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Foto: Maison Bertoncello - SINPRO/DF


Por Gustavo Marinho
Da Página do MST


“A arte e a cultura são elementos fundamentais na construção do Encontro Sem Terrinha”, quem afirma é Maria Raimunda, da coordenação do MST e que integra a equipe de cultura do Encontro em Brasília.


“Realizar o Encontro Sem Terrinha parte da construção cultural que temos acumulado em vários anos em torno das Jornadas Sem Terrinha nos estados, que é o espaço de vivência das mais variadas dimensões e linguagens do desenvolvimento das crianças e que ajudam a dialogar com a leitura do mundo”, explica Maria Raimunda.

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Foto: Maison Bertoncello - SINPRO/DF


Vivenciar as diversas linguagens artísticas e culturais percorreu a mística e a programação de todo o Encontro, que reúne 1200 crianças dos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária de todo o país. Atividades culturais, espaços de produção, oficinas, exposições... Tudo em diálogo afinado com o cotidiano e trajetória de vida das crianças.


Joanita do Carmo uma das Sem Terrinha que participam do Encontro contou da experiência na oficina que participou, relacionando como o trabalho na oficina possibilitou expressar sua vida, sua luta e a luta de sua família. “Participei da oficina com o Bloco Eureca e lá a gente fez um samba”, conta a Sem Terrinha.


“O pessoal ajudou a gente a encontrar as melhores palavras para deixar o samba legal e no final conseguimos demonstrar na música nossa luta pela Reforma Agrária Popular e por um futuro melhor para todos nós”, explicou.


A música que Joanita e seus colegas Sem Terrinha compuseram, levou o nome de “Saco vazio não para em pé” e trata sobre a produção de alimentos saudáveis e os riscos da utilização dos agrotóxicos.

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Foto: Maison Bertoncello - SINPRO/DF


“Veneno não queremos, isso nos faz mal, o agro não é tech nem é pop, é do mal”, canta um trecho do samba compartilhado pelos Sem Terrinha ao final da oficina junto ao Bloco Eureca, que realiza ações com crianças e adolescentes na produção cultural a partir dos debates em torno do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


Além da oficina que Joanita participou, o Encontro contou em sua programação com 35 oficinas das diversas linguagens, onde os Sem Terrinha puderam experimentar, brincar, aprender e compartilhar durante toda a atividade.


“Com a construção das oficinas pudemos ver diversas crianças que, pela primeira vez, tiveram acesso às linguagens trabalhadas aqui”, destacou Maria Raimunda.


Ainda de acordo Raimunda, a arte e a cultura perpassam todo o Encontro Sem Terrinha. “Coletivamente ler a realidade que vivem, mas podendo imaginar outro mundo possível é o que o Encontro propõe em todas as suas dimensões”.


Além das oficinas, três espaços foram dedicados aos Sem Terrinha experimentarem e produzirem materiais com as próprias mãos: o Espaço Mafalda, dedicado a pintura e ilustrações; o Espaço Carrapicho, que reúne uma enorme variedade de livros para leitura, além de possibilitar que os Sem Terrinha escrevam suas próprias histórias; e o Cinema da Terra Kiriku, com exibição de filmes para as crianças.


“Tudo isso ajuda numa leitura de mundo, ajuda as crianças a compreenderem-se melhor enquanto sujeito, enquanto Sem Terrinha e como lutadores e lutadoras do povo”, reforçou Raimunda. “Nesse aspecto, a cultura e a arte são cruciais no processo, pois as crianças se permitem mais com a arte e a cultura. Despertando suas vontades, desejos e sensibilidades de conhecer o novo. Nosso Encontro Nacional Sem Terrinha não poderia ter elementos diferentes, que reforçam a construção coletiva”.

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Foto: Maison Bertoncello - SINPRO/DF


*Editado por Iris Pacheco