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Movimentos, que partiram de três pontos distintos, se encontraram às 11h na sede do Ministério da Fazenda em São Paulo. Foto: Igor Carvalho


Por Igor Carvalho
Do Brasil de Fato


Comemorado desde 1986, por determinação da Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial dos Sem Teto foi marcado por manifestações em São Paulo (SP) nesta segunda-feira (7). Os movimentos de moradia se concentraram em três pontos da região central da capital paulista: Largo do Paissandu, Museu Catavento, Praça Princesa Isabel e Pátio do Colégio. O desmonte do programa Minha Casa Minha Vida foi um dos principais alvos do protesto.
 

Segundo estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o déficit de moradias cresceu 7% no Brasil, de 2007 a 2017, e chegou a 7,78 milhões de unidades. No governo Bolsonaro (PSL), as políticas de habitação têm sido alvo de cortes orçamentários.
 

Coordenadora do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MDT), Adília Nogueira ressaltou a importância dessa articulação. “Em vários países do mundo, nós estamos saindo às ruas reivindicando um direito que é humano, reivindicando aos Estados para que tenhamos o direito à moradia. Aqui em São Paulo, especificamente, estamos com uma articulação forte com os movimentos de moradia urbana, para denunciar a condição de precariedade, desemprego e fragilidade de acesso à renda, que tem nos colocado numa situação muito difícil”, afirma. 
 

Os movimentos se encontraram às 11h na sede do Ministério da Fazenda em São Paulo, na avenida Prestes Maia, também na região central, onde protestaram contra os cortes no programa Minha Casa, Minha Vida. 
 

"O governo Bolsonaro não contratou nenhuma nova unidade. Ele não está conseguindo sequer fazer pagamento com 1,5 milhões de unidades que advêm do programa Minha Casa, Minha Vida, dos governos Lula e Dilma. Ele propõe um orçamento, que nesse momento foi enviado para a Câmara dos Deputados, que propõe reduzir o orçamento geral da União de R$ 4,6 bilhões para R$ 2,7 bilhões”, ressalta Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP). 
 

Adilia Nogueira, do MDT, também responsabiliza o governo federal: “Entendemos que o governo federal, representado pelo Jair Bolsonaro, tem implementado uma política de retirar dinheiro das políticas sociais para aportar aos ricos e o mercado”, lamenta.
 

Além de São Paulo, as manifestações ocorreram em Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Maceió (AL), Rio de Janeiro (RJ), João Pessoa (PB), Recife (PE), São Luís (MA), Goiânia (GO), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Belém (PA), entre outras capitais.
 

A jornada foi convocada por organizações como CMP, MTD, Confederação Nacional dos Associados de Moradores (Conam), Movimento de Luta de Bairros e Favelas (MLB), Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), União Nacional por Moradia Popular (UNMP), Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) e Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Contraf). 
 

Edição: Daniel Giovanaz/ Brasil de Fato