Por Alan Kilson*
Da Página do MST

 

O MST nasce no ano de 1984 tendo como seus principais objetivos a luta pela terra e a Reforma Agrária no Brasil, no cenário onde o latifúndio era o principal inimigo dos camponeses e camponesas. Passado o tempo, com a industrialização da agricultura e com o velho latifúndio falido, a classe dominante se reinventa para manter a concentração de terras.
 

O grande crescimento do agronegócio no Brasil, que necessita da grande extensão de terras para produzir, aumentando com isso a desigualdade social, compreende-se a agricultura como mercadoria e não como a possibilidade de produção de alimentos, fazendo uso de venenos para aumentar seus lucros.
 

Com isso gera-se uma série de problemas pra o ser humano e para a natureza: desgaste do solo, a sociedade cada vez mais doente, poluição das águas, do ar e etc.
 

A Juventude Sem Terra, na construção da Reforma Agrária Popular, tem a agroecologia como estratégia de luta e também como um caminho para dialogar com a sociedade, tendo em vista a necessidade de produzir alimentos saudáveis e preservando os bens naturais.
 

Lutamos muito para chegar onde estamos hoje. Com isso temos o papel de conscientizar o povo de que a terra não é mercadoria, o dever de cuidar dela. Ela não é um pedaço de chão onde podemos tirar apensas o lucro, e sim é a fonte de nossas vidas que faz os nossos corações bater.
 

Nesse período histórico que vivemos com um governo conservador que defende a concentração de terra, o desmatamento, a privatização da água e que em pouco tempo de governo libera mais de 200 novos agrotóxico, a agroecologia tem que ser uma das formas de resistência da juventude camponesa e de enfrentamento a esse desgoverno, para assim garantir nossa autonomia, o direito de se alimentar bem e possibilitar que outras pessoas possam também ter direito ao acesso a alimentação saudável e com preços acessíveis, produzindo alimentos de verdade em comunhão com a natureza.
 

Nossa compreensão é de que a agroecologia é um modo de vida e, nesse sentido, a Juventude Sem Terra precisa ainda mais ocupar espaços importantes para defender e construir esse processo, sejam nas cooperativas dos assentamentos, nas universidades, escolas, feiras, com a arte ou com a cultura, materializando no cotidiano o que acreditamos para o campo.


*Alan integra o Coletivo de Juventude do MST na Paraíba
** Editado por Fernanda Alcântara