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Por Rozana da Conceição
Da Página do MST

 

Cerca de 600 famílias reocuparam os acampamentos Democracia e Dom Tomás, no Pontal Sul, sertão do São Francisco. São as mesmas famílias que foram despejadas no início de maio violentamente pela polícia federal e polícia militar, que destruíram mais de 400 hectares de produção (banana, macaxeira, mamão, milho, goiaba, melancia, feijão).


As áreas do Pontal Sul, que foram ocupadas desde 2007, estavam para ser leiloadas para as grandes empresas nacionais e do agronegócio brasileiro. O MST conseguiu reverter esse processo com a ocupação das duas áreas.


Em 2014 houve um processo de tentativa de licitação, no qual uma empresa internacional ganhou a licitação e o Movimento resistiu com os dois acampamentos e as famílias reconstruindo suas vidas e voltando a plantar alimentos.
 

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Em 2018, com todo processo de repressão na tentativa de despejo, as famílias resistiram por cerca de seis meses para evitar o desalojamento, que acabou ocorrendo. Agora as famílias ocuparam com dois objetivos centrais:


1- Denunciar a licitação que está sendo feita agora, uma licitação fraudulenta que beneficiam empresários e políticos da região, principalmente a família Coelho. Já é público e testemunhado na imprensa local que foram beneficiadas nessa licitação a esposa e a sogra do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho.


2- Exigir que seja cumprido o acordo entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o MST em que todas as famílias seriam assentadas, tanto as remanescente quanto as que foram despejadas em maio. No entanto a Codevasf fica protelando e evitando a compra das outras áreas e o Incra, da mesma forma, dizendo que está fazendo vistoria e não conclui.


"Reocupamos para que as áreas sejam destinadas para a Reforma Agrária e que todas as famílias sejam assentadas. Reivindicamos neste momento 50 por cento de todas as terras do Pontal Sul, que tem 32 mil hectares", declaram os acampados por meio de comunicado à imprensa. Desses 32 mil a primeira parte que está sendo licitada são 8500 hectares, tudo com canal feito para irrigação. Essa é parte que eles querem entregar às empresas internacionais e ao agronegócio nacional.


O MST exige que pelo menos metade dessas terras sejam passadas para assentar as famílias que estão acampadas. As famílias vão continuar resistindo e em luta até que as terras do Pontal Sul em Petrolina sejam dos trabalhadores.

 

*Editado por Rafael Soriano