Pequenos agricultores, prefeitos e assentados se reuniram com Chefe da Casa Civil do governo Sartori para tratar sobre o assunto. Foto- Thiago Köche.jpeg
Pequenos agricultores, prefeitos e assentados se reuniram com o chefe da Casa Civil do governo Sartori para tratar sobre o assunto. Foto: Thiago Köche

 

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST


A estiagem na metade Sul do Rio Grande do Sul tem comprometido o desenvolvimento da produção agrícola de milhares de famílias da região. Para tratar sobre o problema, nesta quinta-feira (22), representantes de 24 municípios participaram de uma audiência com o chefe da Casa Civil Fábio Branco, no Palácio Piratini, em Porto Alegre.


Na ocasião, prefeitos, vereadores, pequenos agricultores e assentados na Reforma Agrária das regiões da Campanha, Sul e Costa Doce, acompanhados do deputado estadual Edegar Pretto (PT), relataram a situação em que se encontram as famílias — mais de 4 mil vivem em assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).


Conforme o camponês Ildo Pereira, em alguns municípios não chove há 90 dias, o que tem prejudicado o desenvolvimento de cadeias produtivas, a geração de renda e o abastecimento de mercados locais via programas institucionais. “Hoje não temos como planejar uma produção, mas se tivermos políticas de governo, parte dos problemas ocasionados pela falta de água pode ser solucionada”, explica.


Segundo Pereira, a estiagem é uma realidade constante nessas regiões — a cada dez anos, sete são de seca —, e nos últimos meses ocorreu redução de 60% da produção leiteira e perdas de 70% da produção de milho e de 60% da produção de soja. Além disto, ressalta, 60% dos açudes secaram e os agricultores que dependem desse tipo de estrutura, para os afazeres domésticos e para a alimentação animal, estão sem alternativas. Pereira diz que até mesmo a produção de alimentos, como hortaliças, para o autoconsumo, está comprometida.


Neste sentido, a comitiva cobrou do secretário Branco medidas do governo do estado para amparar os municípios atingidos pela seca. Entre as reivindicações está a distribuição de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade; o fornecimento de milho para alimentar os animais; a perfuração de poços artesianos e a construção de redes de água; a cedência de maquinários para a abertura de açudes e de bebedouros; a anistia de dívidas; a decretação de situação de emergência; a doação de caixas d’água e o auxilio financeiro para manutenção familiar.


O secretário se comprometeu a informar sobre as medidas possíveis de serem tomadas a nível estadual e a agendar uma audiência com o governo federal, em Brasília, para tratar sobre o problema de estiagem. Conforme Pereira, caso os governos não apresentem soluções, os agricultores não descartam a possibilidade de realizarem protestos.