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"Um país não segura a democracia quando a miséria e a desigualdade crescem", afirma Dilma Rousseff durante Encontro com os Amigos do MST. Foto: Divulgação MST

 

Por Maura Silva
Da Página do MST

 

“O que seria deste mundo sem militantes? Como seria a condição humana se não houvesse militantes? Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a razão, porque sejam super-homens e não se equivoquem. Não é isso. É que os militantes não vêm para buscar o seu, vem entregar a alma por um punhado de sonhos. Ao fim e ao cabo, o progresso da condição humana depende fundamentalmente de que exista gente que se sinta feliz em gastar sua vida a serviço do progresso humano. Ser militante não é carregar uma cruz de sacrifício. É viver a glória interior de lutar pela liberdade em seu sentido transcendente”.


Relembrando a fala do ex-presidente uruguaio, Pepe Mujica, cerca de 700 pessoas, representantes de movimentos populares, partidos políticos, organizações da sociedade civil e militantes Sem Terra, reuniram-se na manhã deste sábado (8), na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, região metropolitana de São Paulo, para o Encontro Anual de Amigos do MST.


A mesa de abertura contou com as falas de João Paulo Rodrigues e Gilmar Mauro, ambos da direção nacional do MST, e da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff.


Para Rodrigues, mais do que uma confraternização, a atividade representou um momento de consolidação de lutas e discussões acerca dos rumos do próximo período.


Durante a sua fala ele também citou alguns números do MST, que em 2018 ocupou 60 latifúndios improdutivos e montou 800 acampamentos com 90 mil pessoas.

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Criminalização


A atual repressão contra os movimentos populares e suas lideranças também foi debatido. Somente em 2018, 106 pessoas foram assassinadas em decorrências de conflitos no campo, destas, 13 eram militantes do MST. Além disso, o aumento sistemático no número de prisões e dos inquéritos abertos contra lideranças de movimentos populares mostra como a perseguição aos que lutam por igualdade no país se acentuou.


“Hoje, 152 acampamentos do MST estão com ameaça de despejo, apesar disso, saímos de 2018 com cabeça erguida e com a certeza de que aumentamos a nossa base de luta”, afirmou.


Nossa produção


O MST produziu em 2018 em suas cooperativas 600 mil sacas de arroz - o que deixa o movimento na posição de maior produtor de arroz orgânico do Brasil - , 1049 sacas de feijão, 800 mil sacas de café e cerca de três milhões de litros de leite por dia. Além disso, esse foi o ano que as feiras do MST se consolidaram como alternativa de produção orgânica e agroecológica, já são 17 feiras estaduais espalhadas por todo o país e a feira nacional que acontece anualmente na cidade de São Paulo vai para sua quarta edição em 2019.  

Formação

Em relação à educação fomentada pelo MST nos acampamentos e assentamentos de Reforma Agrária no decorrer de 2018, além das turmas já formadas em diferentes áreas, estão em andamento graças ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e a convênios mantidos com universidades federais de todo país com 61 turmas de graduação. Além disso,  25 mil trabalhadores foram alfabetizados através do programa ‘Sim eu posso!’.


"Esse são só alguns números, que não só do MST, mas de toda classe trabalhadora e de todos os amigos que nos apoiam", finalizou Rodrigues.

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Crise


Gilmar Mauro citou o tempo histórico, a concentração de riqueza e o aumento da pobreza da classe trabalhadora como propulsor da crise enfrentada, não só pelo Brasil, mas também pelo resto de todo o mundo.


“Momentos como esses abrem caminho para ascensão de governos de extrema direita ultraliberais como vimos acontecer em diversos países e agora no Brasil. E, para enfrentar esse cenário, não podemos separar a teoria da prática, do fazer. Transformações sociais dependem de muitas mãos e de muitas organizações, além de unidade com projeto politico e estabelecimento de ações concretas”, pontuou.


Já segundo Dilma Rousseff: “quando os governos e instituições pararem de atender a demanda da classe trabalhadora, a política passa a ser irrelevante. Isso faz com que governos de extrema direita ganhem espaço como estamos vendo acontecer em todo mundo. Um país não segura a democracia quando a miséria e a desigualdade crescem. Por isso, nós devemos lutar para manter os processos democráticos, o que inclui a liberdade do ex-presidente Lula. Essa bandeira não deve ser levantada somente porque um inocente foi condenado, mas, sobretudo, porque a prisão de Lula representa um processo contra todos aqueles que lutarem por justiça e igualdade nesse país”, finalizou.  

 

*Editado por Wesley Lima.