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Fotos: Gilvan Oliveira

 

Por Wesley Lima
Da Página do MST


“Os muros e os portões da universidade – instituição sagrada, lócus da produção e da reprodução dos saberes e das verdades do sistema proclamadas pelas suas classes sociais dominantes – foram rompidos por movimentos camponeses”.


Essa reflexão inicia a apresentação do livro “Direito e insurgência: experiência da turma Eugênio Lyra” lançado na noite desta quarta-feira (14), no campus 1, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Salvador, durante o 2º Seminário de Direito Social do Campo.


Organizado pelos doutores em sociologia Celso Antonio Favero, Carlos Eduardo Soares de Freitas e pela mestra em direito Gilsely Barbara Barreto Santana, o livro possuí caráter comemorativo, pois aborda o acúmulo político e intelectual que os estudantes da turma de Direito Social do Campo Eugênio Lyra construíram nos cinco anos de curso, que é uma parceria entre a UNEB, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


Um elemento destacado na publicação é a ousadia dos 44 estudantes, camponeses e camponesas, militantes de 11 movimentos sociais, de ocuparem a universidade e se tornarem “doutores da lei”. “A perspectiva é marcar, deixar algo que outras universidades e outras gerações dos movimentos possam se apropriar, se inspirar, para reproduzir, ampliar, ressignificar essa experiência. É continuar na luta”, explica Gilsely.


O livro é divido em duas partes. Na primeira conta a história da turma, os desafios políticos, burocráticos, institucionais e fala dos perfis mais gerais dos estudantes. Na segunda, traz reflexões sobre o atual momento político e como essas questões impactam diretamente a militância e a vida organizativa dos movimentos sociais, principalmente, os de luta pela terra.


Aprendizado coletivo


Construído em parceria com a Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA) e a Editora da UNEB (EDUNEB), o lançamento do material celebrou a conquista do aprendizado coletivo e as ideias “transformadoras” debatidas durante o curso.


Convicta dos bons resultados e ensinamentos que a turma deixou na universidade, Gilsely fala com alegria dos frutos desse processo. “O curso nos deixa o ensinamento do acolhimento e de que é possível pensar uma outra universidade, que seja de fato popular e inclusiva; que consiga atender os diversos públicos e possibilitar a real construção de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos”, enfatiza.


O livro acompanha a reta final do curso e a colação de grau, que está marcada para este sábado (16), no Centro de Treinamento da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), localizado em Itapuã, também em Salvador.


Com vários elementos da luta que demarcam esse momento de confraternização, não há dúvidas de que o sentimento da coletividade e de tarefa cumprida está presente nas músicas cantadas, poesias recitadas e nos olhares atentos de cada camponês e camponesa, que a partir de agora possuem o desafio de fortalecerem a luta com o conhecimento adquirido.

 

*Editado por Maura Silva