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Reprodução/ MST

Por Hony Riquison Sobrinho


Na madrugada deste sábado (14), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou a emblemática fazenda Consolação, em Crixás do Tocantins (TO). Mais de 200 famílias estão dentro da fazenda.


A Fazenda Consolação é uma área de terra localizada na região Sul de Tocantins, situada no pequeno município de Crixás do Tocantins, próxima a uma das maiores cidades do estado, Gurupi. A mais de 20 anos a fazenda é cenário de conflito com os trabalhadores, em 1997 famílias sem terra da região ocuparam a fazenda e iniciaram a disputa pela área. Na época ocorreram conflitos e enfrentamentos entre as famílias ,Sem Terra, posseiros e fazendeiros.


Em 2008, os trabalhadores indicaram a fazenda para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vistoriar onde concluiu como área improdutiva, reivindicada pelos trabalhadores a ser desapropriada para fins de Reforma Agrária. No final do ano de 2009, o Presidente Lula assina o decreto de desapropriação da área, destinando-a para a criação do assentamento. Após a assinatura e publicação do decreto, estranhamente e sem explicações, o INCRA acabou não assentando nenhuma família na área. Com o silêncio da burocracia estatal e a morosidade do órgão, as famílias foram obrigadas a se organizarem e ocuparem a fazenda novamente.


As famílias denunciam que a área possuía uma dívida com a união e exigem informações sobre o processo de desapropriação, até o momento não disponibilizados. Informações, que não partiram do Incra, indicam que a área foi vendida para um grande pecuarista da região.


No dia 23 de agosto deste ano, pistoleiros e o gerente da fazenda colocaram fogo no barraco de uma família que morava há anos dentro da fazenda. A região de Gurupi, possui grandes latifúndios com atividades econômicas de criação de gado de corte e o agronegócio tem avançado na região no último período com as monoculturas de eucalipto, soja e milho. A senadora Kátia Abreu (PDT) e seu filho Irajá Abreu são latifundiários e referências políticas para o agronegócio nesta região.


O MST afirma que resistirá na ocupação e continuará denunciando os conflitos da região, estando consolidadas a indignação, o desejo e a disposição das famílias Sem Terra em continuarem a luta para a conquista desta área para a Reforma Agrária.