Trabalhadores no acampamento 8 de Março do MST (Itaquiraí-MS, 1997)..jpg
Trabalhadores Sem Terra no Acampamento 8 de Março, em Itaquiraí (MS), no ano de 1997

Por Ayala Ferreira* e Kelli Mafort**
Da Página do MST

Foto: Arquivo MST


As palavras ditas no julgamento ainda martelam sobre nossas cabeças. Sentimentos diversos pesam em nossos peitos com diferentes intensidades – táticas e estratégicas - mas como quem caminha de mãos dadas, orquestrando os passos dessa longa batalha, é que paramos para dizer à toda nossa militância: parabéns MST pelos seus 34 anos de existência!


Aqui o sentimento é de orgulho pelo que construímos e pelo que ofertamos à classe trabalhadora neste momento de encruzilhada histórica que vivemos - a mesma encruzilhada que marcou nossos primeiros passos como Organização-. Somos grandes pelas palavras, pelas bandeiras, pelas consignas e pelas ações de enfrentamento a uma ordem que não nos representa! Somos grandes pelo esforço em rearticular as forças populares e a nos colocar lado a lado na construção do projeto da classe trabalhadora. 


Aqui continuamos abraçando cada camarada, como uma grande irmandade de lutadores e lutadoras, afirmando que devemos seguir nossa caminhada porque o movimento da história é mais intenso que as decisões dadas pelos “podres poderes”, pois as decisões deles não são capazes de suportar dias intensos de amor e de luta.


Podemos hoje camaradas “não estarmos alegres, mas, por que razão haveremos de ficar tristes?”, por isso, marcamos os 34 anos de existência do MST ofertando seu principal legado: a contestação coletiva!  Há inúmeras poesias que poderiam traduzir numa estética literária o dia de hoje. Mas, pelas imagens das mobilizações nas ruas, ficaremos com Drummond e a poesia “Mãos dadas.”    


“Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente!”


Seguiremos sim de “mãos dadas” construindo o MST e as tarefas que os sujeitos e o tempo presente nos colocam, mas sempre, seguiremos arrancando a necessária alegria do futuro.

Parabéns MST! 

 

*Ayala Ferreira é dirigente nacional do MST pelo estado do Pará.
**Kelli Mafort também é dirigente nacional pelo estado de São Paulo e faz parte do setor de gênero.