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Foto: Dowglas Silva

 

Por Reynaldo Costa
Da página do MST

 

Thayla, de 22 anos, nasceu quando seus pais estavam acampados, em 1996, em Açailândia, no Maranhão. Ela vive no campo, se orgulha por ser negra e por ver avançar dentro do MST e na sociedade em geral a resistência negra. Ela é uma dos 500 jovens que estão no Acampamento Nacional da Juventude, no município de Corumbá, em Goiás.
 

Sua infância foi toda no meio da luta e hoje vive em um dos assentamentos mais participativos do MST no Maranhão, o Nova Conquista. Thayla participou de cinco encontros dos sem terrinhas, participou do V Congresso Nacional do Movimento, realizado em Brasília, em 2007, quando leu a carta compromisso daquele evento para um público de mais de 16 mil trabalhadores rurais.
 

Sua comunidade é distante 45 km da sede do município e avalia como é difícil ver outros jovens de sua comunidade partir para a cidade, em busca de emprego e de escola: “essa é uma das realidades das mais pesada que eu tenho vivenciado”, reflete.
 

Thayla como muitos jovens do campo tem dificuldades com a educação. Já concluiu o ensino médio, mas ainda não teve oportunidade de ingressar na faculdade. Sua vontade é cursar Direito para contribuir ainda mais com os trabalhadores.
 

No Movimento Sem Terra sua tarefa é no Setor de Cultura. Ela se vê uma artista, sempre contribuiu com a cultura na luta e coordena o grupo de teatro “Rompendo Cercas”. Além disso, ela também atua na Brigada Nacional de Agitação e Propaganda Carlos Marighella, ajudando nos preparativos para a Marcha Lula Livre.
 

Para Thayla é fundamental o MST se apropriar da arte como instrumento de luta. “A arte tem muita importância para a luta do Movimento, pois a diversidade de ações da arte chama a atenção das pessoas, facilita a percepção. É isso, quando fazemos intervenções, sejam teatros, paródias ou pinturas as pessoas param para entender a mensagem”.
 

Thayla é negra, afirma que não sofre diretamente o preconceito porque em seu assentamento existem bons debates sobre a questão racial.
 

Ela fala dos avanços dentro do movimento no combate ao racismo, com debates em diversas atividades, encontros de assentados ou espaços de formação. “Não tem sido muito difícil esse debate no Maranhão devido a negritude estar presente em massa nos assentamentos, assim, temos avançado na questão da identidade, da pertença do negro”, explica. “Fora do Movimento o preconceito racial é sim, muito pesado”, avalia a militante. Ela entende ser uma tarefa do MST fazer o enfrentamento aos diversos tipos de preconceitos, seja por conta da cor, da crença ou da sexualidade.
 

Thayla se mostra contente em ver o negro tendo espaço dentro do MST. Conta que homens e mulheres negras dirigem o movimento no estado e estão em todas as tarefas. “Nós temos no MST MA uma liderança muito forte de mulheres, e quase todas as mulheres negras, isso é lindo, quando chegamos num lugar e é uma mulher negra que dirige aquele assentamento, aquele setor na nossa organização. É uma resistência de homens e mulheres negras”.


*Editado por Geanini Hackbardt