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Por Letícia Stasiak
Da Página do MST
Foto de capa: Davi Magalhães

 

A primeira edição do Encontro dos Sem Terrinha da região Sul do Rio Grande do Sul foi realizada no último sábado (7), no município de Canguçu. A programação durou todo o dia e contou com aproximadamente 100 pessoas, entre crianças de assentamentos da Reforma Agrária de Canguçu, Herval e Piratini.


Durante a manhã, aconteceu uma marcha em defesa de saúde e educação de qualidade e por melhorias das condições para viver no campo. Ocorreu também entrega de carta às autoridades locais, com as principais pautas dos Sem Terrinha. Na parte da tarde, a diversão ficou por conta das oficinas de pintura no rosto, teatro e argila.


O encontro em Canguçu da início às atividades regionais dos Sem Terrinha no estado, que esperam mobilizar em média mil crianças até o dia 13 de outubro. 
 

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Foto: Eduardo Teixeira


Leia abaixo a íntegra da carta dos Sem Terrinha da região Sul:


Somos Sem Terrinha e lutamos por dignidade e respeito às nossas vidas e às vidas das nossas famílias. Queremos acesso à saúde e à Educação de qualidade, ao lazer e ao direito de sonhar com um futuro melhor. Queremos liberdade para viver no campo.


Lutamos pelo direito de ficar mais tempo com nossa família e de sermos ouvidos, por isso, pedimos que não fechem ou criem dificuldades para nossas escolas, nem maltratem ou desrespeitem nossos professores.


Mesmo crianças, podemos ser notados e ouvidos como pessoas que viverão o futuro dos nossos assentamentos e das nossas comunidades, que construirão sua existência desde a infância.


Queremos compartilhar saberes e vivências que aprendemos em casa, com nossos colegas e professores. Queremos ter o direito de estudar em escolas que respeitem estes saberes e permitam a construção de conhecimentos. Queremos uma merenda gostosa, farta e saudável.


Solicitamos um transporte seguro para nos levar até as escolas. Estas não precisam ter luxo, mas um espaço que nos ofereça condições de estudar com tranquilidade. Queremos estradas que nos permitam transitar para estudar, ir ao médico, ter acesso ao lazer.

 

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Foto: Eduardo Teixeira

Nos comprometemos em ajudar nossas famílias a viver com tranquilidade, produzir sem agrotóxico, valorizar a alimentação orgânica e a vida saudável no campo. Cuidar dos animais, das plantas, das nossas hortas, ter o direito de plantar e colher o que vamos consumir, sem o uso dos venenos que nos rodeiam. Gostaríamos que nossos pais não precisassem ficar tão preocupados com a dificuldade de comprar nossos remédios, nossas roupas para não sentirmos frio e nossos cadernos para estudar.


Lutaremos para que nosso país seja livre e democrático, que os direitos de todos, inclusive das crianças, sejam preservados e valorizados; que o estado e os municípios nos respeitem e nos garantam o que é nosso por direito. Mesmo pequenos queremos avisar que estamos atentos, pois o que vocês fazem hoje pode modificar o que seremos amanhã.


Vamos  sonhar junto com nossos pais, professores, vizinhos e dirigentes com um futuro melhor para todos nós. Vamos ser crianças que lutam pelo que querem, que têm esperança em dias mais alegres e que constroem o futuro coletivamente e um projeto de Reforma Agrária Popular.


Enfim, senhores e senhoras adultos que têm o poder de tomar decisões, nos permitam sonhar. Não nos tirem este direito, não desrespeitem a nossa infância e não nos tratem como números amontoados em cadastros pouco usados ou em folhas de chamadas. Nos deixem viver em um mundo limpo, saudável, democrático e em que a ousadia de lutar e sonhar seja respeitada. Temos esperança em dias melhores!


Somos Sem Terrinha!

 

*Editado por Leonardo Fernandes