DomPaulo.png

 

Por Rafael Soriano
Da Página do MST

 

Lançado pela primeira vez em 1999, o livro “Dom Paulo Evaristo Arns: um homem amado e perseguido”, das autoras Evanize Sydow e Marilda Ferri, foi reeditado e relançado pela Editora Expressão Popular nesta quarta-feira (13). Um evento na sede do sindicato dos professores reuniu importantes figuras que dividiram trincheiras na luta por democracia e justiça com Dom Paulo, falecido em 14/12/16.


Entre as personalidades que foram homenagear Dom Paulo Arns, estiveram Frei Betto, padre Júio Lancellotti e Fábio Konder Comparato. Foram testemunhos daqueles que partilharam com o eclesiástico sua vida inteiramente dedicada aos pobres, violentados, desfavorecidos e marginalizados. Esta memória os remetem à necessária crítica, resistência e rebeldia nos dias atuais.


“A memória de Dom Paulo sempre é viva naquilo que estamos vivendo, naquilo que estamos fazendo, nos desafios constantes. Nós vivemos um tempo tenebroso, vergonhoso. A memória de Dom Paulo é como que um fortificante. Algo que nos fortalece: seu exemplo, sua coragem, nesse tempo em que tudo é uma vergonha, Estado, governo, Igreja, e tudo aquilo que não tem coragem de se despir dos poderes e estar junto dos pobres”, sintetiza padre Júlio Lacellotti, fundador da Pastoral do Povo da Rua.


O livro está disponível pela editora Expressão Popular e pode ser adquirido aqui. Lançado pela primeira vez há 19 anos, a obra é o resultado de um trabalho de conclusão de curso de jornalismo das autoras, que ficariam conhecidas pelas secretárias da Cúria Metropolitana como “as meninas de Dom Paulo”. O trabalho de pesquisa durou pelo menos quatro anos.


“Foi uma pesquisa muito profunda, a gente viajou pra vários lugares, conversou com 118 pessoas que, de alguma maneira, tinham qualquer tipo de relação com Dom Paulo: sendo a favor dele, ou contra Dom Paulo”, ressalta Evanize. Dom Paulo sempre foi um homem que desafiou poderosos, particularmente marcante seu enfrentamento à Ditadura Civil-Militar e sua luta em favor dos torturados e desaparecidos.


“Ele combateu de frente a tirania, o regime militar., pressionando para ser revelado o paradeiros de militantes desaparecidos ou exigindo o fim da tortura nas prisões políticas. Assim ele foi e salvou muitas vidas, em contatos com generais e comandantes do 2º Exército.” É o que explica Ricardo Carvalho documentarista da vida de Dom Paulo, que lança filme inédito também esta semana.


As homenagens vêm de diversas direções: a Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou esta semana, numa proposta do vereador Eduardo Suplicy, a mudança do nome da Praça da Sé, que passa a se chamar “Praça da Sé – Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns”.

 

 

*Editado por Maura Silva