Da Página do MST
 

Após pronunciamento do ministro da educação Abraham Weintraub e do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), realizado nesta última quinta-feira (25), o MST divulga nota de repúdio ao seu posicionamento de ambos que nega o direito à educação pública para crianças que residem no campo. 
 
Para o Movimento, isso revela “o mais completo desconhecimento que Bolsonaro e o seu governo possuem sobre a pasta da educação e, mais especificadamente, sobre a educação do campo”. 
 
Sem dados técnicos, pesquisas ou números que validem seu posicionamento, as declarações proferidas na tarde de ontem revelam o caráter excludente que nega um direito historicamente conquistado e assegurado pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
 

Confira o documento na íntegra
 

Na tarde desta quinta-feira (25), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) recebeu com repúdio as declarações do atual ministro da Educação Abraham Weintraub e do presidente da República Jair Bolsonato (PSL). 


Após participar de uma reunião no Ministério da Educação (MEC), Bolsonaro  chamou de "forte doutrinação ideológica" o fato de mais de 200 mil crianças frequentam as mais de duas mil escolas do campo. No mesmo momento, o atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que" Muitas escolas 'sem terrinha' são sustentadas com dinheiro do povo, do contribuinte, do pagador de imposto".


Mais uma vez, tal afirmação revela o completo desconhecimento que Bolsonaro e seu governo possuem sobre a pasta da educação e, mais especificadamente, sobre a educação do campo. As declarações proferidas na tarde de ontem revelam o caráter preconceituoso e excludente que nega um direito historicamente conquistado e assegurado pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).


Além de negar o acesso à educação em um país que tem os piores índices educacionais do mundo, o presidente Bolsonaro e o ministro Weintraub promovem um dos maiores desmontes da educação pública por meio do sucateamento de aparelhos públicos e do fechamento da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC).


Seguiremos lutando e denunciando as investidas contra as escolas públicas do campo e contra a desigualdade social e educacional em nosso país. Exigimos do poder público o cumprimento da Constituição que prevê uma educação pública, gratuita, laica e de qualidade.


Também reafirmamos nossa defesa e disposição de luta pela democratização da terra e pela realização da Reforma Agrária Popular. 


Por fim, sugerimos que em vez de o presidente criminalizar a luta do MST e a infância das crianças do campo, responda para o povo brasileiro: onde está Queiroz? E quem mandou matar Marielle Franco?


Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra
 
São Paulo, abril de 2019