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Por Aline Antunes
Da Página do MST

 

Entre os dias 18 e 21 de setembro aconteceu na Escola Nacional Florestán Fernandes o IV Seminário Nacional “MST e a Cultura”. Com caráter orgânico do conjunto do MST, o seminário buscou aprofundar a discussão sobre os desafios culturais na construção da Reforma Agrária Popular, estando entre um de seus objetivos o de estudar a dinâmica da indústria cultural articulada ao agronegócio e sua atuação nos territórios do MST. O objetivo se traça pela necessidade de discutir de que maneira a dinâmica mercantil se territorializa nas áreas de Reforma Agrária e se faz presente no modo de produção agrícola, inserindo-se também nas escolas, hábitos, valores, e nas relações entre ser humano e natureza.


Para compreender o conceito de indústria cultural é necessário sua articulação com o conceito de hegemonia, pois um sustenta o outro de forma complementar. Para Gramsci, a hegemonia é a capacidade de direção de uma classe sobre as demais, ocorrendo por meio da coerção e do consentimento, ou seja, envolve força e ideias. Portanto, a concentração dos meios de comunicação de massa permite a construção do caráter alienador e opressivo da indústria cultural, e que atuam desde a cultura até a educação.

 

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E é nesse contexto em que se insere a atuação do agronegócio em nossa sociedade. Tanto o agronegócio quanto a indústria cultural se desenvolvem com a exploração de valores culturais e de bens naturais, tornando-se assim, os dois, partes complementares do modo de produção hegemônico.


Nos últimos dez anos, o agronegócio se consolidou como força hegemônica na sociedade brasileira, e seu conceito político vai muito além das porteiras das áreas rurais. Ele se insere também nas esferas da economia, da política e nos campos simbólicos.


Neste último, o agronegócio atua de forma incisiva em três grandes frentes: a comunicação, englobando o marketing empresarial e o jornalismo; a educação; e a cultura. Essa nova estratégia do modelo de agricultura defendido pelo capital é diferente daquele imposto na década de 70, durante o período da “Revolução Verde”. Enquanto naquele momento o agronegócio defendia o êxodo rural, as vantagens em se viver na cidade e o atraso da vida no campo, hoje ele joga e dialoga com quem ainda vive no meio rural, a fim de cooptá-los ao seu modelo de produção.

 

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E é por estes motivos que a atuação do agronegócio na esfera da cultura se dá dentro da lógica da indústria cultural. Ele se apropria das linguagens e dos espaços de atuação das comunidades e dos movimentos sociais, e os transforma em mercadorias. Como quando ele incorpora pautas defendidas pela Reforma Agrária, como não deixar a terra ociosa, a promessa de produzir alimentos, cuidar do meio ambiente, integrar campo e cidade, promover cultura e inclusão social. Porém, sem debater de que maneira isso se dá, e quais as consequências seu modelo trará ao ser humano e à natureza.


Dados os fatos, nosso desafio é enfrentar o agronegócio em todos os campos e esfera possíveis. E por isso se faz necessária a disputa da hegemonia dos oligopólios midiáticos e a construção de um sistema de comunicação de caráter público, o que é central para os movimentos populares. Sem isso,é impossível garantir o direito humano à comunicação e à liberdade de expressão.

 

*Editado por Leonardo Fernandes