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Foto: Aline Oliveira/MST-CE


Por Luz Helena*
Da Página do MST

 

O MST tem na sua gênese a arte como elemento fundante na sua construção. As músicas que nos embalaram nas ocupações de terra contam a história do povo Sem Terra, do sonho da transformação social, importantíssimo na sua construção, bem como a poesia, o teatro e a dança. Construindo, dessa forma, uma cultura política.
 

“Quero entoar um canto novo de alegria, ou raiar daquele dia, de chegada em nosso chão, com meu povo semear a alvorada, minha gente libertada, lutar não foi em vão”. – Trecho da música “Migrante”.


Compreendemos que a arte tem dimensões fundamentais para a nossa organização, numa perspectiva humanizadora, mobilizadora e pedagógica na formação da consciência do povo trabalhador. A mística representa esse conjunto de linguagens artísticas que anuncia o nosso projeto e denúncia o nossos inimigos.
 

Também nos deixa um legado importante a Revolução Russa de 1917, quando através da arte, principalmente do teatro, os Bolcheviques construíram processos organizativos para conscientizar uma população que na sua maioria era analfabeta, cumprindo um papel fundamental para a construção da revolução proletária, agitação e propaganda.
 

Cultura é a nossa forma de viver, nossos valores, hábitos, costumes, forma de pensar, é o nosso modo de existir e se relacionar com as pessoas e com o nosso meio. A palavra cultura tem a sua raiz na palavra cultivar, está ligada ao campo.
 

Para nós a cultura camponesa significa ocupar a terra, trabalhar na terra, viver na terra. Nosso projeto de Reforma Agrária Popular é o nosso programa cultural para o campo brasileiro.
 

Dentro da nossa realidade vivemos um grande acirramento da Batalha das Ideias, e os ataques à cultura popular são constantes vindos da indústria cultural, do agronegócio e dos meios de comunicação de massa. A cultura é um campo de luta nesse momento que vivemos: uma batalha ideológica.
 

Para o capitalismo é necessário que as ideias da juventude sigam a sua lógica do individualismo e consumismo, nas perspectivas de dominação sem respeitar suas especificidades e diversidade.
 

É um desafio central para a Juventude Sem Terra, preserva sua identidade camponesa que é tão atacada pela mídia, afirmando que o campo é o melhor lugar pra se viver e lutar para que ele se torne esse espaço. Construir processos massivos de trabalho de base com a juventude através das linguagens artísticas e da agitação e propaganda.
 

Toda a nossa criatividade é central nesse momento onde o conjunto da sociedade vive um processo de desumanização!
 

Na batalha das ideias é necessário ter muito amor  pela luta e pela nossa causa, como dizia Gramsci "ser apaixonado significa ter o dom de apaixonar!"
 

Os nossos territórios têm que ser espelho da sociedade que queremos construir, para isso e fundamental a inserção da nossa juventude em todos os espaços, construindo resistências pulsantes nos assentamentos, acampamentos, escolas, com ações coletivas, que combatam o machismo, o racismo e a LGBTfobia, pois essas práticas são estruturantes para o capital.
 

Na luta de classes a juventude tem que se posicionar bem e ter muita capacidade de iniciativa, realizar ação concreta na defesa de tudo que o capital quer nos tirar, para isso e fundamental a defesa dos territórios conquistados, das sementes crioulas, da biodiversidade, a nossa cultura alimentar e da produção sem veneno.
 

Produzir não só alimentos, mas produzir arte do povo,  para o povo, e que conte a história do povo, sobre que construímos e que ainda vamos construir!
 

É nossa tarefa, juventude Sem Terra, trabalhar o enraizamento da cultura no e do MST a partir do debate da construção da Reforma Agrária Popular.
 

*Luz Helena integra o Coletivo de Juventude e o Setor de Cultura do MST no estado do Ceará.


** Editado por Fernanda Alcântara