Por Maura Silva 
Da Página do MST 

 

Nos últimos dias vimos o país parar em decorrência da greve dos caminhoneiros. Os trabalhadores protestaram contra os recentes aumentos nos preços dos combustíveis e exigiram do governo federal a redução de impostos. Foram aproximadamente 10 dias de paralisação que afetaram o abastecimento dos postos de gasolina, além da oferta de diversos produtos e serviços. Mesmo com os transtornos a greve obteve forte apoio popular, muitas manifestações puderam ser observadas nas redes sociais e nas ruas. Fato incomum quando observamos as greves realizadas por outros setores como os professores, por exemplo.


A paralisações são uma forma de luta utilizada há no mínimo três séculos por trabalhadores no mundo todo. É o trabalhador detendo o poder sobre as demandas de sua classe.

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Mais de 50 mil pessoas se juntam aos trabalhadores e trabalhadoras da Cotonifício Crespi durante a greve de 191 / Divulgação7 


As greves como instrumentos de luta


Era julho de 1917 quando funcionários e funcionárias da Cotonifício Crespi, na época a maior tecelagem do país localizada em São Paulo, na Rua dos Trilhos, no bairro da Moóca, entraram em greve. O assassinato de um sapateiro pela polícia aumentou a revolta e, consequentemente, a adesão das pessoas que chegaram a somar 50 mil pessoas.


Já durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985, as greves foram consideradas ‘subversivas’. A partir do final dos anos 1970 as movimentações começam a surgir. É nesse período, em 1980, que uma greve dos metalúrgicos do ABC paulista, que durou 41 dias, marcou o início das manifestações de massa contra o regime militar. Ali nascia o Partido dos Trabalhadores (PT).

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O então metalúrgico e futuro presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva fala aos trabalhadores durante a greve no ABC / Divulgação


O que só as mobilizações podem fazer por nós


Para João Pedro Stedile da coordenação nacional do MST, O Brasil vive uma grave crise econômica e dela resultou uma crise social, política e ambiental.


“A burguesia deu o golpe e derrubou a presidenta Dilma justamente para ela ter controle de todos os poderes e com isso aplicar um plano para jogar todo o peso da crise sobre a classe trabalhadora, sobre os mais pobres”.


Ainda segundo Stedile: os únicos que estão ganhando dinheiro no Brasil são os bancos e as empresas transnacionais.


“O resultado disso é que o povo brasileiro está pagando ainda mais caro os efeitos do aprofundamento da crise econômica. Nós temos visto nas últimas semanas várias notícias de como se agravaram as condições de vida da população.


Voltou a crescer a mortalidade infantil, voltaram os aluguéis a ser mais altos que a inflação e inclusive o índice de analfabetismo aumentou.

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Caminhoneiros em greve na Rodovia Dutra em São Paulo / Divulgação


O que isso significa?
Que é justamente a camada mais pobre dos brasileiros que tá sofrendo ainda mais”.


E é exatamente essa a camada da população que pode mudar essa estrutura. Que deve sair para as ruas e ter consciência de seu poder mobilizador.


A exemplo do que aconteceu em outros momentos históricos, chegamos a um ponto em que somente a  classe trabalhadora, na figura dos setores organizados, é capaz de mudar sua própria realidade e estruturalmente mudar a realidade do país.