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O encontro contou com a participação de 1.500 militantes. Foto: Jonas Santos

 

Por Izélia da Silva e Rarielle Rodrigues
Da Página do MST

 

“Se fere a nossa existência, seremos resistência”, essa foi uma das palavras de ordem do 31º Encontro Estadual do MST na Bahia, que aconteceu entre os dias 14 e 17/12, no Parque de Exposições Agropecuária de Salvador.


O encontro contou com a participação de 1.500 militantes, assentados e acampados de dez regiões da Bahia, para reafirmar a mística e a construção da Reforma Agrária Popular na centralidade das lutas do próximo período. 


Além disso, o evento homenageou o militante Márcio Mattos, que foi assassinado em janeiro deste ano, analisou o atual cenário político e avaliou os desafios organizativos do MST no estado.


De acordo com Lucinéia Durães, da direção nacional do MST, o encontro cumpriu, principalmente, o objetivo de fazer um balanço em torno das lutas do Movimento e provocar o conjunto da militância Sem Terra à avançar no processo de estudo e formação. 

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Foto: Divulgação MST


“Não podemos perder de vista o que significa a Reforma Agrária para cada camponês, mas também a Resistência Ativa, que esta sendo uma base política  de nossas discussões todos os dias nos assentamentos e acampamentos”, explica a dirigente e continua: “o nosso encontro por si só fala desta resistência ao homenagear Márcio Matos, que mesmo tombado na luta, continua sendo resistência contra o capitalismo e qualquer  forma  repressão”.


Adailton Souza, morador do acampamento Abril  Vermelho, em Juazeiro, no  Norte da Bahia, ao participar do encontro, disse que é muito importante a militância se inserir nesses debates mais conjunturais que o Movimento tem provocado nos últimos meses. “O encontro com esse caráter de estudo, massivo, aonde propõe refletir sobre os acontecimentos do último pleito, direciona nossas ações em 2019”, afirmou Souza. 


Ciranda


Se na plenária o tema da Resistência Ativa ganha destaque, a ciranda infantil garante a diversão e o aprendizado com as brincadeiras de roda, pintura e diversos gritos de ordem.


Cerca de 52 crianças Sem Terrinha estudaram os temas da plenária com uma metodologia diferenciada, aprendendo brincando o significado da mística e da luta pela Reforma Agrária Popular na Bahia.


Saúde


Outro espaço, que fez interface com as discussões da programação do encontro, foi o da saúde popular. Com o objetivo de garantir o bem estar dos participantes, a tenda da saúde marcou presença realizando 326 atendimentos  durante os quatros dias de evento.


A saúde também garantiu o desenvolvimento da medicina popular, através de prática como a ventosoterapia, massoterapia, auriculoterapia, limpeza de ouvido, ficoterapia, alinhamento de coluna, triagem e satura.

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Tenda da Saúde montada durante o Encontro Estadual. Foto: Divulgação MST


Atividades culturais


Durante as noites, os trabalhadores resgataram as lutas e as principais manifestações culturais, com espetáculos teatrais, muito forró e samba.


Ainda nessa perspectiva, o MST realizou uma homenagem aos amigos que sempre estiveram presentes na caminhada do Movimento e contou com a presença de militantes históricos, como o deputado federal Valmir Assunção (PT).


Mobilizações


O ano de 2018 foi um ano intenso de lutas para o MST na Bahia. Nas 17 maiores cidades do estado aconteceram mobilizações. Além disso, BRs foram fechadas nas manifestações em defesa da democracia e ocorreu a participação do Movimento em atos, no interior e na capital, pelo #EleNão. No mesmo ano, ainda foram realizadas 25 ocupações de terra em grandes latifundiários do estado, 12 despejos e existem três em andamento.


“Em 2019, os nossos desafios são muitos, principalmente, no campo da formação, produção, educação e comunicação. Por isso, é central: vamos retomar o trabalho de base nos assentamentos e acampamentos”, pontuou Durães. 


Para ela é importante intensificar as ocupações,  realizar feiras e ocupar os mercados com produtos da Reforma Agrária. Realizar amplamente o debate de gênero, educação e da fé, com o objetivo de fomentar o diálogo com a sociedade e outros movimentos populares.


“Estamos vivendo um período em que a extrema-direita  possui o poder e a força política. Nós enquanto classe trabalhadora precisamos resistir e nos organizar”, concluiu.

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Foto: Carlos Alberto

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*Editado por Wesley Lima.