi "Por um Brasil sem latifúndio".

Durante os oito anos de governo FHC, o Brasil sofreu com o aprofundamento do modelo econômico neoliberal, que provocou graves danos para quem vive no meio rural, fazendo crescer a pobreza, a desigualdade, o êxodo, a falta de trabalho e de terra.

A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, representou um momento de expectativa, com o avanço do povo brasileiro e uma derrota da classe dominante. No entanto, essa vitória eleitoral não foi suficiente para gerar mudanças significativas na estrutura fundiária, no modelo agrícola e no modelo econômico.

Os integrantes do MST acreditam que as mudanças sociais e econômicas dependem, antes de qualquer coisa, das lutas sociais e da organização dos trabalhadores. Com isso, será possível a construção de um modelo de agricultura que priorize a produção de alimentos, a distribuição de renda e a construção de um projeto popular de desenvolvimento nacional.

Atualmente, o MST está organizado em 24 estados, onde há 130 mil famílias acampadas e 370 mil famílias assentadas. Hoje, completando 25 anos de existência, o Movimento continua a luta pela Reforma Agrária, organizando os pobres do campo. Também segue a luta pela construção de um projeto popular para o Brasil, baseado na justiça social e na dignidade humana, princípios definidos lá em 1984.
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Antecedentes
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O MST é fruto da história da concentração fundiária que marca o Brasil desde 1500. Por conta disso, aconteceram diversas formas de resistência como os Quilombos, Canudos, as Ligas Camponesas, as lutas de Trombas e Formoso, entre muitas outras. Em 1961, com a renúncia do então presidente Jânio Quadros, João Goulart - o Jango - assumiu o cargo com a proposta de mobilizar as massas trabalhadoras em torno das reformas de base, que alterariam as relações econômicas e sociais no país. Vivia-se um clima de efervescência, principalmente sobre a Reforma Agrária.

Com o golpe militar de 1964, as lutas populares sofrem violenta repressão. Nesse mesmo ano, o presidente marechal Castelo Branco decretou a primeira Lei de Reforma Agrária no Brasil: o Estatuto da Terra. Elaborado com uma visão progressista com a proposta de mexer na estrutura fundiária, ele jamais foi implantado e se configurou como um instrumento estratégico para controlar as lutas sociais e desarticular os conflitos por terra.

As poucas desapropriações serviram apenas para diminuir os conflitos ou realizar projetos de colonização, principalmente na região amazônica. De 1965 a 1981, foram realizadas oito desapropriações em média, por ano, apesar de terem ocorrido pelo menos 70 conflitos por terra anualmente.

Nos anos da ditadura, apesar das organizações que representavam as trabalhadoras e trabalhadores rurais serem perseguidas, a luta pela terra continuou crescendo. Foi quando começaram a ser organizadas as primeiras ocupações de terra, não como um movimento organizado, mas sob influência principal da ala progressista da Igreja Católica, que resistia à ditadura.

Foi esse o contexto que levou ao surgimento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 1975, que contribuiu na reorganização das lutas camponesas, deixando de lado o viés messiânico, propondo para o camponês se organizar para resolver seus problemas. Além disso, a CPT teve vocação ecumênica, aglutinando várias igrejas. Por isso, o MST surgiu do trabalho pastoral das igrejas católica e luterana.
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Reforma agrária e desenvolvimento
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Todos os países considerados desenvolvidos atualmente fizeram reforma agrária. Em geral, por iniciativa das classes dominantes industriais, que perceberam que a distribuição de terras garantia renda aos camponeses pobres, que poderiam se transformar em consumidores de seus produtos. As primeiras reformas agrárias aconteceram nos Estados Unidos, a partir de 1862, e depois em toda a Europa ocidental, até a 1ª Guerra Mundial. No período entre guerras, foram realizadas reformas agrárias em todos os países da Europa oriental. Depois da 2ª Guerra Mundial, Coréia, Japão e as Filipinas também passaram por processos de democratização do acesso a terra.

A reforma agrária distribuiu terra, renda e trabalho, o que formou um mercado nacional nesses países, criando condições para o salto do desenvolvimento. No final do século 19, a economia dos Estados Unidos era do mesmo tamanho que a do Brasil. Em 50 anos, depois da reforma agrária, houve um salto na indústria, qualidade de vida e poder de compra do povo.

Depois de 500 anos de lutas do povo brasileiro e 25 anos de existência do MST, a Reforma Agrária não foi realizada no Brasil. Os latifundiários, agora em parceria com as empresas transnacionais e com o mercado financeiro – formando a classe dominante no campo - usam o controle do Estado para impedir o cumprimento da lei e manter a concentração da terra. O MST defende um programa de desenvolvimento para o Brasil, que priorize a solução dos problemas do povo, por meio da distribuição da terra, criação de empregos, geração de renda, acesso a educação e saúde e produção e fornecimento de alimentos.

Um novo momento do MST

Parte 1:

Parte 2:

EDIÇÃO ESPECIAL 25 ANOS MST