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Dia Internacional da Luta Camponesa pela Reforma Agrária no Parque da Água Branca, em SP.

 

Por Fernanda Alcântara
Da Página do MST

 

Em meio a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, que lembra o Massacre de Eldorado do Carajás onde 21 Sem Terra foram covardemente assassinados, militantes Sem Terra, representantes da sociedade civil, de partidos políticos, organizações e movimentos populares, reuniram-se no Parque da Água Branca, em São Paulo (SP), para reivindicar direito de realizar a IV Feira Nacional da Reforma Agrária.


O parque que há quatro anos é palco da Feira, não foi cedido pelo atual Governo do Estado de São Paulo (PSDB) sob a justificativa de que a estrutura do parque não comporta mais o evento. 

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João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST,  é importante lembrar que São Paulo não pode recuar na pauta da alimentação saudável.


“Nossa produção é responsável por 70% do que chega na mesa do trabalhador. É como eu vi em um cartaz hoje, o Incra não é quartel. E, diante dessa negativa do governo, a nossa mobilização não vai parar, ela vai continuar acontecendo na internet, nos debates, nas comunidades, centros e periferias”, afirmou.



Para Rudifran Pompeu, da Cooperativa Paulista de Teatro, que integra quatro mil artistas e 800 coletivos, o sucesso da Feira é um dos fatores principais para a recusa do atual governo. “Não é surpresa que o Dória recuse ceder o parque, porque a Feira é um grande sucesso e ele simplesmente não consegue admitir que Movimento produz e tem sucesso. Esse regime atual quer nos apagar da história, mas não vai conseguir”, afirmou.


A organização e estruturação das relações entre campo e cidade apareceu como um tema central nas falas de representantes da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e da União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro Brasil). Todas as falam ressaltaram a ocupação de espaços como meio de resistência em tempos sombrios.


Segundo o educador e cientista social Ivan Dourado que levou alunos de um colégio da região para apoiar o ato ao mostrar para as crianças a importância da Feira é possível ensinar acerca da concentração de terra no país, além, de promover e conscientização para uma alimentação saudável. "É incrível como elas se envolvem e trocam com os produtores e com as pessoas aqui. Isso vai além dos muros da escola, envolve pais e comunidade”, afirmou.
 

Representantes de parlamentares também estiveram no ato em apoio. A deputada estadual Professora Bebel (PT) esteve presente e, junto com outros deputados, afirmou que está dialogando e analisando os recursos do pedido pelo parque, ressaltando a importância deste 17 de abril para unir os educadores, produtores rurais e comunidade.
 

Na mesma linha o coordenador da Frente em Defesa da Luta do Povo Palestino, Mohamad El Kadri relacionou a luta pela terra no Brasil e na Palestina.


“Se precisar a gente dá a vida pela terra, porque é a terra que dá os nutrientes para que possamos semear, plantar, colher e viver", finalizou.