Da Página do MST 


Na manhã desta quinta (8), cerca de 200 mulheres do Movimento Sem Terra ocuparam a superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Brasília, Goiás.


A ação fez parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e buscou denunciar a violência contra as mulheres, o agronegócio e a retirada de direitos comandada pelo governo de Michel Temer.


Em um documento oficial lançado logo após a ocupação, as mulheres falam um pouco sobre as demandas do estado e as pautas de lutas.


Confira alguns trechos abaixo: 


Violência Contra as Mulheres do Campo e da Cidade


Goiás é apontado pelo Atlas da Violência de 2017 (IPEA/FBSP) como o segundo estado do país com maior nível de letalidade violenta de mulheres.  Dentro desse contexto o documento ressalta que: 


Faltam delegacias especializadas, centros de referência com equipes multiprofissionais das áreas da Psicologia, assistência social e jurídica às vítimas, seus agressores e familiares; falta capacitação profissional aos profissionais da saúde; da segurança pública e áreas afins para lidar com as situações de violência doméstica sem preconceitos, de forma a não negligenciar a gravidade desta violência e contribuir para a revitimização e a violência cíclica, muito comum e frequente ainda nos dias de hoje. Faltam casas-abrigos que garantam que a vítima tenha o mínimo de dignidade, enquanto, não consegue voltar para a sua rotina em segurança; faltam cursos de formação para o trabalho, que possibilitariam uma saída para as vítimas da situação de violência e a possibilidade de cuidar de seus filhos com dignidade, sem violência. 


Contra a Criminalização do Aborto 


Nos últimos anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou cem vezes mais procedimentos pós-aborto do que abortos legalizados. Em 2014, quase 200 mil mulheres passaram por um procedimento como curetagem ou aspiração (eles podem ser necessários em casos de aborto espontâneo, ilegal ou de complicações pós-parto). Nesse mesmo ano, apenas 1,6 mil realizaram aborto legal, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde. Segundo especialistas, se todos esses abortos inseguros fossem feitos de maneira segura, poderiam ser evitadas cerca de 47 mil mortes por ano. Exigimos a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, a descriminalização do aborto e o acesso a serviços públicos de saúde para sua realização de forma segura. 


Reivindicações das Mulheres do Campo 
 

• Promoção da saúde das camponesas por meio de campanhas educativas e de informação;
• Criação de políticas públicas e campanhas de formação sobre os direitos das mulheres camponesas.
• Garantia de atendimento especifico às camponesas por meio de unidades itinerantes de saúde.
• Por uma aposentadoria digna para todas as trabalhadoras e trabalhadores no campo e na cidade. Somos contra o desmonte da Previdência Social que governo de Michel Temer tenta aprovar no Congresso Nacional por meio da PEC 241. O governo condena à miséria milhões de famílias trabalhadoras que não vão conseguir mais ter acesso à aposentadoria.
• No campo, onde o acesso ao direito previdenciário já é difícil, a regra proposta de contribuição individual, além do aumento da idade mínima, torna esse acesso inviável.

 

Veja abaixo o documento na íntegra: 

 

DOCUMENTO 8 DE MARÇO (1).pdf