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Por Gustavo Marinho
Da Página do MST
Fotos: Matheus Alves

 
“O MST adota as Feiras como a principal metodologia de debate com a população sobre a Reforma Agrária Popular e a produção de alimentos saudáveis”, destacou João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST. A fala deu início ao espaço que reunia milhares de visitantes no Palco Arena, no Parque da Água Branca: a conferência “Alimentação Saudável: um direito de todas e de todos”, durante a Feira Nacional da Reforma Agrária, em São Paulo.
 
Além do coordenador do Movimento, participaram da conferência o bispo da Igreja Anglicana, Dom Maurício Andrade e a nutricionista Patrícia Jaime, no debate que convocava todos os visitantes da atividade a mergulhar a reflexão que a Feira carrega: a produção de alimentos saudáveis.
 
“O Brasil tem hoje o maior território com potencialidade para produção de alimentos, mas não basta produzirmos qualquer alimento, precisa ser um alimento saudável para o povo”, explicou Stedile ao relatar a atualidade do debate em torno da luta pela produção de alimentos saudáveis.
 
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Ainda de acordo com Stedile, o Movimento, ao fazer coletivamente o debate na luta pela produção de alimentos, dá um passo importante concretizando o projeto de Reforma Agrária Popular, construído pelo próprio MST e que vem pautando as ações do Movimento no último período.
 
“A Reforma Agrária Popular precisa atender as necessidades de todo o povo, resolvendo os problemas das famílias Sem Terra e da desigualdade histórica de nossa sociedade, como também avançando com o paradigma principal que é a produção de alimentos saudáveis para toda a sociedade”, aponta.
 
Stedile reafirmou o papel das Feiras no sentido de ampliar o debate junto à sociedade. “Essa Feira tem se reproduzido em todos os estados do Brasil onde o MST está organizando, combinando a apresentação dos frutos da luta pela Reforma Agrária Popular com as reflexões teóricas que nos ajudem a a aprofundar o debate com o conjunto do povo”, refletiu o militante.
 
“Nosso modelo de produção de alimentos passa necessariamente pela diversidade de cultivos, do envolvimento do conjunto da família, das ações cooperadas e da necessidade da aplicação da agroecologia, das técnicas e saberes populares. Por isso a Reforma Agrária Popular vai muito além da luta pela terra: é lutar por conhecimento, por cultura, pela agroecologia, pela educação e tudo isso está expresso em nossas Feiras”.
 
“Alimentação saudável é mais que ingestão de nutrientes”
 
Patrícia Jaime, nutricionista e militante do campo da alimentação e nutrição em saúde coletiva e do SUS, destacou a Feira como um espaço “pedagógico e transformador”. 
 
“A Feira em São Paulo é a grande demonstração do real significado da Reforma Agrária para a cidade: a Reforma Agrária Popular”, disse Patrícia.
 
Segundo a nutricionista é preciso romper com o discurso hegemônico incorporado no que diz respeito à alimentação saudável: “alimentação saudável é mais do que ingestão de nutrientes, é entender o que estamos comendo, de onde veio nossa comida, quem produziu e, com isso, fortalecemos um sistema alimentar que promova justiça social”.
 
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“A comida faz parte da construção da nossa identidade individual e coletiva, faz parte da nossa cultura e é por isso que esse debate precisa chegar a todo mundo”, reforçou Patrícia ao denunciar a retirada da identificação dos alimentos transgênicos nos rótulos. “Na calada da noite tivemos essa derrota e, além da redução dos nossos hábitos culinários – de cozinhar nossa comida –, a dificuldade na informação são os nossos principais obstáculos na luta pela alimentação saudável”.
 
Já Dom Maurício Andrade, representante da Igreja Anglicana e do Movimento Ecumênico, fortaleceu a ideia da defesa coletiva da alimentação saudável como equivalente à defesa da vida. “A religião e a alimentação estão bastante ligadas, celebramos a comunhão e a comunhão precede partilha, comunidade e essa Feira representa a grande comunhão da alimentação saudável, alimentação essa que simboliza a vida e, por isso, precisamos defendê-la”, comentou Dom Maurício.
 
“É muito simbólico que essa Feira aconteça em São Paulo e aqui, em uma das principais cidades do país, poder dialogar sobre a relação do campo com a cidade a partir da Reforma Agrária Popular, ampliando o debate com o povo de que o MST nessa Feira dá um exemplo”, ressaltou Andrade.
 
 
Paul Singer, presente!
 
Ainda no início da conferência, a mística Sem Terra com a música, poesia e a resistência relembraram Paul Singer, economista e um dos precursores do conceito de economia solidária no Brasil, falecido no último mês de abril.
 
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“Paul foi um homem de ideias simples, que pensava o povo simples. Suas ideias seguem importantes e é por isso que ele está e sempre estará presente em nós”, destacou Francisco Dal Chiavon, da coordenação do MST, durante a homenagem.
 
Com o mote de que o país precisa se encher de Reforma Agrária Popular, a Feira, com suas cores, cheiros e povo, celebrou na conferência a luta pela terra e a organização dos camponeses e camponesas em todo o país. A 3ª edição da Feira da Reforma Agrária segue com programação no Parque da Água Branca, Zona Oeste de São Paulo, até o próximo domingo (06).
 
Confira o especial da 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária clicando aqui.
 
*Editado por Rafael Soriano