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Por Janelson Ferreira
Da Página do MST

 

Cerca de 200 famílias do Movimento Sem Terra ocuparam na madrugada deste domingo (1), uma fazenda na região de Formosa, GO, situada a 80 quilômetros de Brasília. A propriedade, que possui em torno de 1600 hectares, localiza-se às margens do Rio Paranã, importante afluente da região. Considerada improdutiva, há suspeita de que a terra seja grilada.


O município de Formosa é conhecido como “Berço das Águas”, por localizar-se em uma região de tríplice divisão de águas.  Três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul – São Francisco, Tocantins/Araguaia e Paraná/Prata – possuem nascentes no município. Por conta desta característica, Formosa possui um meio ambiente extremamente sensível. No entanto, ações do agronegócio e de grileiros colocam em risco a biodiversidade do local.


Para Iracilda Rodrigues, da direção estadual do MST do Distrito Federal e Entorno, a ação busca chamar atenção da população para os riscos causados pelo agronegócio. “Esta região de Goiás é extremamente importante para o cerrado e para todo o país, e o agronegócio é a principal ameaça dela”, afirma Rodrigues.


Segundo a Sem Terra, a grilagem de terra ocorre historicamente na região. Há registros que diversas famílias tradicionais do município obtiveram grandes latifúndios por meio da grilagem.


“Na última semana, o MST foi alvo de ataques da revista IstoÉ. Estamos nesta ocupação demonstrando que o agronegócio e a grilagem de terra são as reais ameaças para o campo”, ressalta a dirigente.  No último dia 22 de junho, a revista IstoÉ publicou uma matéria afirmando que o Movimento Sem Terra no Distrito Federal e Entorno tinha ligação com casos de corrupção e grilagem de terra.


“Não conseguiram comprovar nada nesta matéria e nossa resposta está aqui, na prática, ocupando latifúndio improdutivo, denunciando o agronegócio e a grilagem e defendo a Reforma Agrária Popular, com produção de alimentos saudáveis”, finaliza Rodrigues.


As 200 famílias que participam da ocupação são oriundas, em sua maioria, de fazendas localizadas na área rural de Formosa. Muitas delas viviam em situação de total abandono e exploração. A partir desta ação, abre-se perspectiva delas conquistarem um espaço para produzirem alimentos saudáveis, sem ficarem dependentes de grileiros, latifundiários e atravessadores.


“Muitas delas ficaram incrédulas quando dissemos que poderiam produzir alimentos na ocupação”, lembra Augusto Targino, da dirigente estadual do MST no Distrito Federal e Entorno. Targino ressalta o papel da Reforma Agrária Popular diante da atual crise em que passa o país.


“A Reforma Agrária Popular apresenta uma perspectiva real de melhoria de vida destas famílias. Além disso, com a conquista da terra, poderão produzir alimentos saudáveis para a classe trabalhadora das cidades”, finaliza o dirigente.

 

 

*Editado por Rafael Soriano