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Turma Luiza Ferreira
 

Por Rozana Maria
Da Página do MST


Acontece em Pernambuco a formação da quarta turma do Curso Básico de Educação em Agroecologia da Região Nordeste. Oferecido de 27 de junho a 08 de julho, o curso está sendo realizado no Centro de Formação Paulo Freire no assentamento Normandia, em Caruaru (PE).


O curso tem como objetivo o debate sobre o sistema agroecológico na construção do projeto educativo e do Programa de Reforma Agrária Popular do MST, além de estudar a história da agricultura com finalidade de compreender como a organização do trabalho no campo influencia na construção e organização das bases formadoras da sociedade. 


Com metodologia diversificada, as aulas são expositivas com debates em grupos, visita de campo a experiências e momentos de arte e cultura. As visitas possibilitam a compreensão dos diversos processos produtivos e sua contribuição tanto no debate quanto nas práticas agroecológicas, a partir do que é desenvolvido nos espaços enquanto experiências.


A experiência tem trazido sujeitos que constroem práticas agroecológicas e trabalho de base. Assim, deixa de ser só para a educação e amplia para outros setores, como a formação de formadores para trabalhar a multiplicação da prática agroecológica.  É um motivador que vai aprofundando e elaborando a partir da prática.  


Mateus Bodão, militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) da Paraíba, destaca que o curso vem trazendo “elementos tanto da pedagogia voltada para agroecologia enquanto práticas para além da sala de aula, para as vidas, escola, casa, roçado, quintal, família”, afirmou. 


Na perspectiva de MST, essas novas ações se constroem perante as agressões que se tem recebido tanto em relação a educação quanto a saúde, desde o fechamento de escolas e os cortes na educação até a liberação desenfreada de agrotóxicos. O curso traz  elementos do esforço dos agricultores que experimentam e trazem como alternativa a fuga de material tóxico que recebem das grandes marcas do agronegócio.


Experiências anteriores


Maria de Jesus, da direção do setor de educação do MST no Ceará, acompanha o curso desde a primeira turma e afirma que o curso ajuda no fortalecimento da agroecologia no currículo das escolas de assentamentos e acampamentos.


“O curso contribui na estratégia do MST de massificar a agroecologia dentro dos nossos assentamentos e acampamentos” afirmou Maria de Jesus, que completou afirmando que  algumas temáticas centrais: a luta de classe, a questão agrária, a leitura da agroecologia na perspectiva histórica, o papel da agroecologia na reforma agrária popular.


“Na primeira turma foram aprofundadas as práticas agroecológicas, começaram o tema os sistemas agrários. Iniciamos o debate do currículo de agroecologia nas escolas do ensino fundamental, fortalecendo a experiência do MST no Extremo Sul da Bahia”, lembra sobre a experiência na Bahia, com o nome “Turma Paulo Kageyama”.


Segundo Maria de Jesus, a segunda turma, realizada na Paraíba, focou no semiárido e todas as iniciativas de fortalecer a soberania alimentar, hídrica e forrageira e qual a estratégia da educação nessa realidade, com o nome “Turma Revolta dos Quebra Quilos”.
Já a terceira turma teve uma experiência com as farmácias Vivas,  trabalhadas em conjunto com a Universidade Federal do Ceará, e tiveram a oportunidade de entender mais a agronomia em agroecologia na Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira). A experiência foi realizada no Ceará, com o nome “Turma Caldeirão”. 


Mesmo em uma conjuntura adversa, a atual turma recebeu o maior número de participantes, com 102 educando no total. “Isso mostra o esforço dos estados do nordeste para construir essa formação. Esse é o projeto da Reforma Agrária Popular, um dos pilares é a agroecologia e a educação.”, afirmou Maria de Jesus.


Turma Luiza Ferreira


A quarta turma carrega o nome “Turma Luiza Ferreira”, em homenagem à importante militante e dirigente do MST no estado de Pernambuco. Luiza Ferreira era professora de formação, começa no Movimento em abril de 1996, quando o então Engenho Bonito, no município de Condado, na Mata Norte, foi ocupado.


A área pertencia a um grupo forte e violento na região conhecido como João Santos, e  Luiza logo se destacou por sua capacidade política de coordenar e de dirigir o processo da ocupação, assumindo tarefas enquanto direção política do movimento na região.


Em 1998, Luiza entrou para a direção do MST no estado e atuou principalmente como Frente de Massas, organizando diversas ocupações na região. Caracterizou-se por sua firmeza nas decisões políticas. Em 11 de março de 2010, Luiza foi assassinada pelo ex-companheiro, mas deixou um legado. Hoje, diversos assentamentos tem o nome de Luiza como símbolo de luta e resistência.


*Editado por Fernanda Alcântara