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Divulgação/MST

 

Por Viviane Brigida
Da Página do MST  

 

Entre os dias de 6 e 8 de março, as mulheres Sem Terra estiveram em Belém para mais uma Jornada de Nacional de Lutas.


Foram dias de formação e debate com atividades realizadas na Universidade Federal do Pará (UFPA), plenária aberta com a participação da comunidade acadêmica e uma audiência pública para tratar a violência contra as mulheres realizada no teatro Maria Silva Nunes, centro de Belém. 


Formação Permanente


Durante a estadia das mulheres na UFPA, as camponesas realizaram debates sobre o feminismo camponês e popular. A atividade também contou a participação de homens que puderam refletir sobre as diversas formas de opressão vividas pelas mulheres. 



A audiência pública


Na quinta-feira (7), as Sem Terra participaram de uma sessão solene especial organizada pela Assembleia Legislativa em homenagem ao Dia Internacional de Luta das Mulheres. A cerimônia foi realizada no teatro Maria Silva Nunes, na estação das docas, centro da cidade.


Diversos movimentos e coletivos feministas estiveram presentes, na ocasião uma carta denúncia com dados recentes de violência contra  as mulheres paraenses foi entregue. Polliane Soares, da direção nacional do MST, expôs a violação e a retirada dos direitos que afeta em especial as mulheres no campo. “O golpe acirrou e aumentou a violência contra a mulher, as camponesas sofrem cotidianamente. Essa é uma realidade que afeta toda a estrutura familiar", denunciou a Sem Terra.

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Divulgação/MST


Marcha 


Seguindo com as mobilizações, as Sem Terra também somaram-se em uma marcha que contou com cerca de três mil mulheres de diversas organizações e que seguiu pelas ruas da capital denunciando as violações e a criminalização da luta dos movimentos populares. 


Luciane Diniz, da congregação Irmãs de Notre Dame e do Comitê Dorothy, ressaltou a importância de participar dos momentos de luta.


“Como mulher, negra, criada por uma mulher que foi empregada doméstica , demarcar presença em mobilizações em prol dos da defesa dos nossos direitos é fundamental”, afirmou

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Divulgação/MST


Outra pauta de denúncia durante a marcha foi a presença do capital na Amazônia. As camponesas citaram a transnacional Hydro Alunorte, empresa responsável pelo vazamento de resíduos químicos nos rios, que atinge diversas comunidades causando crime ambiental no município de Barcarena, nordeste paraense.

 

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Divulgação/MST

O agronegócio e o hidronegócio que indicam formas de privatizar as terras, água, as sementes e os alimentos também fora lembrados: “pelos nossos territórios camponeses, não nos calaremos e seguiremos denunciando”, declarou Polliane Soares da direção nacional do MST.


Já Fátima Matos, do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA), falou sobre os altos índices de violência no estado e como isso atinge em especial a mulher negra.


“Segundo o mapa da violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a taxa de feminicídio é maior entre as mulheres negras.  Essa é uma realidade inaceitável e que deve ser combatida em todo o país", finalizou.