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"Ligar a luta com a música não é nada mais que resgatar e dar continuidade à nossa história"/ Foto: Bruno Alves


Por Ednubia Ghisi e Juliana Barbosa
Da Página do MST

 

Os diversos ritmos da música brasileira são instrumentos para animar e traduzir a luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Foi para aperfeiçoar técnicas e elementos teóricos que cerca de 30 integrantes do MST do Paraná participaram do 1º Curso de Música Popular Lula Livre, realizado de 1 a 7 de abril. A formação ocorreu no Espaço de Formação e Cultura Marielle Vive, que faz parte da Vigília Lula Livre, no bairro Santa Cândida, em Curitiba (PR).
 

O curso teve como objetivo fortalecer a expressão cultural já presente na cultura camponesa e expressiva nos acampamentos e assentamentos do MST. É o que explica Igor de Nadai, militante do MST e integrante da Coordenação Político-pedagógica do curso: “Ligar a luta com a música não é nada mais que resgatar e dar continuidade à nossa história, é potencializar e embelezar a luta e dar vida e conteúdo para a música”.
 

Além de participarem da formação, os educandos contribuíram com a Vigília Lula Livre com muita música, animação e cultura. A turma também emocionou a plateia lotada da Conferência “Para onde vamos? Desafios da Democracia hoje”, realizada na noite desta segunda-feira (8), no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os educandos colocaram todo o aprendizado em prática cantando e tocando o samba enredo da Mangueira "História pra ninar gente grande", vendedor do carnaval do Rio de Janeiro neste ano.
 

Para tocar a vida e a luta

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Foto: Bruno Alves


As práticas do curso foram focadas no aperfeiçoamento do violão e da percussão, instrumentos mais comuns entre os integrantes do MST. Ao longo da semana de formação, os educandos tiveram aulas sobre a história da música na luta de classes e no MST, além de oficinas práticas de percussão e violão. Entre os assessores estiveram o trompetista Fabiano Leitão (que faz intervenções pela liberdade do Lula), e o músico Israel Laurindo, de Londrina.

Vanderlei Ferreira saiu do seu acampamento em Centenário do Sul para se aperfeiçoar a prática com o violão. Ele conta que a experiência foi muito boa e planeja aplicar o aprendizado quando voltar para a sua comunidade: “Tive dificuldade em aprender porque eu não sabia tocar os instrumentos, mas os educadores souberam ensinar bem. Minha pretensão é ajudar o movimento e se envolver mais ainda, tanto na batucada como no violão”, conta o militante do MST.  

A militante urbana de Minas Gerais, Lidiane da Silva, visitava a Vigília Lula Livre quando soube do Curso de Música e começou a participar. “Aprendi vários ritmos de músicas e foi emocionante tocar ao lado dos militantes. Quero levar para minha vida esse aprendizado e pode contribuir novamente”, conta a jovem.

Curso de comunicação

Em paralelo ao Curso de Música ocorreu também o 3º Curso de Comunicação Ulisses Manaças, com participação de 15 jovens integrantes do MST. Esta edição teve como objetivo central aprofundar algumas técnicas e preparar a cobertura da Jornada de Lutas de Abril, que ocorreu entre os dias 7 e 10 na capital paranaense.

 

 

Editado por Fernanda Alcântara