Por Gustavo Marinho
Da Página do MST

 

Vindos de cinco estados do Nordeste Brasileiro, 50 educandos e educandas começam a escrever um importante capítulo na luta pela educação do campo: a realização da primeira turma de bacharelado em Agroecologia pelo Programa Nacional de Educação e Reforma Agrária (Pronera) do Brasil. A turma, que acontece em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), reúne assentados da Reforma Agrária e quilombolas.

           
Com Aula Magna realizada no último dia 10, no Centro de Ciências Agrárias da Ufal, proferida pela Reitora da Universidade Valéria Correia e pelo representante do Setor de Educação do MST, Erivan Hilário, a atividade marcou a abertura oficial da turma que formará os primeiros agroecologos pelo Pronera do país.

           
Segundo a Reitora da Universidade, o início da turma é de grande honra para toda a Ufal. “Hoje é um dia memorável para nossa Universidade. Essa é a nossa primeira turma pelo Pronera na Ufal, muito simbólica e que, com certeza, marca uma conquista para toda a instituição, mesmo com todos os ataques à Universidade e sua autonomia”, destacou Valéria.

           
Participaram ainda da solenidade o superintendente do Incra em Alagoas, César Lyra, o assegurador do Pronera pelo Incra em Alagoas, Ubiratan Santana, do Coordenador Geral de Educação do Campo e Cidadania do Incra, Iradel Freitas, além do coordenador do curso, Rafael Navas e representantes dos movimentos sociais.

           
Com muita mística, animação e emoção, os educandos e educandas, que já iniciaram as aulas desde o último dia 29 no Centro de Formação Zumbi dos Palmares, no Assentamento Milton Santos em Atalaia, reafirmaram na aula magna a disposição de contribuir em suas comunidades com o saber partilhado durante a formação.


“Hoje ocupamos aqui um espaço que historicamente nos foi negado. Se estamos agora na Universidade é fruto da luta de muita gente que acreditou e acredita que esse espaço é também um espaço do povo pobre e trabalhador”, ressaltou Silvania Soares, educanda e representante da turma.


Assentada no Sertão de Alagoas, no município do Inhapi, Silvania destacou o compromisso da turma com o curso. “Vamos aproveitar ao máximo essa oportunidade. Precisamos honrar esse espaço na universidade, contribuindo com os nossos assentamentos e com uma nova sociedade”.


Para Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, a possibilidade de materialização da turma em agroecologia pelo Pronera é mais um passo conquistado na luta pela Reforma Agrária.


“Simbolicamente, 20 anos após a primeira turma de alfabetização de jovens e adultos pelo Pronera em Alagoas, iniciamos a nossa primeira turma de ensino superior. Isso mostra que estamos caminhando no rumo certo”, destacou Débora. “Em nossa luta o acesso ao conhecimento é um pilar fundamental, pois colabora com a luta e desenvolvimento da Reforma Agrária”.