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Homenagens no monumento em homenagem a Antônio Tavares, no Paraná/ Fotos: Wellington Lenon


Por Jaine Amorin
Da Página do MST

 

Nesta quarta-feira (10/04), cerca de 700 integrantes do Movimento do Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) reuniram-se em memória do companheiro Antônio Tavares Pereira, assassinado há 19 anos. O ato encerrou a Jornada de Lutas de Abril, que este ano teve como tema a reforma agrária, Lula Livre e contra a reforma da previdência.


Antônio Tavares foi assassinado aos 38 anos de idade, deixando esposa e cinco filhos. A ação foi realizada às margens da BR 277, em Campo Largo (PR). Próximo ao local do assassinato está o monumento em homenagem ao agricultor e a todas as vítimas do latifúndio.

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O monumento em homenagem a Antônio, arquitetado por Oscar Niemeyer, foi inaugurado em primeiro de maio de 2001 e resgata a memória do massacre ocorrido no local e também de todos os que tombaram na luta pela terra.


“Preferimos sempre falar do que foi bom em nossas vidas ou na história da classe trabalhadora, mas infelizmente, precisamos também relembrar dos momentos difíceis que nós já passamos na história do MST”, afirmou o agricultor Ireno Prochnow, da direção do Movimento que conviveu e lutou ao lado de Antônio Tavares.


No dia 2 de maio completará 19 anos que mais de 2 mil Sem Terra seguiam para uma negociação com o governo do Estado do Paraná quando, já próximos à cidade de Curitiba, as caravanas foram paradas por cerca de 1.500 policiais militares. Ao descerem dos ônibus, os agricultores foram recebidos com balas de borracha. Mais de 200 Sem Terra ficaram machucados e o companheiro Antônio foi assassinado.


Ireno Prochnow conta também sobre a opressão sofrida durante o governo de Jaime Lerner, que ficou conhecido como o “Arquiteto da Violência”: “No período do segundo mandato do Lerner, quando arquitetaram para combater e acabar com o MST no Brasil, o governador também assumiu uma posição de combater o MST”.

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Na época, mais de 200 integrantes do MST foram presos durante os despejos violentos realizados durante aquela madrugada. Segundo Ireno Prochnow, eram praticadas inúmeras formas de violência: “Separavam os homens, as crianças e as mulheres, usando de toda violência que se imaginasse. Foram dezenas de despejos realizados dessa maneira”.


O advogado popular Fernando Prioste, relembrou a condenação pela morte do companheiro e como a Justiça ainda age contra a luta do povo: “O Estado do Paraná foi condenado pelo assassinato do companheiro Antônio Tavares, ou seja, mesmo essa Justiça que é contrária à nossa luta, como estamos vendo com o companheiro Lula, reconheceu e condenou esses policiais pelo assassinato. Isso é uma vitória simbólica e política do movimento”.


O ato também homenageou Vilmar Bordim e Leonir Orback, assassinados por policiais militares em Quedas do Iguaçu, Centro-Sul do Paraná, no dia 7 de abril de 2016, além de outros militantes do MST vítimas do latifúndio.


Mesmo com o uso da violência, a luta do povo por Justiça Social não acabou nem no Paraná, nem no Brasil. A tentativa de criminalização dos movimentos sociais pelo atual presidente da república é um dos exemplos de repressão à democracia, atingindo a todos os que lutam.