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Agronegócio pressiona para que Sem Terra sejam despejados em Alagoas

29 de junho de 2012


 
Da Página do MST

A reunião do Comitê de Mediação de Conflitos Agrários, realizada neta quinta-feira (28) no Palácio Floriano Peixoto, antiga sede do governo do estado de Alagoas, foi marcada pelo apelo dos camponeses ameaçados de despejos das áreas onde ocupam e vivem. Cinco áreas em diversas regiões do estado estão marcadas para reintegração de posse em julho, como anunciou o Centro de Gerenciamento de Crises (CGCDHPC).

O Comitê é presidido pelo Secretário Chefe do Gabinete Civil do Estado, Álvaro Machado, e composto pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Tribunal de Justiça, procuradorias, Ministério Público, Instituto de Terras de Alagoas (Iteral), Associação dos Municípios de Alagoas (AMA) e os movimentos sociais de luta pelo direito ao acesso à terra presentes no campo alagoano.

As medidas e encaminhamentos tomados em relação aos dois despejos marcados para a próxima semana (fazenda Feliz Deserto, em Joaquim Gomes, e São Sebastião, em Atalaia) foram entendidos como base para os despejos que se seguem. Serão feitas mediações com proprietários e Poder Judiciário. Ainda durante a reunião, o Ouvidor Agrário Nacional, Desembargador Gercino Filho, foi contatado.

O ouvidor decidiu convocar a Superintendente do Incra em Alagoas, Lenilda Lima, para ir ainda esta semana à Brasília para esclarecimentos e informações sobre os casos. Gercino se comprometeu em informar a situação ao Presidente do Incra ainda nesta quinta-feira.

“Nosso estado já é conhecido em nível nacional pela dificuldade de aquisição de terras e pelos conflitos. Vivemos um momento, sim, de grandes problemas. O setor sucroalcooleiro está tentando recuperar a extensão de terra”, avalia Lenilda Lima. Ela sinaliza que o Estado precisa desse alívio do governo federal para “não mancharmos com violência o campo”.

Uma comitiva do Incra Nacional é esperada para uma reunião resolutiva do Comitê, a ser realizada na próxima semana. “Não vamos sair de Feliz Deserto, para passar fome e dificuldades na beira da BR. Temos 100 crianças, escola, diversos tipos de produção na roça. Estamos há nove anos na área e só vamos sair de lá se for mortos”, anunciou Jorge Silva, acampado na fazenda de Joaquim Gomes.

Um pedido liminar de suspensão das reintegrações também será impetrado pela Defensoria Pública, visto a intenção de venda das terras pelas famílias proprietárias das áreas e o esforço para resolução do impasse, empreendido pelos entes públicos há mais de um ano. “Nesse tempo todo que não se resolve, a população ocupante cresce, se consolida. Vamos ver como resolver de forma legal”, declarou Álvaro Machado, com vistas à permanência e negociação.


 

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