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Da Página do MST
Fotos: Rafael Stedile

 

Luís Carlos Roman, 55 anos, é pai de três filhos e orgulhoso da família que tem. “Minha esposa é militante, minha filha faz direito na universidade do Paraná pelo Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária) e os outros dois meninos estão fazendo ensino médio e sempre participam das atividades do movimento”.
 

Mineiro, migrado ao estado de São Paulo, ele se orgulha também de ter tomado a decisão, há 22 anos de se somar à luta pela terra junto ao MST. “Na época, éramos 64 famílias”, lembra Luís da primeira ocupação de terra, e prossegue: “Algumas famílias foram assentadas em áreas próximas. Permanecemos 20 famílias numa área provisória, num assentamento emergencial. Ficamos 20 anos nessa área provisória. Praticamente foram 20 anos de luta para conseguir o assentamento definitivo”.
 

E conseguiu. Hoje, o Assentamento Pirituba 2, localizado no município de Itaberá, interior de São Paulo, é um dos que contribuem com uma boa variedade de produtos na 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que é realizada desde quinta-feira (3) até o domingo (6) na capital paulista.
 

“Nossa região tem vocação para a agricultura. Nós trouxemos para a feira o que plantamos nos nossos quintais. São produtos de hortifruti, em sua maioria. Mas trouxemos também alguns produtos industrializados. Temos dois tipos de feijão, o convencional e o agroecológico, preto. Temos a cachaça socialista, produzida também no assentamento. Temos o mel, própolis, e algumas frutas, como abacate, mexerica ponkan”.
 

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Para Luís, nenhuma dificuldade encontrada na luta pela terra, os empecilhos judiciais, a opressão policial, nada o desanima de seguir lutando pelo projeto de Reforma Agrária Popular defendido pelo MST e refletido hoje na Feira.
 

“Cada momento, cada ano que passa a gente vai tendo novos aprendizados e momentos como esse, a Feira, enriquece muito pela troca de experiências. A Feira é muito importante porque é também um espaço cultural, não só um espaço de comercialização. Acho que o mais rico da Feira é esse intercâmbio de culturas, de conhecimentos, e de produtos. A gente tem aqui uma diversidade muito grande. Pra mim, valeu muito à pena toda a luta”.
 

E conclui: “Se eu tivesse que voltar a acampar novamente, passaria o resto da minha vida lutando para que a Reforma Agrária seja realizada de fato”.
 

A 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária é realizada no Parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, capital. Confira o especial da Feira clicando aqui.
 

*Editado por Gustavo Marinho