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As famílias acampadas plantam maxixe, quiabo, feijão, milho, mandioca e melancia em terreno que estava abandonado / Foto: Kelvin Nicolas

 

Por Marcos Hermanson
Do site Brasil de Fato


A Justiça concedeu na última segunda-feira (08) liminar de reintegração de posse da fazenda Campininha, em Mogi-Guaçu (SP), onde está o acampamento Paulo Kageyama do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Pela ordem judicial, as 400 famílias devem deixar o local até a próxima segunda-feira (15).
 

A área pública, pertencente ao Estado de São Paulo, estava abandonada e era cenário de focos de incêndio, “desova” de carros roubados e assaltos aos que passavam pelo local. Desde julho de 2018, data da ocupação, as famílias acampadas plantam maxixe, quiabo, feijão, milho, mandioca e melancia para sobreviver.  
 

“As famílias não têm para onde ir. Em geral são trabalhadores rurais [da região], principalmente da cana e da laranja, que estão sem trabalho”, diz Tassi Barreto, integrante do MST e uma das acampadas.
 

“O interesse do governo do Estado é destinar aquelas áreas para o agronegócio. Ali tem a Cutrale, a International Paper e muitas usinas de cana. [É um] descaso. O governo teria que, no mínimo, oferecer uma outra área para as famílias se estabelecerem”, diz ela.
 

A área total reivindicada pelos camponeses do acampamento é de 3050 hectares, que permitiria a absorção de parte da mão de obra desempregada pela mecanização das lavouras na região. “O número de desempregados na região é muito alto. São cerca de 50 mil pessoas. Então a reforma agrária, ali, significaria solução para parte dessas famílias e a produção de alimentos saudáveis, mais baratos e acessíveis”, conclui Barreto.
 

Os acampados entraram com pedido de suspensão da ordem de reintegração de posse e aguardam decisão judicial.
 

Durante a campanha eleitoral, o governador João Dória classificou o MST como “movimento terrorista”. Se concretizada, essa será a primeira reintegração de posse ocorrida durante o seu mandato. Até o fechamento desta matéria o governo do Estado de São Paulo não respondeu às perguntas do Brasil de Fato sobre o motivo da reintegração, o possível destinamento posterior da terra e se haverá auxílio aos despejados.

 

Edição: Aline Carrijo/ Brasil de Fato